{"id":81533,"date":"2025-09-22T09:14:07","date_gmt":"2025-09-22T09:14:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/81533\/"},"modified":"2025-09-22T09:14:07","modified_gmt":"2025-09-22T09:14:07","slug":"80a-assembleia-geral-da-onu-tem-inicio-com-foco-no-estado-da-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/81533\/","title":{"rendered":"80\u00aa Assembleia Geral da ONU tem in\u00edcio com foco no Estado da Palestina"},"content":{"rendered":"<p>        Dez pa\u00edses \u2013 entre eles o Reino Unido, especialmente simb\u00f3lico \u2013 entraram na muito extensa lista dos que reconhecem o Estado da Palestina. O assunto promete ser preponderante na Semana de Alto N\u00edvel, que decorre nos pr\u00f3ximos dois dias. Mas os assuntos em an\u00e1lise v\u00e3o mais longe que o M\u00e9dio Oriente.    <\/p>\n<p>Apesar de todas as press\u00f5es da Casa Branca \u2013 nomeadamente na inenarr\u00e1vel utiliza\u00e7\u00e3o das tarifas como m\u00e9todo de persuas\u00e3o \u2013 Reino Unido, Canad\u00e1, Austr\u00e1lia, Andorra, B\u00e9lgica, Luxemburgo, Malta, S\u00e3o Marino e Portugal, que o fez este domingo (como outros), v\u00e3o aproveitar o in\u00edcio da 80\u00aa Assembleia-Geral da ONU, que come\u00e7a esta ter\u00e7a-feira em Nova Iorque, para reconhecer o Estado da Palestina. Juntam-se assim aos 146 dos 193 Estados soberanos membros da ONU que j\u00e1 o fazem \u2013 agregando assim um total de mais de 80% do globo, que Israel considera ser anti-semita, promotor do terrorismo e defensor da barb\u00e1rie perpetrada pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o \u2013 para al\u00e9m de alinhar os pa\u00edses com as decis\u00f5es soberanas da ONU em termos de Direito Internacional \u2013 resulta do horror que a guerra em Gaza tem motivado um pouco por todo o globo, com Israel a manter uma inexplic\u00e1vel atitude de recusa em reconhecer os erros que ali tem cometido. E que, conv\u00e9m recordar, foram apelidados de genoc\u00eddio pela pr\u00f3pria ONU.<\/p>\n<p>Donald Trump, o presidente do pa\u00eds que se posiciona como o mais consolidado apoiante do Estado hebraico \u2013 apesar de no in\u00edcio, em 1948, n\u00e3o ser assim: nessa altura Israel estava mais pr\u00f3ximo da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica \u2013 tentou, explicitamente no caso do Canad\u00e1, demover estes dez pa\u00edses de seguirem a posi\u00e7\u00e3o dos restantes 146. Recentemente, na sua visita ao Reino Unido, Trump voltou ao assunto, mas mais uma vez foi mal recebido: o primeiro-ministro, Keir Starmer, n\u00e3o se deixou intimidar.<\/p>\n<p>Por raz\u00f5es hist\u00f3ricas \u2013 mas tamb\u00e9m pela posi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds no c\u00f4mputo global \u2013 a decis\u00e3o do Reino Unido \u00e9 especialmente simb\u00f3lica, dado seu importante papel na cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel como uma na\u00e7\u00e3o moderna ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial. Conv\u00e9m contudo n\u00e3o esquecer que os devaneios diplom\u00e1ticos dos brit\u00e2nicos \u2013 no que foram auxiliados pelos franceses (os dois Estados que assumiram em determinada altura o protetorado de parte do M\u00e9dio Oriente) \u2013 foram uma das causas do problema atual. De facto, os brit\u00e2nicos trataram de prometer tudo a toda a gente, judeus e \u00e1rabes, entre a I e a II guerras mundiais (de 1918 a 1939), criando uma situa\u00e7\u00e3o que s\u00f3 os mais distra\u00eddos podiam supor que iria resultar. N\u00e3o resultou \u2013 como ficou mais ou menos claro a partir da Declara\u00e7\u00e3o Balfour (1917). Por tudo isto, a posi\u00e7\u00e3o do Reino Unido \u00e9 especialmente importante.<\/p>\n<p>\u201cHoje, para reavivar a esperan\u00e7a de paz para os palestinianos e israelitas, e uma solu\u00e7\u00e3o de dois Estados, o Reino Unido reconhece formalmente o Estado da Palestina\u201d, disse o primeiro-ministro Keir Starmer nas redes coais este domingo.<\/p>\n<p>\u201cO Canad\u00e1 reconhece o Estado da Palestina e oferece a nossa parceria na constru\u00e7\u00e3o da promessa de um futuro pac\u00edfico tanto para o Estado da Palestina como para o Estado de Israel\u201d, disse por seu lado o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, este domingo.<\/p>\n<p>O ministro da Seguran\u00e7a de Israel, Itamar Ben-Gvir \u2013 um dos visados pela proposta de san\u00e7\u00f5es da Comiss\u00e3o Europeia \u2013 disse que as decis\u00f5es do Reino Unido, Canad\u00e1 e Austr\u00e1lia este domingo (ter-se-\u00e1 esquecido de Portugal!) foram uma recompensa aos \u201cassassinos\u201d do Hamas. Ben-Gvir disse ainda que vai propor, na pr\u00f3xima reuni\u00e3o de gabinete, a aplica\u00e7\u00e3o da soberania na Cisjord\u00e2nia \u2014 a anexa\u00e7\u00e3o de facto das terras que Israel tomou na Guerra dos Seis Dias (1967). E aconselhou a que a Autoridade Palestiniana, que exerce uma autonomia muito limitada na Cisjord\u00e2nia, seja desmantelada.<\/p>\n<p><strong>Alemanha no comando<\/strong><\/p>\n<p>A 80\u00aa Assembleia-Geral da ONU come\u00e7a com a chamada \u2018Semana de Alto N\u00edvel\u2019 (que tem lugar esta segunda-feira e encerrar\u00e1 dois dias depois), onde os chefes de Estado e de governo se re\u00fanem para o Debate Geral. Outro evento muito aguardados ser\u00e1 a Confer\u00eancia para a Solu\u00e7\u00e3o de Dois Estados, organizada pela Fran\u00e7a e pela Ar\u00e1bia Saudita e na qual v\u00e1rios pa\u00edses ir\u00e3o oficializar o reconhecimento do Estado palestiniano. \u00c9\u00a0imposs\u00edvel que o tema de Israel e da Palestina n\u00e3o venha a ser preponderante ao longo das imensas e curtas declara\u00e7\u00f5es dos chefes de Estado e de governo, mas o certo \u00e9 que a AG tem mais temas. Com a designa\u00e7\u00e3o oficial \u2018Melhores Juntos: 80 anos e al\u00e9m pela paz, desenvolvimento e direitos humanos\u2019, a AG celebra os 80 anos de uma organiza\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou mal: foi criada para ultrapassar a inefic\u00e1cia da Liga das Na\u00e7\u00f5es (suprimida em 1946, um ano depois da cria\u00e7\u00e3o da ONU), que n\u00e3o conseguiu impedir a II Guerra. \u00a0Este car\u00e1cter de \u2018substitui\u00e7\u00e3o\u2019 foi o ponto de partida das cr\u00edticas que acompanharam a sua cria\u00e7\u00e3o \u2013 segundo as quais mais um organismo nunca seria capaz de parar com as guerras. Nesse contexto, os cr\u00edticos acertaram: a guerra de Fran\u00e7a na Indochina come\u00e7ou logo em 1946, o confronto entre a China e os Estados Unidos deu-se a partir de 1951 na Pen\u00ednsula da Coreia, e assim por diante, at\u00e9 hoje: nunca o mundo teve capacidade para estar todo ele, ao mesmo tempo, em paz.<\/p>\n<p>Mas, mais recentemente \u2013 e desde logo a partir do momento em que a ONU e o seu secret\u00e1rio-geral, o portugu\u00eas Ant\u00f3nio Guterres demoraram a reagir \u00e0 invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia, em fevereiro de 2022 \u2013 a organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 acusada de ser crescentemente inoperante. A sua alta dire\u00e7\u00e3o defende-se, dizendo que a capacidade de veto dos cinco membros do Conselho de Seguran\u00e7a (R\u00fassia, EUA, Reino Unido, Fran\u00e7a e China) \u00e9 na pr\u00e1tica uma for\u00e7a de bloqueio. Mas tamb\u00e9m se avolumam as cr\u00edticas de que esse conselho de seguran\u00e7a (criado em 1946, numa altura em que s\u00f3 os Estados Unidos tinham acesso a armamento nuclear, e que tem mais dez membros n\u00e3o-permanentes e sem direito de veto) n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o representa as for\u00e7as mundiais entretanto desenvolvidas, como deixa de lado uma parte substancial das lideran\u00e7as entretanto estabelecidas. Em alguma altura, dizem os cr\u00edticos, e quanto mais cedo melhor, a organiza\u00e7\u00e3o ter\u00e1 de lidar com a sua pr\u00f3pria refunda\u00e7\u00e3o, sob pena de perder relev\u00e2ncia e de ser t\u00e3o ineficaz como a defunta Liga das Na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Estas cr\u00edticas com certeza que estar\u00e3o no esp\u00edrito da alem\u00e3 Annalena Baerbock, que assumiu este m\u00eas a presid\u00eancia da 80\u00aa Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Ex-ministra das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Alemanha \u00e9 a quinta mulher em 80 anos a ocupar o cargo. No seu discurso ap\u00f3s a vota\u00e7\u00e3o, Baerbock falou num movo ciclo, que ser\u00e1 um momento crucial para a organiza\u00e7\u00e3o. E citou os campos pol\u00edtico e financeiro, al\u00e9m dos mais de 120 conflitos armados que lembram que a miss\u00e3o primordial das Na\u00e7\u00f5es Unidas, de \u201csalvar as gera\u00e7\u00f5es futuras do flagelo da guerra\u201d, continua inacabada.<\/p>\n<p>De qualquer modo, o M\u00e9dio Oriente n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico tema que estar\u00e1 em destaque. Segundo a pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o, o multilateralismo e a coopera\u00e7\u00e3o global \u2013 torpedeados pela administra\u00e7\u00e3o Trump; os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS); a a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, a Intelig\u00eancia Artificial (IA); a igualdade de g\u00e9nero e a juventude; e o financiamento ao desenvolvimento ser\u00e3o temas que se juntam \u00e0 quest\u00e3o da Palestina e \u00e0 reforma da ONU no topo da agenda da Assembleia-Geral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Dez pa\u00edses \u2013 entre eles o Reino Unido, especialmente simb\u00f3lico \u2013 entraram na muito extensa lista dos que&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":81534,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[20877,1305,20878,27,28,413,15,16,14,259,25,26,21,22,432,62,12,13,19,20,910,431,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-81533","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-80a-ag-da-onu","9":"tag-alemanha","10":"tag-annalena-baerbock","11":"tag-breaking-news","12":"tag-breakingnews","13":"tag-eua","14":"tag-featured-news","15":"tag-featurednews","16":"tag-headlines","17":"tag-israel","18":"tag-latest-news","19":"tag-latestnews","20":"tag-main-news","21":"tag-mainnews","22":"tag-medio-oriente","23":"tag-mundo","24":"tag-news","25":"tag-noticias","26":"tag-noticias-principais","27":"tag-noticiasprincipais","28":"tag-onu","29":"tag-palestina","30":"tag-principais-noticias","31":"tag-principaisnoticias","32":"tag-top-stories","33":"tag-topstories","34":"tag-ultimas","35":"tag-ultimas-noticias","36":"tag-ultimasnoticias","37":"tag-world","38":"tag-world-news","39":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81533","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81533"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81533\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81534"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81533"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81533"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81533"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}