{"id":81563,"date":"2025-09-22T09:32:12","date_gmt":"2025-09-22T09:32:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/81563\/"},"modified":"2025-09-22T09:32:12","modified_gmt":"2025-09-22T09:32:12","slug":"em-maputo-na-exposicao-do-pintor-mocambicano-e-bracarense-elias-mathonse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/81563\/","title":{"rendered":"Em Maputo na exposi\u00e7\u00e3o do pintor mo\u00e7ambicano e bracarense Elias Mathonse\u00a0"},"content":{"rendered":"<p>Regressei, h\u00e1 dias, de Maputo, Mo\u00e7ambique, para onde viajei a convite do pintor mo\u00e7ambicano Elias Mathonse, que viveu e trabalhou 18 anos em Braga. O artista abriu uma exposi\u00e7\u00e3o, no Museu Nacional, em Maputo, com 23 obras, 18 das quais pintadas e comercializadas em Braga, nos anos 90 do s\u00e9culo 20. E, nesse dia, celebrou 70 anos de vida!<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<\/p>\n<p>A mostra, intitulada \u00abEncruzilhada de Gera\u00e7\u00f5es\u00bb, conta com pinturas de uma sobrinha, Zelama Lubisi, tamb\u00e9m ela jovem artista e que reside na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Na inaugura\u00e7\u00e3o, enalteci a amizade luso-mo\u00e7ambicana, consubstanciada no companheirismo que me uniu ao pintor, desde que chegou a Braga em 1988 at\u00e9 ao seu regresso a Maputo em 2005.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" data-dominant-color=\"76726f\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #76726f;\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"613045\" alt=\"Em maputo na exposi\u00e7\u00e3o do pintor mo\u00e7ambicano e bracarense elias mathonse\u00a0\" class=\"wp-image-613045 not-transparent perfmatters-lazy\" title=\"Em maputo na exposi\u00e7\u00e3o do pintor mo\u00e7ambicano e bracarense elias mathonse\u00a0 6\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_1453-scaled.jpg\"  data-\/>Exposi\u00e7\u00e3o de  Elias Mathonse no Museu Nacional, em Maputo<\/p>\n<p>Lembrei, ainda, que Portugal e Mo\u00e7ambique integram a CPLP- Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa, o que classifiquei como um \u201ctesouro\u201d para o futuro dos seus povos, que haver\u00e1 que incrementar atrav\u00e9s de um projeto comum de desenvolvimento com vantagens enormes para todos. Oxal\u00e1, haja meios e \u00e2nimo pol\u00edtico para o concretizar.<\/p>\n<p>Sendo muitos os bracarenses que privaram com o pintor, importa sublinhar que est\u00e1 de boa sa\u00fade, depois de um per\u00edodo conturbado, a que n\u00e3o foi alheio o facto de ter sido sua vontade ter ficado a viver em Braga, o que n\u00e3o conseguiu porque a atividade da pintura n\u00e3o gerava meios financeiros suficientes.<\/p>\n<p>Como se v\u00ea nas fotos, o Elias anda de muletas e por duas raz\u00f5es: foi atropelado numa avenida da cidade e os ossos de uma perna \u2013 nas suas palavras \u2013 \u201csaltaram fora e n\u00e3o voltaram ao s\u00edtio\u201d. A isto acresce que, a seguir, levou um tiro nas n\u00e1degas, disparado por um pol\u00edcia, que o fez \u00ab\u00e0 toa\u00bb, numa rusga em que se buscava um criminoso local.<\/p>\n<p>Apesar destas contrariedades, mant\u00e9m o mesmo esp\u00edrito vivo, a mesma afetividade e um grande sentido de humor que \u00e9, diga-se, carater\u00edstico dos mo\u00e7ambicanos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" data-dominant-color=\"7b7872\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #7b7872;\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" alt=\"Em maputo na exposi\u00e7\u00e3o do pintor mo\u00e7ambicano e bracarense elias mathonse\u00a0\" class=\"wp-image-613046 not-transparent perfmatters-lazy\" title=\"Em maputo na exposi\u00e7\u00e3o do pintor mo\u00e7ambicano e bracarense elias mathonse\u00a0 7\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_EliasExposicao-scaled.jpg\"  data-\/>Exposi\u00e7\u00e3o de  Elias Mathonse no Museu Nacional, em Maputo<\/p>\n<p>Apoio da C\u00e2mara de Braga<\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o \u2013 e conforme salientei na ocasi\u00e3o \u2013 teve apoio do Munic\u00edpio de Braga, atrav\u00e9s de Ana Ferreira do pelouro da Cultura, que disponibilizou o fot\u00f3grafo S\u00e9rgio Feitas para registar \u2013 com alta qualidade \u2013 as quase 50 pinturas e desenhos que a tamb\u00e9m pintora Marlene Lima \u2013 tamb\u00e9m ela amiga do Elias \u2013 juntou, vindas das casas de muitos bracarenses que, naquela \u00e9poca, lhe compraram obras.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara inclui uma inten\u00e7\u00e3o de princ\u00edpio, assumida pelo seu presidente, Ricardo Rio, de realizar uma exposi\u00e7\u00e3o do Elias em Braga, numa data ainda a determinar. E que passar\u00e1 por um protocolo com a fam\u00edlia do autor.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio lembra hist\u00f3ria dos Mathonse<\/p>\n<p>No ato inaugural, o irm\u00e3o do Elias, Ant\u00f3nio \u2013 diplomata mo\u00e7ambicano e que organizou o evento \u2013 fez como que a hist\u00f3ria da fam\u00edlia, n\u00e3o sem antes agradecer a disponibilidade do \u201cmagn\u00edfico e prestigiado Museu Nacional de Arte, aut\u00eantico guardi\u00e3o de tesouros art\u00edsticos mo\u00e7ambicanos\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Esta conflu\u00eancia \u2013 entre tio e sobrinha \u2013 \u201cn\u00e3o \u00e9 fortuita, obedece sim \u00e0 for\u00e7a do magnestismo do nome Matonse. O vov\u00f4 Eliasse Matonse, o patriarca da fam\u00edlia, e a vov\u00f3 Nwanpunguine Kubai, conceberam cinco filhos que, j\u00e1 adultos, atra\u00edram c\u00f4njuges das fam\u00edlias Cossa, Chambale, Santos, Matholo, Maholela, Bila e Timba. Por sua vez, os netos e netas do nosso saudoso vov\u00f4 Matonse encantaram raparigas e rapazes das fam\u00edlias Massalane, Uene, Xagonga, Bara\u00e7a, Capistrano, Kupela, Binana, Lubisi e Cardoso. Com o andar do tempo, em vez de diluir-se, o apelido fortaleceu-se, em cont\u00ednua reprodu\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cie, num encadeamento que junta fam\u00edlias de Maputo, Gaza, Inhambane, Tete e Niassa e pelo Mo\u00e7ambique fora.<\/p>\n<p>E, prosseguindo, anotou: \u201c Fruto de ramifica\u00e7\u00e3o impar\u00e1vel, hoje a fam\u00edlia Matonse \u00e9 fluente, n\u00e3o s\u00f3 em cixangane, mas tamb\u00e9m em xironga, bitonga, cixope, xinianja, xinungwe, cimacua, kiswahili e, obviamente, portugu\u00eas, num rol de l\u00ednguas que igualmente incluem espanhol, italiano e alem\u00e3o. Os Matonse s\u00e3o maioritariamente de Magude, o antigo Reino de Kosine de Magudu Cossa, terra natal do saudoso e inesquec\u00edvel futebolista M\u00e1rio Coluna, distrito sempre recordado pela morte, em Mapulanguene, do formid\u00e1vel comandante e estratega militar do Imp\u00e9rio de Gaza, Maguiguana Cossa, e tamb\u00e9m por ser o ber\u00e7o da Miss\u00e3o Su\u00ed\u00e7a, hoje Igreja Presbiteriana, e de outro famoso artista pl\u00e1stico mo\u00e7ambicano, Nordino Ubisse\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" data-dominant-color=\"756862\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #756862;\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" alt=\"Em maputo na exposi\u00e7\u00e3o do pintor mo\u00e7ambicano e bracarense elias mathonse\u00a0\" class=\"wp-image-613047 not-transparent perfmatters-lazy\" title=\"Em maputo na exposi\u00e7\u00e3o do pintor mo\u00e7ambicano e bracarense elias mathonse\u00a0 8\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_Eliasbolo70anos-scaled.jpg\"  data-\/>Exposi\u00e7\u00e3o de  Elias Mathonse no Museu Nacional, em Maputo<\/p>\n<p>Av\u00f4 influenciou o Elias<\/p>\n<p>E disse, ainda: \u201cQuando se viaja de Xinavane a Magude, antes da chegada \u00e0 c\u00e9lebre ponte ferro-rodovi\u00e1ria, vislumbram-se, \u00e0 direita, na outra margem do poderoso rio Incom\u00e1ti, tr\u00eas edif\u00edcios de alvenaria, que s\u00e3o a igreja, a escola e o hospital de Antioca, onde nasceu Elias Mathonse, a 5 de Setembro de 1955. Ali nasceu a Miss\u00e3o Su\u00ed\u00e7a em Mo\u00e7ambique, fundada em finais de 1880, por Yosef Malamala, filho de pai habitante do sul do Save, emigrado para a \u00c1frica do Sul no dealbar do s\u00e9culo dezanove, na fuga em massa provocada pela terr\u00edvel seca c\u00edclica e pelas incurs\u00f5es militares ngunis lideradas por Soshangane\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEm meados do s\u00e9culo v20, o vov\u00f4 Eliasse Matonse estudaria em Antioca os fundamentos da teologia calvinista e provavelmente na \u00c1frica do Sul, pa\u00eds que acolheu n\u00e3o s\u00f3 os membros da corte do Reino de Ngungunhane em decl\u00ednio, como tamb\u00e9m os mabuyanglela, grupo a que o pai do nosso av\u00f4 provavelmente pertenceu. Os estudos habilitaram-no a criar uma modesta par\u00f3quia em Ungutlha, sita a norte, entre a Vila de Magude e a localidade de Motaze, que o catapultou \u00e0 lideran\u00e7a da fam\u00edlia e da comunidade local. A paix\u00e3o, simplicidade e frugalidade do modus vivendi do vov\u00f4 Matonse influenciaram inegavelmente a vida campestre do futuro pintor Elias. As mem\u00f3rias da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia s\u00e3o discern\u00edveis nas obras expostas nesta exposi\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de estudar, a sua tenra idade girou \u00e0 volta de pastorear gado, pescar nos rios Tants\u00e9, em Ungutla, e Incom\u00e1ti, em Magude, ca\u00e7ar ratos e passarinhos, jogar a bola feita de trapos, deslumbrar-se com filmes de cowboys no Clube de Magude ou simplesmente, com o seu bando de petizes, a furtar ocasionalmente laranjas em quintais de colonos portugueses\u201d.<\/p>\n<p>O desenho \u00e0 tinta da China \u2013 continuou \u2013 foi o seu rito de inicia\u00e7\u00e3o nas artes pl\u00e1sticas. J\u00e1 passa mais de meio s\u00e9culo desde que fez a primeira exposi\u00e7\u00e3o na Escola Official de Magude, em finais de 1960.<\/p>\n<p>PS: 1) Na estadia em Mo\u00e7ambique tive oportunidade de visitar o Parque Nacional de Maputo, facto de que darei conta em pr\u00f3xima cr\u00f3nica\u20262) Pe\u00e7o desculpa aos leitores pelo grande tamanho deste escrito, mas entendi que a descri\u00e7\u00e3o da \u00abtribo\u00bb Mathonse \u00e9 significativa do ponto de vista hist\u00f3rico e antropol\u00f3gico\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Regressei, h\u00e1 dias, de Maputo, Mo\u00e7ambique, para onde viajei a convite do pintor mo\u00e7ambicano Elias Mathonse, que viveu&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":81564,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[207,205,206,203,201,202,204,114,115,32,33],"class_list":{"0":"post-81563","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-arte","9":"tag-arte-e-design","10":"tag-artedesign","11":"tag-arts","12":"tag-arts-and-design","13":"tag-artsanddesign","14":"tag-design","15":"tag-entertainment","16":"tag-entretenimento","17":"tag-portugal","18":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81563","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81563"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81563\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81563"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81563"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81563"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}