{"id":81800,"date":"2025-09-22T12:50:22","date_gmt":"2025-09-22T12:50:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/81800\/"},"modified":"2025-09-22T12:50:22","modified_gmt":"2025-09-22T12:50:22","slug":"nicolas-behr-lanca-encerrado-e-transforma-bioma-em-poesia-e-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/81800\/","title":{"rendered":"Nicolas Behr lan\u00e7a &#8220;EnCerrado&#8221; e transforma bioma em poesia e resist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p class=\"texto\">O poeta <strong><a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/cultura\/2024\/11\/6993191-poeta-nicolas-behr-desembarca-em-bh-para-bate-papos-e-lancamento-de-livro.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Nicolas Behr<\/a><\/strong> lan\u00e7a neste s\u00e1bado (20\/9) o livro \u201cEnCerrado\u201d (Impress\u00f5es de Minas), no Espa\u00e7o Impress\u00f5es, em BH, das 16h \u00e0s 21h. O evento inclui bate-papo com Behr e Rog\u00e9rio Tavares, al\u00e9m de leitura de poemas do livro com o projeto Manuscrito. A obra surge como uma cr\u00edtica ao desrespeito \u00e0 natureza e se posiciona principalmente contra o desmatamento, celebrando a grandiosidade do cerrado.<\/p>\n<p class=\"texto\">Os poemas v\u00eam da longa conviv\u00eancia do autor com o cerrado. Bioma que, segundo ele, levou 70 milh\u00f5es de anos para se formar e, em apenas 40 anos, j\u00e1 perdeu metade de sua \u00e1rea original. \u201cBasicamente, \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o do meu conhecimento sobre o cerrado em poesia via linguagem. Mod\u00e9stia inclu\u00edda, eu sei muito sobre o cerrado, eu estudo o cerrado, conhe\u00e7o o cerrado e transformei esse conhecimento cient\u00edfico, t\u00e9cnico, em poesia\u201d, explica Behr.<\/p>\n<p class=\"texto\">Nicolas Behr nasceu em Cuiab\u00e1, em 1958. At\u00e9 os 10 anos de idade, morou em uma fazenda no Norte do Mato Grosso, em Diamantino. O poeta sempre viveu em contato com a natureza e com os animais e, desde a juventude, \u00e9 engajado em causas ambientais, pol\u00edticas e estudantis, o que sempre motivou o tom e conte\u00fado de sua escrita.<\/p>\n<p class=\"texto\">\u201cEra adolescente quando comecei a escrever, fazia parte de um grupo de Bras\u00edlia de muita participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Comecei a publicar meus livros mimeografados e os vendia na rua. Em 1980, eu virei publicit\u00e1rio, fui redator. Fiquei um tempo sem escrever, sem publicar\u201d, conta ele.<\/p>\n<p class=\"texto\">Ap\u00f3s deixar a publicidade, Behr se engajou no movimento ecol\u00f3gico. \u201cFui para ecologia e voltei a escrever meus livros. Esse hobby, que era produ\u00e7\u00e3o de mudas, de plantas, virou neg\u00f3cio. At\u00e9 hoje tenho um viveiro de plantas, o Pau Bras\u00edlia.\u201d<\/p>\n<p><strong>Limites<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">Em \u201cEnCerrado\u201d, poemas evidenciam o posicionamento do autor com as causas ambientais. Para ele, o homem atua de maneira hostil \u00e0 natureza, a v\u00ea como inimiga e como um produto para ser usado e comercializado. \u201cSe o homem n\u00e3o se d\u00e1 limite, a natureza vai dar. Ela j\u00e1 est\u00e1 dando sinais, porque o planeta n\u00e3o aguenta\u201d, diz Behr.<\/p>\n<p class=\"texto\">O poeta de 67 anos conta que o livro amadureceu ao longo de sua vida, mas levou cerca de um ano para ser escrito. \u201cFui lendo sobre o cerrado, relendo, olhando os livros, e fui vendo que ali tinha alguns n\u00facleos po\u00e9ticos, algumas coisas que podiam virar tema: queimada, desmatamento, vereda, mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, afirma.<\/p>\n<p class=\"texto\">\u201c&#8217;As \u00e1rvores s\u00e3o um poema que a terra escreveu para o c\u00e9u&#8217;. Quem disse isso foi Khalil Gibran, mas o poema n\u00e3o \u00e9 dele, \u00e9 de quem precisa\u201d, reflete Behr.<\/p>\n<p><strong>Ditadura<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">Nicolas Behr integrava movimentos estudantis nos anos 1970. Em 1978, com 20 anos e 10 dias, foi preso pelo DOPS. Os militares justificaram a pris\u00e3o por \u201cporte de material pornogr\u00e1fico\u201d, mas, na verdade, deduziram que o poeta tinha um mime\u00f3grafo em casa e buscavam apreend\u00ea-lo. \u201cN\u00e3o acharam mime\u00f3grafos. Fui a julgamento e fui absolvido\u201d, relembra.<\/p>\n<p class=\"texto\">Segundo Behr, a pris\u00e3o n\u00e3o o intimidou. \u201cContinuo escrevendo do mesmo jeito. As ditaduras t\u00eam medo da poesia. Ent\u00e3o, fiquei pensando: \u2018Ser\u00e1 que \u00e9 comigo? Eu amea\u00e7o o Estado brasileiro?\u2019 Porque era um garoto, um menino.\u201d<\/p>\n<p class=\"texto\">Para o poeta, os anos de chumbo evidenciaram a arte e a poesia como forma de testemunho e resist\u00eancia. \u201cEsse livro \u00e9 um testemunho da destrui\u00e7\u00e3o do cerrado, que est\u00e1 desaparecendo na nossa cara. Hoje tem gente queimando, desmatando, e o cerrado est\u00e1 indo\u201d, conclui Behr.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<blockquote class=\"blockquote-widget col-sm-12\" cite=\"https:\/\/developer.mozilla.org\"><p>&#13;<br \/>\n    \u201cLamento estragar a festa dos teus rodeios de grandes n\u00fameros, mas a natureza apresenta a conta, faz de conta que n\u00e3o \u00e9 com voc\u00ea\u201d&#13;<br \/>\n    Poema \u201cLamento estragar a festa\u201d, Nicolas Behr&#13;<br \/>\n    &#13;\n<\/p><\/blockquote>\n<p class=\"texto\">\u00a0<strong>\u201cENCERRADO\u201d<\/strong><br \/>\u2022\u00a0De Nicolas Behr<br \/>\u2022\u00a099 p\u00e1ginas<br \/>\u2022\u00a0Impress\u00f5es de Minas<br \/>\u2022\u00a0Pre\u00e7o: R$ 60<br \/>\u2022\u00a0Lan\u00e7amento neste s\u00e1bado (20\/9), no Espa\u00e7o Impress\u00f5es (Rua Bueno Brand\u00e3o, 80 \u2013 Floresta), das 16h \u00e0s 21h. Bate-papo com Nicolas Behr e Rog\u00e9rio Tavares, e leitura de poemas do livro com o projeto Manuscrito. Entrada gratuita.<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>* Estagi\u00e1ria sob supervis\u00e3o da subeditora Tet\u00ea Monteiro<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O poeta Nicolas Behr lan\u00e7a neste s\u00e1bado (20\/9) o livro \u201cEnCerrado\u201d (Impress\u00f5es de Minas), no Espa\u00e7o Impress\u00f5es, em&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":81801,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[14876,169,114,115,271,864,237,170,20961,6109,32,33],"class_list":{"0":"post-81800","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-bh","9":"tag-books","10":"tag-entertainment","11":"tag-entretenimento","12":"tag-lancamento","13":"tag-literatura","14":"tag-livro","15":"tag-livros","16":"tag-nicolas-behr","17":"tag-poesia","18":"tag-portugal","19":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81800","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81800"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81800\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81801"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81800"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81800"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81800"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}