{"id":82315,"date":"2025-09-22T19:41:11","date_gmt":"2025-09-22T19:41:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/82315\/"},"modified":"2025-09-22T19:41:11","modified_gmt":"2025-09-22T19:41:11","slug":"iscte-defende-ajuda-para-alunos-que-nao-entraram-no-ensino-superior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/82315\/","title":{"rendered":"Iscte defende ajuda para alunos que n\u00e3o entraram no ensino superior"},"content":{"rendered":"<p>A reitora do Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa (Iscte), Maria de Lurdes Rodrigues, e o vice-reitor, Jorge Costa, prop\u00f5em o lan\u00e7amento de um programa nacional de recupera\u00e7\u00e3o e melhoria das aprendizagens dos alunos do ensino secund\u00e1rio, envolvendo as escolas e as institui\u00e7\u00f5es de ensino superior, mobilizando professores e estudantes do ensino superior.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis \u00e9 clara: \u201cMilhares de jovens est\u00e3o a ser deixados para tr\u00e1s.\u201d \u201cEste ano aumentou muito o n\u00famero de estudantes impossibilitados de ingresso no ensino superior devido aos resultados dos exames\u201d, sublinha Maria de Lurdes Rodrigues, em declara\u00e7\u00f5es ao DN. Para a reitora, \u201cum aluno que n\u00e3o conclui o secund\u00e1rio e n\u00e3o tem uma profiss\u00e3o vai enfrentar muitas dificuldades no mercado de trabalho\u201d. \u201cEm acumulado, nos \u00faltimos anos, s\u00e3o milhares de jovens nessa situa\u00e7\u00e3o\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Segundo a respons\u00e1vel, os exames nacionais, suspensos desde 2019, e que regressaram em 2025, provocaram uma redu\u00e7\u00e3o significativa no n\u00famero de candidatos ao Concurso Nacional de Acesso (CNA). Recorde-se que no ano letivo 2024-2025 entraram em vigor as novas regras para a conclus\u00e3o do ensino secund\u00e1rio, tornando obrigat\u00f3ria a realiza\u00e7\u00e3o de tr\u00eas exames nacionais. Apesar da diminui\u00e7\u00e3o \u201cacentuada\u201d de candidatos ao ensino superior, a reitora rejeita a ideia de falha no sistema. \u201cN\u00e3o acho que tenha falhado nada. Em 2018 j\u00e1 havia milhares de jovens que n\u00e3o conclu\u00edam o secund\u00e1rio. Este ano o problema foi apenas reavivado\u201d.<\/p>\n<p>Maria de Lurdes Rodrigues relembra tamb\u00e9m a extens\u00e3o da escolaridade obrigat\u00f3ria, aprovada em 2009 e concretizada em 2013. \u201c\u00c9 muito urgente olhar para o que se est\u00e1 a passar quanto aos efeitos da escolaridade obrigat\u00f3ria at\u00e9 aos 18 anos. N\u00e3o h\u00e1 um acompanhamento dos alunos que, chegando aos 18 anos, n\u00e3o concluem com \u00eaxito o secund\u00e1rio. Precisamos de saber os efeitos, os resultados e os impactos dessa escolaridade obrigat\u00f3ria\u201d, conta. Contudo, afirma, \u201co objetivo de manter os jovens na escola at\u00e9 aos 18 anos n\u00e3o pode ser posto em causa\u201d. \u201cN\u00e3o devemos rever a escolaridade obrigat\u00f3ria. O objetivo \u00e9 proporcionar aos jovens v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es, profissionais ou vocacionais, e esse \u00e9 um objetivo que Portugal n\u00e3o pode perder de vista. O que precisamos \u00e9 encontrar formas de aumentar o \u00eaxito, reduzir o insucesso e n\u00e3o desistir do ensino secund\u00e1rio. A escolaridade obrigat\u00f3ria foi um passo essencial para combater as baixas qualifica\u00e7\u00f5es do pa\u00eds, mas agora \u00e9 preciso avaliar os seus efeitos e agir em conformidade\u201d, explica. Para a respons\u00e1vel, o ponto cr\u00edtico est\u00e1 na avalia\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o podemos ter exames com exig\u00eancias estratosf\u00e9ricas. Matem\u00e1tica n\u00e3o pode variar tr\u00eas valores em tr\u00eas ou quatro anos, at\u00e9 porque os alunos n\u00e3o mudam. Algo est\u00e1 a falhar na forma como medimos os conhecimentos\u201d, esclarece.<\/p>\n<p>As quatro propostas do Iscte<\/p>\n<p>No documento entregue ao Governo e \u00e0 Assembleia da Rep\u00fablica, os reitores avan\u00e7am com quatro medidas principais: criar programas de recupera\u00e7\u00e3o de aprendizagens para alunos que chumbaram nos exames ou n\u00e3o conclu\u00edram o secund\u00e1rio; permitir que as duas chamadas de exames (1.\u00aa e 2.\u00aa \u00e9poca) contem para a 1.\u00aa fase do CNA; garantir controlo de qualidade e comparabilidade entre exames anuais, \u00e0 semelhan\u00e7a de testes internacionais como o PISA e antecipar a divulga\u00e7\u00e3o de dados sobre reprova\u00e7\u00f5es e conclus\u00f5es, evitando que as medidas cheguem apenas no ano seguinte.<\/p>\n<p>Maria de Lurdes Rodrigues acredita que a Academia ir\u00e1 mobilizar-se para apoiar os estudantes, at\u00e9 porque, \u201cmuitas institui\u00e7\u00f5es j\u00e1 t\u00eam forma\u00e7\u00f5es de microcr\u00e9ditos, anos zero ou parcerias com escolas secund\u00e1rias\u201d. \u201cTenho a certeza de que estar\u00e3o empenhadas em participar. Al\u00e9m disso, ficaram com vagas por preencher este ano, pelo que tamb\u00e9m t\u00eam interesse em atrair estes jovens\u201d, adianta. E existem, segundo a reitora, recursos no sistema que podem ser aproveitados. \u201cHoje o pa\u00eds tem uma oferta significativa de forma\u00e7\u00f5es p\u00f3s-secund\u00e1rio, como Cursos de Especializa\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica (CET). Mas \u00e9 preciso financiamento adicional, canalizado para os alunos que ficaram pelo caminho\u201d, refere.<\/p>\n<p>Urg\u00eancia de medidas imediatas<\/p>\n<p>A reitora alerta que o problema n\u00e3o pode esperar por estat\u00edsticas do pr\u00f3ximo ano. \u201cSe queremos mudar no pr\u00f3ximo ano, era preciso come\u00e7ar j\u00e1. Se s\u00f3 vamos saber quem reprovou este ano no pr\u00f3ximo ano letivo, ser\u00e1 tarde demais. Estes jovens ficam abandonados ou a repetir o ano com a mesma mat\u00e9ria\u201d, alerta Maria de Lurdes Rodrigues. Sem medidas imediatas, diz, o risco de repetir a quebra de candidatos em 2026 e 2027 \u00e9 grande. \u201cO que eu esperava era que algo acontecesse j\u00e1 para que no pr\u00f3ximo ano n\u00e3o voltasse a diminuir o n\u00famero de alunos que ingressam no ensino superior. Se n\u00e3o houver mudan\u00e7as, vai voltar a acontecer\u201d, garante.<\/p>\n<p>Sobre eventuais cr\u00edticas de que estas medidas possam ser vistas como uma forma de \u201cfacilitar\u201d o acesso ao ensino superior e baixar a exig\u00eancia, Maria de Lurdes Rodrigues afirma n\u00e3o defender o fim dos exames, porque s\u00e3o \u201cum instrumento essencial para uma avalia\u00e7\u00e3o externa da qualidade das aprendizagens, permitindo mitigar desigualdades entre escolas\u201d. Os reitores pretendem evitar que as provas se transformem num fator de exclus\u00e3o e abandono, empurrando milhares de jovens para o mercado de trabalho sem qualifica\u00e7\u00f5es. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A reitora do Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa (Iscte), Maria de Lurdes Rodrigues, e o vice-reitor, Jorge Costa, prop\u00f5em&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":82316,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[27,28,539,4224,15,16,14,18931,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-82315","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-educacao","11":"tag-ensino-superior","12":"tag-featured-news","13":"tag-featurednews","14":"tag-headlines","15":"tag-iscte","16":"tag-latest-news","17":"tag-latestnews","18":"tag-main-news","19":"tag-mainnews","20":"tag-news","21":"tag-noticias","22":"tag-noticias-principais","23":"tag-noticiasprincipais","24":"tag-portugal","25":"tag-principais-noticias","26":"tag-principaisnoticias","27":"tag-pt","28":"tag-top-stories","29":"tag-topstories","30":"tag-ultimas","31":"tag-ultimas-noticias","32":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82315","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82315"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82315\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82316"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82315"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82315"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82315"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}