{"id":8233,"date":"2025-07-30T09:42:11","date_gmt":"2025-07-30T09:42:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/8233\/"},"modified":"2025-07-30T09:42:11","modified_gmt":"2025-07-30T09:42:11","slug":"ia-consegue-identificar-nos-pela-forma-como-o-nosso-corpo-distorce-os-sinais-de-wi-fi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/8233\/","title":{"rendered":"IA consegue identificar-nos pela forma como o nosso corpo distorce os sinais de Wi-Fi"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/depositphotos.com\/photo\/girl-with-a-green-suitcase-goes-along-a-moving-train-at-the-metro-station-railway-274060692.html\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"exclude\" target=\"_blank\">ZAP \/\/ Denis Bukhlaev  \/ Depositphotos; UA<\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-691969 size-kopa-image-size-3\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/b610a496d0d434fd499d986a0c08925f-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p><strong>J\u00e1 n\u00e3o precisamos de estar a usar um telem\u00f3vel, nem sermos apanhados por uma c\u00e2mara de vigil\u00e2ncia, para seremos rastreados: basta estarmos ao alcance de um sinal de wi-fi.<\/strong><\/p>\n<p>Uma equipa de investigadores da Universidade La Sapienza, em Roma, criou um sistema que permite identificar qualquer pessoa usando apenas a forma como o seu<strong> corpo perturba um sinal Wi-Fi<\/strong> \u2014 sem dispositivos, sem imagens \u2014 e sem necessidade de consentimento.<\/p>\n<p>O novo sistema, apropriadamente chamado <strong>WhoFi<\/strong>, precisa apenas da perturba\u00e7\u00e3o do sinal que o corpo causa quando caminhamos<strong> atrav\u00e9s de uma sala com Wi-Fi<\/strong>. E funciona surpreendentemente bem, diz o <a href=\"https:\/\/www.zmescience.com\/research\/a-new-ai-can-spot-you-by-how-your-body-bends-a-wi-fi-signal\/\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">ZME Science<\/a>.<\/p>\n<p>\u201c<strong>Quando um sinal Wi-Fi se propaga<\/strong> atrav\u00e9s de um ambiente, a sua forma de onda \u00e9 <strong>alterada pela presen\u00e7a e caracter\u00edsticas f\u00edsicas<\/strong> de objetos e pessoas ao longo do seu caminho\u201d, escreveram os investigadores no seu <a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2507.12869\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">estudo<\/a>, recentemente pr\u00e9-publicado no arXiv. \u201cEstas altera\u00e7\u00f5es <strong>cont\u00eam informa\u00e7\u00e3o biom\u00e9trica rica<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>O nosso <strong>sentido de privacidade<\/strong> tem sofrido uma eros\u00e3o significativa ao longo dos \u00faltimos anos. Desde o <strong>reconhecimento facial<\/strong> em espa\u00e7os p\u00fablicos at\u00e9 aplica\u00e7\u00f5es que <strong>rastreiam cada movimento nosso<\/strong>, as ferramentas que nos observam tornaram-se mais avan\u00e7adas \u2014 e mais dif\u00edceis de detetar.<\/p>\n<p>Mas enquanto a maioria dos sistemas de seguran\u00e7a usa o nosso telem\u00f3vel, rosto ou palavra-passe para nos identificar, a dete\u00e7\u00e3o por Wi-Fi agora apresentada neste estudo usa <strong>simplesmente a forma como nos movemos<\/strong>.<\/p>\n<p>Sempre que um sinal Wi-Fi viaja atrav\u00e9s de uma sala, ressalta nas paredes, mob\u00edlia e, sim, <strong>nos corpos humanos<\/strong>.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 uma <strong>cascata de pequenas altera\u00e7\u00f5es<\/strong> na amplitude e fase do sinal, conhecidas como <strong>Informa\u00e7\u00e3o do Estado do Canal<\/strong> (CSI). Estes dados s\u00e3o normalmente usados para resolver problemas de liga\u00e7\u00f5es sem fios. Mas pode tornar-se <strong>uma assinatura pessoal<\/strong>.<\/p>\n<p>O sistema WhoFi pega nestas<strong> perturba\u00e7\u00f5es invis\u00edveis<\/strong> e alimenta-as numa rede neural profunda, <strong>treinada para reconhecer e lembrar-se<\/strong> da forma como cada corpo perturba distintamente um sinal. N\u00e3o precisa de interagir com uma pessoa de forma alguma \u2014 apenas precisa que ela passe por perto de um sinal Wi-Fi.<\/p>\n<p>Usando uma base de dados p\u00fablica chamada<strong> NTU-Fi<\/strong>, que registou a forma como <strong>volunt\u00e1rios alteraram sinais Wi-Fi<\/strong> enquanto caminhavam em diferentes configura\u00e7\u00f5es de roupa \u2014 com e sem mochilas, casacos e sobretudos \u2014 os investigadores descobriram que o seu sistema podia identificar corretamente indiv\u00edduos com <strong>at\u00e9 95,5 % de precis\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Preserva\u00e7\u00e3o ou amea\u00e7a \u00e0 privacidade?<\/p>\n<p>As tecnologias de vigil\u00e2ncia de alta tecnologia s\u00e3o uma faca de dois gumes, nota o <a href=\"https:\/\/techxplore.com\/news\/2025-07-whofi-surveillance-technology-track-people.html\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">TechXplore<\/a>. Por um lado, precisamos de ter dispositivos sofisticados para detetar <strong>comportamentos suspeitos e alertar as autoridades<\/strong>. Mas, por outro, h\u00e1 a necessidade de <strong>proteger a privacidade individual<\/strong>.<\/p>\n<p>Assim, equilibrar a seguran\u00e7a p\u00fablica e as liberdades individuais \u00e9 um desafio constante para os inovadores e decisores pol\u00edticos.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, os criadores do WhoFi apresentam a sua inven\u00e7\u00e3o como uma <strong>alternativa mais consciente de privacidade<\/strong> aos sistemas baseados em c\u00e2maras.<\/p>\n<p>\u201cAo aproveitar <strong>caracter\u00edsticas biom\u00e9tricas n\u00e3o-visuais<\/strong> incorporadas no CSI Wi-Fi\u201d, escrevem, \u201ceste estudo oferece uma abordagem de preserva\u00e7\u00e3o da privacidade e robusta para Re-ID baseado em Wi-Fi.\u201d<\/p>\n<p>Os investigadores salientam que os sinais Wi-Fi <strong>n\u00e3o capturam imagens<\/strong>, n\u00e3o gravam conversas nem veem o que estamos a vestir. Simplesmente capturam a forma como o nosso corpo subtilmente distorce as ondas de r\u00e1dio.<\/p>\n<p>E ao contr\u00e1rio das c\u00e2maras, a dete\u00e7\u00e3o Wi-Fi <strong>funciona na escurid\u00e3o<\/strong>, atrav\u00e9s de paredes e em condi\u00e7\u00f5es de baixa visibilidade.<\/p>\n<p>Mas esta mesma vantagem de \u201cprivacidade\u201d levanta <strong>bandeiras vermelhas<\/strong> imediatas: o potencial para <strong>uso indevido<\/strong> \u00e9 t\u00e3o vasto como a paisagem sem fios moderna.<\/p>\n<p><strong>As redes Wi-Fi est\u00e3o praticamente em todo o lado<\/strong>, e \u00e0 medida que mais dispositivos adotam Wi-Fi 6, 7 e 8 \u2014 que suportam medi\u00e7\u00f5es CSI mais refinadas \u2014 este tipo de rastreamento torna-se ainda mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de uma c\u00e2mara na parede ou um guarda de seguran\u00e7a \u00e0 porta, a vigil\u00e2ncia Wi-Fi <strong>pode ser invis\u00edvel<\/strong>: podemos nunca saber que l\u00e1 est\u00e1 e ainda assim rastrear-nos.<\/p>\n<p>Por agora, os investigadores enfatizam que <strong>o seu trabalho \u00e9 acad\u00e9mico<\/strong>: n\u00e3o h\u00e1 planos comerciais, nem implementa\u00e7\u00f5es governamentais. Ainda.<\/p>\n<p>Mas a dete\u00e7\u00e3o Wi-Fi <strong>\u00e9 um campo em crescimento<\/strong>. J\u00e1 est\u00e1 a ser explorada para aplica\u00e7\u00f5es na <strong>dete\u00e7\u00e3o de quedas, reconhecimento de gestos<\/strong>, dete\u00e7\u00e3o de presen\u00e7a e at\u00e9 medi\u00e7\u00e3o do ritmo card\u00edaco. Isso significa que o salto do laborat\u00f3rio para a sala de estar (<strong>ou aeroporto, ou escola<\/strong>) pode ser curto.<\/p>\n<p>\u201cOs resultados encorajadores alcan\u00e7ados confirmam a viabilidade dos sinais Wi-Fi como uma <strong>modalidade biom\u00e9trica robusta<\/strong> e de preserva\u00e7\u00e3o da privacidade\u201d, concluem os autores. \u201cE posicionam este estudo como um passo significativo em frente no desenvolvimento de sistemas de Re-ID baseados em sinal.\u201d<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m levanta uma quest\u00e3o simples: se o Wi-Fi pode reconhecer-te sem o teu conhecimento, <strong>o anonimato ainda \u00e9 poss\u00edvel<\/strong>?<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/1753561629_82_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/1753561629_441_c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/1753561630_988_5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"ZAP \/\/ Denis Bukhlaev \/ Depositphotos; UA J\u00e1 n\u00e3o precisamos de estar a usar um telem\u00f3vel, nem sermos&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8234,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,933,32,552,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-8233","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-inteligencia-artificial","12":"tag-portugal","13":"tag-privacidade","14":"tag-pt","15":"tag-science","16":"tag-science-and-technology","17":"tag-scienceandtechnology","18":"tag-technology","19":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8233","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8233"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8233\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8234"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8233"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8233"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8233"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}