{"id":82393,"date":"2025-09-22T20:40:08","date_gmt":"2025-09-22T20:40:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/82393\/"},"modified":"2025-09-22T20:40:08","modified_gmt":"2025-09-22T20:40:08","slug":"casa-de-madeira-mais-surpreendente-do-porto-nasceu-entre-couves-e-pessegueiros-new-in-porto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/82393\/","title":{"rendered":"Casa de madeira mais surpreendente do Porto nasceu entre couves e pessegueiros \u2014 New in Porto"},"content":{"rendered":"<p>Carlos Castanheira pensava que conhecia bem o Porto, mas a sua perpe\u00e7\u00e3o mudou quando entrou num quintal murado na Fontinha, no centro da cidade. Por tr\u00e1s dos muros altos encontrou um cen\u00e1rio inesperado: hortas, galinheiro, \u00e1rvores de fruto e at\u00e9 uma pequena produ\u00e7\u00e3o certificada de vinho verde. Ali vivia uma fam\u00edlia, num ambiente quase rural em plena cidade. O casal, j\u00e1 com uma filha pequena, sonhava em construir uma casa no fundo do terreno, junto \u00e0 resid\u00eancia dos pais, mas queriam que fosse uma casa especial: pequena, funcional e feita em madeira.<\/p>\n<p>O arquiteto aceitou o desafio e cedo percebeu que o terreno guardava mais surpresas. A pouco mais de um metro de profundidade, o solo era puro granito. \u201cA solu\u00e7\u00e3o foi levantar a casa do ch\u00e3o, assente num plinto de bet\u00e3o, para n\u00e3o ferir demasiado o substrato\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Assim nasceu a Casa da Fontinha, desenhada com dois volumes em \u201cU\u201d, que se unem em forma de \u201cH\u201d. A sul ficam as \u00e1reas sociais \u2014 cozinha, sala de jantar e sala de estar. A norte, os tr\u00eas quartos da fam\u00edlia. Ao centro, um hall amplo e um pequeno mezanino usado como escrit\u00f3rio. A cave alberga a adega, assim como as \u00e1reas t\u00e9cnicas e de servi\u00e7o.<\/p>\n<p>A madeira sempre foi mais do que material para este Carlos Castanheira, que a usa como estrutura e acabamento, suporte e pele. Na Casa da Fontinha, o interior \u00e9 revestido com ripados e pavimentos que d\u00e3o textura e calor. Cada teto foi trabalhado de forma diferente, criando jogos de volumes e sombras. Na escadaria, o ripado vertical guia o olhar; no ch\u00e3o, a madeira desenha linhas horizontais que d\u00e3o continuidade ao espa\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201cAcho que todos gostar\u00edamos de viver no exterior se o clima permitisse\u201d, aventa o arquiteto. Por isso, criou janelas amplas mas protegidas, mais baixas nos quartos para garantir privacidade, e c\u00fapulas no teto que deixam a luz entrar de forma controlada.<\/p>\n<p>No exterior, a op\u00e7\u00e3o foi pelo cobre, um material nobre, dur\u00e1vel e sem custos de manuten\u00e7\u00e3o, que contrasta com a leveza da madeira e reflete as mudan\u00e7as de luz ao longo do dia.\u00a0\u201c\u00c9 um ambiente bom e bonito, que funciona e que emociona \u2014 esse \u00e9 o objetivo da arquitetura\u201d, sublinha Castanheira.<\/p>\n<p>As janelas de diferentes tamanhos funcionam como molduras para o jardim, onde continuam a crescer as couves, os pessegueiros e os nabos que o arquiteto encontrou na primeira visita. \u201cAs couves e os pessegueiros mantiveram-se, mas agora tamb\u00e9m h\u00e1 um jardim, porque tudo muda com a necessidade de viver. Viver melhor e em harmonia\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia optou por manter o anonimato, por raz\u00f5es de seguran\u00e7a, mas n\u00e3o esconde o orgulho pela casa conclu\u00edda em 2022. A constru\u00e7\u00e3o demorou mais de tr\u00eas anos \u2014 entre 2019 e 2022 \u2014, e o processo exigiu tempo, t\u00e9cnica e dedica\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Com os materiais de topo e os acabamentos de autor utilizados no projeto com 286 metros quadrados de \u00e1rea, o investimento aproximou-se do milh\u00e3o de euros.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-127045\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/e1200bad82c721f0f1abf55f64e45bc8.jpg\" alt=\"casa de madeira\" width=\"1000\" height=\"750\"  \/>O in\u00edcio das obras.<\/p>\n<p>A carreira de Carlos Castanheira ajuda a compreender a mestria desta obra. Nascido em 1957, o arquitecto formou-se em Lisboa e cedo come\u00e7ou a colaborar com \u00c1lvaro Siza Vieira, com quem mant\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o de trabalho e amizade at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Fundou o pr\u00f3prio atelier no Porto, assinou projetos em Portugal e no estrangeiro, e ficou reconhecido pela forma como trabalha a madeira, criando espa\u00e7os acolhedores e intemporais. Obras como a Casa em Bai\u00e3o, a Galeria de Arte em Beijing ou o Pavilh\u00e3o de Portugal em Xangai demonstram a versatilidade de um arquiteto que gosta de cruzar tradi\u00e7\u00e3o com contemporaneidade.<\/p>\n<p>Na Fontinha, a sua interven\u00e7\u00e3o devolveu surpresa a um recanto esquecido da cidade. A casa ergue-se acima do solo, como se flutuasse entre \u00e1rvores de fruto e muros de granito. Os alpendres na frente permitem viver no limiar entre interior e exterior, sentindo o jardim sem deixar o conforto da casa. Grandes paredes de vidro ligam o privado \u00e0 paisagem, criando um ref\u00fagio inesperado em pleno centro do Porto.<\/p>\n<p>A Fontinha n\u00e3o \u00e9 somente uma moradia de madeira no meio da cidade, mas um manifesto sobre como a possibilidade de reinventar a vida urbana. E \u00e9 tamb\u00e9m uma li\u00e7\u00e3o sobre o di\u00e1logo da arquitetura com a mem\u00f3ria, respeitando o que existia e acrescentando conforto, beleza e modernidade.<\/p>\n<p>\u201cEntrar nesta casa a \u00e9 deixar o Porto l\u00e1 fora\u201d, sublinha Castanheira, defensor de uma arquitetura que cria mundos novos sem precisar de sair da cidade.<\/p>\n<p>Carregue na galeria para ver mais imagens desta moradia \u00fanica no Porto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Carlos Castanheira pensava que conhecia bem o Porto, mas a sua perpe\u00e7\u00e3o mudou quando entrou num quintal murado&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":82394,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[207,205,206,203,201,202,204,114,115,32,33],"class_list":{"0":"post-82393","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-arte","9":"tag-arte-e-design","10":"tag-artedesign","11":"tag-arts","12":"tag-arts-and-design","13":"tag-artsanddesign","14":"tag-design","15":"tag-entertainment","16":"tag-entretenimento","17":"tag-portugal","18":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82393","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82393"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82393\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82394"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82393"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82393"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82393"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}