{"id":83067,"date":"2025-09-23T10:27:23","date_gmt":"2025-09-23T10:27:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/83067\/"},"modified":"2025-09-23T10:27:23","modified_gmt":"2025-09-23T10:27:23","slug":"governo-frances-pondera-imposto-para-os-super-ricos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/83067\/","title":{"rendered":"Governo franc\u00eas pondera imposto para os super-ricos"},"content":{"rendered":"<p>        Se o novo avan\u00e7a, isso querer\u00e1 dizer que o primeiro-ministro S\u00e9bastien Lecornu est\u00e1 a testar a possibilidade de encontrar apoio parlamentar entre os socialistas, o que seria uma forte mudan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos seus mais recentes antecessores. O homem mais rico de Fran\u00e7a \u00e9 evidentemente contra e o c\u00e9lebre economista Thomas Piketty \u00e9 evidentemente a favor.    <\/p>\n<p>O novo governo franc\u00eas chefiado por S\u00e9bastien Lecornu parece estar a ponderar avan\u00e7ar com uma proposta de cria\u00e7\u00e3o de um imposto para os super-ricos \u2013 uma daquelas op\u00e7\u00f5es que est\u00e1 constantemente em debate entre os gauleses, tal como acontece como a idade da reforma. Mais que a inten\u00e7\u00e3o, a possibilidade da cria\u00e7\u00e3o do novo imposto \u2013 que est\u00e1 longe de estar decidida, at\u00e9 porque parte do governo \u00e9 contra \u2013 revela que o novo primeiro-ministro pode ter decidido \u2018pescar\u2019 apoios externos \u00e0 sua fam\u00edlia pol\u00edtica entre os socialistas. A acontecer, \u00e9 uma mudan\u00e7a substancial: os seus antecessores haviam tentado encontrar esse suporte pol\u00edtico entre os extremistas do Rassemblement National (RN) de Marine Le Pen e Jordan Bardella. Para os analistas, esta poss\u00edvel mudan\u00e7a de entendimentos permitiria a Lecornu testar ainda a possibilidade de outros grupos parlamentares \u00e0 esquerda das for\u00e7as de Emmanuel Macron, como os Verdes, serem tentados a n\u00e3o inviabilizar o Or\u00e7amento do Estado para 2026, que o primeiro-ministro est\u00e1 a preparar. Uma taxa sobre grandes fortunas \u00e9 uma exig\u00eancia antiga entre as for\u00e7as da esquerda gaulesa.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o novo imposto pretende arrecadar 2% ao ano sobre fortunas acima de 100 milh\u00f5es de euros, o que, nas contas do novo governo, atingiria apenas 0,01% dos contribuintes. A chamada \u2018taxa Zucman\u2019 poderia gerar 20 mil milh\u00f5es de euros por ano \u2013 o que \u00e9 pouco menos de metade dos 44 mil milh\u00f5es de euros que o anterior governo, liderado por Fran\u00e7ois Bayrou, queria poupar nas contas para 2026. E, em princ\u00edpio, permitiria reduzir o d\u00e9fice (5,8% do PIB em 2024) e a d\u00edvida p\u00fablica (114% para o mesmo per\u00edodo). A outra vantagem da taxa Zucman (pensada pelo economista franc\u00eas Gabriel Zucman) \u00e9 que permitiria aliviar os cortes previstos nas \u00e1reas sociais e acabar com a elimina\u00e7\u00e3o de dois feriados. Zucman, professor na Escola de Economia de Paris e em Berkeley, Calif\u00f3rnia, divulgou no ano passado um estudo sobre o impacto de um imposto m\u00ednimo sobre os super-ricos do mundo.<\/p>\n<p>\u201cEstamos diante de um bloqueio or\u00e7amental, pol\u00edtico, pela recusa em abordar seriamente o problema da n\u00e3o tributa\u00e7\u00e3o dos super-ricos\u201d, disse Zucman \u00e0 r\u00e1dio France Inter. As exig\u00eancias pela \u201cjusti\u00e7a fiscal\u201d marcaram os protestos de 10 de setembro e tamb\u00e9m a greve convocada pelos sindicatos para a passada quinta-feira.<\/p>\n<p>Segundo uma sondagem da IFOP, contratada pelos socialistas, 86% dos franceses s\u00e3o favor\u00e1veis \u00e0 \u2018taxa Zucman\u2019 e 79% apoiam a redu\u00e7\u00e3o dos subs\u00eddios \u00e0s grandes empresas.<\/p>\n<p>A poderosa federa\u00e7\u00e3o patronal MEDEF amea\u00e7ou organizar uma \u201cgrande mobiliza\u00e7\u00e3o\u201d de empres\u00e1rios contra a \u2018taxa Zucman\u2019, que considera a proposta como \u201cuma forma de expropria\u00e7\u00e3o\u201d. Isto apesar de, desde 2017, quando chegou \u00e0 presid\u00eancia, Macron ter reduzido os impostos sobre empresas e as grandes fortunas em nome da competitividade e da atratividade da economia. Segundo dados divulgados pela imprensa francesa, os subs\u00eddios p\u00fablicos a grandes empresas somaram pelo menos 211 mil milh\u00f5es de euros em 2023.<\/p>\n<p>Bernard Arnault, o CEO do grupo de luxo LVMH e talvez o franc\u00eas mais rico do mundo, disse que a proposta de imposto \u00e9 \u201cuma ofensiva mortal para a nossa economia\u201d. O multimilion\u00e1rio fez os coment\u00e1rios ao jornal brit\u00e2nico \u2018Sunday Times\u2019 e n\u00e3o a qualquer publica\u00e7\u00e3o francesa. A fortuna de Bernard Arnault est\u00e1 avaliada em 157,1 mil milh\u00f5es de euros pela Forbes. Arnault nada disse sobre deixar o seu pa\u00eds natal se o novo imposto avan\u00e7ar, mas chamou Zucman de \u201cativista de extrema-esquerda\u201d. E acrescentou: \u201ceste claramente n\u00e3o \u00e9 um debate t\u00e9cnico ou econ\u00f3mico, mas sim um desejo claramente declarado de destruir a economia francesa\u201d. Zucman reagiu a estas palavras nas redes sociais: \u201cbilion\u00e1rios pagam pouco ou nenhum imposto sobre os rendimentos, e 86% dos franceses est\u00e3o certos em querer acabar com esse privil\u00e9gio\u201d, escreveu.<\/p>\n<p>Outro economista franc\u00eas, Thomas Piketty \u2013 \u2018estrela\u2019 mundial depois de ter escrito \u2018O capital no s\u00e9culo XXI\u2019 \u2013 classificou as palavras de Arnault como \u201cabsurdas\u201d. \u201cAs mais de 500 pessoas mais ricas aumentaram a sua riqueza em 500% de 2010 a 2025. Com um imposto anual de 2%, levaria um s\u00e9culo para retomar os n\u00edveis de 2010, supondo que n\u00e3o recebam rendimentos nesse entretanto\u201d, escreveu nas redes sociais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Se o novo avan\u00e7a, isso querer\u00e1 dizer que o primeiro-ministro S\u00e9bastien Lecornu est\u00e1 a testar a possibilidade de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":83068,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[88,21225,21226,89,90,208,21227,32,33,21228],"class_list":{"0":"post-83067","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-business","9":"tag-crise-em-franca","10":"tag-crise-politica-em-franca","11":"tag-economy","12":"tag-empresas","13":"tag-franca","14":"tag-imposto-robin-hood","15":"tag-portugal","16":"tag-pt","17":"tag-taxa-zucman"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83067","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83067"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83067\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/83068"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83067"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83067"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83067"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}