{"id":8396,"date":"2025-07-30T12:09:22","date_gmt":"2025-07-30T12:09:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/8396\/"},"modified":"2025-07-30T12:09:22","modified_gmt":"2025-07-30T12:09:22","slug":"medo-e-barrigas-vazias-no-segundo-dia-de-paralisacao-em-luanda-luanda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/8396\/","title":{"rendered":"Medo e barrigas vazias no segundo dia de paralisa\u00e7\u00e3o em Luanda | Luanda"},"content":{"rendered":"<p>Preocupados com a inseguran\u00e7a e a possibilidade de escassez de bens, muitos luandenses procuraram esta ter\u00e7a-feira abastecer-se nas poucas lojas ainda abertas, temendo as incertezas dos pr\u00f3ximos dias.<\/p>\n<p>No segundo dia da paralisa\u00e7\u00e3o convocada pelos taxistas \u2013 que degenerou em protestos violentos, actos de vandalismo e pilhagens \u2013, populares ouvidos pela Lusa na capital angolana manifestaram receios face \u00e0 instabilidade e condenaram os dist\u00farbios, mas reconhecem que h\u00e1 motivos para os protestos, que atribuem sobretudo ao agravamento das condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas pensam com a barriga, n\u00e3o pensam com a cabe\u00e7a\u201d, resumiu Feliciano Lussati, jovem professor residente na zona de Benfica, \u00e0 sa\u00edda de uma cantina (pequena mercearia local) onde conseguiu comprar p\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds \u00e9 ca\u00f3tica, \u00e9 prec\u00e1ria e as coisas est\u00e3o sempre a aumentar. O sal\u00e1rio \u00e9 quase a mesmice\u201d, disse, justificando a legitimidade da greve dos taxistas.<\/p>\n<p>Para Feliciano, a viol\u00eancia que se seguiu \u201ctem que ver com a fome. Quem tem fome n\u00e3o pensa nas consequ\u00eancias\u201d, porque os problemas socioecon\u00f3micos do pa\u00eds fazem \u201ccom que as pessoas n\u00e3o pensem com a cabe\u00e7a, pensem com a barriga\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSe n\u00f3s virmos aquilo que n\u00f3s temos assistido nas redes sociais, as pessoas est\u00e3o mais a vandalizar centros comerciais, a tirar comida, n\u00e3o \u00e9? Ent\u00e3o, eu acho que quem n\u00e3o tem fome n\u00e3o estaria a\u00ed a invadir uma loja de um particular para tirar dividendos ou para tirar proveito disso, n\u00e3o \u00e9? Eu acho que a fome est\u00e1 na base disso, o desespero da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 na base disso\u201d, justificou.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>Apesar de no seu bairro a situa\u00e7\u00e3o estar calma, Feliciano passou estes dois dias praticamente em casa, atento \u00e0s redes sociais, enquanto ouvia barulho ao longe.<\/p>\n<p>\u201cFui comprar p\u00e3o porque temos que nos prevenir\u201d, sublinhou, admitindo estar preocupado com os efeitos da greve.<\/p>\n<p>Na sua opini\u00e3o, o desfecho depender\u00e1 da capacidade de resposta do executivo.<\/p>\n<p>\u201cO Governo precisa de saber dialogar, tomar medidas pr\u00f3prias e fazer um esfor\u00e7o de maneira a apaziguar a situa\u00e7\u00e3o e haja consenso, porque se a situa\u00e7\u00e3o continuar por este caminho, infelizmente, n\u00f3s teremos situa\u00e7\u00f5es mais preocupantes e a coisa vai ficar feia a cada ano, a cada dia que passa\u201d, comentou.<\/p>\n<p>A capital de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/angola\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Angola <\/a>acordou esta ter\u00e7a-feira ainda marcada pela tens\u00e3o do dia anterior. Bombas de combust\u00edvel fechadas e protegidas por for\u00e7as de seguran\u00e7a, t\u00e1xis encostados junto a barricadas improvisadas com contentores de lixo, e homens armados \u2013 \u00e0 paisana \u2013 a circular em alguns bairros marcavam a paisagem.<\/p>\n<p>Na zona comercial do S\u00e3o Paulo, habitualmente fervilhante, quase n\u00e3o se via com\u00e9rcio aberto. Apenas algumas &#8216;zungueiras&#8217; (vendedoras de rua) carregavam alguidares com \u00e1gua ou fruta. Maria, tamb\u00e9m vendedora ambulante, moradora no bairro Mundial (Benfica) queixou-se \u00e0 Lusa da falta de clientes.<\/p>\n<p>\u201cHoje n\u00e3o h\u00e1 clientes. Por causa do t\u00e1xi que n\u00e3o est\u00e1 a circular\u201d, disse a vendedora que veio a p\u00e9 trabalhar.<\/p>\n<p>No dia anterior, a vida \u201cestava mesmo bem dif\u00edcil (\u2026) n\u00e3o tinha nada para a gente comer. E consegui mesmo s\u00f3 hoje\u201d, desabafa.<\/p>\n<p>Sobre os protestos, cujas causas disse desconhecer, Maria limitou-se a dizer que viu \u201cassaltos nos supermercados\u201d pela televis\u00e3o.<\/p>\n<p>As marcas da destrui\u00e7\u00e3o eram ainda hoje vis\u00edveis em v\u00e1rias zonas: armaz\u00e9ns com vidros partidos, vest\u00edgios de lixo queimado no asfalto, ruas sem motot\u00e1xis nem os t\u00edpicos azuis e brancos.<\/p>\n<p>Na marginal de Luanda, o vazio contrastava com o habitual movimento. Na Samba, o tr\u00e1fego intenso foi substitu\u00eddo pelo sil\u00eancio apenas interrompido por viaturas que passavam espa\u00e7adamente.<\/p>\n<p>O comerciante Mois\u00e9s Francisco decidiu hoje manter parcialmente aberta a sua cantina, padaria e farm\u00e1cia \u2013 a \u201cMAF\u201d \u2013, apesar do receio. \u201cDe manh\u00e3 aqui estava bastante cheio. Havia muita gente \u00e0 procura de p\u00e3o, porque encontravam as lojas fechadas\u201d, relatou. Com medo de tumultos, acabou por suspender o atendimento que s\u00f3 reiniciou porque \u201ca vizinhan\u00e7a estava a chorar\u201d.<\/p>\n<p>No dia anterior &#8220;n\u00e3o conseguiram comprar p\u00e3o\u201d, justificou.<\/p>\n<p>Para Mois\u00e9s, a paralisa\u00e7\u00e3o teve fundamento. \u201cA greve foi por causa do aumento dos combust\u00edveis. Pode ser motivo, sim. Mas n\u00e3o \u00e9 motivo para fazer pilhagem\u201d, criticou. \u201cEst\u00e3o a sofrer tamb\u00e9m [os comerciantes], n\u00e3o conseguem prosperar. Isso \u00e9 um retrocesso, lamentou.<\/p>\n<p>A paralisa\u00e7\u00e3o dos taxistas foi convocada na sequ\u00eancia do aumento do pre\u00e7o dos combust\u00edveis.<\/p>\n<p>O protesto, que seria pac\u00edfico, rapidamente degenerou em viol\u00eancia em v\u00e1rias zonas de Luanda, com lojas saqueadas, transportes paralisados, barricadas nas estradas e relatos de mortes e feridos.<\/p>\n<p>As autoridades angolanas confirmaram a exist\u00eancia de quatro mortos e j\u00e1 detiveram mais de 500 pessoas. <strong>Lusa<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Preocupados com a inseguran\u00e7a e a possibilidade de escassez de bens, muitos luandenses procuraram esta ter\u00e7a-feira abastecer-se nas&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8397,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[1063,51,27,28,15,16,14,25,26,2994,21,22,62,12,13,19,20,32,23,24,33,654,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-8396","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-principais-noticias","8":"tag-angola","9":"tag-benfica","10":"tag-breaking-news","11":"tag-breakingnews","12":"tag-featured-news","13":"tag-featurednews","14":"tag-headlines","15":"tag-latest-news","16":"tag-latestnews","17":"tag-luanda","18":"tag-main-news","19":"tag-mainnews","20":"tag-mundo","21":"tag-news","22":"tag-noticias","23":"tag-noticias-principais","24":"tag-noticiasprincipais","25":"tag-portugal","26":"tag-principais-noticias","27":"tag-principaisnoticias","28":"tag-pt","29":"tag-sao-paulo","30":"tag-top-stories","31":"tag-topstories","32":"tag-ultimas","33":"tag-ultimas-noticias","34":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8396","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8396"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8396\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8397"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8396"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8396"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8396"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}