{"id":85706,"date":"2025-09-25T08:08:22","date_gmt":"2025-09-25T08:08:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/85706\/"},"modified":"2025-09-25T08:08:22","modified_gmt":"2025-09-25T08:08:22","slug":"quando-gouveia-fala-fico-preocupado-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/85706\/","title":{"rendered":"&#8220;Quando Gouveia fala fico preocupado&#8221; \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 sem o fato de comentador, mas falando num tom pedag\u00f3gico semelhante ao que costumava usar, Lu\u00eds Marques Mendes voltou \u00e0 SIC para dar uma entrevista no papel de candidato <strong>\u201cexperiente\u201d e \u201cindependente\u201d<\/strong> \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. A pedagogia serviu-lhe, de resto, tanto para explicar as vantagens dessa experi\u00eancia como para detalhar porque \u00e9 que a aus\u00eancia de experi\u00eancia de Henrique Gouveia e Melo \u00e9 um problema \u2014 tendo mesmo chegado a dizer que fica \u201c<strong>mais preocupado\u201d<\/strong> cada vez que o rival abre a boca para falar.<\/p>\n<p>De baterias apontadas a Gouveia e Melo \u2014 come\u00e7ou, ali\u00e1s, a entrevista por frisar que as sondagens come\u00e7aram por coloc\u00e1-lo 21 pontos atr\u00e1s do almirante, e que agora est\u00e1 a <strong>apenas dois<\/strong> \u2014 Marques Mendes colocou-se, sempre que poss\u00edvel, em contraste com o candidato mais bem colocado nos estudos de opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, pegou na ideia de Gouveia e Melo, que diz que seria poss\u00edvel dissolver o Parlamento se o Governo incumprisse gravemente uma promessa de base do seu programa, para dizer que este \u00e9 um <strong>erro \u201cpol\u00edtico e constitucional\u201d<\/strong> s\u00e9rio. \u201cAlgu\u00e9m que admita essa hip\u00f3tese j\u00e1 est\u00e1 a <strong>criar instabilidade.<\/strong> O PR deve ser fator de estabilidade, nunca de instabilidade\u201d, disparou.<\/p>\n<p>Pelo meio, aproveitou para deixar uma farpa educativa a Gouveia e Melo, lembrando que desde a revis\u00e3o constitucional de 1982 que o Governo depende do Parlamento, e n\u00e3o do Presidente, e que se deve <strong>\u201cestudar\u201d<\/strong> as mat\u00e9rias.<\/p>\n<p>E acrescentou que um dos poss\u00edveis exemplos em que Gouveia e Melo \u201cadmitiu\u201d que poderia haver caso para dissolver \u2014 a subida dos impostos do Governo de Pedro Passos Coelho, depois de ter prometido que n\u00e3o o faria \u2014 traria ao pa\u00eds uma crise e provavelmente um segundo resgate financeiro. Depois, o remate: \u201cIsto \u00e9 uma <strong>irresponsabilidade<\/strong>. \u00c9 por isso que sempre que Gouveia e Melo fala fico mais preocupado. Isto s\u00f3 acontece porque lhe falta experi\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Voltando v\u00e1rias vezes por iniciativa pr\u00f3pria ao tema dos perigos de uma Presid\u00eancia do militar, Marques Mendes chegou mesmo a considerar que o candidato, s\u00f3 por admitir situa\u00e7\u00f5es destas, j\u00e1 \u00e9 um \u201cfator de instabilidade\u201d. \u201cJ\u00e1 tivemos dissolu\u00e7\u00f5es a mais. Um Presidente <strong>n\u00e3o deve inventar<\/strong> mais instrumentos para dissolu\u00e7\u00f5es. As crises evitam-se. Ou pelo menos tenta-se evitar. Quando n\u00e3o se evita, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 a bomba at\u00f3mica. Mas \u00e9 importante um Presidente experiente e independente para evitar as crises\u201d.<\/p>\n<p>Haveria ainda mais uma farpa guardada para Gouveia e Melo: aproveitando a pol\u00e9mica sobre o almo\u00e7o entre Andr\u00e9 Ventura e Gouveia e Melo, na quinta de M\u00e1rio Ferreira, Marques Mendes fez quest\u00e3o de associar os dois ao campo do populismo, dizendo que n\u00e3o teria <strong>\u201cnada a conversar\u201d<\/strong> com Andr\u00e9 Ventura e de desmentir que tenha, como Gouveia e Melo disse, almo\u00e7ado com o militar \u2014\u00a0exceto num almo\u00e7o alargado no S\u00e3o Jo\u00e3o, a convite de Rui Moreira, \u201ccom mais trezentas pessoas\u201d. \u201cMuito <strong>convenientemente<\/strong> ele omitiu esta parte\u201d quando disse numa entrevista j\u00e1 ter almo\u00e7ado com Marques Mendes, atirou.<\/p>\n<p>Por isso, Marques Mendes arrumou desde logo Andr\u00e9 Ventura num campo \u00e0 parte, n\u00e3o diretamente seu concorrente \u2014 \u201cEntre Ventura e eu pr\u00f3prio h\u00e1 modelos completamente diferentes. Toda a gente percebeu que \u00e9 uma jogada meramente t\u00e1tica. Ele assumiu que <strong>n\u00e3o quer ser Presidente<\/strong>, quer criar confus\u00e3o, ru\u00eddo, provoca\u00e7\u00e3o. Ele quer destruir o sistema, eu quero reform\u00e1-lo. Ele \u00e9 o candidato do radicalismo, eu da modera\u00e7\u00e3o. Ele quer representar parte dos portugueses, eu todos. Portanto s\u00e3o<strong> campos diferentes\u201d<\/strong> \u2014 para atingir Gouveia e Melo: s\u00f3 um candidato que tivesse caracter\u00edsticas em comum com Ventura poderia querer conversar com ele.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 pergunta mais colocada aos candidatos nos \u00faltimos tempos, sobre se daria posse a um Governo do Chega caso seja o partido mais votado, Marques Mendes disse que \u201cclaro\u201d que o faria \u2014 fazer algo diferente seria um \u201cgolpe de Estado constitucional\u201d \u2014 mas com uma nuance: poderia exigir um <strong>documento escrito de garantias constitucionais<\/strong>, se visse que do programa eleitoral resultavam \u201cmedidas manifestamente contr\u00e1rias \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o\u201d, explica. Por exemplo: se o programa incluir a <strong>pris\u00e3o perp\u00e9tua<\/strong> ou pena de morte, a Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o o permite.<\/p>\n<p>Se o documento n\u00e3o for respeitado, \u201cn\u00e3o h\u00e1 posse\u201d, frisou. \u201cUm Presidente e um primeiro-ministro s\u00e3o as primeiras pessoas interessadas em cumprir a Constitui\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Marques Mendes deu, de resto, v\u00e1rios exemplos concretos sobre a forma como quer exercer o papel de Presidente, o cargo \u201cmais pol\u00edtico de Portugal\u201d. Por um lado, aproveitando a sua experi\u00eancia para <strong>negociar<\/strong>, colocar temas na agenda e fazer \u201cpontes\u201d entre partidos; por outro, deixando clara a sua independ\u00eancia, que disse ter ficado provada nas cr\u00edticas que foi fazendo ao longo dos anos a elementos do seu partido (como Rui Rio, hoje mandat\u00e1rio nacional de Gouveia e Melo) ou na retirada do apoio a <strong>Isaltino Morais<\/strong> quando era presidente do PSD (decis\u00e3o que hoje voltaria a tomar, ao contr\u00e1rio do pr\u00f3prio partido, frisou).<\/p>\n<p>A <strong>\u00e9tica<\/strong> voltou, assim, a ser apontada como uma das suas principais bandeiras: apesar de um Presidente n\u00e3o governar \u2014 como alguns dos seus advers\u00e1rios parecem pensar, sugeriu repetidamente \u2014 deve promover causas e a \u00e9tica seria uma delas, com Marques Mendes a recuperar a sua antiga proposta de compor uma comiss\u00e3o de \u00e9tica recheada de senadores no Parlamento ou comiss\u00f5es de \u00e9tica dentro dos partidos.<\/p>\n<p>H\u00e1 outras bandeiras que tentaria, com a sua magistratura de influ\u00eancia, colocar na agenda, como o <strong>Ensino Superior<\/strong> \u2014 est\u00e1 preocupado porque, como os \u00faltimos dados mostram, h\u00e1 mais vagas do que candidatos e quem perde mais s\u00e3o as universidades e polit\u00e9cnicos do interior. Tamb\u00e9m usaria a sua influ\u00eancia para resolver impasses como o da sempre adiada reforma da <strong>Justi\u00e7a<\/strong>. E a prioridade atual, defendeu, \u00e9 resolver os problemas da<strong> Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o e Habita\u00e7\u00e3o<\/strong> e p\u00f4r a economia a crescer.<\/p>\n<p>A este prop\u00f3sito, pronunciou-se sobre as medidas para promover o <strong>arrendamento<\/strong> a pre\u00e7os moderadas anunciadas por Lu\u00eds Montenegro no Parlamento: \u201cFico contente de hoje serem apresentadas finalmente algumas medidas para o arrendamento, mas faz falta dar garantias de que durante dez anos os benef\u00edcios n\u00e3o s\u00e3o revogados, porque sem previsibilidade n\u00e3o h\u00e1 arrendamento\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m disse ansiar\u00a0por medidas na reforma do Estado, mais do que \u201cproclama\u00e7\u00f5es\u201d, mesmo que o ministro seja \u201cmuito bem intencionado\u201d. E \u00e9 preciso \u201cmais exig\u00eancia e firmeza no combate \u00e0 <strong>corrup\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d. Tudo exemplos da sua vontade de \u201creformar\u201d e n\u00e3o \u201cdestruir\u201d o sistema.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o atual que Marques Mendes comentou foi a <strong>lei dos estrangeiros,<\/strong> dizendo acreditar que a nova vers\u00e3o, alterada perante o chumbo do Tribunal Constitucional, \u00e9 \u201cmais digna\u201d e que o chumbo at\u00e9 acabou por ser bom para o Governo, apesar de este ter inicialmente \u201creagido um pouco mal disposto\u201d.<\/p>\n<p>Quanto ao Chega, atribuiu-lhe o \u201cm\u00e9rito\u201d de ter introduzido o tema da imigra\u00e7\u00e3o na agenda \u2014 \u201cmas o seu m\u00e9rito fica por aqui, porque tem a perspetiva menos construtiva que \u00e9 poss\u00edvel ter, porque <strong>usa imigrantes para obter votos\u201d<\/strong>, acusou. \u201cPerante um problema na Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o e Habita\u00e7\u00e3o a culpa \u00e9 sempre dos imigrantes? N\u00e3o \u00e9 verdadeiro nem justo\u201d.<\/p>\n<p>Marques Mendes foi ainda questionado sobre temas internacionais, considerando o reconhecimento do Estado da <strong>Palestina<\/strong> uma medida \u201csimb\u00f3lica mas importante\u201d e recusando dizer, como jurista, se est\u00e1 a acontecer um genoc\u00eddio em Gaza \u2014 mas h\u00e1 um \u201cmassacre intoler\u00e1vel\u201d. Quanto ao prometido investimento de 5% em <strong>Defesa<\/strong> no \u00e2mbito da NATO, considerou que o acordo ser\u00e1 dif\u00edcil de cumprir mas \u00e9 de \u201cimport\u00e2ncia capital\u201d que tenha existido, se n\u00e3o ia-se discutir \u201ca implos\u00e3o da NATO, uma cat\u00e1strofe\u201d \u2014 e o Kremlin iria \u201cabrir garrafas de champanhe\u201d.<\/p>\n<p>Com a candidatura apresentada e apoios recolhidos no PSD, PS e CDS, falta ainda perceber se ter\u00e1 o apoio de algumas das figuras maiores do pr\u00f3prio partido \u2014 e o candidato assegurou n\u00e3o estar preocupado com isso. Por um lado,<strong> Cavaco Silva<\/strong> veio defender a elei\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m experiente mas sem apontar diretamente a Marques Mendes \u2014 que elogiou o artigo do \u201camigo\u201d, cujo apoio gostar\u00e1 de ter, mas estar\u00e1 \u201cconfort\u00e1vel\u201d se n\u00e3o tiver. Quanto a <strong>Passos Coelho<\/strong>, que elogiou profusamente (\u201cdigno de estima e admira\u00e7\u00e3o, patri\u00f3tico, corajoso\u201d e mencionado por Ventura por \u201cjogada pol\u00edtica\u201d), se acabar por n\u00e3o o apoiar ser\u00e1 apenas por estar <strong>afastado<\/strong> da pol\u00edtica, sugeriu.<\/p>\n<p>                            Se tiver uma hist\u00f3ria que queira partilhar sobre irregularidades na sua autarquia, preencha<br \/>\n                            <a href=\"https:\/\/forms.gle\/uQ1gDpSwmRd7ezUf8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">este formul\u00e1rio an\u00f3nimo<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"J\u00e1 sem o fato de comentador, mas falando num tom pedag\u00f3gico semelhante ao que costumava usar, Lu\u00eds Marques&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":85707,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[27,28,1077,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,302,32,1076,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-85706","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-eleiu00e7u00f5es","11":"tag-featured-news","12":"tag-featurednews","13":"tag-headlines","14":"tag-latest-news","15":"tag-latestnews","16":"tag-main-news","17":"tag-mainnews","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-polu00edtica","23":"tag-portugal","24":"tag-presidenciais-2026","25":"tag-principais-noticias","26":"tag-principaisnoticias","27":"tag-pt","28":"tag-top-stories","29":"tag-topstories","30":"tag-ultimas","31":"tag-ultimas-noticias","32":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85706","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85706"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85706\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/85707"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85706"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85706"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85706"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}