{"id":8588,"date":"2025-07-30T14:49:12","date_gmt":"2025-07-30T14:49:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/8588\/"},"modified":"2025-07-30T14:49:12","modified_gmt":"2025-07-30T14:49:12","slug":"entrevista-ao-escritor-norte-americano-richard-zimler","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/8588\/","title":{"rendered":"Entrevista ao escritor norte-americano Richard Zimler"},"content":{"rendered":"<p><strong>Depois de mais de uma dezena de romances, de muitos contos e de muitos livros para crian\u00e7as, agora temos literatura num formato completamente diferente. Os <\/strong><strong>haikus<\/strong><strong>, que s\u00e3o uma forma curta e incisiva de poesia japonesa, que obedece a uma estrutura sil\u00e1bica muito particular. Porqu\u00ea esta mudan\u00e7a de registo?<br \/><\/strong>Este \u00e9 um projecto muito curioso. Quando o meu editor lan\u00e7ou a vers\u00e3o em ingl\u00eas, nos Estados Unidos, pela editora Penguin [Books], foi uma surpresa enorme. E v\u00e1rias pessoas do mundo do haiku disseram: \u201cIsto n\u00e3o faz sentido nenhum\u201d. E n\u00e3o foi por n\u00e3o obedecer \u00e0s regras, porque eu cumpri as regras sil\u00e1bicas, mas porque disseram que os haikus t\u00eam a ver com a natureza e t\u00eam a ver com uma surpresa da natureza e do ser humano. Foi a\u00ed que pensei: \u201cN\u00e3o, eu vou casar duas tradi\u00e7\u00f5es muito diferentes: o misticismo judaico e o haiku\u201d. Porqu\u00ea n\u00e3o? Porqu\u00ea n\u00e3o ter uma aventura liter\u00e1ria? E para mim funcionam muit\u00edssimo bem. Em parte, porque o misticismo em todas as tradi\u00e7\u00f5es \u2013 tradi\u00e7\u00e3o judaica, crist\u00e3, budista, etc. \u2013, envolve mist\u00e9rios, envolve surpresas, revela\u00e7\u00f5es inesperadas. Ent\u00e3o, o haiku foi uma op\u00e7\u00e3o completamente natural. Para mim, faz todo o sentido.\u00a0<\/p>\n<p><strong>O haiku j\u00e1 era uma pr\u00e1tica habitual na sua vida como escritor ou foi um terreno completamente novo que decidiu explorar?<br \/><\/strong>Eu j\u00e1 tinha algum conhecimento dos haikus do [Matsuo] Bash\u00f4, o mais conhecido poeta japon\u00eas, e sempre gostei desse aspecto r\u00e1pido e de revela\u00e7\u00e3o dos haikus, em que a \u00faltima frase, normalmente de cinco s\u00edlabas, nos deixa: \u201cuau, caramba, eu n\u00e3o estava \u00e0 espera disto\u201d. E eu adorava isso. Entre romances n\u00e3o tenho for\u00e7a para escrever contos ou textos s\u00e9rios ou criar fic\u00e7\u00f5es. N\u00e3o tenho, porque dou tudo ao livro anterior. Ent\u00e3o, decidi, entre livros, criar outro projecto. Comecei a escrever os haikus, que envolviam alguma pesquisa tamb\u00e9m, porque voltava aos meus livros da Cabala para descobrir novos conceitos, tradi\u00e7\u00f5es, ideias, no\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, entre livros, escrevia, sei l\u00e1, 20, 30, 40 haikus e, depois, come\u00e7ava outro romance. Deixava os haikus numa gaveta e, na fase seguinte, depois de acabar o novo livro, escrevia mais 20, 30, 40. Passados seis, sete ou oito anos, j\u00e1 tinha completado mais de 100 haikus. E pensei: \u201cO que \u00e9 que vou fazer com eles?\u201d H\u00e1 uma tradi\u00e7\u00e3o judaica, m\u00edstica, que diz que Deus tem 72 nomes. Muitos deles secretos. \u201cEnt\u00e3o, vou escolher os 72 melhores, os mais importantes para mim e fazer um livro\u201d, pensei.\u00a0<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 pouco fal\u00e1vamos da capacidade de s\u00edntese de um <\/strong><strong>haiku<\/strong><strong> e da sua possibilidade de surpresa e deslumbramento. Ser\u00e1 esta a f\u00f3rmula eficaz para estimular o pensamento cr\u00edtico numa sociedade sem tempo para ler ou reflectir?<br \/><\/strong>Sim, eu acho que a vantagem do haiku \u00e9 essa. A surpresa obriga-nos a pensar e eu gosto disso. Eu quero que o leitor pense sobre uma cena num romance, uma personagem ou um poema. Eu n\u00e3o quero que o leitor fique indiferente ou aceite logo o que eu digo. N\u00e3o, eu quero que ele critique ou pense sobre a sua vida. E acho que muitos destes haikus obrigam o leitor a pensar sobre a sua vida. E isto, no fundo, cria uma liga\u00e7\u00e3o quase m\u00e1gica com o poema e com o autor. E eu acho isso bonito. Em ingl\u00eas, h\u00e1 um poema que funciona muit\u00edssimo bem: \u201cYou will never solve every mystery \u2013 God is not a whodunit\u201d [Nunca resolver\u00e1s todos os mist\u00e9rios \u2013 Deus n\u00e3o \u00e9 um policial]. \u00c9 profundo. N\u00e3o vamos solucionar todos os mist\u00e9rios, n\u00e3o vamos solucionar as coisas transcendentes, n\u00e3o vamos solucionar tudo, porque a vida, o mist\u00e9rio de estarmos aqui, n\u00e3o \u00e9 um policial. N\u00e3o vai haver um fim do g\u00e9nero: \u201cFoi ele que cometeu o crime\u201d. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 assim. Ent\u00e3o, acho que isso provoca emo\u00e7\u00f5es diferentes no leitor e, outra vez, obriga o leitor a pensar sobre o que \u00e9 esta realidade.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 que falamos de Deus, neste livro h\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o muito grande \u00e0 Cabala, a Deus e ao amor. Vivemos tempos em que em nome de Deus se fazem muitas coisas m\u00e1s. Este livro reflecte uma interpreta\u00e7\u00e3o do que \u00e9 Deus para o escritor?\u00a0<br \/><\/strong>Pois, da\u00ed vou voltar para a tradi\u00e7\u00e3o cabal\u00edstica. H\u00e1 um cabalista famoso que disse, uma vez, que as \u00fanicas m\u00e3os que Deus tem para mudar este mundo s\u00e3o as nossas. Esse \u00e9 o meu conceito de Deus: que o mundo funciona atrav\u00e9s de n\u00f3s e atrav\u00e9s de todos os seres da Cria\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podemos estar \u00e0 espera que algum ser transcendente o fa\u00e7a. E h\u00e1 outro [haiku] que diz que se desejar ver alguma coisa de Deus, temos de olhar para o espelho. Somos uma cria\u00e7\u00e3o deste universo. E as mesmas leis f\u00edsicas que determinam o nosso corpo \u2013 duas pernas, dois olhos, dois bra\u00e7os, um c\u00e9rebro \u2013, s\u00e3o as mesmas leis que determinam as gal\u00e1xias. Essas leis f\u00edsicas, qu\u00e2nticas, n\u00e3o mudam. Essas leis f\u00edsicas, em parte, s\u00e3o Deus. Eu sei que talvez seja estranho, mas Deus \u00e9 o que determina a Cria\u00e7\u00e3o. O que determina como n\u00f3s somos. E aquele Deus dos fundamentalistas, em que h\u00e1 regulamentos e regras e temos de comer isto e n\u00e3o podemos dormir com aquela pessoa, para mim, isso n\u00e3o tem absolutamente nada a ver com a Cabala.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m desse <\/strong><strong>haiku<\/strong><strong> [\u201cAs m\u00e3os de que Deus precisa\/ para alterar este mundo\/ est\u00e3o a segurar este livro\u201d] h\u00e1 muitos outros que parecem depositar nos Homens a possibilidade de fazer a diferen\u00e7a. Ainda h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o no meio de tanta guerra e de tanto retrocesso civilizacional? Ainda acredita na humanidade?<br \/><\/strong>Sim. Eu presumo que o leitor de um livro meu seja t\u00e3o inteligente e sens\u00edvel como eu. Quando escrevi estes haikus, presumi que o leitor v\u00e1 entender ou v\u00e1 fazer a sua interpreta\u00e7\u00e3o. E, dessa perspectiva, ainda tenho muita f\u00e9 e muita confian\u00e7a na humanidade. Por outro lado, estamos a viver um retrocesso civilizacional terr\u00edvel neste momento, sobretudo no meu pa\u00eds de origem. Eu n\u00e3o vou visitar os Estados Unidos enquanto o Trump l\u00e1 estiver. Eu escrevo contra o Trump desde 2016. Eu sou uma pessoa pouco importante, mas eles sabem que eu escrevi esses artigos. N\u00e3o quero ficar preso, nem ser interrogado no Passport Control, nem pensar. E o Trump est\u00e1 a criar rapidamente uma esp\u00e9cie de ditadura. H\u00e1 uma pol\u00edcia de emigra\u00e7\u00e3o, a ICE, que est\u00e1 a prender pessoas que t\u00eam resid\u00eancias nos Estados Unidos, at\u00e9 cidadania, mas que por terem nomes latinos ou uma apar\u00eancia mais escura est\u00e3o presos sem raz\u00e3o, sem direito a ir a tribunal, e s\u00e3o postos em pris\u00f5es ou s\u00e3o deportados para pa\u00edses que n\u00e3o t\u00eam nada a ver com eles. Ent\u00e3o, parece fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, porque eu, ingenuamente, nunca pensei que isto podia acontecer nos Estados Unidos e nunca pensei que podia acontecer t\u00e3o rapidamente. Estupidez minha.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Mas n\u00e3o podemos ter medo de falar sobre estes assuntos\u2026<br \/><\/strong>Curiosamente, aconteceu-me uma coisa desagrad\u00e1vel. O Clip [Oporto International School] pediu-me para fazer o discurso de final de ano dos alunos e pediu-me para escrever sobre o poder das palavras. Muito bem. Fiz isso. E, basicamente, falei 15 minutos sobre a import\u00e2ncia das palavras e que hoje em dia vivemos numa sociedade em que \u00e9 muito f\u00e1cil insultar e desumanizar as pessoas atrav\u00e9s das redes sociais. E nunca dever\u00edamos fazer isso. Nunca dever\u00edamos falar de pessoas como insectos, como animais&#8230; Desumanizar leva-nos a deporta\u00e7\u00f5es, a pessoas presas sem julgamentos e a matan\u00e7as, como a que aconteceu no Holocausto. Os nazis referiram-se aos judeus como insectos, c\u00e3es, porcos&#8230; E eu confessei que fiquei muito perturbado quando o governo israelita se referiu aos palestinianos como animais e terroristas n\u00e3o humanos. Porque muitas pessoas em Israel olham para os palestinianos como seres inferiores, animais, pessoas que n\u00e3o merecem a mesma dignidade que n\u00f3s. E eu disse que isso era muito perigoso. Durante esse discurso, quando utilizei a palavra genoc\u00eddio, tr\u00eas pessoas da audi\u00eancia gritaram qualquer coisa. Eu n\u00e3o ouvi o que eles disseram, porque a ac\u00fastica no palco era p\u00e9ssima. Nunca me tinha acontecido, fiquei nervoso, mas continuei a falar. Depois do discurso, recebi \u00e0 volta de 50 mensagens de apoio, de professores, alunos, pais, a dizer que foi espectacular; recebi um aplauso de p\u00e9. Mas tudo o que eu sabia \u00e9 que havia cr\u00edticas e recebi, depois, duas mensagens de \u00f3dio de israelitas a insultar-me. Fiquei muito perturbado, porque 95% da minha mensagem era sobre toler\u00e2ncia, aprecia\u00e7\u00e3o da diversidade, inclus\u00e3o e gentileza para com outras pessoas.\u00a0<\/p>\n<p><strong>O juda\u00edsmo \u00e9 um tema que o Richard aborda com frequ\u00eancia e que est\u00e1 muito presente nos seus livros. O que est\u00e1 a acontecer agora est\u00e1 a diminuir a considera\u00e7\u00e3o das pessoas pela religi\u00e3o?<br \/><\/strong>Sim, eu acho que est\u00e1 a fazer com que o antissemitismo de pessoas que j\u00e1 sentem algum preconceito contra os judeus aumente ainda mais. O que \u00e9 um perigo, \u00e9 terr\u00edvel. Qualquer preconceito, qualquer discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9, para mim, um sinal de falta de desenvolvimento intelectual e emocional. Infelizmente, h\u00e1 muita gente no mundo que n\u00e3o consegue distinguir entre um judeu e um israelita. Eu n\u00e3o tenho nada a ver com Israel, sou cidad\u00e3o portugu\u00eas e americano. N\u00e3o tenho investimentos em Israel. J\u00e1 critiquei o governo israelita, n\u00e3o quero exagerar, dezenas de vezes. Estou muito cr\u00edtico deste governo de Netanyahu. Estes crimes contra a humanidade que est\u00e3o a acontecer em Gaza n\u00e3o t\u00eam defesa. Eles est\u00e3o a fazer uma limpeza \u00e9tnica. A ideia n\u00e3o era eliminar o Hamas (obviamente eles queriam eliminar o terrorismo), mas o verdadeiro fim, o verdadeiro objectivo, era criar uma limpeza \u00e9tnica de pelo menos uma parte, se n\u00e3o de toda a Faixa de Gaza.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"border: none !important; margin: 20px !important;\" loading=\"lazy\" data-component=\"lazy-embed\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/1753886952_245_image.webp.webp\" width=\"300\" align=\"right\"\/><strong>Vai continuar a escrever haikus entre romances e a espalhar A Voz do Amor?\u00a0<br \/><\/strong>J\u00e1 n\u00e3o escrevo haikus, mas talvez no futuro me torne poeta [risos]. \u00c0 medida que eu vou envelhecendo (ainda consigo manter a estrutura e os personagens de um livro na minha cabe\u00e7a durante dois ou tr\u00eas anos, isso n\u00e3o \u00e9 um problema), mas todos os escritores dizem que chega um momento, com 80 anos, 85 anos, em que isso j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Uma amiga muito querida minha, da Calif\u00f3rnia, disse-me uma vez que, quando ela tinha 83 ou 84 anos, deixou de escrever fic\u00e7\u00e3o e come\u00e7ou a escrever poesia. Ent\u00e3o, se calhar mais tarde, vou tornar-me poeta, porque j\u00e1 n\u00e3o me vai ser poss\u00edvel escrever romances de 400 p\u00e1ginas [risos].<\/p>\n<p>O livro chegou \u00e0s livrarias no dia 26 de Junho, em portugu\u00eas e ingl\u00eas, publicado pela Cultura Editora. Custa 18,50\u20ac.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.timeout.pt\/porto\/pt\/noticias\/a-ceramica-e-as-velas-perfumadas-da-sneferu-instalaram-se-no-bonfim-072825\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><strong>+\u00a0A cer\u00e2mica e as velas perfumadas da Sneferu instalaram-se no Bonfim<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.timeout.pt\/porto\/pt\/noticias\/gnration-em-braga-tem-planos-ate-ao-fim-do-ano-incluem-linda-martini-ou-uma-opera-de-dino-dsantiago-072625\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">+\u00a0gnration, em Braga, tem planos at\u00e9 ao fim do ano. Incluem Linda Martini ou uma \u00f3pera de Dino d&#8217;Santiago<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Depois de mais de uma dezena de romances, de muitos contos e de muitos livros para crian\u00e7as, agora&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8589,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[207,169,4058,114,115,170,4059,32,33],"class_list":{"0":"post-8588","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-arte","9":"tag-books","10":"tag-categorias-arte","11":"tag-entertainment","12":"tag-entretenimento","13":"tag-livros","14":"tag-noticias-arte","15":"tag-portugal","16":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8588","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8588"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8588\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8589"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8588"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8588"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8588"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}