{"id":86258,"date":"2025-09-25T16:08:22","date_gmt":"2025-09-25T16:08:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/86258\/"},"modified":"2025-09-25T16:08:22","modified_gmt":"2025-09-25T16:08:22","slug":"a-anexacao-da-cisjordania-ja-esta-a-acontecer-e-no-futuro-nao-havera-qualquer-real-estado-da-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/86258\/","title":{"rendered":"A anexa\u00e7\u00e3o da Cisjord\u00e2nia j\u00e1 est\u00e1 a acontecer e no futuro &#8220;n\u00e3o haver\u00e1 qualquer real Estado da Palestina&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>\t                Os especialistas s\u00e3o un\u00e2nimes: o reconhecimento da Palestina por um grupo de influentes pa\u00edses, entre eles Reino Unido, Canad\u00e1 e Fran\u00e7a, aos quais Portugal se associou, n\u00e3o vai travar a limpeza \u00e9tnica em curso \u2013 que o governo de Israel assume hoje &#8220;com orgulho&#8221;, ao dizer que &#8220;o Estado palestiniano est\u00e1 a ser apagado n\u00e3o com slogans, mas com a\u00e7\u00f5es&#8221;. Com o avan\u00e7o dos colonatos e da ocupa\u00e7\u00e3o, a que corresponde afinal um Estado da Palestina?<\/p>\n<p>\u00c9 um tempo de desesperan\u00e7a, mas no meio dela um passo simbolicamente importante. No domingo, na v\u00e9spera de arrancar a Assembleia Geral da ONU, o Reino Unido anunciou formalmente o reconhecimento do Estado da Palestina \u2013 um passo que o executivo trabalhista de Keir Starmer tinha prometido dar caso o governo de Israel n\u00e3o pusesse fim \u00e0 ofensiva em curso desde 7 de outubro de 2023 contra a Faixa de Gaza.\u00a0<\/p>\n<p>Aos brit\u00e2nicos juntaram-se o Canad\u00e1 e a Austr\u00e1lia, a par de uma s\u00e9rie de outros pa\u00edses, incluindo Portugal. J\u00e1 na segunda-feira, foi a vez de Fran\u00e7a e outros pa\u00edses se juntarem \u00e0 lista crescente de na\u00e7\u00f5es que reconhecem oficialmente o direito dos palestinianos \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o \u2013 <a href=\"https:\/\/www.lemonde.fr\/en\/les-decodeurs\/article\/2025\/09\/23\/map-the-countries-that-recognize-a-palestinian-state_6745654_8.html#\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">s\u00e3o j\u00e1 156<\/a> no total. Mas qual a import\u00e2ncia deste passo num momento em que cada vez mais organiza\u00e7\u00f5es, incluindo uma comiss\u00e3o independente associada \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas, falam declaradamente no <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/palestina\/faixa-de-gaza\/agora-a-onu-fala-em-genocidio-de-israel-algo-mudou-mas-so-uma-coisa-pode-travar-a-barbarie\/20250917\/68c97548d34ee0c2fed02942\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">genoc\u00eddio do povo palestiniano<\/a>?<\/p>\n<p>\u201cO que \u00e9 preciso compreender \u00e9 que o principal objetivo neste momento deve ser travar o genoc\u00eddio e a limpeza \u00e9tnica dos palestinianos, e isso continua a depender da comunidade internacional\u201d, diz \u00e0 CNN Portugal Yair Dvir, porta-voz da B\u2019Tselem, uma importante organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental israelita que, desde 1989, trabalha para denunciar e travar a ocupa\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios palestinianos \u2013 e que, no final de julho, publicou <a href=\"https:\/\/www.btselem.org\/publications\/202507_our_genocide\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">um relat\u00f3rio<\/a> a acusar o pr\u00f3prio pa\u00eds de cometer genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>\u201cSe a comunidade internacional considera que isto \u00e9 suficiente, ent\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 vai piorar\u201d, antecipa Dvir. \u201cIsrael n\u00e3o vai ligar nenhuma a este reconhecimento e vai dar continuidade \u00e0 sua miss\u00e3o de limpeza \u00e9tnica da Faixa de Gaza e de muitas partes da Cisjord\u00e2nia, com o intuito de as anexar.\u201d<\/p>\n<p>Israel at\u00e9 ligou ao reconhecimento, mas n\u00e3o da maneira que muitos esperariam. Depois de acusar os governos dos diferentes pa\u00edses, incluindo o Executivo de Lu\u00eds Montenegro, de \u201cpremiarem o terrorismo\u201d, o primeiro-ministro israelita <a href=\"https:\/\/www.timesofisrael.com\/coalition-figures-push-west-bank-annexation-as-response-to-palestinian-state-recognition\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">deixou uma amea\u00e7a latente<\/a> em v\u00eddeo. \u201cA resposta \u00e0 recente tentativa de nos imporem um Estado terrorista no cora\u00e7\u00e3o do nosso territ\u00f3rio ser\u00e1 dada ap\u00f3s o meu regresso dos Estados Unidos\u201d, disse Benjamin Netanyahu antes de partir para Nova Iorque, onde vai discursar na Assembleia Geral da ONU, a decorrer at\u00e9 sexta-feira, e \u00e0 margem da qual vai encontrar-se com o presidente dos EUA, Donald Trump. \u201cAguardem.\u201d<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"414\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/68d28713d34ee0c2fed06d24.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   O primeiro mapa mostra como era esta regi\u00e3o do M\u00e9dio Oriente antes da funda\u00e7\u00e3o do Estado de Israel em 1948; o segundo reflete o plano de partilha do territ\u00f3rio entre Israel e um futuro Estado da Palestina, uma aspira\u00e7\u00e3o batizada &#8220;solu\u00e7\u00e3o de dois Estados&#8221; que se tem tornado cada vez mais uma miragem dada a expans\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o da Cisjord\u00e2nia, como mostram os restantes mapas\u00a0(DR) <\/p>\n<p>Objetivo: &#8220;apagar&#8221; a Palestina <\/p>\n<p>\u00c9 preciso recuar a 1993, concretamente \u00e0 assinatura dos Acordos de Oslo, para perceber os termos sob os quais se supunha a cria\u00e7\u00e3o de um Estado palestiniano sob a chamada \u201csolu\u00e7\u00e3o de dois Estados\u201d, com Israel e a Palestina a conviver lado a lado em seguran\u00e7a e em paz. Foi ao abrigo dos acordos \u2013 mediados pela Am\u00e9rica de Bill Clinton e assinados por Yasser Arafat, hist\u00f3rico l\u00edder da Autoridade Palestiniana, e Yitzhak Rabin, ent\u00e3o primeiro-ministro de Israel \u2013 que israelitas e palestinianos alcan\u00e7aram um acordo interino em 1995, conhecido como Acordos de Oslo II, que veio dividir a Cisjord\u00e2nia ocupada em tr\u00eas tipos de \u00e1reas.\u00a0<\/p>\n<p>O objetivo declarado era que a jurisdi\u00e7\u00e3o total das tr\u00eas \u00e1reas fosse sendo gradualmente transferida para a Autoridade Palestiniana, at\u00e9 se instalar formalmente um Estado palestiniano. Mas divis\u00f5es que se queriam tempor\u00e1rias persistiram at\u00e9 hoje, com a \u00e1rea A administrada pelos palestinianos, a B sob controlo conjunto e a C totalmente administrada por Israel. Nem dois meses depois de Oslo II, Rabin foi assassinado em Telavive por Yigal Amir, um extremista de direita que se opunha \u00e0 exist\u00eancia do Estado da Palestina.<\/p>\n<p>Trinta anos depois, de acordo com <a href=\"https:\/\/peacenow.org.il\/en\/settlements-watch\/settlements-data\/lands\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">dados da ONG israelita Peace Now<\/a>, a maioria dos palestinianos da Cisjord\u00e2nia ocupada \u2013 cerca de 3 milh\u00f5es e 317 mil pessoas \u2013 vive hoje na denominada \u00e1rea C, onde os epis\u00f3dios de viol\u00eancia de colonos israelitas s\u00e3o cada vez mais recorrentes. \u201cS\u00f3 nos \u00faltimos dois anos, 41 comunidades foram expulsas pela viol\u00eancia dos colonos, que s\u00e3o apoiados pelo pr\u00f3prio ex\u00e9rcito, e neste preciso momento, enquanto falamos, h\u00e1 muitas comunidades sob esta mesma amea\u00e7a\u201d, ressalta Yair Dvir.<\/p>\n<p>Num epis\u00f3dio recente, no final de julho, o colono israelita\u00a0Yinon Levi matou a tiro\u00a0Awdah Hathaleen, um dos ativistas que protagoniza o document\u00e1rio No Other Land, premiado este ano nos \u00d3scares, que revela a verdadeira face da ocupa\u00e7\u00e3o israelita dos palestinianos, no caso da comunidade de Umm al-Khair. \u00c0 data, o respons\u00e1vel, alvo de san\u00e7\u00f5es da UE e cujas san\u00e7\u00f5es dos EUA foram <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/07\/29\/world\/middleeast\/israeli-settler-palestinian-killed.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">levantadas por Trump<\/a> em janeiro, <a href=\"https:\/\/www.haaretz.com\/opinion\/2025-09-18\/ty-article-opinion\/.premium\/when-an-israeli-judge-frees-a-settler-who-killed-a-palestinian-for-no-reason\/00000199-5cd6-d7ad-a1d9-5cfec5f00000\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">continua \u00e0 solta<\/a>.<\/p>\n<p>Colonos como Levi \u2013 muitos j\u00e1 sancionados pelos EUA ou pela Uni\u00e3o Europeia \u2013 n\u00e3o s\u00f3 continuam a agir com impunidade e o respaldo das autoridades israelitas como t\u00eam avan\u00e7ado com a ocupa\u00e7\u00e3o ilegal de casas e terras palestinianas na Cisjord\u00e2nia, algo que \u00e9 proibido pela pr\u00f3pria lei israelita, que em teoria apenas permite a constru\u00e7\u00e3o de colonatos oficiais.<\/p>\n<p>\u201cOs nossos investigadores no terreno est\u00e3o a encontrar novos postos avan\u00e7ados [colonatos ilegais] semanalmente\u201d, <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/israel\/reconhecimento-da-palestina\/o-reconhecimento-do-estado-nao-vai-ajudar-em-nada-a-palestina-nunca-esteve-tao-longe-de-existir\/20250921\/68d02cbcd34ee0c2fed0599e\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">denunciou esta semana \u00e0 CNN<\/a> Lior Amihai, diretor executivo da Peace Now, que defende a solu\u00e7\u00e3o de dois Estados e que desde 1978 monitoriza a expans\u00e3o dos colonatos. Esta expans\u00e3o passa tamb\u00e9m pela \u201cconstru\u00e7\u00e3o ilegal de estradas\u201d, adianta Amihai, para quem \u201ca anexa\u00e7\u00e3o [da Cisjord\u00e2nia ocupada] j\u00e1 est\u00e1 a acontecer&#8221;.<\/p>\n<p>Um <a href=\"https:\/\/www.crisisgroup.org\/visual-explainers\/israeli-settlements\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">mapa do International Crisis Group<\/a> mostra como os ditos \u201cpostos avan\u00e7ados\u201d t\u00eam contribu\u00eddo para o avan\u00e7o da <a href=\"https:\/\/www.un.org\/unispal\/about-the-nakba\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">ocupa\u00e7\u00e3o iniciada com a Nakba<\/a>, a persegui\u00e7\u00e3o e expuls\u00e3o de palestinianos em massa que viviam na regi\u00e3o antes de o Estado de Israel ser fundado em 1948\u00a0\u2013 hoje s\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/imeu.org\/resources\/resources\/quick-facts-palestinian-refugees\/149\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">mais de 9 milh\u00f5es os palestinianos refugiados<\/a> nos pa\u00edses vizinhos ou deslocados internamente nos territ\u00f3rios. Desde 1967, quando se deu a Guerra dos Seis Dias e Israel ocupou os Montes Gol\u00e3s s\u00edrios, Israel construiu dezenas de colonatos de norte a sul da Cisjord\u00e2nia ocupada; a partir de 1995, o ano em que foram assinados os segundos Acordos de Oslo, os colonatos ilegais come\u00e7aram a multiplicar-se, competindo agora diretamente com o n\u00famero de colonatos oficiais. Todos s\u00e3o declarados ilegais pela comunidade internacional.<\/p>\n<p>Tem sido sobretudo esta <a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/graphics\/ISRAEL-PALESTINIANS\/STATE-WESTBANK\/gkvlaejbwpb\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">expans\u00e3o dos colonatos na Cisjord\u00e2nia<\/a> a desmantelar o sonho de um futuro Estado da Palestina, que corresponde hoje no terreno a um conjunto de bolsas de territ\u00f3rio separadas umas das outras por checkpoints e estradas controladas por militares israelitas e separadas tamb\u00e9m de Jerusal\u00e9m \u2013 a cidade que, sob os Acordos de Oslo, seria a capital dos dois Estados, e cuja parte oriental, atribu\u00edda aos palestinianos, foi anexada por Israel em 1967. Essas bolsas de territ\u00f3rio est\u00e3o igualmente separadas da Faixa de Gaza, banhada pelo Mediterr\u00e2neo, do outro lado de Israel, um enclave governado pelo Hamas desde 2005 e sob bloqueio israelita desde ent\u00e3o, onde, em quase dois anos, a ofensiva armada israelita j\u00e1 provocou mais de 65 mil mortos, muitos deles beb\u00e9s, crian\u00e7as e mulheres, e mais de 167 mil feridos.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"738\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/68d28a26d34ee0c2fed06d76.webp\" width=\"373\"\/> <\/p>\n<p>   Este mapa mostra a \u00e1rea E1, onde Israel pretende expandir os colonatos existentes, um plano de d\u00e9cadas que o governo decidiu finalmente implementar no final de agosto para &#8220;apagar&#8221; a possibilidade de um Estado palestiniano; construir mais casas para colonos na E1 vai acabar com a contiguidade entre o norte e o sul da Cisjord\u00e2nia ocupada, que j\u00e1 est\u00e1 h\u00e1 d\u00e9cadas fisicamente separada de outros dois territ\u00f3rios palestinianos ocupados que, em teoria, fariam parte de um futuro Estado da Palestina: Jerusal\u00e9m Oriental e Faixa de Gaza\u00a0(fonte: Ren\u00e9e Rigdon\/Peace Now) <\/p>\n<p>No final de agosto, quando Fran\u00e7a e Reino Unido deram a entender que se preparavam para reconhecer oficialmente o direito da Palestina a existir, o governo israelita anunciou que ia <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/articles\/cvg30l6myj3o\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">avan\u00e7ar com um controverso plano<\/a>\u00a0que estava congelado h\u00e1 d\u00e9cadas por causa da <a href=\"https:\/\/www.972mag.com\/palestinian-state-israel-e1-plan-west-bank\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">press\u00e3o internacional<\/a> e que, na pr\u00e1tica, acabar\u00e1 com a contiguidade da Cisjord\u00e2nia ocupada, atrav\u00e9s da constru\u00e7\u00e3o de mais 3.400 casas para colonos na chamada zona E1 que v\u00e3o eliminar a liga\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica entre o norte e o sul da Cisjord\u00e2nia.\u00a0<\/p>\n<p>Numa altura em que haver\u00e1 mais de 700 mil colonos israelitas a viver na Cisjord\u00e2nia ocupada e em Jerusal\u00e9m Oriental, a maioria dos quais judeus, um dos ministros de extrema-direita da coliga\u00e7\u00e3o Netanyahu assumiu h\u00e1 um m\u00eas que o grande objetivo com a expans\u00e3o do colonato na E1 \u00e9 \u201capagar\u201d a possiblidade de um Estado da Palestina. Como disse o ministro Bezalel Smotrich, ele pr\u00f3prio j\u00e1 <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2025\/jun\/10\/who-are-bezalel-smotrich-and-itamar-ben-gvir-the-israeli-ministers-facing-sanctions\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">alvo de san\u00e7\u00f5es internacionais<\/a>, o futuro Estado da Palestina \u201cest\u00e1 a ser apagado da mesa n\u00e3o com slogans mas com a\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOs colonatos t\u00eam estado sempre em cont\u00ednua expans\u00e3o, n\u00e3o apenas na E1 mas em toda a Cisjord\u00e2nia, aprofundando a ocupa\u00e7\u00e3o e garantindo, dessa forma, que no futuro n\u00e3o haver\u00e1 qualquer real Estado da Palestina\u201d, refor\u00e7a o ativista israelita Yair Dvir. \u201cE isto agora \u00e9 declarado oficialmente, depois de v\u00e1rios anos se calhar a tentar escond\u00ea-lo, agora est\u00e3o n\u00e3o apenas a construir mais colonatos para separar o norte e o sul da Cisjord\u00e2nia como a refor\u00e7ar o controlo das passagens de palestinianos, falando com orgulho da anexa\u00e7\u00e3o da Cisjord\u00e2nia.\u201d<\/p>\n<p>O risco de um genoc\u00eddio em duas frentes <\/p>\n<p>Isto tem acontecido enquanto o mundo inteiro se concentra na Faixa de Gaza, onde as for\u00e7as militares de Israel t\u00eam neste momento em marcha uma opera\u00e7\u00e3o terrestre para ocupar a Cidade de Gaza. De acordo com estimativas das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Israel j\u00e1 <a href=\"https:\/\/www.aa.com.tr\/en\/middle-east\/un-says-70-of-gaza-strip-under-israeli-military-orders-or-militarized-zones\/3562505\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">controla pelo menos 70%<\/a> do enclave palestiniano. Na semana passada, uma comiss\u00e3o independente mandatada pela ONU apresentou um relat\u00f3rio onde acusa o Estado hebraico de estar a cometer quatro de cinco crimes de natureza genocida na Faixa de Gaza, \u00e0 luz da Conven\u00e7\u00e3o de Preven\u00e7\u00e3o do Genoc\u00eddio adotada no rescaldo do Holocausto, no mesmo ano da cria\u00e7\u00e3o de Israel.<\/p>\n<p>\u201cA responsabilidade por estes crimes atrozes recai sobre as autoridades israelitas aos mais altos escal\u00f5es, que t\u00eam estado a orquestrar uma campanha genocida h\u00e1 quase dois anos com a inten\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de destruir o grupo palestiniano em Gaza\u201d, disse em comunicado a l\u00edder da comiss\u00e3o, Navi Pillay, ju\u00edza do Supremo Tribunal da \u00c1frica do Sul e antiga alta comiss\u00e1ria da ONU para os Direitos Humanos.<\/p>\n<p>Com Gaza quase totalmente reduzida a escombros, a ONU calcula que pelo menos mil palestinianos j\u00e1 ter\u00e3o sido mortos na Cisjord\u00e2nia ocupada, por colonos ou por soldados, desde os ataques do Hamas contra Israel a 7 de outubro de 2023. E s\u00e3o v\u00e1rias as ONG israelitas que t\u00eam denunciado a acelera\u00e7\u00e3o da anexa\u00e7\u00e3o da Cisjord\u00e2nia, o aumento da viol\u00eancia de colonos e o crescente n\u00famero de deten\u00e7\u00f5es de palestinianos, incluindo dezenas de crian\u00e7as, a maioria sem direito a julgamento ou acusa\u00e7\u00f5es formais.<\/p>\n<p>\u201cA viol\u00eancia dos colonos que leva \u00e0 expuls\u00e3o das comunidades palestinianas, a viol\u00eancia contra mulheres, crian\u00e7as e idosos est\u00e1 a ocorrer a uma escala recorde, regularmente e sem qualquer responsabiliza\u00e7\u00e3o, sen\u00e3o com o apoio das autoridades israelitas, quer militares, quer da pol\u00edcia\u201d, denuncia Lior Amihai, da Peace Now.<\/p>\n<p>\u201cIsrael est\u00e1 a aprofundar cada vez mais a limpeza \u00e9tnica dos palestinianos\u201d, adianta Yair Dvir. \u201cTemos de nos lembrar que este \u00e9 um regime genocida, que tem estado a cometer um genoc\u00eddio ao vivo e em direto, e \u00e9 o mesmo regime e o mesmo ex\u00e9rcito que est\u00e3o a amea\u00e7ar as comunidades [da Cisjord\u00e2nia]. \u00c9 por isso que a B\u2019Tselem diz: se Israel n\u00e3o for travado, o genoc\u00eddio n\u00e3o s\u00f3 vai continuar na Faixa de Gaza como vai estender-se \u00e0 Cisjord\u00e2nia.\u201d<\/p>\n<p>Para os <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/israel\/palestina\/manuel-serrano-reconhecer-para-existir\/20250923\/68d28669d34ee0c2fed06d1a\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">defensores da solu\u00e7\u00e3o de dois Estados<\/a>, a cria\u00e7\u00e3o de um Estado da Palestina \u00e9 uma obrigatoriedade para garantir a seguran\u00e7a n\u00e3o apenas dos palestinianos mas tamb\u00e9m dos israelitas. Como referia h\u00e1 alguns dias Julie Norman, investigadora do Royal United Services Institute (RUSI), um think tank brit\u00e2nico de defesa e seguran\u00e7a, \u201cenquanto houver ocupa\u00e7\u00e3o, enquanto houver controlo israelita sobre os territ\u00f3rios, vai sempre haver algum tipo de resist\u00eancia a isso, seja do Hamas ou de outro grupo\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 duas semanas, antes do antecipado passo do Reino Unido, Fran\u00e7a e restantes pa\u00edses, o grosso dos Estados da ONU aprovou a Declara\u00e7\u00e3o de Nova Iorque, que estabelece os passos necess\u00e1rios para concretizar a solu\u00e7\u00e3o de dois Estados, entre os quais apoiar um governo palestiniano sem o Hamas que seja exclusivamente respons\u00e1vel pela aplica\u00e7\u00e3o da lei e da seguran\u00e7a, com o devido apoio da comunidade internacional.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/68d2a09dd34ee0c2fed06e61.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Vig\u00edlia-protesto em Jerusal\u00e9m ap\u00f3s o assassinato do ativista palestiniano Awdah al-Hathaleen, morto por um colono extremista na Cisjord\u00e2nia ocupada. Ap\u00f3s uma breve deten\u00e7\u00e3o, o suspeito do homic\u00eddio,\u00a0Yinon Levi, foi libertado e continua \u00e0 solta; o NYT apurou entretanto que Levi era um dos colonos extremistas que a administra\u00e7\u00e3o de Joe Biden sancionou por causa do aumento da viol\u00eancia contra palestinianos na Cisjord\u00e2nia ocupada ap\u00f3s os ataques de 7 de outubro de 2023; essas san\u00e7\u00f5es foram levantadas pelo Presidente Donald Trump em janeiro deste ano\u00a0(foto:\u00a0Ohad Zwigenberg\/AP) <\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 um primeiro passo&#8221; <\/p>\n<p>Foi sob a \u00e9gide da Declara\u00e7\u00e3o de Nova Iorque, que sugere que aqueles que impedem a implementa\u00e7\u00e3o da solu\u00e7\u00e3o de dois Estados sejam penalizados, que a Comiss\u00e3o Europeia prop\u00f4s na semana passada ao Conselho Europeu que aplique san\u00e7\u00f5es a \u201cministros e colonos extremistas\u201d de Israel e que suspenda parcialmente o Acordo de Associa\u00e7\u00e3o UE-Israel.<\/p>\n<p>A concretizar-se, essa suspens\u00e3o poderia afetar duramente a \u201ceconomia de guerra\u201d de Israel. Como <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/israel\/palestina\/israel-acusado-de-genocidio-por-o-onus-todo-nos-eua-nao-e-justo-nao-e-honesto-e-nao-e-correto\/20250920\/68cd3e3cd34ee0c2fed04a6e\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">refere Joana Ricarte<\/a>, especialista em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, \u201c\u00e9 gra\u00e7as a esse acordo que a UE \u00e9 o parceiro econ\u00f3mico mais importante de Israel \u2013 correspondente a 30% das trocas com o Estado de Israel \u2013 e uma altera\u00e7\u00e3o do acordo de associa\u00e7\u00e3o teria poder, n\u00e3o seria s\u00f3 simb\u00f3lico\u201d.<\/p>\n<p>Para j\u00e1, contudo, continuamos no campo do simbolismo, sem que se consiga antever uma altera\u00e7\u00e3o real que concretize a solu\u00e7\u00e3o de dois Estados. \u201cEm cima deste reconhecimento, cabe \u00e0 comunidade internacional adotar a\u00e7\u00f5es s\u00e9rias e concretas para criar press\u00e3o sobre o regime israelita\u201d, ressalta Yair Dvir. \u201cSe a comunidade internacional achar que isto basta, ent\u00e3o esta ser\u00e1 s\u00f3 outra forma de cumplicidade com o genoc\u00eddio, que pode acelerar a anexa\u00e7\u00e3o [dos territ\u00f3rios palestinianos ocupados].\u201d<\/p>\n<p>Questionado sobre poss\u00edveis \u201ca\u00e7\u00f5es reais\u201d, Dvir invoca o estatuto da ONG pela qual fala, que por estar &#8220;ao abrigo da lei israelita&#8221; o impede de \u201cdiscutir algumas coisas de forma direta\u201d. &#8220;Mas toda a gente na comunidade internacional sabe quais s\u00e3o os meios e as ferramentas sob o Direito Internacional\u201d para for\u00e7ar Israel a parar. \u00c0 cabe\u00e7a, como v\u00e1rios pol\u00edticos, analistas e investigadores t\u00eam defendido, \u00e9 necess\u00e1rio parar de exportar armas para Israel, uma decis\u00e3o que <a href=\"https:\/\/www.euractiv.com\/news\/spain-makes-total-arms-embargo-on-israel-official\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Espanha acaba de oficializar<\/a>.<\/p>\n<p>Questionado sobre o relat\u00f3rio da ONU em que o Estado hebraico \u00e9 acusado de genoc\u00eddio, Dvir assume que \u201c\u00e9 importante dizer a verdade e dar o nome certo \u00e0quilo que Israel est\u00e1 a fazer\u201d mas repete que isso n\u00e3o basta.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cIsrael continua a tentar vender esta ideia de autodefesa, de uma guerra entre dois lados, de preocupa\u00e7\u00e3o com os ref\u00e9ns, mas \u00e9 tudo propaganda, as autoridades t\u00eam um objetivo muito espec\u00edfico, que \u00e9 expulsar a totalidade de 2 milh\u00f5es de palestinianos de Gaza, falam disso orgulhosamente, at\u00e9 em termos do dinheiro e dos terrenos que v\u00e3o conquistar com a ajuda dos EUA \u2013 \u00e9 tudo muito claro e declarado. \u00c9 claro que dizer a verdade sobre o que est\u00e1 a acontecer \u00e9 importante, mas \u00e9 s\u00f3 um primeiro passo \u2013 um que mostra que o mundo inteiro n\u00e3o pode continuar a apoiar isto e que a comunidade internacional tem de passar \u00e0 a\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os especialistas s\u00e3o un\u00e2nimes: o reconhecimento da Palestina por um grupo de influentes pa\u00edses, entre eles Reino Unido,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":86259,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[609,836,611,27,28,7191,607,608,11846,333,832,604,135,610,476,257,15,16,3388,301,830,255,14,259,603,25,26,570,21,22,831,833,62,834,12,13,19,20,6619,910,835,602,431,52,32,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-86258","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-alerta","9":"tag-analise","10":"tag-ao-minuto","11":"tag-breaking-news","12":"tag-breakingnews","13":"tag-cisjordania","14":"tag-cnn","15":"tag-cnn-portugal","16":"tag-colonatos","17":"tag-comentadores","18":"tag-costa","19":"tag-crime","20":"tag-desporto","21":"tag-direto","22":"tag-economia","23":"tag-faixa-de-gaza","24":"tag-featured-news","25":"tag-featurednews","26":"tag-genocidio","27":"tag-governo","28":"tag-guerra","29":"tag-hamas","30":"tag-headlines","31":"tag-israel","32":"tag-justica","33":"tag-latest-news","34":"tag-latestnews","35":"tag-live","36":"tag-main-news","37":"tag-mainnews","38":"tag-mais-vistas","39":"tag-marcelo","40":"tag-mundo","41":"tag-negocios","42":"tag-news","43":"tag-noticias","44":"tag-noticias-principais","45":"tag-noticiasprincipais","46":"tag-ocupacao","47":"tag-onu","48":"tag-opiniao","49":"tag-pais","50":"tag-palestina","51":"tag-politica","52":"tag-portugal","53":"tag-principais-noticias","54":"tag-principaisnoticias","55":"tag-top-stories","56":"tag-topstories","57":"tag-ultimas","58":"tag-ultimas-noticias","59":"tag-ultimasnoticias","60":"tag-world","61":"tag-world-news","62":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86258","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=86258"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86258\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/86259"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=86258"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=86258"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=86258"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}