{"id":86527,"date":"2025-09-25T19:37:09","date_gmt":"2025-09-25T19:37:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/86527\/"},"modified":"2025-09-25T19:37:09","modified_gmt":"2025-09-25T19:37:09","slug":"telas-de-ferreira-gullar-expoem-verve-tropicalista-25-09-2025-ilustrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/86527\/","title":{"rendered":"Telas de Ferreira Gullar exp\u00f5em verve tropicalista &#8211; 25\/09\/2025 &#8211; Ilustrada"},"content":{"rendered":"<p>Durante o curto e intenso per\u00edodo da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2017\/04\/1873526-ha-meio-seculo-tropicalia-chegava-para-arrombar-a-festa.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Tropic\u00e1lia<\/a>, que durou de 1967 a 1969, o poeta <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/ferreira-gullar\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Ferreira Gullar<\/a> tamb\u00e9m foi um dos que deu sua contribui\u00e7\u00e3o ao movimento. No primeiro LP solo de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/caetano-veloso\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Caetano Veloso<\/a>, lan\u00e7ado em 1968, o baiano teve a parceria do maranhense Gullar na can\u00e7\u00e3o &#8220;Onde Andar\u00e1s&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Onde andar\u00e1s nesta tarde vazia, t\u00e3o clara e sem fim? \/ Enquanto o mar bate azul, em Ipanema, em que bar, em que cinema te esqueces de mim?&#8221;.<\/p>\n<p>Musicada por Caetano, que foi o primeiro a gravar a can\u00e7\u00e3o, os versos de &#8220;Onde Andar\u00e1s&#8221; foram uma encomenda que Gullar recebeu de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/maria-bethania\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Maria Beth\u00e2nia<\/a>, que j\u00e1 cantava a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/musica\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">m\u00fasica<\/a> ao vivo em 1967, antes do irm\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas a participa\u00e7\u00e3o de Gullar na Tropic\u00e1lia n\u00e3o parou por a\u00ed. Em 1969, enquanto <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2025\/05\/gilberto-gil-funde-passado-presente-e-futuro-em-turne-memoravel.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Gilberto Gil<\/a> e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/caetano-veloso\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Caetano Veloso<\/a> estavam sitiados em Salvador, no limbo entre a pris\u00e3o e o ex\u00edlio, Gullar fez uma obra pouco conhecida, embora significativa, sobre o movimento.<\/p>\n<p>Num surto art\u00edstico totalmente distinto do que foi a sua carreira, ele produziu telas de pop art tropicalistas.<\/p>\n<p>&#8220;O mais fant\u00e1stico \u00e9 que, numa dessas obras, \u00e9 como se algu\u00e9m estivesse parindo a Tropic\u00e1lia&#8221;, diz Ernesto Bitencourt, dono de uma galeria de arte que leva seu nome, em Salvador.<\/p>\n<p>\u00c9 l\u00e1 que, ainda este ano, depois de restaur\u00e1-las, ele pretende expor as duas telas de Gullar, adquiridas h\u00e1 tr\u00eas anos, mas que ficaram guardadas em seu acervo particular, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Uma das telas est\u00e1 com a data de 13 abril de 1969, assinalada ao centro por Gullar, \u00e9poca em que se vivia no olho do furac\u00e3o da contracultura no mundo.<\/p>\n<p>Com a onipresen\u00e7a da guitarra el\u00e9trica, que modificou a m\u00fasica mundial naqueles anos 1960, as telas trazem colagens e desenhos retratando artistas da m\u00fasica brasileira como <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/os-mutantes\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Os Mutantes<\/a>, Gilberto Gil e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/gal-costa\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Gal Costa<\/a>.<\/p>\n<p>Nas duas telas, Gullar interliga todos os personagens, emendando-os com desenhos de fios de cabelo, cordas de guitarra e fios el\u00e9tricos.<\/p>\n<p>As telas foram feitas com tinta guache, nanquim, colagens, segundo Bitecourt, em um trabalho minucioso. &#8220;\u00c9 uma obra para ser estudada&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Nas colagens, Gullar deu especial destaque para Os Mutantes e para Gal Costa. H\u00e1 um trecho em que Gal e Rita Lee se ligam pela extens\u00e3o do cabelo de Gal, e as tran\u00e7as de Rita est\u00e3o plugadas como se fossem cabos. Ao lado, est\u00e1 escrito &#8220;Tran\u00e7as el\u00e9tricas da Ritinha&#8221;.<\/p>\n<p>O neologismo &#8220;Gal\u00e9trica&#8221;, numa refer\u00eancia a Gal Costa, aparece ao longo das ilustra\u00e7\u00f5es, numa delas escrito dentro de um cora\u00e7\u00e3o ao lado de um rosto de Gal, que est\u00e1 com cabelos loiros desenhados por Gullar.<\/p>\n<p>Os irm\u00e3os <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2023\/06\/sergio-dias-que-toca-com-mutantes-em-sp-diz-que-historia-com-rita-lee-e-so-sua.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">S\u00e9rgio Dias<\/a> e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/1995\/5\/19\/ilustrada\/26.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Arnaldo Baptista<\/a>, dos Mutantes, tamb\u00e9m surgem com destaque. O guitarrista S\u00e9rgio Dias \u00e9 representado com metade do seu rosto sendo formado por uma guitarra. Entre ele e Arnaldo est\u00e1 a frase &#8220;Esse treco \u00e9 Godardiano: n\u00e3o tem fim nem come\u00e7o!!!&#8221;, escrito por Gullar.<\/p>\n<p>&#8220;A Lucinha [Barbosa, sua esposa] achou o estilo do Gullar muito parecido com o meu. A partir de um buraquinho pequeno, eu desenvolvo com mil ideias, n\u00e9?&#8221;, diz o compositor, multi-instrumentista e membro fundador dos Mutantes, Arnaldo Baptista, que tamb\u00e9m \u00e9 artista pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>&#8220;E h\u00e1 tamb\u00e9m um lado que tem a ver com as colagens, que tamb\u00e9m lembram meu estilo, n\u00e9? E o lado louco, como uma menina de perna aberta com coisas saindo de dentro dela. Muito interessante!&#8221;, avalia Arnaldo, que n\u00e3o conhecia as telas e n\u00e3o se lembra de ter tido contato com Ferreira Gullar naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Numa das colagens, o apresentador <a href=\"https:\/\/f5.folha.uol.com.br\/televisao\/2024\/01\/band-planeja-retorno-de-chacrinha-para-2024-e-tem-bom-retorno-do-mercado-publicitario.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Chacrinha<\/a>, refer\u00eancia para o tropicalismo, est\u00e1 numa &#8220;privada el\u00e9trica&#8221; em uma &#8220;cagada subdesenvolvida&#8221;.<\/p>\n<p>As telas de Gullar t\u00eam ecos da pop art brit\u00e2nica dos anos 1950 e 1960, protagonizada por artistas como <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/cotidian\/ff0712200101.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Peter Blake<\/a>, Richard Hamilton e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2015\/05\/1626761-exposicoes-mostram-origens-da-pop-art-no-mundo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Pauline Boty<\/a>.<\/p>\n<p>Em letras pequenas, as telas s\u00e3o repletas de frases escatol\u00f3gicas. H\u00e1 uma refer\u00eancia nada elogiosa, indicada com uma seta, a um desenho do que parece ser o cantor <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ilustrad\/fq180730.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Frank Zappa<\/a>. Gullar tamb\u00e9m escreveu nomes de bandas e artistas estrangeiros como <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ilustrad\/fq19089913.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Canned Heat<\/a>, The Who, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ilustrad\/fq09079935.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">The Mothers of Invention<\/a>, The Yardbirds, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/1995\/6\/19\/folhateen\/4.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Steve Miller Band<\/a> e Donovan.<\/p>\n<p>&#8220;Big Boy todo dia na Mundial&#8221;, l\u00ea-se numa refer\u00eancia ao DJ carioca Big Boy e seu programa de r\u00e1dio. H\u00e1 ainda versos da m\u00fasica &#8220;2001&#8221;, de Tom Z\u00e9 e Rita Lee, escritos em \u2018caipir\u00eas\u2019.<\/p>\n<p>Apesar da parceria em &#8220;Onde Andar\u00e1s&#8221;, n\u00e3o se percebe nenhuma ilustra\u00e7\u00e3o que remeta a Caetano Veloso. Beth\u00e2nia, que n\u00e3o participou da Tropic\u00e1lia, tamb\u00e9m n\u00e3o aparece.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 uma ilustra\u00e7\u00e3o do rosto de Gilberto Gil e o verso &#8220;N\u00e3o temos tempo de temer a morte&#8221;, da can\u00e7\u00e3o &#8220;Divino, Maravilhoso&#8221;, que Gil e Caetano fizeram para Gal cantar.<\/p>\n<p>Outras men\u00e7\u00f5es a Caetano s\u00e3o a can\u00e7\u00e3o &#8220;Saudosismo&#8221; e a frase &#8220;Fundiu a cuca&#8221;, dita por ele durante seu furioso discurso no 3\u00ba Festival Internacional da Can\u00e7\u00e3o, em 1968.<\/p>\n<p>Na tela, a frase aparece ao lado da figura identificada por Gullar como o Tio Barnab\u00e9, mas parecido com o pintor Salvador Dal\u00ed, como o pr\u00f3prio Arnaldo Baptista, que est\u00e1 puxando sua barba, observou.<\/p>\n<p>&#8220;E ele coloca o Dal\u00ed, eu l\u00e1 com o Dal\u00ed, achei uma coisa muito interessante e surrealista. Uma influ\u00eancia minha tamb\u00e9m. O Gullar \u00e9 o Dal\u00ed daqui. L\u00e1 no c\u00e9u!&#8221;, diz Arnaldo Baptista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Durante o curto e intenso per\u00edodo da Tropic\u00e1lia, que durou de 1967 a 1969, o poeta Ferreira Gullar&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":86528,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[207,205,206,559,203,201,202,4174,13847,21887,6202,204,114,115,21885,236,864,16794,6050,150,21888,6109,32,33,4175,21886],"class_list":{"0":"post-86527","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-arte","9":"tag-arte-e-design","10":"tag-artedesign","11":"tag-artes-plasticas","12":"tag-arts","13":"tag-arts-and-design","14":"tag-artsanddesign","15":"tag-bahia-estado","16":"tag-caetano","17":"tag-caetano-e-gil","18":"tag-caetano-veloso","19":"tag-design","20":"tag-entertainment","21":"tag-entretenimento","22":"tag-ferreira-gullar","23":"tag-folha","24":"tag-literatura","25":"tag-maria-bethania","26":"tag-mpb","27":"tag-musica","28":"tag-os-mutantes","29":"tag-poesia","30":"tag-portugal","31":"tag-pt","32":"tag-salvador","33":"tag-tropicalismo"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86527","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=86527"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86527\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/86528"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=86527"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=86527"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=86527"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}