{"id":86796,"date":"2025-09-25T23:35:15","date_gmt":"2025-09-25T23:35:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/86796\/"},"modified":"2025-09-25T23:35:15","modified_gmt":"2025-09-25T23:35:15","slug":"mantenha-a-calma-e-ande-com-dinheiro-e-o-banco-central-europeu-que-o-diz-para-o-caso-de-surgir-outra-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/86796\/","title":{"rendered":"&#8220;Mantenha a calma e ande com dinheiro&#8221;. \u00c9 o Banco Central Europeu que o diz, para o caso de surgir outra crise"},"content":{"rendered":"<p>\t                Num mundo cada vez mais digital, guardar notas na gaveta pode parecer coisa do passado. Mas os principais bancos centrais europeus est\u00e3o a recomendar exatamente isso: cada fam\u00edlia deve manter uma pequena reserva de dinheiro vivo, suficiente para sobreviver alguns dias em caso de crise<\/p>\n<p>O alerta surge num momento em que apesar de a maioria optar por pagamentos digitais a procura por notas dispara sempre que a estabilidade \u00e9 posta em causa, seja por uma pandemia, um apag\u00e3o ou uma guerra.<\/p>\n<p>Um estudo do Banco Central Europeu (BCE), intitulado <a href=\"https:\/\/www.ecb.europa.eu\/press\/economic-bulletin\/articles\/2025\/html\/ecb.ebart202506_02~1a773e2ca3.en.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">\u201cKeep calm and carry cash\u201d<\/a>\u00a0(Mantenha a calma e ande com dinheiro), analisou quatro grandes crises recentes \u2013 a pandemia de covid-19, a invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia em 2022, a crise da d\u00edvida grega e o apag\u00e3o ib\u00e9rico em abril de 2025 \u2013 e concluiu que o dinheiro vivo continua a ser insubstitu\u00edvel em momentos de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>Um &#8220;pneu suplente&#8221; do sistema de pagamentos <\/p>\n<p>Apesar de cada vez menos usado nas transa\u00e7\u00f5es do dia a dia, o dinheiro vivo mant\u00e9m-se como uma esp\u00e9cie de seguro coletivo. \u201cFunciona como um \u2018pneu suplente\u2019 do sistema de pagamentos\u201d, explicam os autores do estudo do BCE. Em situa\u00e7\u00f5es de stress extremo, as fam\u00edlias tendem a ver nas notas um meio de pagamento resiliente e um porto seguro para as suas poupan\u00e7as imediatas.<\/p>\n<p>Foi isso que aconteceu em mar\u00e7o de 2020, quando os confinamentos provocaram uma corrida ao numer\u00e1rio em toda a Europa: s\u00f3 nos primeiros 90 dias da pandemia circularam mais 19,5 mil milh\u00f5es de euros em notas do que seria expect\u00e1vel, segundo o documento. Tamb\u00e9m em fevereiro de 2022, com a invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia, registou-se uma procura anormal em pa\u00edses vizinhos do conflito, como os B\u00e1lticos e a Finl\u00e2ndia, onde a emiss\u00e3o de numer\u00e1rio atingiu n\u00edveis seis a dez vezes acima do normal.<\/p>\n<p>Mais recentemente, em abril, o apag\u00e3o ib\u00e9rico deixou durante v\u00e1rias horas mais de 50 milh\u00f5es de pessoas em Espanha e Portugal sem eletricidade, comunica\u00e7\u00f5es e pagamentos digitais. Cart\u00f5es, aplica\u00e7\u00f5es de transfer\u00eancia instant\u00e2nea e at\u00e9 caixas multibanco ficaram inoperacionais. Muitos comerciantes s\u00f3 aceitavam notas. Quem n\u00e3o tinha, ficou limitado no acesso a bens essenciais.<\/p>\n<p>Quanto dinheiro devo ter em casa? <\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de encher cofres ou de ter ma\u00e7os de notas em casa. As recomenda\u00e7\u00f5es oficiais apontam para quantias pequenas, mas suficientes para garantir autonomia em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia. Na \u00c1ustria, Pa\u00edses Baixos e Finl\u00e2ndia existem mesmo orienta\u00e7\u00f5es oficiais:\u00a0entre 70 e 100 euros por pessoa, o suficiente para 72 horas de despesas essenciais. J\u00e1 a Su\u00e9cia recomenda\u00a0guardar o equivalente a uma semana de gastos essenciais em comida, medicamentos e combust\u00edvel.<\/p>\n<p>Seguran\u00e7a psicol\u00f3gica e pr\u00e1tica <\/p>\n<p>Segundo o BCE, existe tamb\u00e9m um lado emocional. Ter notas em casa transmite uma sensa\u00e7\u00e3o de controlo e seguran\u00e7a imediata, sobretudo em momentos de incerteza prolongada. \u00c9 um comportamento que os economistas chamam de \u201cavers\u00e3o \u00e0 perda\u201d: quando o futuro parece incerto, as pessoas preferem garantir liquidez \u00e0 m\u00e3o. Al\u00e9m disso, o dinheiro vivo \u00e9 tang\u00edvel, n\u00e3o depende da internet, da eletricidade ou de sistemas banc\u00e1rios, e preserva a privacidade das transa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O estudo do BCE considera ainda que o dinheiro f\u00edsico \u00e9 um seguro coletivo. Quando todos t\u00eam algumas notas em casa, cria-se uma rede de liquidez descentralizada que ajuda a sociedade a manter-se funcional mesmo quando os sistemas falham.<\/p>\n<p>O estudo conclui que, tal como os cidad\u00e3os s\u00e3o incentivados a ter kits de emerg\u00eancia, o numer\u00e1rio deve ser visto como parte integrante da prepara\u00e7\u00e3o para crises. \u201cNenhum sistema \u00e9 infal\u00edvel. O dinheiro f\u00edsico assegura redund\u00e2ncia e confian\u00e7a em momentos cr\u00edticos\u201d, sublinha o BCE.<\/p>\n<p>Por isso, guardar algum dinheiro em casa, de prefer\u00eancia em notas pequenas, f\u00e1ceis de usar em trocas r\u00e1pidas, pode ser t\u00e3o importante quanto ter \u00e0 m\u00e3o uma lanterna, um r\u00e1dio ou \u00e1gua.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Num mundo cada vez mais digital, guardar notas na gaveta pode parecer coisa do passado. 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