{"id":87233,"date":"2025-09-26T08:38:28","date_gmt":"2025-09-26T08:38:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/87233\/"},"modified":"2025-09-26T08:38:28","modified_gmt":"2025-09-26T08:38:28","slug":"as-meninas-lygia-fagundes-telles-representa-as-mulheres-25-09-2025-painel-do-leitor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/87233\/","title":{"rendered":"&#8216;As Meninas&#8217;: Lygia Fagundes Telles representa as mulheres &#8211; 25\/09\/2025 &#8211; Painel do Leitor"},"content":{"rendered":"<p>Nesta ter\u00e7a-feira (23) L\u00facia Telles, neta e curadora da obra de<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2022\/04\/lygia-fagundes-telles-tinha-103-anos-ao-morrer-e-nao-98-mostram-registros.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> Lygia Fagundes Telles<\/a>, participou de encontro com as leitoras da comunidade Todas sobre o livro <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/educacao\/2025\/08\/livros-da-fuvest-as-meninas-e-romance-intimista-com-ditadura-como-pano-de-fundo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#8220;As Meninas&#8221;, publicado em 1973<\/a>. A obra tem como pano de fundo a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/ditadura-militar\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ditadura militar<\/a> no Brasil e se situa no ano de 1969, dias ap\u00f3s o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/banco-de-dados\/2019\/09\/1969-embaixador-americano-e-alvo-de-sequestro-no-rio-de-janeiro.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">sequestro do embaixador dos Estados Unidos<\/a>, Charles Burke Elbrick, em 4 de setembro daquele ano.<\/p>\n<p>L\u00facia conta ter trabalhado com a av\u00f3 por longo per\u00edodo e diz que desde crian\u00e7a as protagonistas deste livro foram presentes em sua vida. Foi apenas na adolesc\u00eancia que descobriu que Lorena, Ana Clara e Lia n\u00e3o se tratavam de pessoas espec\u00edficas, mas de personagens criados pela av\u00f3. &#8220;S\u00e3o as netas ocultas&#8221;, comenta Margarida Gorecki, outra neta de Lygia presente no encontro.<\/p>\n<p>Ambas colaboraram com o debate acerca de pistas sem respostas deixadas por Lygia nessa e em outras obras: &#8220;Ela odiava quando compravam os direitos de adapta\u00e7\u00e3o dos livros e propunham solu\u00e7\u00f5es para mist\u00e9rios que havia deixado em aberto&#8221;, diz L\u00facia. Para ela, a autora sabia que os mist\u00e9rios eram a parte mais interessante, algo endossado pelas participantes ao longo do debate: os fins de suas hist\u00f3rias, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-100-anos\/2020\/06\/em-cronica-de-1952-lygia-fagundes-telles-mostra-que-unica-certeza-e-o-imprevisivel.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">abertos a interpreta\u00e7\u00f5es<\/a>, parecem guiar o desejo da leitura.<\/p>\n<p>Se questionada sobre o que aconteceu com determinada pessoa ou situa\u00e7\u00e3o de seus livros, Lygia n\u00e3o opinava, diz a curadora. &#8220;\u00c9 um chamado para que o leitor entre na obra e fa\u00e7a essa observa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>    Tudo a Ler<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Receba no seu email uma sele\u00e7\u00e3o com lan\u00e7amentos, cl\u00e1ssicos e curiosidades liter\u00e1rias<\/p>\n<p>O t\u00edtulo, agora na lista de leituras obrigat\u00f3rias da Fuvest, tamb\u00e9m levou estudantes \u00e0 reuni\u00e3o virtual. A estudante Camilla Proen\u00e7a cita o inc\u00f4modo inicial com a falta de linearidade temporal da hist\u00f3ria. Al\u00e9m disso, a polifonia narrativa [a narra\u00e7\u00e3o do livro transita entre Lorena, Lia, Ana Clara e um quarto narrador onisciente] marca confus\u00e3o experienciada quase que de forma un\u00e2nime pelas leitoras. &#8220;S\u00e3o tr\u00eas meninas muito diferentes, mas elas t\u00eam uma vida que se entrela\u00e7a e se mistura no discurso&#8221;, diz L\u00facia.<\/p>\n<p>O enfrentamento \u00e0 censura tamb\u00e9m chama a aten\u00e7\u00e3o. Em um trecho do livro h\u00e1 um relato detalhado da tortura de um militante; o livro foi publicado logo ap\u00f3s o <a href=\"https:\/\/temas.folha.uol.com.br\/50-anos-ai5\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">AI-5<\/a> entrar em vigor. L\u00facia conta que foi o companheiro de Lygia, o cineasta Paulo Em\u00edlio Salles Gomes, que trouxe um panfleto para casa com a descri\u00e7\u00e3o do que acontecia nos por\u00f5es do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2023\/08\/escavacao-no-doi-codi-acha-inscricoes-na-parede-objetos-antigos-e-vestigios-de-sangue.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">DOI-Codi<\/a>, \u00f3rg\u00e3o de repress\u00e3o da ditadura militar, e insistiu para que fosse inclu\u00eddo no livro. Eles achavam que o trecho n\u00e3o passaria pela censura, mas, segundo L\u00facia, Paulo teria dito que &#8220;o censor achou o livro chato e n\u00e3o chegou nessa parte.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um livro inc\u00f4modo porque trata de quest\u00f5es dif\u00edceis, como tortura, v\u00edcio, abusos, entre outros, mas tamb\u00e9m tem <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2018\/12\/contos-de-lygia-fagundes-telles-mostram-que-fama-de-grande-dama-e-injusta.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">a marca da autora<\/a> nessa narrativa n\u00e3o linear&#8221;, diz L\u00facia. A percep\u00e7\u00e3o das leituras \u00e9 que, com as hist\u00f3rias de Lorena, a burguesa, Lia, a militante, e Ana Clara, a viciada, Lygia busca representar o que \u00e9 ser mulher no Brasil. &#8220;Representam tamb\u00e9m a trajet\u00f3ria dela como escritora&#8221;, diz L\u00facia. &#8220;Ela costumava dizer que tudo que escrevia tem a ver com o que viveu e com as pessoas que amava.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com L\u00facia, a av\u00f3 chegou a se perguntar se tinha uma vida mais exc\u00eantrica que outros por escrever personagens que sofriam com quest\u00f5es de sa\u00fade mental, doen\u00e7as e flertavam com a loucura. &#8220;No fim todos n\u00f3s temos essas coisas nas nossas vidas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/paineldoleitor\/2023\/10\/comunidade-todas-vai-conectar-leitoras-e-redacao-por-grupo-no-whatsapp.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Comunidade Todas<\/a> \u00e9 um grupo permanente no WhatsApp que conecta leitoras, assinantes ou n\u00e3o, entre si e com a Reda\u00e7\u00e3o. A comunidade integra a iniciativa Todas, um projeto multiplataforma de conte\u00fado voltado \u00e0s mulheres no site do jornal.<\/p>\n<p>Como parte da iniciativa Todas, a Folha presenteia mulheres com<a href=\"https:\/\/assinaturas.folha.com.br\/440301?_ga=2.124977869.698550227.1709558329-927799293.1695042663&amp;_mather=c36db753-b608-4659-9f59-21e805f2fd6d&amp;_gl=1*1aqn3rh*_gcl_au*NzkzOTIzNDk5LjE3MzY0MTg4NzE.*_ga*MzczOTk1ODIwLjE3MjcyMDQyOTg.*_ga_RY1LTN28TR*MTc0MTYwMjk5MS4xMzQuMS4xNzQxNjAzMDY1LjYwLjAuMA..\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> tr\u00eas meses de assinatura digital gr\u00e1tis<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Nesta ter\u00e7a-feira (23) L\u00facia Telles, neta e curadora da obra de Lygia Fagundes Telles, participou de encontro com&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":87234,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[22003,207,169,11764,22004,114,115,1907,236,864,237,170,32,33],"class_list":{"0":"post-87233","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-ai-5","9":"tag-arte","10":"tag-books","11":"tag-ditadura-militar","12":"tag-doi-codi","13":"tag-entertainment","14":"tag-entretenimento","15":"tag-escritores","16":"tag-folha","17":"tag-literatura","18":"tag-livro","19":"tag-livros","20":"tag-portugal","21":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87233","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=87233"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87233\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/87234"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=87233"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=87233"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=87233"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}