{"id":88878,"date":"2025-09-27T13:34:12","date_gmt":"2025-09-27T13:34:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/88878\/"},"modified":"2025-09-27T13:34:12","modified_gmt":"2025-09-27T13:34:12","slug":"porque-estao-tantas-pessoas-a-provocar-propositadamente-fraturas-nas-pernas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/88878\/","title":{"rendered":"Porque est\u00e3o tantas pessoas a provocar propositadamente fraturas nas pernas?"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/depositphotos.com\/photo\/close-person-stiffener-broken-leg-rehabilitation-physiotherapist-218506868.html\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"exclude\" target=\"_blank\">photographee.eu  \/ Depositphotos <\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-702758\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/910fef01b5c1f3e0bd40ae800f4fca79-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p><strong>Estaria na disposi\u00e7\u00e3o de deixar que um cirurgi\u00e3o lhe parta as suas pernas, para esticar o osso mil\u00edmetro a mil\u00edmetro e depois passar meses em recupera\u00e7\u00e3o \u2013 tudo para ganhar alguns cent\u00edmetros de altura?<\/strong><\/p>\n<p>Esta \u00e9 essencialmente a promessa da chamada <strong>cirurgia de alongamento<\/strong> de membros, procedimento outrora reservado \u00e0 corre\u00e7\u00e3o de problemas ortop\u00e9dicos graves que se tornou agora uma <strong>tend\u00eancia est\u00e9tica<\/strong>: parta as pernas e cres\u00e7a uns cent\u00edmetros.<\/p>\n<p>Embora possa parecer uma solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida para quem espera ficar mais alto, o procedimento <strong>est\u00e1 longe de ser simples<\/strong>. Ossos, m\u00fasculos, nervos e articula\u00e7\u00f5es pagam um <strong>pre\u00e7o elevado<\/strong> pela interven\u00e7\u00e3o, e os riscos superam frequentemente os benef\u00edcios.<\/p>\n<p><strong>O alongamento de membros n\u00e3o \u00e9 novo<\/strong>. O procedimento foi desenvolvido na d\u00e9cada de 1950 pelo cirurgi\u00e3o ortop\u00e9dico sovi\u00e9tico <strong>Gavriil Ilizarov<\/strong>, que criou um sistema para tratar fraturas mal consolidadas e deformidades cong\u00e9nitas dos membros. <strong>A sua t\u00e9cnica revolucionou a ortopedia reconstrutiva<\/strong> e continua a ser a base da pr\u00e1tica actual.<\/p>\n<p>Embora o n\u00famero de pessoas que se submetem anualmente a cirurgia est\u00e9tica de alongamento de membros continue relativamente pequeno, o procedimento est\u00e1 a <strong>ganhar popularidade<\/strong>.<\/p>\n<p>Cl\u00ednicas especializadas nos<strong> Estados Unidos, Europa, \u00cdndia e Coreia do Sul<\/strong> est\u00e3o a registar uma procura crescente de pessoas que se sujeitam a procedimentos que custam <strong>dezenas de milhares de euros<\/strong> para crescer alguns cent\u00edmetros.<\/p>\n<p>Em algumas cl\u00ednicas privadas, as interven\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas de alongamento de membros <strong>j\u00e1 superam as cirurgias com origem m\u00e9dica<\/strong>, o que reflete uma <strong>mudan\u00e7a cultural<\/strong>: cada vez mais pessoas est\u00e3o dispostas a submeter-se a um ato m\u00e9dico exigente e de alto risco para <strong>satisfazer ideais sociais<\/strong> sobre altura.<\/p>\n<p>Os cirurgi\u00f5es come\u00e7am por <strong>cortar atrav\u00e9s de um osso<\/strong>, habitualmente o f\u00e9mur (osso da coxa) ou a t\u00edbia (osso da canela), explica a professora de Anatomia <strong>Michelle Spear<\/strong> no <a href=\"https:\/\/theconversation.com\/why-some-people-are-purposefully-having-their-legs-broken-by-cosmetic-surgeons-265015\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">The Conversation<\/a>.<\/p>\n<p>Para garantir que o <strong>osso existente se mant\u00e9m saud\u00e1vel<\/strong> e que novo osso pode crescer, os cirurgi\u00f5es t\u00eam o cuidado de deixar intacto o seu fornecimento sangu\u00edneo e peri\u00f3steo \u2014 o tecido mole que cobre o osso.<\/p>\n<p>Tradicionalmente, os segmentos \u00f3sseos cortados eram ligados a uma estrutura externa volumosa que era<strong> ajustada diariamente<\/strong> para separar as duas extremidades. Mais recentemente, alguns procedimentos come\u00e7aram a usar <strong>hastes telesc\u00f3picas colocadas dentro do pr\u00f3prio osso<\/strong>.<\/p>\n<p>Estes dispositivos internos podem ser <strong>alongados gradualmente<\/strong> usando controlos magn\u00e9ticos <strong>a partir do exterior do corpo<\/strong>, poupando aos doentes o estigma de uma estrutura externa e reduzindo o risco de infe\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Contudo, <strong>n\u00e3o s\u00e3o adequados para todos os doentes<\/strong>, especialmente crian\u00e7as, e s\u00e3o consideravelmente mais caros do que os sistemas externos.<\/p>\n<p>Independentemente de o dispositivo estar colocado fora ou dentro do osso, o processo \u00e9 o mesmo. Ap\u00f3s um <strong>breve per\u00edodo de cicatriza\u00e7\u00e3o<\/strong>, o dispositivo \u00e9 ajustado para separar as extremidades cortadas muito gradualmente, habitualmente cerca de um mil\u00edmetro por dia.<\/p>\n<p>Esta separa\u00e7\u00e3o lenta <strong>encoraja o corpo a preencher o espa\u00e7o com novo osso<\/strong>, um processo chamado <strong>osteog\u00e9nese<\/strong>. Entretanto, os m\u00fasculos, tend\u00f5es, vasos sangu\u00edneos, pele e nervos <strong>esticam para acomodar a mudan\u00e7a<\/strong>.<\/p>\n<p>Ao longo de semanas e meses este procedimento pode resultar num ganho de <strong>cinco a oito cent\u00edmetros de altura<\/strong> numa \u00fanica interven\u00e7\u00e3o, o limite que a maioria dos cirurgi\u00f5es considera seguro.<\/p>\n<p>Alguns doentes submetem-se a opera\u00e7\u00f5es<strong> tanto no f\u00e9mur como na t\u00edbia<\/strong>, com o objetivo de <strong>ganhar at\u00e9 12-15 cent\u00edmetros no total<\/strong>. Contudo, as taxas de complica\u00e7\u00e3o aumentam drasticamente com cada cent\u00edmetro de crescimento adicional. As complica\u00e7\u00f5es incluem <strong>rigidez articular, irrita\u00e7\u00e3o nervosa<\/strong>, cicatriza\u00e7\u00e3o \u00f3ssea atrasada, infe\u00e7\u00e3o e dor cr\u00f3nica.<\/p>\n<p>Dor intensa<\/p>\n<p>O desafio subjacente da cirurgia de alongamento de membros \u00e9 o mesmo: o corpo deve r<strong>eparar constantemente um osso que est\u00e1 a ser separado<\/strong>.<\/p>\n<p>Quando um osso se parte, <strong>forma-se rapidamente um co\u00e1gulo<\/strong> sangu\u00edneo em volta da fractura. As c\u00e9lulas \u00f3sseas (osteoblastos) criam um calo (cartilagem mole) que estabiliza a fractura. Ao longo de semanas, os osteoblastos substituem esta cartilagem por novo osso, que <strong>gradualmente se remodela para restaurar a for\u00e7a<\/strong> e forma.<\/p>\n<p>Nas cirurgias de alongamento de membros, contudo, a fratura est\u00e1 na pr\u00e1tica a ser <strong>continuamente separada<\/strong>, o que significa que o processo de repara\u00e7\u00e3o do corpo \u00e9 <strong>constantemente interrompido e redirecionado<\/strong>, gerando uma coluna de novo osso delicado onde o endurecimento \u00e9 atrasado.<\/p>\n<p><strong>O processo \u00e9 intensamente doloroso<\/strong>. Os doentes necessitam frequentemente de <strong>analg\u00e9sicos fortes<\/strong>. A fisioterapia \u00e9 tamb\u00e9m essencial para manter o movimento. No entanto, mesmo quando a cirurgia \u00e9 bem-sucedida, as pessoas podem ainda ficar com fraqueza, altera\u00e7\u00f5es da marcha ou <strong>desconforto cr\u00f3nico<\/strong>.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m o <strong>fardo psicol\u00f3gico que acompanha o procedimento<\/strong>. A recupera\u00e7\u00e3o, em grande parte passada com mobilidade restrita, pode demorar um ano ou mais.<\/p>\n<p>Alguns doentes apresentam sintomas de depress\u00e3o ou relatam estar arrependidos de ter decidido avan\u00e7ar com o procedimento, particularmente se o modesto ganho em altura <strong>n\u00e3o proporcionar a melhoria esperada na sua autoconfian\u00e7a<\/strong>.<\/p>\n<p>Os <strong>m\u00fasculos e tend\u00f5es s\u00e3o tamb\u00e9m for\u00e7ados a alongar-se<\/strong> para al\u00e9m da sua capacidade natural, o que pode levar \u00e0 sua rigidez. Os nervos s\u00e3o especialmente vulner\u00e1veis. Ao contr\u00e1rio do osso, <strong>n\u00e3o se podem regenerar<\/strong> atrav\u00e9s de longas dist\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Os nervos saud\u00e1veis <strong>podem esticar talvez 6 a 8%<\/strong> do seu comprimento em repouso, mas para al\u00e9m disso, as fibras come\u00e7am a sofrer les\u00f5es e ficam comprometidas, explica Spear.<\/p>\n<p>Os doentes sentem tambem frequentemente <strong>formigueiros, dorm\u00eancia<\/strong> ou dor ardente durante o alongamento. Em casos graves, os <strong>danos nos nervos<\/strong> podem tornar-se permanentes.<\/p>\n<p>As <strong>articula\u00e7\u00f5es, imobilizadas durante meses<\/strong>, correm o risco de enrijecer ou desenvolver artrite devido a altera\u00e7\u00f5es na forma como a for\u00e7a e o peso s\u00e3o distribu\u00eddos.<\/p>\n<p>O aumento do alongamento est\u00e9tico de membros ilustra uma tend\u00eancia mais ampla na cirurgia est\u00e9tica, na qual <strong>procedimentos cada vez mais invasivos<\/strong> s\u00e3o oferecidos a pessoas<strong> sem necessidade m\u00e9dica<\/strong>.<\/p>\n<p>Em teoria, quase qualquer pessoa poderia ganhar alguns cent\u00edmetros de altura. Mas na pr\u00e1tica, <strong>significa meses de ossos partidos<\/strong>, tecido novo fr\u00e1gil, fisioterapia exaustiva e o<strong> risco constante de complica\u00e7\u00f5es<\/strong>.<\/p>\n<p>Para quem tem necessidade m\u00e9dica, <strong>os benef\u00edcios podem mudar a vida<\/strong>. Mas para aqueles que procuram apenas acrescentar um pouco de altura, a quest\u00e3o mant\u00e9m-se: ser\u00e1 que suportar meses de dor e incerteza <strong>vale realmente a pena<\/strong>?<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/1758473009_679_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/1758473009_524_c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/1758473010_545_5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"photographee.eu \/ Depositphotos Estaria na disposi\u00e7\u00e3o de deixar que um cirurgi\u00e3o lhe parta as suas pernas, para esticar&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":88879,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[15585,27,28,15,16,14,25,26,21,22,1079,62,12,13,19,20,23,24,117,58,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-88878","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-anatomia","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-featured-news","12":"tag-featurednews","13":"tag-headlines","14":"tag-latest-news","15":"tag-latestnews","16":"tag-main-news","17":"tag-mainnews","18":"tag-moda","19":"tag-mundo","20":"tag-news","21":"tag-noticias","22":"tag-noticias-principais","23":"tag-noticiasprincipais","24":"tag-principais-noticias","25":"tag-principaisnoticias","26":"tag-saude","27":"tag-sociedade","28":"tag-top-stories","29":"tag-topstories","30":"tag-ultimas","31":"tag-ultimas-noticias","32":"tag-ultimasnoticias","33":"tag-world","34":"tag-world-news","35":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88878","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88878"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88878\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/88879"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88878"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=88878"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88878"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}