{"id":89105,"date":"2025-09-27T17:07:09","date_gmt":"2025-09-27T17:07:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/89105\/"},"modified":"2025-09-27T17:07:09","modified_gmt":"2025-09-27T17:07:09","slug":"obra-precoce-de-virginia-woolf-recentemente-redescoberta-sera-publicada-em-outubro-livros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/89105\/","title":{"rendered":"Obra precoce de Virginia Woolf recentemente redescoberta ser\u00e1 publicada em Outubro | Livros"},"content":{"rendered":"<p>Um trio de hist\u00f3rias escritas por Virginia Woolf entre 1907 e 1908, antes da publica\u00e7\u00e3o de A Viagem (1915), o seu primeiro romance \u2014 na altura, ainda n\u00e3o assinava com o apelido Woolf, mas com aquele que lhe havia sido dado \u00e0 nascen\u00e7a, Stephen \u2014,\u200b ser\u00e1 publicado no pr\u00f3ximo m\u00eas, ap\u00f3s Urmila Seshagiri, professora na Universidade do Tennessee (Estados Unidos) e estudiosa de Woolf, ter descoberto, por acaso, os manuscritos originais da hist\u00f3rica escritora brit\u00e2nica.<\/p>\n<p>As hist\u00f3rias, que juntas perfazem uma biografia fict\u00edcia, s\u00e3o inspiradas por Violet Dickinson, que, conforme escreve o jornal brit\u00e2nico <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/books\/2025\/sep\/27\/a-cottage-of-ones-own-newly-unearthed-virginia-woolf-stories-to-be-published\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">The Guardian<\/a>, foi uma pessoa de grande import\u00e2ncia na vida da autora: as duas mulheres aproximaram-se quando Virginia tinha 20 anos e Violet, al\u00e9m de ter apresentado a escritora a um dos seus primeiros editores, e a \u201cum c\u00edrculo alargado de amigos aristocr\u00e1ticos\u201d, cuidou da sua amiga quando esta teve um esgotamento, em 1904.<\/p>\n<p>A obra, originalmente intitulada Friendships Gallery, ser\u00e1 publicada pela editora acad\u00e9mica Princeton University Press com um novo t\u00edtulo: The Life of Violet. Foi escrita \u201ca partir da perspectiva de um bi\u00f3grafo masculino inepto e antecipa os temas feministas das obras-primas posteriores [de Virginia Woolf]\u201d, descreve o <a href=\"https:\/\/www.thetimes.com\/culture\/books\/article\/virginia-woolf-lost-book-83zs3mlzl\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Sunday Times<\/a>. Sai a 7 de Outubro, precisa por sua vez o <a href=\"https:\/\/www.telegraph.co.uk\/news\/2025\/09\/21\/virginia-woolfs-lost-book-published-80-years-after-death\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Telegraph<\/a>.<\/p>\n<p>Os manuscritos originais estavam em Longleat House, casa senhorial da regi\u00e3o de Wiltshire onde se encontra tamb\u00e9m guardada uma colec\u00e7\u00e3o de escritos de Violet Dickinson. Urmila Seshagiri estava \u00e0 procura de um livro in\u00e9dito escrito por Violet sobre a inf\u00e2ncia de Virginia quando, pouco antes do in\u00edcio da pandemia de covid-19, perguntou \u00e0 Longleat House se estaria na sua posse. Responderam-lhe que sim e, como a acad\u00e9mica assinala ao Guardian, perguntaram-lhe tamb\u00e9m se n\u00e3o teria interesse em consultar Friendships Gallery, um documento redigido \u00e0 m\u00e1quina e com diversas correc\u00e7\u00f5es manuscritas.<\/p>\n<p>\u200bSeshagiri sabia que o manuscrito original dessa obra se encontrava na Biblioteca P\u00fablica de Nova Iorque; pensou, portanto, que a Longleat House mais n\u00e3o teria do que uma c\u00f3pia. A verdade, todavia, \u00e9 que o documento \u00e0 guarda da casa senhorial \u00e9 uma vers\u00e3o alterada da hist\u00f3ria original \u2014 as mudan\u00e7as foram feitas em 1908, um ano ap\u00f3s a escrita do primeiro rascunho, do qual Woolf tinha alguma vergonha. Aquando da partilha do manuscrito com Violet Dickinson, a escritora, refere o Guardian, insistiu para que ela e Nelly, uma outra amiga, fossem as \u00fanicas leitoras da obra. \u201cN\u00e3o a mostres a ningu\u00e9m. Eu n\u00e3o consigo, neste momento, lembrar-me de qu\u00e3o m\u00e1 \u00e9, mas sei que ter\u00e1 de ser reescrita daqui a seis meses. E n\u00e3o o farei\u201d, ter\u00e1 escrito a Nelly.<\/p>\n<p>Os documentos guardados pela Longleat House mostram que, afinal de contas, Woolf voltou atr\u00e1s. A Princeton University Press <a href=\"https:\/\/press.princeton.edu\/books\/hardcover\/9780691263137\/the-life-of-violet\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">descreve<\/a> a \u201cprimeira experi\u00eancia liter\u00e1ria\u201d da escritora brit\u00e2nica como um trabalho que \u201cmistura fantasia, conto de fadas e s\u00e1tira, transportando os leitores para um mundo m\u00e1gico onde a hero\u00edna triunfa sobre monstros marinhos e tamb\u00e9m sobre tradi\u00e7\u00f5es sociais sufocantes\u201d. Tr\u00eas hist\u00f3ricas \u201cc\u00f3micas\u201d que, prossegue a editora, \u201crejeitam a cren\u00e7a vitoriana de que as mulheres devem escolher entre a virtude e a ambi\u00e7\u00e3o, e que celebram as amizades femininas e o riso das mulheres\u201d.<\/p>\n<p>Seshagiri diz ao Sunday Times que o livro dever\u00e1 ajudar a combater uma s\u00e9rie de no\u00e7\u00f5es equivocadas e \u201cpersistentes\u201d sobre Woolf, muitas vezes descrita como uma escritora e uma pessoa \u201csombria\u201d. \u201cEra uma pessoa vibrante, brilhante e soci\u00e1vel, com um sentido de humor que nestas hist\u00f3rias \u00e9 evidente.\u201d<\/p>\n<p>Nascida em Janeiro de 1982, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/01\/06\/culturaipsilon\/noticia\/revolucao-chamada-virginia-woolf-2033736\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">Virginia Woolf<\/a> morreu 59 anos mais tarde, em Mar\u00e7o de 1941. Em 1955, a fam\u00edlia de Violet Dickinson ofereceu a primeira vers\u00e3o de Friendships Gallery (ou seja, n\u00e3o a que agora ser\u00e1 finalmente publicada) ao vi\u00favo da escritora, Leonard Woolf, que no entanto recusou comprar o manuscrito, \u201ctalvez influenciado pela timidez inicial da escritora relativamente \u00e0s hist\u00f3rias\u201d, como sugere o Guardian. A obra, continua o jornal ingl\u00eas, acabaria por ser adquirida por uma ninharia, numa venda de garagem em Londres, por Tom Maschler, fundador do importante pr\u00e9mio liter\u00e1rio Booker.<\/p>\n<p>Este viria a mostr\u00e1-la ao autor e editor Francis Wyndham, que, contrariamente a Maschler, sabia que \u201cVirginia Stephen\u201d era a autora do emblem\u00e1tico <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/03\/31\/culturaipsilon\/noticia\/katie-mitchell-magnetismo-orlando-2044232\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">Orlando<\/a>. Insistindo que as hist\u00f3rias eram uma esp\u00e9cie de \u201cpiada privada\u201d e que \u201cn\u00e3o eram muito boas\u201d, o vi\u00favo de Woolf n\u00e3o autorizou a sua publica\u00e7\u00e3o. O manuscrito acabou por ser acolhido pela Biblioteca P\u00fablica de Nova Iorque.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um trio de hist\u00f3rias escritas por Virginia Woolf entre 1907 e 1908, antes da publica\u00e7\u00e3o de A Viagem&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":89106,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,315,1413,114,115,864,170,32,33,14540],"class_list":{"0":"post-89105","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-cultura","10":"tag-cultura-ipsilon","11":"tag-entertainment","12":"tag-entretenimento","13":"tag-literatura","14":"tag-livros","15":"tag-portugal","16":"tag-pt","17":"tag-virginia-woolf"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89105","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89105"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89105\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89106"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}