{"id":89818,"date":"2025-09-28T09:38:09","date_gmt":"2025-09-28T09:38:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/89818\/"},"modified":"2025-09-28T09:38:09","modified_gmt":"2025-09-28T09:38:09","slug":"livro-e-se-ter-uma-empregada-domestica-fosse-incompativel-com-ser-uma-boa-feminista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/89818\/","title":{"rendered":"Livro: E se ter uma empregada dom\u00e9stica fosse incompat\u00edvel com ser uma boa feminista?"},"content":{"rendered":"<p>          <img decoding=\"async\" class=\"c-ad__placeholder__logo\" src=\"https:\/\/static.euronews.com\/website\/images\/logos\/logo-euronews-stacked-outlined-72x72-grey-9.svg\" width=\"72\" height=\"72\" alt=\"\" loading=\"lazy\"\/><br \/>\n          PUBLICIDADE<\/p>\n<p>A protagonista de &#8220;Casas limpias&#8221; (Casas limpas), publicado por Temas de Hoy, Sol, \u00e9 <strong>uma mulher jovem e progressista<\/strong> que gostaria de viver, tanto quanto poss\u00edvel, de acordo com as ideias feministas actuais. No entanto, quando a sua patroa a despede do seu emprego de assistente de artista e descobre que est\u00e1 gr\u00e1vida, contrata duas mulheres latino-americanas para a ajudarem em casa e fazerem o que o seu namorado, que <strong>trabalha doze horas por dia<\/strong>, n\u00e3o pode fazer.<\/p>\n<p>Esta decis\u00e3o faz com que Sol se sinta envergonhada e come\u00e7a a preocupar-se <strong>com o que as pessoas v\u00e3o dizer<\/strong>, ao ponto de se esconder para que a vizinha, de cuja janela pende uma bandeira com um punho roxo, n\u00e3o descubra.<\/p>\n<p>\u00c9 assim que Mar\u00eda Ag\u00fandez inicia o seu segundo romance, um <strong>retrato elaborado com agudeza<\/strong> e uma dose de humor, no qual a leitora se sente incomodada por se ver reflectida, porque, como a pr\u00f3pria autora comenta \u00e0 Euronews: &#8220;Contratar algu\u00e9m para limpar a nossa casa significa, por vezes, tornarmo-nos numa esp\u00e9cie de patr\u00e3ozinho, mas sem dar ao outro qualquer tipo de condi\u00e7\u00e3o e, sobretudo, partimos do princ\u00edpio de que estamos a contratar algu\u00e9m porque n\u00e3o queremos passar o nosso tempo livre a limpar a nossa pr\u00f3pria porcaria&#8221;.<\/p>\n<p>Imposs\u00edvel n\u00e3o recordar o <strong>filme &#8220;The Help&#8221;<\/strong>, que retrata estes dois <strong>mundos paralelos e t\u00e3o injustamente diferentes<\/strong> entre si; ou &#8220;Manual das empregadas de limpeza&#8221;, os contos de Lucia Berlin, publicados dez anos ap\u00f3s a morte da autora, que reflectem o quotidiano destas mulheres que s\u00e3o empurradas para trabalhos prec\u00e1rios para sustentar as suas fam\u00edlias, ou a si pr\u00f3prias.<\/p>\n<p><strong>Racismo, desigualdade e preconceito<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de &#8220;The Help&#8221; se passar na d\u00e9cada de 1960 e de Berlin tamb\u00e9m se ter inspirado nas suas experi\u00eancias durante as d\u00e9cadas de 1940 e 1950, Mar\u00eda Ag\u00fandez pega no legado de tudo isto e coloca-o numa <strong>perspetiva actualizada<\/strong>, em que os problemas de fundo &#8211; racismo, desigualdade e preconceito &#8211; continuam presentes, mas com uma roupagem diferente.<\/p>\n<p>Cuidar dos outros, limpar; estes<a href=\"https:\/\/es.euronews.com\/viajes\/2025\/03\/11\/como-las-vacaciones-turisticas-solo-para-mujeres-estan-transformando-los-viajes\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> <\/a>continuam a ser dom\u00ednios das mulheres, e embora romper com este destino fosse a forma ideal de cumprir o <strong>t\u00e3o repetido termo de empoderamento<\/strong>, esta ainda n\u00e3o \u00e9 uma possibilidade a ser contemplada para todas elas.<\/p>\n<p>&#8220;Criticamos muito as formas que cada uma tem de executar a sua vida privada e o seu feminismo e acho que nem todas se podem dar ao luxo de o fazer da mesma forma&#8221;, explica Mar\u00eda Ag\u00fandez \u00e0 &#8216;Euronews&#8217;, a prop\u00f3sito das <strong>press\u00f5es sociais<\/strong> que v\u00eam <strong>de v\u00e1rias esferas ideol\u00f3gicas<\/strong>. &#8220;\u00c9 como se hoje em dia s\u00f3 o sucesso profissional pudesse ser um valor, e mesmo que uma mulher tenha a aspira\u00e7\u00e3o de cuidar do seu beb\u00e9, parece que \u00e9 mal visto e que caiu na armadilha dos cuidados&#8221;, acrescenta a autora.<\/p>\n<p><strong>Falta de reconhecimento social<\/strong><\/p>\n<p>O problema, por outro lado, reside na<a href=\"https:\/\/es.euronews.com\/business\/2025\/08\/25\/espana-entre-los-paises-con-menos-vacantes-laborales-de-europa-pese-al-alto-desempleo\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> <\/a>precariedade do mundo do trabalho e &#8220;a incorpora\u00e7\u00e3o da mulher no local de trabalho \u00e9 perfeita, mas torna-se muito complicada quando <strong>h\u00e1 um n\u00facleo familiar<\/strong> porque, quem \u00e9 que vai ceder, os av\u00f3s, eles tamb\u00e9m t\u00eam direito a ter a sua vida&#8221;, declara Ag\u00fandez.<\/p>\n<p>E quando se trata de sucesso profissional, nem todos os trabalhos s\u00e3o v\u00e1lidos, o que se reflecte de forma muito inteligente em &#8220;Clean Houses&#8221;, quando a protagonista descobre que <strong>\u00e9 obcecada por limpezas<\/strong> e quer <strong>trabalhar como empregada dom\u00e9stica<\/strong>, mas \u00e9 julgada pelo namorado e pelos pais porque pode &#8220;aspirar a algo mais&#8221;. &#8220;\u00c9 mais fixe para a tua m\u00e3e, por exemplo, trabalhar na cultura, mesmo que em condi\u00e7\u00f5es terr\u00edveis, em vez de fazer limpezas? \u00c9 uma quest\u00e3o de reconhecimento social, isso \u00e9 claro&#8221;, confessa a autora.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m muito presente na narrativa est\u00e1 <strong>o olhar de um sector social abastado<\/strong> e conservador, para quem contratar uma empregada dom\u00e9stica<a href=\"https:\/\/es.euronews.com\/2023\/09\/24\/igualdad-de-genero-en-los-hogares-europeos-una-encuesta-muestra-que-aun-queda-mucho-camino\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> <\/a>n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o desperta qualquer pudor, como <strong>traz consigo frases condescendentes<\/strong> como &#8220;\u00e9 como se fosse da fam\u00edlia, ou se at\u00e9 a levamos de f\u00e9rias&#8221;.<\/p>\n<p>O tipo de pessoa que tem <strong>medo que a empregada roube<\/strong> ou que deixa propositadamente uma bola gigante de cot\u00e3o num determinado local da casa para verificar se est\u00e1 bem limpa, como mostra o romance, &#8220;s\u00e3o as que mais perpetuam este sistema, porque n\u00e3o acreditam que haja um problema ou t\u00eam um olhar cr\u00edtico&#8221;, diz Ag\u00fandez.<\/p>\n<p>As contradi\u00e7\u00f5es de ser mulher<\/p>\n<p>Apesar das profundas reflex\u00f5es de fundo e do tom s\u00e9rio deste artigo, ningu\u00e9m se deve deixar enganar: &#8220;Casas limpias&#8221;, <strong>publicado em cinco l\u00ednguas para<\/strong> al\u00e9m do espanhol, n\u00e3o \u00e9 um romance pol\u00edtico nem um ensaio acad\u00e9mico. \u00c9, antes, um olhar constru\u00eddo a partir &#8220;do que vejo \u00e0 minha volta, das conversas que tenho com outras m\u00e3es no parque&#8221;, nas palavras da autora, que mant\u00e9m o estilo espirituoso da estreia liter\u00e1ria de Ag\u00fandez, &#8220;Piscinas que no cubren&#8221; (editora Diecis\u00e9is).<\/p>\n<p>Esta obra \u00e9 como um estudo sociol\u00f3gico em chave liter\u00e1ria; uma lente que se debru\u00e7a sobre <strong>as contradi\u00e7\u00f5es de ser mulher<\/strong> porque, como diz Mar\u00eda Ag\u00fandez: &#8220;\u00c9 como se os homens de hoje ainda n\u00e3o tivessem alcan\u00e7ado as refer\u00eancias masculinas que lhes d\u00e3o permiss\u00e3o para falar de tudo e porque n\u00e3o vivem a paternidade da mesma forma, n\u00e3o me atreveria a dizer porqu\u00ea&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"PUBLICIDADE A protagonista de &#8220;Casas limpias&#8221; (Casas limpas), publicado por Temas de Hoy, Sol, \u00e9 uma mulher jovem&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":89819,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[207,169,114,115,864,170,32,33,18565],"class_list":{"0":"post-89818","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-arte","9":"tag-books","10":"tag-entertainment","11":"tag-entretenimento","12":"tag-literatura","13":"tag-livros","14":"tag-portugal","15":"tag-pt","16":"tag-trabalhadores"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89818","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89818"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89818\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89819"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89818"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89818"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89818"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}