{"id":89834,"date":"2025-09-28T10:00:05","date_gmt":"2025-09-28T10:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/89834\/"},"modified":"2025-09-28T10:00:05","modified_gmt":"2025-09-28T10:00:05","slug":"trinta-mil-milhoes-de-dolares-depois-argentina-esta-de-novo-a-beira-da-falencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/89834\/","title":{"rendered":"Trinta mil milh\u00f5es de d\u00f3lares depois, Argentina est\u00e1 de novo \u00e0 beira da fal\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>        A corretora XTB analisa o percurso da economia argentina desde a vit\u00f3ria de Javier Milei: a economia do pa\u00eds parece ter melhorado significativamente mas o investimento n\u00e3o chegou como esperado e o crescimento econ\u00f3mico abrandou. Leia a an\u00e1lise dos analistas da XTB.    <\/p>\n<p>Ap\u00f3s ter recebido 30 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares do FMI e do Banco Mundial, a Argentina encontra-<br \/>se de novo \u00e0 beira da fal\u00eancia \u2013 este seria o quarto incumprimento ou reestrutura\u00e7\u00e3o do pa\u00eds nos \u00faltimos 25 anos.<\/p>\n<p>Analisando o percurso da economia argentina desde a vit\u00f3ria de Javier Milei nas elei\u00e7\u00f5es gerais de dezembro de 2023, percebemos que numa fase inicial, a economia do pa\u00eds parece ter melhorado significativamente, tendo os investidores estrangeiros, acolhido bem as mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que a economia melhorava, Milei tamb\u00e9m permitia a livre circula\u00e7\u00e3o de capitais dentro<br \/>e fora da Argentina, aumentando a confian\u00e7a dos investidores na sua economia.<\/p>\n<p>O \u00edndice de a\u00e7\u00f5es do pa\u00eds \u2013 Merval \u2013 foi o mais rent\u00e1vel durante 2024, subindo 130% em termos de d\u00f3lares, enquanto os fundos de investimento consideraram incorporar obriga\u00e7\u00f5es argentinas nos seus produtos.<\/p>\n<p>Milei alcan\u00e7ou progressos fiscais e regulamentares significativos desde que herdou o caos econ\u00f3mico do peronismo em dezembro de 2023. Equilibrou o or\u00e7amento e libertou milhares de empres\u00e1rios da burocracia:<\/p>\n<p>\u2022 Redu\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o: O crescimento dos pre\u00e7os nos \u00faltimos anos manteve-se pr\u00f3ximo dos 100%. Aquando da sua vit\u00f3ria eleitoral, a infla\u00e7\u00e3o atingiu 211% e, em abril, 294%. No entanto, desde ent\u00e3o, conseguiu estabilizar-se nos 30%, e espera-se que confirme a tend\u00eancia descendente em outubro, com um crescimento de \u201capenas\u201d 25%.<\/p>\n<p>\u2022 Crescimento econ\u00f3mico: A economia argentina cresceu 6,3% no segundo trimestre deste ano em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano passado, ultrapassando o recorde do primeiro trimestre. Esta \u00e9 a taxa de expans\u00e3o mais r\u00e1pida desde o segundo trimestre de 2022, impulsionada por uma forte recupera\u00e7\u00e3o no sector agr\u00edcola, \u00e0 medida que os efeitos de uma seca hist\u00f3rica que tinha atingido severamente a produ\u00e7\u00e3o de cereais come\u00e7aram a desaparecer.<\/p>\n<p>\u2022 Taxa de pobreza: A taxa de pobreza da Argentina caiu drasticamente no segundo semestre de 2024, depois de as medidas de austeridade e os cortes na despesa p\u00fablica terem inicialmente empurrado milh\u00f5es de pessoas para a mis\u00e9ria. A taxa caiu de 52,9% no primeiro semestre do ano passado para 38,1%.<\/p>\n<p>\u2022 Balan\u00e7a comercial: A balan\u00e7a comercial da Argentina tem sido uma das principais preocupa\u00e7\u00f5es de Milei. Os resultados t\u00eam sido positivos, mostrando sinais de melhoria em 2025 em rela\u00e7\u00e3o aos anos anteriores. A Argentina acumulou um super\u00e1vit comercial de US$ 5,071 mil milh\u00f5es, uma din\u00e2mica positiva, embora inferior ao ano anterior, quando o pa\u00eds fechou 2024 com um super\u00e1vit hist\u00f3rico de US$ 18,928 mil milh\u00f5es. O com\u00e9rcio externo mant\u00e9m um excedente sustentado, impulsionado pelas exporta\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio e da energia, mesmo num contexto de pre\u00e7os internacionais relativamente est\u00e1veis, enquanto o aumento das importa\u00e7\u00f5es reflecte uma economia interna mais din\u00e2mica. Ainda assim, o quadro n\u00e3o \u00e9 perfeito: com a China, a Argentina mant\u00e9m um d\u00e9fice estrutural pr\u00f3ximo dos 100 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares nos \u00faltimos cinco governos.<\/p>\n<p>\u2022 D\u00e9fice fiscal: O carro-chefe da pol\u00edtica de Milei \u00e9 o super\u00e1vit fiscal. Para o conseguir, aplicou a \u201cmotosserra\u201d: cortes na educa\u00e7\u00e3o, obras p\u00fablicas e subs\u00eddios; despedimentos no sector estatal; e fus\u00f5es de minist\u00e9rios. Lan\u00e7ou tamb\u00e9m uma reforma fiscal eliminando 19 impostos, baixando as tarifas sobre os bens de equipamento e criando o Regime de Incentivos aos Grandes Investimentos (RIGI), com isen\u00e7\u00f5es e amortiza\u00e7\u00f5es aceleradas. Vetou leis que aumentavam as pens\u00f5es ou as presta\u00e7\u00f5es sociais, defendendo como prioridade o \u201cd\u00e9fice zero\u201d.<\/p>\n<p>\u2022 O resultado: em agosto de 2025, o excedente prim\u00e1rio acumulado equivalia a 1,3% do PIB. Uma reviravolta sem precedentes para um pa\u00eds habituado a gastar.<\/p>\n<p>Mas o investimento n\u00e3o chegou como esperado e o crescimento econ\u00f3mico abrandou. A culpa assentou essencialmente nas d\u00favidas sobre o banco central e na instabilidade do peso.<\/p>\n<p>Durante mais de um ano, a Argentina manteve os controlos de capitais do anterior governo e o banco central utilizou uma taxa de c\u00e2mbio fixa com o d\u00f3lar abaixo da taxa de infla\u00e7\u00e3o para sustentar o peso. Demasiados pesos \u00e0 procura de poucos bens a uma taxa de c\u00e2mbio sobrevalorizada fez com que os argentinos se sentissem mais ricos do que realmente eram, encorajando as importa\u00e7\u00f5es em moeda estrangeira.<\/p>\n<p>O governo decidiu deixar o mercado encontrar o verdadeiro valor do peso. Em abril, o banco central anunciou que iria manter a moeda dentro de uma banda de flutua\u00e7\u00e3o, o que funcionou durante algum tempo. Mas quando o Tesouro deixou de emitir notas de curto prazo com cup\u00f5es elevados para os bancos os clientes come\u00e7aram a substituir pesos por d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Quando Milei teve um mau desempenho nas elei\u00e7\u00f5es provinciais de Buenos Aires \u2013 onde vive quase 40% da popula\u00e7\u00e3o \u2013 o receio do regresso do peronismo aumentou. Os argentinos lan\u00e7aram outra rodada de venda de pesos. O peso caiu quase 10% em 15 dias, atingindo o fundo da banda de flutua\u00e7\u00e3o adotada em abril, quando Milei afrouxou os rigorosos controlos de capitais da Argentina, depois de obter um empr\u00e9stimo de 20 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares do FMI.<\/p>\n<p>Num caso normal, um banco central aumentaria as taxas de juros para conter o cr\u00e9dito e fortalecer a moeda, atraindo capital em pesos e desencorajando a dolariza\u00e7\u00e3o. Mas aumentar demasiado as taxas na Argentina significa sufocar ainda mais as fam\u00edlias e as empresas j\u00e1 sobrecarregadas com custos elevados.<\/p>\n<p>Os investidores locais ficaram receosos de que o governo tivesse de abandonar a banda de flutua\u00e7\u00e3o e desvalorizar o peso, alimentando ainda mais a procura de d\u00f3lares. O banco central gastou 1,1 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares em tr\u00eas dias, e estas vendas de d\u00f3lares, por sua vez, enervaram os detentores de obriga\u00e7\u00f5es, que temiam que o governo estivesse a gastar as suas escassas reservas \u2013 estimadas em menos de 5 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares \u2013 provocando o colapso dos pre\u00e7os das obriga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>A salva\u00e7\u00e3o de Javier Milei reside nos EUA?<\/strong><br \/>A hemorragia s\u00f3 parou depois de o Tesouro dos EUA anunciar na segunda-feira que<br \/>estenderia a ajuda financeira e o governo de Milei anunciou uma suspens\u00e3o tempor\u00e1ria dos<br \/>impostos de exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Scott Bessent, secret\u00e1rio do Tesouro dos Estados Unidos, referiu que Washington consideraria a compra de moeda argentina ou d\u00edvida soberana atrav\u00e9s de um fundo controlado pelo Tesouro dos EUA, acrescentando que \u201ctodas as op\u00e7\u00f5es\u201d estavam sobre a mesa. Evocando as palavras de Mario Draghi, ex-presidente do BCE durante a crise da zona do euro, afirmou que os EUA fariam \u201co que fosse preciso\u201d para sustentar os mercados financeiros da Argentina.<\/p>\n<p>O peso recuperou ap\u00f3s a promessa de apoio de Bessent, valorizando-se 6%. O \u00edndice Merval registou uma forte recupera\u00e7\u00e3o e os rendimentos das obriga\u00e7\u00f5es argentinas em d\u00f3lares ca\u00edram para cerca de 15%. Ainda assim, continuam longe de oferecer seguran\u00e7a aos investidores. As obriga\u00e7\u00f5es mais arriscadas dos mercados emergentes, como as do Equador ou de Angola, s\u00e3o negociadas \u201capenas\u201d a cerca de 11%.<\/p>\n<p>Antes do desastre de Buenos Aires, Milei planeava atingir rendimentos de um s\u00f3 d\u00edgito no pr\u00f3ximo ano, suficientemente baixos para emitir novas obriga\u00e7\u00f5es. Isso depender\u00e1 da recupera\u00e7\u00e3o de Milei nas elei\u00e7\u00f5es nacionais intercalares, cuja data-chave \u00e9 26 de outubro.<\/p>\n<p><strong>Ser\u00e1 a dolariza\u00e7\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>Por um lado, eliminaria o risco de desvaloriza\u00e7\u00e3o do peso e a tenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de imprimir dinheiro para cobrir os d\u00e9fices, e a infla\u00e7\u00e3o poderia ser estabilizada rapidamente.<\/p>\n<p>Mas, por outro lado, a Argentina perderia a soberania monet\u00e1ria e ficaria dependente da pol\u00edtica da Reserva Federal. Se o d\u00f3lar valorizar, os pre\u00e7os internos tornam-se mais caros globalmente, as exporta\u00e7\u00f5es caem, a balan\u00e7a comercial piora e a Argentina perde competitividade \u2013 exatamente o oposto do que precisa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, para dolarizar, a Argentina precisa de reservas l\u00edquidas reais em d\u00f3lares para trocar por pesos em circula\u00e7\u00e3o \u2013 algo que n\u00e3o tem atualmente (as suas reservas l\u00edquidas s\u00e3o extremamente baixas). Embora se tenha falado de 20 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares em reservas, tal inclui na realidade linhas de cr\u00e9dito e outros passivos que n\u00e3o podem ser facilmente liquidados. Os c\u00e1lculos atuais sugerem cerca de 5 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares, contra uma oferta monet\u00e1ria total de cerca de 40 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares \u2013 insuficiente para dolarizar a economia.<\/p>\n<p>Por conseguinte, neste momento, a \u00fanica op\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel parece ser a de o peso ganhar estabilidade e confian\u00e7a dos investidores, tanto locais como internacionais, que pode ser conseguido com um excedente fiscal permanente. A quest\u00e3o \u00e9 se Milei conseguir\u00e1 faz\u00ea-lo e se ter\u00e1 tempo suficiente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A corretora XTB analisa o percurso da economia argentina desde a vit\u00f3ria de Javier Milei: a economia do&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":89835,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[2424,88,22569,89,90,12232,32,33],"class_list":{"0":"post-89834","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-argentina","9":"tag-business","10":"tag-corretora-xtb","11":"tag-economy","12":"tag-empresas","13":"tag-javier-milei","14":"tag-portugal","15":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89834","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89834"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89834\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89835"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89834"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89834"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89834"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}