{"id":89853,"date":"2025-09-28T10:22:07","date_gmt":"2025-09-28T10:22:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/89853\/"},"modified":"2025-09-28T10:22:07","modified_gmt":"2025-09-28T10:22:07","slug":"sexo-projetos-e-video-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/89853\/","title":{"rendered":"sexo, projetos e v\u00eddeo \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>\u201cAviso: Esta s\u00e9rie \u00e9 uma obra de fic\u00e7\u00e3o. Os eventos e personagens retratados s\u00e3o fict\u00edcios, ainda que possam ter sido parcialmente inspirados em factos reais. Qualquer semelhan\u00e7a com pessoas ou acontecimentos reais \u00e9 meramente coincid\u00eancia e n\u00e3o deve ser interpretada com uma representa\u00e7\u00e3o da realidade.\u201d Assim come\u00e7am os 6 epis\u00f3dios de O Arquiteto\u00a0(custa-me horrores n\u00e3o colocar o \u201cc\u201d a seguir ao e, chamem-me bota de el\u00e1stico). E eu vou seguir o mesmo princ\u00edpio e usar \u201calegadamentes\u201d com fartura ao longo do texto, porque se os respons\u00e1veis se viram obrigados a usar este disclaimer, com a TVI e a Prime nas costas, que dir\u00e1 esta humilde escriba.<\/p>\n<p>Muito se escreveu\u2026 Ali\u00e1s n\u00e3o foi assim tanto, porque no geral foram posts nas redes sociais. Mas houve uma relativa celeuma e indigna\u00e7\u00e3o quando foi anunciada a produ\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie inspirada num certo arquiteto, respons\u00e1vel por um certo centro comercial, que no final dos anos 80 esteve envolvido num muito medi\u00e1tico \u201cesc\u00e2ndalo sexual\u201d (mais \u00e0 frente esclarecerei o porqu\u00ea das aspas) quando o VHS com alguns dos seus encontros sexuais extra-conjugais come\u00e7ou a correr de m\u00e3o em m\u00e3o. Porque, de facto, como seria de esperar numa sociedade patriarcal, carregadinha de culpa cat\u00f3lica e com o bafio de uma ditadura de d\u00e9cadas ainda no ar, a dita figura tornou-se um her\u00f3i para muito macho, enquanto as mulheres envolvidas sem consentimento n\u00e3o passavam de uma punchline. E muitos foram os que levantaram a voz para clamar que\u00a0 a s\u00e9rie serviria apenas para revitimizar as ditas mulheres, apelando a curiosidade m\u00f3rbida, fazendo uso de uma nostalgia bacoca de um fen\u00f3meno da cultura popular assente em abuso. Eu n\u00e3o fui das que clamei, mas tamb\u00e9m temi que isso acontecesse. Concluo agora que fiz bem em calar-me \u00e0 data. Dir\u00e3o que \u00e9 sempre um boa ideia e que o devia fazer mais vezes. Tamb\u00e9m devem achar que ganham alguma coisa com esse mau feitio.<\/p>\n<p>Ao longo da s\u00e9rie, assistimos ao desenrolar dos eventos que t\u00eam como pivot Tom\u00e9 Serpa (Rui Melo), arquiteto em ascens\u00e3o, professor universit\u00e1rio, prestes a inaugurar o maior e mais espampanante centro comercial do pa\u00eds, rec\u00e9m galardoado com o Pr\u00e9mio Valmor. Casado com Isabel (Paula Lobo Antunes) uma figura do jet set, pai de dois filhos: Jo\u00e3o (Tom\u00e1s Andrade) estudante de qu\u00ea adivinhem? Exato, arquitetura. E Leonor, uma adolescente insegura e introvertida, que \u00e9 como quem diz uma adolescente. Tom\u00e9 usa o seu atelier de forma polivalente: para criar as suas obras p\u00f3s-modernas e coloridas, porque \u201cantes exc\u00eantrico, que dalt\u00f3nico\u201d; para atrair \u201cpatos bravos\u201d que invistam nas suas obras megal\u00f3manas. E, last but not the least, como quarto de motel, com direito a capta\u00e7\u00e3o v\u00eddeo, sem custo adicional e sem consentimento das protagonistas involunt\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>[o trailer de \u201cO Arquiteto\u201d:]<\/strong><\/p>\n<p>Esta linha narrativa \u00e9 intercalada com depoimentos recolhidos 5 anos depois, onde mulheres reclamam o poder de controlar a narrativa e contar a sua vers\u00e3o dos factos, com especial destaque para tr\u00eas delas. Carolina Barbosa (Teresa Tavares), atriz, \u00e9 amante de Tom\u00e9, que lhe faz juras de amor e garante que se vai separar. Elsa, a secret\u00e1ria de longa data, trata da sua agenda, incluindo o vaiv\u00e9m de \u201cclientes\u201d femininas que povoam o atelier. Quando descobre a c\u00e2mara escondida e tem direito a uma ante-estreia do filme que h\u00e1-de ficar \u201cviral\u201d, confronta o chefe que a ouve com a maior das aten\u00e7\u00f5es e a despede com a maior das velocidades. Elsa \u00e9 casada com um homem que faz um belo contraponto ao arquiteto: humilde, com uma inf\u00e2ncia marcada pela viol\u00eancia do pai contra a m\u00e3e, mas que respeita, apoia e trata de igual para igual a mulher. Poder\u00e3o dizer que s\u00e3o os m\u00ednimos ol\u00edmpicos, mas faziam falta exemplos destes na altura e, \u00e9 com tristeza que o digo, continuam a fazer.<\/p>\n<p>Daniela (Mikaela Lupu), rec\u00e9m-chegada de uma aldeia, vem trabalhar para a contabilidade no atelier de Tom\u00e9, deixa-se deslumbrar pelo paleio e carisma do chefe e acaba violada, na cena mais perturbadora da s\u00e9rie. Quando Carolina descobre o hobbie abjeto do amante, alia-se a Elsa e, posteriormente, a Daniela para parar o senhor arquiteto que n\u00e3o p\u00e1ra de dizer que o centro comercial vai ser um estouro, mas estourou o or\u00e7amento do mesmo. Simultaneamente, debate-se com um processo de pl\u00e1gio, por \u201calegadamente\u201d ter roubado um projeto a um colega do antigo escrit\u00f3rio de arquitetura, onde trabalhou antes de se lan\u00e7ar a solo. It\u2019s a shit show, tanto que a palavra mais repetida pelo dito cujo, a seguir a querida, \u00e9 inferno. Sai uma compara\u00e7\u00e3o descabida, mas que na minha cabe\u00e7a fez sentido? N\u00e3o fazendo exatamente spoiler, mas l\u00e1 perto, um pouco ao jeito de Inglourious Basterds, a hist\u00f3ria ganha um novo fim, trazendo alguma justi\u00e7a \u00e0\u00a0 Hist\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cAviso: Esta s\u00e9rie \u00e9 uma obra de fic\u00e7\u00e3o. Os eventos e personagens retratados s\u00e3o fict\u00edcios, ainda que possam&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":89854,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[207,205,206,203,201,202,315,204,114,115,32,33,1749],"class_list":{"0":"post-89853","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-arte","9":"tag-arte-e-design","10":"tag-artedesign","11":"tag-arts","12":"tag-arts-and-design","13":"tag-artsanddesign","14":"tag-cultura","15":"tag-design","16":"tag-entertainment","17":"tag-entretenimento","18":"tag-portugal","19":"tag-pt","20":"tag-su00e9ries"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89853","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89853"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89853\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89854"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89853"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89853"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89853"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}