{"id":90182,"date":"2025-09-28T16:00:07","date_gmt":"2025-09-28T16:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/90182\/"},"modified":"2025-09-28T16:00:07","modified_gmt":"2025-09-28T16:00:07","slug":"wilma-martins-ganha-exposicao-postuma-em-sao-paulo-28-09-2025-ilustrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/90182\/","title":{"rendered":"Wilma Martins ganha exposi\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma em S\u00e3o Paulo &#8211; 28\/09\/2025 &#8211; Ilustrada"},"content":{"rendered":"<p>Um tanque de lavar roupa com \u00e1gua transbordando, uma pia abarrotada de lou\u00e7a, um amontoado de livros num canto qualquer da casa. Cenas cotidianas aparecem esbranqui\u00e7adas, revisitando o g\u00eanero da natureza morta \u2014n\u00e3o fossem as paisagens fantasiosas que surgem nas pinturas, com morsas nadando sobre a pia e felinos espreitando sobre tanques.<\/p>\n<p>Em &#8220;Territ\u00f3rios Interiores&#8221;, exposi\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2023\/07\/conheca-a-artista-wilma-martins-que-misturou-cotidiano-e-estranheza.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Wilma Martins<\/a> na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/04\/eletricidade-do-desejo-e-cicatrizes-do-amor-movem-mostra-na-galeria-galatea.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">galeria Galatea<\/a>, em S\u00e3o Paulo, a artista versa sobre pintura e fantasia em meio \u00e0 banalidade da vida comum.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fotografia.folha.uol.com.br\/galerias\/1770445451664040-veja-obras-de-wilma-martins\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Mineira, formada na Escola Guignard, Martins morreu em 2022, aos 86 anos<\/a>, deixando uma produ\u00e7\u00e3o marcada pelo tr\u00e2nsito entre gravura e pintura, sempre num registro peculiar, avesso a correntes est\u00e9ticas dominantes. Seu ciclo mais c\u00e9lebre, a s\u00e9rie &#8220;Cotidiano&#8221;, feita entre 1974 e 1984, ocupa agora a Galatea.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 raro ver tantas obras dessa s\u00e9rie juntas. D\u00e1 para perceber o desenvolvimento t\u00e9cnico, especialmente no uso dos cinzas, que v\u00e3o ganhando sutilezas ao longo do tempo&#8221;, afirma a curadora Fernanda Morse, que assina o texto cr\u00edtico da mostra.<\/p>\n<p>As telas de Martins partem de objetos reais \u2014a escrivaninha, a estante de livros, a pia\u2014, mas n\u00e3o se limitam ao registro observacional. A artista inseria elementos inesperados, deslocando a cena para um campo on\u00edrico. &#8220;Ela mesma dizia que, se tinha uma lou\u00e7a para lavar, colocava uma foca na pia. \u00c9 um gesto l\u00fadico, quase infantil, que abre fissuras de imagina\u00e7\u00e3o dentro da rotina do espa\u00e7o da casa&#8221;, afirma Morse.<\/p>\n<p>Neste sentido, os animais que surgem nas pinturas de Martins \u2014como camelos, morsas e b\u00fafalos\u2014 refor\u00e7am o car\u00e1ter imaginativo das cenas. Ao introduzir bichos que n\u00e3o existem no Brasil, a artista cria uma ponte entre o banal e o fant\u00e1stico.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia, que dialoga com a linguagem da ilustra\u00e7\u00e3o \u2014com a qual Martins trabalhou nos anos 1980, em livros de autores como Ana Maria Machado\u2014, aproxima sua obra de um universo imaginativo sem perder o rigor t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>Por outro lado, as telas tamb\u00e9m podem ser lidas \u00e0 luz das <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/feminismo\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">discuss\u00f5es feministas<\/a> da \u00e9poca. Enquanto muitas artistas exploravam o corpo e a liberdade sexual de forma combativa, Martints tensionava o lar como espa\u00e7o de ambival\u00eancia \u2014ao mesmo tempo po\u00e9tico e aprisionador.<\/p>\n<p>&#8220;Ela dizia: talvez um homem n\u00e3o consiga ver a casa como eu vejo. E isso tem dois lados \u2014o da poesia e o da pris\u00e3o. A obra subverte esse espa\u00e7o \u00edntimo de maneira silenciosa&#8221;, afirma Morse.<\/p>\n<p>Tal abordagem a distingue de contempor\u00e2neas como <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2019\/12\/artista-wanda-pimentel-pouco-falava-mas-a-sua-obra-e-a-antitese-do-silencio.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Wanda Pimentel<\/a>, que pintava interiores er\u00f3ticos e sensualizados. Para Martins, n\u00e3o h\u00e1 corpos, mas bichos que invadem a cena, instaurando outra l\u00f3gica.<\/p>\n<p>Embora discreta e avessa \u00e0 vida p\u00fablica \u2014passou quase 30 anos sem expor individualmente\u2014, Martins teve intensa circula\u00e7\u00e3o nos anos 1970 e 1980. Seu retorno ao circuito se deu com a retrospectiva organizada por Frederico Morais em 2013, no Pa\u00e7o Imperial, no Rio de Janeiro, e foi consolidado com sua participa\u00e7\u00e3o na <a href=\"https:\/\/fotografia.folha.uol.com.br\/galerias\/nova\/43695-32-bienal-de-sao-paulo\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">32\u00aa Bienal de S\u00e3o Paulo, em 2016<\/a>.<\/p>\n<p>Na Galatea, as pinturas ressurgem num contexto em que o interesse pela produ\u00e7\u00e3o de artistas mulheres se expande. &#8220;Wilma \u00e9 um caso dif\u00edcil de enquadrar&#8221;, diz Morse. &#8220;Ela dialoga com o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2024\/07\/surrealismo-ha-cem-anos-rompeu-com-logica-e-mudou-visao-sobre-o-mundo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">surrealismo<\/a>, com a tradi\u00e7\u00e3o da paisagem, com a cr\u00edtica ao espa\u00e7o dom\u00e9stico, mas sempre de um jeito muito pr\u00f3prio. \u00c9 uma obra que fala por si.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um tanque de lavar roupa com \u00e1gua transbordando, uma pia abarrotada de lou\u00e7a, um amontoado de livros num&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":90183,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[1353,207,205,206,559,203,201,202,219,204,114,115,698,236,6899,32,33,654],"class_list":{"0":"post-90182","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-animais","9":"tag-arte","10":"tag-arte-e-design","11":"tag-artedesign","12":"tag-artes-plasticas","13":"tag-arts","14":"tag-arts-and-design","15":"tag-artsanddesign","16":"tag-bichos","17":"tag-design","18":"tag-entertainment","19":"tag-entretenimento","20":"tag-exposicao","21":"tag-folha","22":"tag-pintura","23":"tag-portugal","24":"tag-pt","25":"tag-sao-paulo"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90182","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90182"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90182\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90183"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90182"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90182"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90182"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}