{"id":90845,"date":"2025-09-29T00:54:13","date_gmt":"2025-09-29T00:54:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/90845\/"},"modified":"2025-09-29T00:54:13","modified_gmt":"2025-09-29T00:54:13","slug":"ha-agua-doce-nas-profundezas-do-oceano-atlantico-e-essa-pode-ser-a-resposta-para-a-crise-hidrica-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/90845\/","title":{"rendered":"H\u00e1 \u00e1gua doce nas profundezas do Oceano Atl\u00e2ntico e essa pode ser a resposta para a crise h\u00eddrica global"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin-bottom:11px\">Neste ver\u00e3o, cientistas perfuraram o fundo do Oceano Atl\u00e2ntico, na costa nordeste dos EUA, e encontraram um enorme e misterioso reservat\u00f3rio de \u00e1gua doce &#8211; o que descobriram pode ter grandes implica\u00e7\u00f5es para um mundo que enfrenta uma <a href=\"https:\/\/www.cnn.com\/2024\/10\/16\/climate\/global-water-cycle-off-balance-food-production\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">crise h\u00eddrica<\/a> cada vez mais grave.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia de \u00e1gua doce abaixo do Atl\u00e2ntico \u00e9 conhecida h\u00e1 d\u00e9cadas, mas permanecia praticamente inexplorada. Nos anos 60 e 70, expedi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e empresas que perfuravam o oceano em busca de recursos como petr\u00f3leo \u00e0s vezes encontravam \u00e1gua doce.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, em 2019, cientistas do Instituto Oceanogr\u00e1fico Woods Hole e da Universidade de Columbia anunciaram uma \u201c<a href=\"https:\/\/www.cnn.com\/2019\/06\/26\/us\/freshwater-aquifer-hidden-trnd\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">descoberta surpreendente<\/a>\u201c. Usando ondas eletromagn\u00e9ticas, mapearam uma gigantesca faixa de \u00e1gua doce abaixo do oceano, que se estendia ao longo da costa de Massachusetts a Nova Jersey, e possivelmente mais al\u00e9m.<\/p>\n<p>\u201cParece ser a maior forma\u00e7\u00e3o desse tipo j\u00e1 encontrada no mundo\u201d, afirmaram os cientistas em <a href=\"https:\/\/news.climate.columbia.edu\/2019\/06\/20\/undersea-freshwater-aquifer-northeast\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">comunicado<\/a> na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Isso levantou grandes quest\u00f5es: como chegou l\u00e1? Qual \u00e9 a idade da \u00e1gua? Est\u00e1 a ser reabastecida? E, mais importante: aqu\u00edferos costeiros como este poderiam fornecer um novo recurso de \u00e1gua doce para um mundo sedento? O vasto reservat\u00f3rio na costa dos Estados Unidos \u00e9 <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/nature12858\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">apenas um<\/a> dos muitos que se acredita estarem escondidos sob os oceanos do mundo.<\/p>\n<p>Uma equipa de cientistas internacionais, parte integrante do projeto chamado <a href=\"https:\/\/www.ecord.org\/expedition501\/expedition-501-summary\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Expedition 501<\/a>, decidiu procurar respostas &#8211; o que significava perfurar diretamente o aqu\u00edfero.<\/p>\n<p>Em maio, partiram de Bridgeport, Connecticut, num navio equipado com uma plataforma de perfura\u00e7\u00e3o. Passaram tr\u00eas meses no mar, sondando entre cerca de 300 e 400 metros abaixo do fundo do mar em diferentes locais para recolher sedimentos e amostras de \u00e1gua.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"469\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/68d27202d34ee0c2fed06a95.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   O navio de expedi\u00e7\u00e3o, repleto de cientistas e engenheiros, passou tr\u00eas meses no mar neste ver\u00e3o. || Cientista analisa amostras recolhidas no fundo do Oceano Atl\u00e2ntico. LEBER@ECORD_IODP3_NSF <\/p>\n<p>Descobriram \u00e1gua com teor de sal bem abaixo do da \u00e1gua do mar e pr\u00f3ximo ao n\u00edvel recomendado pelas ag\u00eancias americanas e internacionais para \u00e1gua pot\u00e1vel. Agora, esta \u00e1gua est\u00e1 a ser enviada para testes laboratoriais para determinar que tipo de micr\u00f3bios cont\u00e9m e se \u00e9 segura para consumo.<\/p>\n<p>Outro mist\u00e9rio a ser desvendado \u00e9 a idade da \u00e1gua. Pode ter 200 anos, pode ter 20.000 anos, explica Brandon Dugan, professor de geof\u00edsica da Colorado School of Mines e l\u00edder da expedi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de \u00e1gua mais recente sugeriria que a reserva est\u00e1 a ser reabastecida; \u00e1gua mais antiga indicaria que se trata de um recurso finito que n\u00e3o est\u00e1 a ser recarregado. As respostas devem ser obtidas em cerca de seis meses, refere Dugan.<\/p>\n<p>Os cientistas tamb\u00e9m v\u00e3o realizar testes para determinar a origem da \u00e1gua, que pode ter vindo do derretimento de um glaciar ou da chuva.<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que a \u00e1gua doce chegou l\u00e1 h\u00e1 milhares de anos, quando o n\u00edvel do mar era muito mais baixo e a plataforma continental estava exposta em terra\u201d, defende Holly Michael, professora de ci\u00eancias da Terra e engenharia civil e ambiental da Universidade de Delaware, que participou da expedi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Saber a origem ajudar\u00e1 a revelar \u201ccomo esses sistemas evolu\u00edram ao longo do tempo\u201d, acrescenta Dugan. Os cientistas podem ent\u00e3o aplicar este conhecimento a outras \u00e1reas onde h\u00e1 evid\u00eancias de aqu\u00edferos de \u00e1gua doce offshore, como Indon\u00e9sia, Austr\u00e1lia e \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m ajudar\u00e1 a descobrir como estes recursos de \u00e1gua doce submarinos est\u00e3o a mudar com o aumento do n\u00edvel global do mar, se est\u00e3o a crescer ou a diminuir.<\/p>\n<p>\u201cResponder a essas perguntas \u00e9 importante para prever como poderemos usar a \u00e1gua no futuro\u201d, acredita Michael.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/1759107253_409_f_webp.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Amostras de \u00e1gua ser\u00e3o enviadas a laborat\u00f3rios para testes qu\u00edmicos, permitindo que os cientistas LEBER@ECORD_IODP3_NSF <\/p>\n<p>O aqu\u00edfero confirmado pela expedi\u00e7\u00e3o parece ser vasto, afirma Eric Attias, professor assistente de investiga\u00e7\u00e3o da Escola Jackson de Geoci\u00eancias da Universidade do Texas em Austin, que n\u00e3o participou no projeto.<\/p>\n<p>Poderia \u201cconter \u00e1gua doce suficiente para abastecer uma metr\u00f3pole do tamanho da cidade de Nova Iorque por centenas de anos\u201d, diz \u00e0 CNN, e aumenta as esperan\u00e7as de que possa \u201caliviar a escassez para as popula\u00e7\u00f5es costeiras no futuro\u201d.<\/p>\n<p>Quase metade da popula\u00e7\u00e3o mundial vive a menos de 100 km da costa e muitos dependem de aqu\u00edferos terrestres &#8211; recursos que est\u00e3o a diminuir rapidamente devido \u00e0 extra\u00e7\u00e3o excessiva e aos impactos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, como o aumento do n\u00edvel do mar, que pode contaminar as \u00e1guas subterr\u00e2neas.<\/p>\n<p>\u201cNo futuro, os recursos h\u00eddricos costeiros ficar\u00e3o ainda mais escassos\u201d, teoriza Michael, for\u00e7ando as comunidades a recorrer a outras fontes de \u00e1gua mais caras, como a dessaliniza\u00e7\u00e3o. Os aqu\u00edferos submarinos podem ser uma alternativa.<\/p>\n<p>No entanto, h\u00e1 muitos desafios para serem superados antes disso. A \u00e1gua \u00e9 pesada e traz\u00ea-la para cima e transport\u00e1-la at\u00e9 a costa pode ser muito dispendioso em termos de energia e custo, embora Dugan sugira que a energia e\u00f3lica possa ajudar. H\u00e1 a quest\u00e3o de quem ir\u00e1 gerir, tratar e pagar pela \u00e1gua, que ser\u00e1 retirada das \u00e1guas federais antes de ser enviada para os estados e, em seguida, para as cidades.<\/p>\n<p>Depois, h\u00e1 o desafio t\u00e9cnico de garantir que a \u00e1gua doce n\u00e3o seja contaminada pela \u00e1gua salgada que se encontra acima e abaixo dela. O bombeamento tamb\u00e9m pode levar \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o dos aqu\u00edferos terrestres se os dois sistemas estiverem em contacto, explica Attias.<\/p>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o das \u00e1guas subterr\u00e2neas offshore \u201cser\u00e1 cara e n\u00e3o \u00e9 infinita\u201d, alerta Michael. \u201cProteger a \u00e1gua doce que temos em terra ainda \u00e9 a melhor coisa que podemos fazer. &#8230; \u00c9 claro que isso n\u00e3o significa que n\u00e3o devemos procurar op\u00e7\u00f5es alternativas, e \u00e9 por isso que estamos a fazer esta pesquisa cient\u00edfica.\u201d<\/p>\n<p>Dugan est\u00e1 otimista quanto ao potencial. \u201cTodas as pe\u00e7as existem\u201d, \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de tempo, explica, estimando que levar\u00e1 cerca de 10 anos at\u00e9 que os aqu\u00edferos offshore possam ser devidamente explorados.<\/p>\n<p>O que os investigadores descobrirem nos pr\u00f3ximos meses poder\u00e1 ter implica\u00e7\u00f5es globais. As evid\u00eancias sugerem que existem reservas de \u00e1gua doce offshore em todos os continentes, lembra Dugan. \u201cPodemos pegar no que aprendemos nesta pequena \u00e1rea da Nova Inglaterra e come\u00e7ar a pensar em como isso se relaciona com outras \u00e1reas.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Neste ver\u00e3o, cientistas perfuraram o fundo do Oceano Atl\u00e2ntico, na costa nordeste dos EUA, e encontraram um enorme&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":90846,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[22728,609,836,611,27,28,4769,607,608,333,832,604,22729,135,610,476,15,16,301,830,14,1173,603,25,26,570,21,22,831,833,62,834,12,13,19,20,6744,835,602,52,32,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-90845","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-agua-doce","9":"tag-alerta","10":"tag-analise","11":"tag-ao-minuto","12":"tag-breaking-news","13":"tag-breakingnews","14":"tag-cientistas","15":"tag-cnn","16":"tag-cnn-portugal","17":"tag-comentadores","18":"tag-costa","19":"tag-crime","20":"tag-crise-hidrica","21":"tag-desporto","22":"tag-direto","23":"tag-economia","24":"tag-featured-news","25":"tag-featurednews","26":"tag-governo","27":"tag-guerra","28":"tag-headlines","29":"tag-investigacao","30":"tag-justica","31":"tag-latest-news","32":"tag-latestnews","33":"tag-live","34":"tag-main-news","35":"tag-mainnews","36":"tag-mais-vistas","37":"tag-marcelo","38":"tag-mundo","39":"tag-negocios","40":"tag-news","41":"tag-noticias","42":"tag-noticias-principais","43":"tag-noticiasprincipais","44":"tag-oceano-atlantico","45":"tag-opiniao","46":"tag-pais","47":"tag-politica","48":"tag-portugal","49":"tag-principais-noticias","50":"tag-principaisnoticias","51":"tag-top-stories","52":"tag-topstories","53":"tag-ultimas","54":"tag-ultimas-noticias","55":"tag-ultimasnoticias","56":"tag-world","57":"tag-world-news","58":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90845","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90845"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90845\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90846"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90845"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90845"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90845"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}