{"id":91119,"date":"2025-09-29T08:10:08","date_gmt":"2025-09-29T08:10:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/91119\/"},"modified":"2025-09-29T08:10:08","modified_gmt":"2025-09-29T08:10:08","slug":"arquitectura-que-cura-conecta-transforma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/91119\/","title":{"rendered":"ArquiteCtura que Cura, Conecta &#038; Transforma"},"content":{"rendered":"<p>T\u00eam em comum a insularidade, Eloisa Ramos, cabo-verdiana, nascida na montanhosa ilha de Santo Ant\u00e3o, e Moreno Castellano, italiano, natural da Sardenha. Al\u00e9m desta coincid\u00eancia geogr\u00e1fica que os une, n\u00e3o menos importante \u00e9 o facto de partilharem da mesma vis\u00e3o e dos mesmos conceitos de arquitectura. Juntos formam a dupla Ramos Castellano, uma das mais bem-sucedidas sociedades de arquitectura de Cabo Verde.<\/p>\n<p>Conheceram-se na Universidade de Coimbra e ali come\u00e7aram as primeiras colabora\u00e7\u00f5es, sempre com uma preocupa\u00e7\u00e3o: colocar o ser humano no centro. \u201cTentamos conceber espa\u00e7os que ajudam as pessoas a encontrar paz. A paz alcan\u00e7a-se atrav\u00e9s da harmonia e da justi\u00e7a\u201d, diz-nos Eloisa Ramos.<\/p>\n<p>Pela resposta percebemos que Eloisa e Moreno s\u00e3o muito mais do que simples arquitectos, a sua profunda humanidade e consci\u00eancia social saltam \u00e0 vista no que fazem e na postura que assumem, profissional e pessoalmente. Ali\u00e1s, a decis\u00e3o de instalar o est\u00fadio na cidade do Mindelo, em 2008, faz parte desta filosofia. A dupla poderia ter-se estabelecido em qualquer grande capital do mundo, mas quis montar a base em Cabo Verde, na ilha de S\u00e3o Vicente, mesmo sabendo das limita\u00e7\u00f5es que teria de enfrentar.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 estimulante trabalhar num ambiente onde h\u00e1 escassez, obriga a um incr\u00edvel exerc\u00edcio de elasticidade e criatividade. Conseguir materializar algo de valor onde aparentemente parece imposs\u00edvel. Cabo Verde \u00e9 um melting pot, um ambiente altamente estimulante\u201d, justifica Eloisa. Castellano acrescenta: \u201cAchei sempre estas ilhas um lugar na vanguarda. A miscigena\u00e7\u00e3o criou seres humanos com patrim\u00f3nios gen\u00e9ticos riqu\u00edssimos e formas peculiares de encarar a vida.\u201d<\/p>\n<p>Foi no Mindelo que projectaram o primeiro trabalho em conjunto, um bloco de apartamentos. Hoje em dia, a assinatura da dupla de arquitectos pode ser encontrada em edif\u00edcios no Senegal, Mali, Brasil, It\u00e1lia, Estados Unidos e, claro, v\u00e1rios em Cabo Verde. Cada projecto \u00e9 uma nova experimenta\u00e7\u00e3o, com as suas particularidades. \u201cCada projecto \u00e9 \u00fanico, moldado pelo cliente, pelo contexto e pelas necessidades espec\u00edficas do lugar. Adoptamos uma abordagem multidisciplinar, porque acreditamos que a arquitectura deve responder a m\u00faltiplas dimens\u00f5es, onde o ego individual cede espa\u00e7o \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o e \u00e0 integra\u00e7\u00e3o\u201d, diz-nos Eloisa.<\/p>\n<p>Ainda assim, h\u00e1 conceitos dos quais n\u00e3o abdicam: sustentabilidade, humaniza\u00e7\u00e3o e uma harmonia entre est\u00e9tica e funcionalidade. \u201cAcreditamos que a verdadeira beleza s\u00f3 existe quando h\u00e1 harmonia entre forma e fun\u00e7\u00e3o, e que um espa\u00e7o funcional precisa de ser esteticamente equilibrado para promover o bem-estar\u201d, explica Moreno Castellano.<\/p>\n<p>\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/1759133408_708_\"  loading=\"true\"\/><\/p>\n<p><strong>Sustentabilidade e Inova\u00e7\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>Cabo Verde, com seus recursos naturais limitados, representa tanto um desafio quanto uma oportunidade para arquitectos comprometidos com pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>Ramos e Castellano priorizam o uso de materiais locais, minimizando o impacto ambiental e fortalecendo a economia regional. \u201cO planeta n\u00e3o disp\u00f5e de recursos infinitos, por isso, tentamos ser leves no pisar a terra que nos d\u00e1 nutrimento. Buscamos construir espa\u00e7os e ambientes que alcancem um padr\u00e3o de equil\u00edbrio no ecossistema natural e no ecossistema social\u201d, explica Moreno Castellano.<\/p>\n<p>O Terra Lodge Hotel \u00e9 um exemplo deste compromisso. O espa\u00e7o, constru\u00eddo no Mindelo, recorreu a pedras extra\u00eddas do pr\u00f3prio terreno para criar um ambiente harmonioso e sustent\u00e1vel. Foi redesenhado a partir de um sobrado antigo que constitui a \u201ccasa-m\u00e3e\u201d. \u00c0 sua volta nasceram os blocos com os quartos, cada um com diferentes vistas para a cidade e para a ba\u00eda, orientados para tirar partido da exposi\u00e7\u00e3o solar e da ventila\u00e7\u00e3o natural. Nas fachadas, a dupla utilizou madeira e cal. Materiais recicl\u00e1veis, placas fotovoltaicas na cobertura e sistema de reutiliza\u00e7\u00e3o de \u00e1gua enfatizam a abordagem ecol\u00f3gica do projecto.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cTentamos conceber espa\u00e7os que ajudam as pessoas a encontrar a paz.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O Terra Lodge tornou-se numa refer\u00eancia da arquitectura local e est\u00e1 mencionado como um dos top 100 projectos na conceituada plataforma digital ArchDaily.<\/p>\n<p>\u201cDamos muita import\u00e2ncia \u00e0s tecnologias e tend\u00eancias que emergem como verdadeiros catalisadores de transforma\u00e7\u00e3o, tais como a constru\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel e com materiais reciclados ou de baixo impacto ambiental. O concreto de carbono negativo e madeiras tecnol\u00f3gicas, que est\u00e3o a redefinir a forma como projectamos edif\u00edcios mais respons\u00e1veis ecologicamente, as ferramentas como intelig\u00eancia artificial e design param\u00e9trico. Tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o modular e impress\u00e3o 3D e as simula\u00e7\u00f5es em realidade aumentada que permitem que as comunidades participem mais activamente na concep\u00e7\u00e3o dos seus espa\u00e7os, promovendo projectos mais inclusivos e humanizados. Estas tend\u00eancias apontam para uma arquitectura que n\u00e3o apenas responde aos desafios globais como tamb\u00e9m antecipa as necessidades das gera\u00e7\u00f5es futuras, transformando o modo como habitamos o mundo\u201d, explica Eloisa Ramos.<\/p>\n<p>Castellano soma \u00e0s novas tecnologias de constru\u00e7\u00e3o a neuroci\u00eancia, como uma \u00e1rea do conhecimento muito importante no trabalho de arquitectura actual. \u201c\u00c9\u00a0usada para entender como os espa\u00e7os impactam o bem-estar. O estudo do c\u00e9rebro humano e as suas interac\u00e7\u00f5es com o espa\u00e7o constru\u00eddo \u00e9 um campo que nos \u00faltimos anos est\u00e1 a impactar a arquitectura. Utilizamos esta ferramenta na concep\u00e7\u00e3o dos ambientes que projectamos\u201d, afirma o italiano.<\/p>\n<p><strong>Uma parede de bid\u00f5es coloridos<\/strong><\/p>\n<p>No cora\u00e7\u00e3o da cidade do Mindelo, na sua pra\u00e7a principal, nasceu em 2022 um edif\u00edcio que viria a marcar a din\u00e2mica social e cultural de toda a cidade. A nova sede do Centro Nacional de Artesanato e Design alia tradi\u00e7\u00e3o e cosmopolitismo e tornou-se num p\u00f3lo de atrac\u00e7\u00e3o de visitantes.<\/p>\n<p>O projecto foi confiado aos arquitectos, que o estudaram detalhadamente com a preocupa\u00e7\u00e3o de criar algo que fizesse parte da identidade mindelense, ao mesmo tempo que respeitasse a tradi\u00e7\u00e3o, as artes e os saberes dos artes\u00e3os nacionais.<\/p>\n<p>\u201cEm Cabo Verde, os artes\u00e3os continuam a ter um papel preponderante, criando diariamente artefactos para as comunidades. \u00c9 comum recorrer a um artes\u00e3o para fazer m\u00f3veis, portas ou cadeiras, esperar pacientemente pelo resultado e valorizar a habilidade por tr\u00e1s do objecto, constru\u00eddo com o esfor\u00e7o e o cuidado necess\u00e1rios. Por isso, cada elemento construtivo do CNAD reflecte esse tipo de artesanato; todo o edif\u00edcio \u00e9 uma grande obra de manufactura artesanal. A\u00a0constru\u00e7\u00e3o foi feita manualmente com o aux\u00edlio de ferramentas simples. O bet\u00e3o \u00e0 vista foi refor\u00e7ado por carpinteiros utilizando diferentes tipos de madeira. As estruturas de madeira foram produzidas em oficinas artesanais, com m\u00e1quinas de corte e acabamento que deram suporte ao trabalho predominantemente humano\u201d, explica a arquitecta.<\/p>\n<p>O novo edif\u00edcio cont\u00e9m espa\u00e7os museol\u00f3gicos, galerias, loja de artesanato, centro de investiga\u00e7\u00e3o e pesquisa, centro de forma\u00e7\u00e3o e lugares de resid\u00eancia art\u00edstica. Entra-se no espa\u00e7o atrav\u00e9s da reconstru\u00edda casa colonial, que foi resid\u00eancia do senador Augusto Pereira Vera-Cruz e mais tarde sede da\u00a0 hist\u00f3rica R\u00e1dio Barlavento, onde Ces\u00e1ria \u00c9vora fez as primeiras grava\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas a fachada do novo edif\u00edcio \u00e9 provavelmente o que mais salta \u00e0 vista de todos. Uma gigantesca parede revestida por mais de 2500 tampas de bid\u00f5es reciclados, soldados e pintados manualmente, dando origem a uma fachada colorida e muito original. \u201cA cultura da reciclagem \u00e9 intr\u00ednseca \u00e0 vida nestas ilhas. Bid\u00f5es vazios nunca s\u00e3o desperdi\u00e7ados, s\u00e3o transformados em chapas met\u00e1licas para cobrir casas, moldes para concreto ou utens\u00edlios como panelas e facas. Utiliz\u00e1-los como material-base para a restaura\u00e7\u00e3o do CNAD parecia perfeito\u201d, diz-nos Eloisa.<\/p>\n<p>A parede colorida tornou-se num dos mais fotografados lugares da cidade do Mindelo e factor de atrac\u00e7\u00e3o de visitantes, turistas e nacionais, ao Centro Nacional de Artesanato e Design, que \u00e9 hoje motivo de orgulho no vasto portef\u00f3lio da dupla de arquitectos.<\/p>\n<p>\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/1759133408_369_\"  loading=\"true\"\/><\/p>\n<p><strong>Mais humaniza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o constru\u00eddo<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAinda h\u00e1 muita constru\u00e7\u00e3o e pouca arquitectura\u201d, assim define Moreno Castellano o panorama da arquitectura em Cabo Verde. Algo que ambos querem ajudar a mudar atrav\u00e9s de constru\u00e7\u00f5es pensadas, menos imediatas, com mais espa\u00e7o para a reflex\u00e3o. \u201cPrecisamos de projectos que valorizem a integra\u00e7\u00e3o com o ambiente, o respeito pela cultura local e a aplica\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis\u201d, diz-nos.<\/p>\n<p>Uma arquitectura capaz de transformar n\u00e3o s\u00f3 os espa\u00e7os, mas sobretudo comunidades. \u00c9 disto que fala a dupla que tem agora em m\u00e3os o projecto de constru\u00e7\u00e3o de um novo centro juvenil na periferia da cidade do Mindelo para receber jovens de fam\u00edlias mais vulner\u00e1veis e funcionar como um p\u00f3lo educativo e de forma\u00e7\u00e3o. O espa\u00e7o tem uma forte componente social e promete impactar a zona onde ser\u00e1 constru\u00eddo, por isso Eloisa e Moreno est\u00e3o profundamente envolvidos neste novo desafio, alinhado com o prop\u00f3sito do trabalho que t\u00eam vindo a desenvolver. \u201cO nosso trabalho \u00e9 conduzido pelo prop\u00f3sito de criar lugares onde as pessoas possam se curar, evoluir espiritualmente e viver em harmonia, influenciados pelos seres humanos e pela rela\u00e7\u00e3o que t\u00eam com o seu envolvente.\u201d<\/p>\n<p>A dupla n\u00e3o \u00e9 alheia ao enorme crescimento urbano de Cabo Verde e, no geral, das cidades africanas nos \u00faltimos anos. T\u00e3o-pouco ao exponencial aumento do turismo que ditou e dita a constru\u00e7\u00e3o nos locais de maior fluxo.<\/p>\n<p>Na verdade, foi assim que nasceu um ambicioso projecto imobili\u00e1rio na ilha de Santo Ant\u00e3o. Ramos e Castellano come\u00e7aram a trabalh\u00e1-lo para um grupo investidor alem\u00e3o h\u00e1 cerca de 8 anos, com a miss\u00e3o de criar um assentamento org\u00e2nico que integrasse turismo, agricultura e sustentabilidade, numa l\u00f3gica de aldeia comunit\u00e1ria onde funcionasse uma esp\u00e9cie de economia circular.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cO planeta n\u00e3o disp\u00f5e de recursos infinitos, por isso tentamos ser leves no pisar a terra que nos d\u00e1 nutrimentos.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O projecto, rec\u00e9m-inaugurado resultou num ic\u00f3nico espa\u00e7o integrado na montanha e debru\u00e7ado sobre o mar, na aldeia de Ch\u00e3 de Igreja. S\u00e3o 3 hectares de \u00e1rea cultiv\u00e1vel, 14 quartos duplos, 4 vilas, um edif\u00edcio de servi\u00e7os, um restaurante com lounge, um edif\u00edcio panor\u00e2mico, um campo fotovoltaico, 3 reservat\u00f3rios de \u00e1gua para irriga\u00e7\u00e3o e um po\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201cA prioridade foi converter terras abandonadas em espa\u00e7os agr\u00edcolas produtivos. Cerca de 20 trabalhadores locais constru\u00edram 5 km de terra\u00e7os ao longo de 2 anos, transformando 5 hectares de terreno seco em 3 hectares de \u00e1rea irrigada e cultiv\u00e1vel\u201d, diz-nos Eloisa, visivelmente orgulhosa deste trabalho implementado na sua ilha natal. Ramos e Castellano passaram diferentes per\u00edodos do ano acampados nos terra\u00e7os para identificar pontos protegidos dos ventos fortes, fora de \u00e1reas de queda de rochas e com vistas privilegiadas, por forma a definir a melhor orienta\u00e7\u00e3o das constru\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cTodos os interiores e os m\u00f3veis projectados foram artesanalmente produzidos por artes\u00e3os de oficinas locais, sempre com o objectivo de distribuir capital e conhecimento de forma local. Todo o processo participativo alterou, de certa forma, os sentimentos locais em rela\u00e7\u00e3o aos visitantes, cuja presen\u00e7a passou a ser percebida como um elemento que traz energia ao ecossistema social, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00f3gica dos hot\u00e9is all inclusive, modelo econ\u00f3mico dominante nas outras ilhas tur\u00edsticas de Cabo Verde\u201d.<\/p>\n<p><strong>Orientada para o bem-estar <\/strong><\/p>\n<p>Empenhados em marcar pela diferen\u00e7a, querem usar a experi\u00eancia adquirida para ajudar a formar e moldar uma nova vaga de arquitectos, com maior consci\u00eancia social e responsabilidade ambiental. \u201cO crescimento urbano precisa de ser pensado para priorizar acessibilidade, habita\u00e7\u00e3o digna e espa\u00e7os p\u00fablicos de qualidade. A\u00a0arquitectura em Cabo Verde ser\u00e1 cada vez mais orientada para o bem-estar comunit\u00e1rio, promovendo inclus\u00e3o e conectividade social\u201d, diz-nos Moreno. Eloisa acrescenta: \u201cCom os desafios das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, solu\u00e7\u00f5es arquitect\u00f3nicas que mitiguem os impactos do aumento do n\u00edvel do mar e adaptem as infra-estruturas aos eventos extremos ser\u00e3o determinantes para o futuro das cidades e vilas do arquip\u00e9lago.\u201d<\/p>\n<p>Moreno Castellano \u00e9 um apaixonado por todas as artes e coloca-as ao servi\u00e7o do seu trabalho. E Eloisa Ramos deixa as suas ra\u00edzes falarem em tudo o que cria, e invoca a viv\u00eancia em Santo Ant\u00e3o como a raz\u00e3o principal para a sua inclina\u00e7\u00e3o para as pr\u00e1ticas ambientais sustent\u00e1veis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"T\u00eam em comum a insularidade, Eloisa Ramos, cabo-verdiana, nascida na montanhosa ilha de Santo Ant\u00e3o, e Moreno Castellano,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":91120,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[207,205,206,203,201,202,204,114,115,32,33],"class_list":{"0":"post-91119","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-arte","9":"tag-arte-e-design","10":"tag-artedesign","11":"tag-arts","12":"tag-arts-and-design","13":"tag-artsanddesign","14":"tag-design","15":"tag-entertainment","16":"tag-entretenimento","17":"tag-portugal","18":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91119","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=91119"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91119\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/91120"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=91119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}