{"id":93042,"date":"2025-09-30T12:32:12","date_gmt":"2025-09-30T12:32:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/93042\/"},"modified":"2025-09-30T12:32:12","modified_gmt":"2025-09-30T12:32:12","slug":"fatos-argumentos-quem-ainda-esta-disposto-a-ser-convencido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/93042\/","title":{"rendered":"Fatos? Argumentos? Quem ainda est\u00e1 disposto a ser convencido?"},"content":{"rendered":"<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">N\u00e3o sei te dizer se \u201cO Grande Circo\u201d, novo livro de Guilherme Fiuza, \u00e9 bom. Afinal, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/polzonoff\/nadegas-diogo-mainardi\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">por causa do Diogo Mainardi<\/a> passei a semana em torno da pergunta \u201co que \u00e9 um livro bom?\u201d Mas sei dizer que \u00e9 bem escrito e divertido. Necess\u00e1rio? Tamb\u00e9m, principalmente num tempo em que parece que apenas uma patota tem direito ao registro liter\u00e1rio da hist\u00f3ria. Como venho lamentando neste espa\u00e7o, por\u00e9m, \u00e9 uma pena que o livro v\u00e1 ser lido apenas por uma patota. No caso, a outra.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Mas isso \u00e9 bom porque me d\u00e1 a oportunidade de perguntar a voc\u00ea, leitor: qual foi a \u00faltima vez que voc\u00ea consumiu um texto de n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o (ou um document\u00e1rio) disposto a ser convencido? Ali\u00e1s, conv\u00e9m ampliar o escopo da pergunta: quando \u00e9 que voc\u00ea entrou em contato com fatos e argumentos com a generosidade de se deixar convencer por eles? E vou aproveitar o ensejo para emendar uma pergunta que me ocorreu agora, mas n\u00e3o vai dar tempo de explorar (e que j\u00e1 explorei <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/polzonoff\/12-homens-e-uma-sentenca-ha-quanto-tempo-voce-nao-muda-de-ideia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">em outra ocasi\u00e3o<\/a>): quando voc\u00ea mudou de ideia pela \u00faltima vez?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que eu estou?<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Enquanto voc\u00ea reflete a\u00ed (sou um otimista), aproveito para dizer que fiquei espantado com a disposi\u00e7\u00e3o do Fiuza para <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/ideias\/grande-circo-leia-exclusividade-trecho-novo-livro-guilherme-fiuza\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">encadear fatos e argumentos a fim de mostrar<\/a> que o jornalismo se transformou numa poderosa, mas tamb\u00e9m rid\u00edcula, m\u00e1quina de propaganda a servi\u00e7o de uma vis\u00e3o de mundo espec\u00edfica. E o melhor: com uma ironia cortante (argh, o clich\u00ea!) como eu h\u00e1 muito n\u00e3o lia. Fiuza escreve como quem faz quest\u00e3o de deixar claro: apesar do analfabetismo funcional que nos rodeia, a qualidade do texto ainda importa.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Mas isso \u00e9 papo de escritor e n\u00e3o sei se interessa a voc\u00ea, por isso volto \u00e0 quest\u00e3o central destas mal tra\u00e7adas: quem ainda est\u00e1 disposto a ser convencido? De qualquer coisa. E ser\u00e1 que eu estou? N\u00e3o, n\u00e3o estou e chegar a essa conclus\u00e3o me incomodou. Porque me vejo como algu\u00e9m de mente aberta, receptivo a novas ideias. Pelo menos \u00e9 como eu gosto de me ver. Ou, por outra, de me enganar. Porque a imagem idealizada de algu\u00e9m completamente aberto \u00e0 argumenta\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e9 tamb\u00e9m a imagem deprimente e repugnante de um homem vazio de <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/opiniao\/nossas-conviccoes\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">convic\u00e7\u00f5es<\/a>.<\/p>\n<p>Ah, a Realidade&#8230;!<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Afinal, convic\u00e7\u00f5es existem por um motivo: para que o homem n\u00e3o fique indo para l\u00e1 e para c\u00e1, ao sabor do vento que o esp\u00edrito do tempo sopra em nossos ouvidos. O problema \u00e9 a qualidade das nossas convic\u00e7\u00f5es, muitas delas assentadas na areia das <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/opiniao\/artigos\/nao-e-ideologia-e-poder-a-logica-que-domina-a-politica\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">circunst\u00e2ncias e dos interesses imediatos<\/a>. Da\u00ed porque me parece que as convic\u00e7\u00f5es de cunho meramente ideol\u00f3gico, tanto \u00e0 direita quanto \u00e0 esquerda (para usar um reducionismo que o Fiuza sabiamente odeia e combate), s\u00e3o as mais nocivas. S\u00e3o as que mais nos brutalizam.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Dito isso, neste texto em ziguezague volto ao \u201cO Grande Circo\u201d para dizer que o que mais me impressiona no jornalismo retratado pelo Fiuza \u00e9 a indisponibilidade de n\u00f3s, jornalistas, nos deixarmos convencer n\u00e3o pelas narrativas criadas pela m\u00e1quina de propaganda da ideologia da vez, e sim por aquilo que a <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/polzonoff\/quando-a-realidade-desagrada-e-o-leitor-nao-quer-conversa\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Realidade<\/a> insiste em esfregar na nossa cara. S\u00f3 porque a Realidade nos contraria e exp\u00f5e nossa ignor\u00e2ncia. Ou porque a Realidade destoa dos nossos interesses mais mesquinhos, como a vit\u00f3ria do \u201cnosso lado\u201d e, mais grave, p\u00f5e em risco o nosso quinh\u00e3o no PPLR (Participa\u00e7\u00e3o nos Lucros ou Resultados). A\u00ed complica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"N\u00e3o sei te dizer se \u201cO Grande Circo\u201d, novo livro de Guilherme Fiuza, \u00e9 bom. 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