{"id":93077,"date":"2025-09-30T13:00:34","date_gmt":"2025-09-30T13:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/93077\/"},"modified":"2025-09-30T13:00:34","modified_gmt":"2025-09-30T13:00:34","slug":"luana-vitra-pensa-magnetismo-como-obra-de-arte-em-mostra-29-09-2025-ilustrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/93077\/","title":{"rendered":"Luana Vitra pensa magnetismo como obra de arte em mostra &#8211; 29\/09\/2025 &#8211; Ilustrada"},"content":{"rendered":"<p>A magnetita<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2018\/01\/1949948-os-minerais-magneticos-que-guardam-quase-toda-informacao-da-humanidade.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> <\/a>presente no bico de certos p\u00e1ssaros pode atra\u00ed-los para o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2022\/02\/centro-da-terra-esta-esfriando-mais-rapido-quais-podem-ser-as-consequencias.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">centro da Terra<\/a>. Pelo menos \u00e9 essa a hip\u00f3tese de &#8220;C\u00e1lculo para Beijar o Magma&#8221;, exposi\u00e7\u00e3o da mineira <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2023\/11\/em-inhotim-obras-de-luana-vitra-e-abdias-nascimento-pensam-fim-da-exploracao.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Luana Vitra<\/a>. Natural de Contagem, no interior do estado, a artista cresceu em territ\u00f3rios tomados pela minera\u00e7\u00e3o, e suas obras trocam o trabalho bruto pela rela\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica com a natureza.<\/p>\n<p>Nasce da\u00ed o beijo que intitula a mostra em cartaz na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/08\/sp-arte-rotas-quer-aquecer-mercado-timido-com-artistas-da-bienal-e-obras-eroticas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">galeria Mitre<\/a>, em S\u00e3o Paulo, e sintetiza os principais aspectos de seu trabalho. Um exemplo s\u00e3o as esculturas que misturam metais de diferentes tipos. Outro s\u00e3o as colagens com r\u00f3tulos de passarinho presentes em caixas de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2023\/11\/spfw-traz-cores-vibrantes-e-transparencia-sem-pudor-como-principais-tendencias.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">waji<\/a>, pigmento azul ligado \u00e0 espiritualidade. As colagens representam o relevo de montanhas, sempre sujeitos \u00e0 a\u00e7\u00e3o do homem.<\/p>\n<p>&#8220;Procuro tirar a humanidade do centro e dar espa\u00e7o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre os pr\u00f3prios metais. Gosto de imaginar como tudo se conecta. A exposi\u00e7\u00e3o tem como foco as afetividades que acontecem no campo da mat\u00e9ria, no campo f\u00edsico, qu\u00edmico, qu\u00e2ntico. Me interessa pensar como o mundo se movimenta a partir de for\u00e7as que n\u00e3o sejam necessariamente as nossas&#8221;, diz Vitra, que descreve as suas obras como equa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Do centro do sal\u00e3o, quatro flechas de ferro, revestidas em cobre, se projetam em dire\u00e7\u00e3o ao teto. Elas convergem para um ponto onde se encontra um passarinho feito de prata. No ch\u00e3o, outro p\u00e1ssaro prateado representa um esp\u00e9cime morto. Ele est\u00e1 estirado sobre uma rocha, e embaixo dela se espalham gr\u00e3os de waji.<\/p>\n<p>Ao alinhar a vida e a morte, a escultura flerta com a ideia do corpo que volta \u00e0 terra. A obra resgata parte de &#8220;Pulm\u00e3o da Mina&#8221;, instala\u00e7\u00e3o que a artista mostrou na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/09\/bienal-de-sao-paulo-quer-resgatar-a-humanidade-pela-redencao-a-natureza.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Bienal de S\u00e3o Paulo<\/a> em 2023.<\/p>\n<p>&#8220;Os p\u00e1ssaros eram levados para dentro das minas. Se vazava um g\u00e1s t\u00f3xico, eles morriam primeiro e os mineradores conseguiam escapar. Ao criar uma equa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o vejo o p\u00e1ssaro como elemento figurativo. Vejo ele como elemento da tabela peri\u00f3dica. Por isso eles s\u00e3o feitos de prata e metal. Na busca por comunica\u00e7\u00e3o, faz sentido que sejam feitos dos metais mais condutivos que existem.&#8221;<\/p>\n<p>Numa s\u00e9rie dividida em tr\u00eas pe\u00e7as, aves met\u00e1licas est\u00e3o em pedras terrosas. As flechas da vez passam por dentro das rochas e guiam o olhar dos bichos inanimados. \u00c9 uma forma de refor\u00e7ar a suposta atra\u00e7\u00e3o entre os animais alados e o n\u00facleo da Terra, respons\u00e1vel pelo campo magn\u00e9tico de todo o planeta.<\/p>\n<p>Fora o magnetismo entre seres vivos e materiais met\u00e1licos, a exposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m explora aproxima\u00e7\u00f5es entre metais em estados distintos. \u00c9 o caso das placas quadriculadas de ferro, brilhosas em algumas partes e enferrujadas em outras \u2014temporalidades diferentes se encontram numa mesma pe\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 parecido com o mosaico em que Vitra re\u00fane caixinhas de waji. Do azul vibrante de embalagens novas \u00e0quelas com cores desbotadas, elas tra\u00e7am colunas que se estendem at\u00e9 uma base enferrujada. O resultado \u00e9 um tipo de linha do tempo, que evidencia outra rela\u00e7\u00e3o entre o c\u00e9u e a terra.<\/p>\n<p>&#8220;Sinto que o ferro \u00e9 um elemento semelhante ao corpo negro, porque ambos desempenham pap\u00e9is muito pr\u00f3ximos. Os dois estruturam a sociedade. Seja o colonialismo, seja a ind\u00fastria, existem for\u00e7as negativas que os retiram da terra e os transformam noutra coisa. Para mim, quando o ferro oxida e enferruja, ele expressa o desejo de retornar ao in\u00edcio&#8221;, afirma a artista.<\/p>\n<p>Autora do texto cr\u00edtico da exposi\u00e7\u00e3o, Ariana Nula, por sua vez, tra\u00e7a um paralelo entre o ferro material e aquele presente na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/1997\/3\/06\/mundo\/8.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">hemoglobina<\/a>, respons\u00e1vel por transportar oxig\u00eanio pelo corpo humano.<\/p>\n<p>Penduradas em linhas de cobre, pedras de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/turismo\/fx0408200505.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">l\u00e1pis-laz\u00fali<\/a>, comumente associadas \u00e0 no\u00e7\u00e3o de espiritualidade, ocupam uma parede. Enquanto algumas amea\u00e7am se encostar, outras aparecem em extremidades opostas. A ideia \u00e9 simular uma esp\u00e9cie de dan\u00e7a e desenhar conex\u00f5es entre as rochas azuladas.<\/p>\n<p>&#8220;A maneira como penso as minhas exposi\u00e7\u00f5es \u00e9 sempre instalativa, onde todas as coisas criam jogos de for\u00e7as e ganham sentido ao estabelecer rela\u00e7\u00f5es com o outro&#8221;, diz Vitra. &#8220;Eu fui bailarina antes de me tornar artista visual. Quando componho uma obra, tento coreografar tamb\u00e9m o corpo que a v\u00ea.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A magnetita presente no bico de certos p\u00e1ssaros pode atra\u00ed-los para o centro da Terra. 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