{"id":93091,"date":"2025-09-30T13:10:09","date_gmt":"2025-09-30T13:10:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/93091\/"},"modified":"2025-09-30T13:10:09","modified_gmt":"2025-09-30T13:10:09","slug":"o-oceano-esta-a-ficar-acido-quente-e-cheio-de-plastico-o-prognostico-nao-e-bom-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/93091\/","title":{"rendered":"O oceano est\u00e1 a ficar \u00e1cido, quente e cheio de pl\u00e1stico: o progn\u00f3stico n\u00e3o \u00e9 bom | Clima"},"content":{"rendered":"<p>Portugal \u00e9 um dos pa\u00edses europeus onde o n\u00edvel da \u00e1gua do mar est\u00e1 a subir mais rapidamente, com os riscos de inunda\u00e7\u00e3o e eros\u00e3o associados, conclui o 9.\u00ba Relat\u00f3rio sobre o Estado do Oceano do Servi\u00e7o Marinho do Cop\u00e9rnico, o programa de observa\u00e7\u00e3o da Terra da Uni\u00e3o Europeia, publicado nesta ter\u00e7a-feira\u200b. O Nordeste do Atl\u00e2ntico, que banha Portugal e Espanha, \u00e9 tamb\u00e9m a \u00e1rea do oceano onde o aquecimento e acidifica\u00e7\u00e3o das \u00e1guas est\u00e1 a acontecer a um n\u00edvel superior ao de outras regi\u00f5es do mundo.<\/p>\n<p>O oceano cobre 75% do planeta Terra, cont\u00e9m 97% de toda a \u00e1gua e produz pelo menos 50% do oxig\u00e9nio que n\u00f3s, e outros seres vivos, respiramos. Mas todas as \u00e1reas do oceano sentem hoje os efeitos da<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/03\/08\/azul\/opiniao\/tripla-crise-planetaria-ficou-gaveta-2082986\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> tripla crise<\/a> ambiental que afecta o planeta, sustenta o relat\u00f3rio elaborado pela Mercator Internacional, integrada no Cop\u00e9rnico: altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, perda de biodiversidade e polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estas crises est\u00e3o ligadas entre si, \u201cmas as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas amplificam a variabilidade normal dos sistemas oce\u00e2nicos\u201d, explicou, na confer\u00eancia de imprensa, Karina Von Schuckmann, directora do relat\u00f3rio sobre o estado do oceano e uma das muitas cientistas que contribui para an\u00e1lises de consenso produzidas pelo Painel Internacional sobre as Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas (IPCC, na sigla em ingl\u00eas) das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/01\/28\/azul\/noticia\/subida-temperatura-mar-acelerou-quatro-vezes-40-anos-2120408\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">temperatura do oceano global<\/a> na Primavera de 2024 atingiu 21 graus Celsius, ultrapassando os recordes anteriores de 2015 e 2016 em 0,25 graus. Desde 1960, tem havido uma acelera\u00e7\u00e3o da quantidade de calor em excesso do planeta que o oceano absorve, ao ritmo de 0,14 Watts por metro quadrado a cada d\u00e9cada. Em 2024, deu um salto: 0,35 W\/m2.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/01\/20\/azul\/entrevista\/tiago-pitta-cunha-ate-oceano-tapete-debaixo-varriamos-emissoes-2076962\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">mar esconde 90% do calor em excesso<\/a> aprisionado na Terra, por causa do efeito de estufa potenciado pela actividade humana, atrav\u00e9s das emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono (CO2), por exemplo. \u00c9 um sistema de refrigera\u00e7\u00e3o do planeta e uma almofada que tem atenuado os efeitos do aquecimento global. Mas est\u00e1 a deixar de conseguir cumprir essas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No Nordeste Atl\u00e2ntico, a zona em que se insere Portugal e o Grande Ecossistema Marinho Ib\u00e9rico, o aquecimento tem sido de 0,27 graus por d\u00e9cada, o que \u00e9 duas vezes mais do que no resto do mundo. No Mar de Barents e no Mar do Norte, no entanto, o aquecimento est\u00e1 a acontecer duas vezes mais r\u00e1pido do que a m\u00e9dia do resto do oceano.<\/p>\n<p>Ondas de calor de quatro meses\u2026<\/p>\n<p>Uma das consequ\u00eancias do aquecimento do oceano por causa das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas \u00e9 que, desde 1993, tem vindo a aumentar a frequ\u00eancia e intensidade das ondas de calor marinhas, que se espalham tamb\u00e9m por \u00e1reas cada vez mais vastas.<\/p>\n<p>Desde 1993, aumentou a frequ\u00eancia e intensidade das <a href=\"http:\/\/www.publico.pt\/2023\/08\/15\/azul\/noticia\/ondas-calor-mar-trazem-mortalidade-massa-varias-especies-2060041\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">o<\/a><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/08\/15\/azul\/noticia\/ondas-calor-mar-trazem-mortalidade-massa-varias-especies-2060041\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ndas de calor marinhas<\/a>, que se espalham por \u00e1reas cada vez mais vastas do oceano. Mas nunca foram t\u00e3o longas no Nordeste do Atl\u00e2ntico como em 2023 e 2024. <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/07\/24\/azul\/noticia\/onda-calor-marinha-2023-alerta-pontos-nao-retorno-clima-2141591\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">S\u00f3 em 2023<\/a>, houve ondas de calor graves ou extremas num ter\u00e7o destas \u00e1guas, com alguns epis\u00f3dios a prolongarem-se at\u00e9 quatro meses.<\/p>\n<p>            &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<\/p>\n<p>A sobreviv\u00eancia de um quinto dos <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/12\/07\/azul\/noticia\/corais-podem-nao-sobreviver-proximas-ondas-calor-mar-mediterraneo-2114623\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">corais<\/a> de \u00e1guas frias e das <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2021\/04\/01\/azul\/noticia\/pradarias-marinhas-podem-reverter-acidificacao-mar-1956790\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">pradarias marinhas<\/a> do Nordeste do Atl\u00e2ntico foi severamente afectada pela temperatura anormalmente elevada das \u00e1guas em 2024. E as pradarias marinhas s\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2020\/05\/25\/ciencia\/noticia\/especialistas-querem-pradarias-marinhas-sapais-reconhecidos-combate-alteracoes-climaticas-1917968\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">um dos maiores sumidouros de carbono<\/a> do planeta, real\u00e7a o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Algumas das ondas de calor marinhas mais intensas e prolongadas, classificadas como \u201cgraves\u201d, aconteceram mesmo na costa de Portugal, e em toda a costa Noroeste e Oeste da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, diz o relat\u00f3rio. Houve locais com mais de 250 dias com condi\u00e7\u00f5es de onda de calor \u2013 o que \u00e9 mais do que um ter\u00e7o do ano.<\/p>\n<p>\u2026trazem invasores destruidores<\/p>\n<p>Estas ondas de calor t\u00eam impactos significativos sobre a vida marinha, e na economia tamb\u00e9m: nas pescas, aquacultura e turismo, por exemplo. Um deles \u00e9 a prolifera\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/03\/21\/azul\/noticia\/novos-peixes-estao-invadir-mar-adriatico-ameacar-especies-locais-2084276\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">esp\u00e9cies invasoras<\/a>, que aproveitam as \u00e1guas mais quentes para se infiltrar em novos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Os caranguejos-azuis (Callinectes sapidus), naturais da costa ocidental da Am\u00e9rica, provocaram o colapso de 75% a 100% da produ\u00e7\u00e3o de am\u00eaijoas no rio P\u00f3, em It\u00e1lia, exemplifica o relat\u00f3rio. No mesmo pa\u00eds, mas a Sul, o vermes-de-fogo (Hermodice carunculata), predadores venenosos com cerca de 15 cm, que parecem uma centopeia, est\u00e3o a p\u00f4r em causa a sobreviv\u00eancia da pesca artesanal e a sa\u00fade humana na Sic\u00edlia.<\/p>\n<p>\u201cO <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2022\/07\/27\/azul\/noticia\/ondas-calor-marinhas-mediterraneo-estao-risco-biodiversidade-2014979\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Mediterr\u00e2neo<\/a> teve em 2023 a mais longa onda de calor marinha em quatro d\u00e9cadas. Os nossos estudos mostram que o aumento da temperatura da \u00e1gua acelerou a prolifera\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os invasoras ao longo das costas italianas, com graves consequ\u00eancias para as pescas, biodiversidade e as comunidades locais\u201d, diz Riccardo Martellucci, do Instituto Nacional de Oceanografia e Geof\u00edsica, em It\u00e1lia, um dos cientistas que trabalhou para o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Portugal sofre com acidifica\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O aumento da concentra\u00e7\u00e3o de CO2 no oceano est\u00e1 a acelerar um outro processo, de uma forma que pode ser letal para a vida marinha: a acidifica\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, que est\u00e1 a acontecer mais rapidamente do que em qualquer outra altura nos \u00faltimos 20 milh\u00f5es de anos. A acidez do oceano aumentou 16,5% desde 1980, diz o relat\u00f3rio, e foi recentemente reconhecida como o <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/09\/25\/azul\/noticia\/acidificacao-oceano-ja-ultrapassou-nivel-considerado-seguro-vida-marinha-2148420\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">s\u00e9timo limite planet\u00e1rio<\/a> que j\u00e1 ultrapass\u00e1mos, num total de nove.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        O verme-de-fogo invadiu as \u00e1guas da Sic\u00edlia, por causa das ondas de calor do Mediterr\u00e2neo&#13;<br \/>\nDiego Delso                    &#13;<\/p>\n<p>As \u00e1guas portuguesas est\u00e3o entre aquelas onde a acidifica\u00e7\u00e3o est\u00e1 a acontecer bem acima da m\u00e9dia global, tal como as de grande parte da Europa e Norte de \u00c1frica e M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p>Esta mudan\u00e7a, que est\u00e1 directamente relacionada com as emiss\u00f5es de gases de estufa, que provocam as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, amea\u00e7am as zonas mais ricas do oceano: as \u00e1guas de 10% dos pontos de grande biodiversidade marinha est\u00e3o a acidificar-se mais rapidamente do que a m\u00e9dia global. Cerca de 16% dos <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2019\/11\/19\/infografia\/anatomia-coral-385\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">corais<\/a> em risco e 30% dos que est\u00e3o em risco cr\u00edtico est\u00e3o expostos ao aquecimento r\u00e1pido e \u00e0 acidifica\u00e7\u00e3o, que p\u00f5em ainda mais press\u00e3o sobre ecossistemas cuja sobreviv\u00eancia est\u00e1 j\u00e1 em causa.<\/p>\n<p>Estes dois factores, o aquecimento e acidifica\u00e7\u00e3o, que afectam todos os ecossistemas marinhos, est\u00e3o a mudar a distribui\u00e7\u00e3o do micronecton. \u00c9 uma palavra estranha para designar algo que \u00e9 muito comum: estamos a falar de organismos que conseguem nadar e flutuar nas correntes, entre dois e 20 cent\u00edmetros, e que incluem pequenos peixes, crust\u00e1ceos, moluscos e seres gelatinosos. Alimentam-se sobretudo de zoopl\u00e2ncton (microsc\u00f3picos animais) e tornam-se as presas da maioria dos predadores marinhos.<\/p>\n<p>O que se est\u00e1 a passar \u00e9 que, com a subida da temperatura das \u00e1guas, os seus habitats est\u00e3o a sofrer uma desloca\u00e7\u00e3o para os p\u00f3los \u2013 o que tem impacto na sobreviv\u00eancia de muitas outras esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/07\/24\/azul\/noticia\/aguas-quentes-podem-levar-atuns-norte-atlantico-ameacando-especie-2141572\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">atum<\/a>, cuja pesca tem um papel fundamental no sistema alimentar global, e tem valores culturais e sociais importantes, est\u00e1 amea\u00e7ado pelo aquecimento e acidifica\u00e7\u00e3o do oceano. Est\u00e1 classificado como vulner\u00e1vel ou em risco em todas as \u00e1reas do oceano para baixo do paralelo 40 graus Norte, que em Portugal passa ao n\u00edvel de Pombal e Leiria e a Norte da ilha do Corvo, nos A\u00e7ores.<\/p>\n<p>Preju\u00edzos nos viveiros de marisco<\/p>\n<p>Sectores econ\u00f3micos vitais, como a aquacultura e o turismo costeiro \u2013 t\u00e3o importante para Portugal \u2013 sofrem os efeitos da acidifica\u00e7\u00e3o. A aquacultura de todos os pa\u00edses do Nordeste do Atl\u00e2ntico que produzem mais de cinco mil toneladas anuais (Portugal produz mais de 18 mil toneladas) est\u00e1 a ser penalizada pelo aquecimento do oceano e pela acidifica\u00e7\u00e3o, processos que t\u00eam um forte impacto sobre a produ\u00e7\u00e3o de crust\u00e1ceos e moluscos (organismos com casca ou concha). At\u00e9 os <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/08\/27\/azul\/noticia\/tubaroes-podem-estar-perder-dentes-devido-acidificacao-oceano-2145083\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">dentes dos tubar\u00f5es<\/a> est\u00e3o a ser degradados pela acidifica\u00e7\u00e3o, concluiu um estudo recente.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Cerca de 16% dos corais em risco e 30% dos que est\u00e3o em risco cr\u00edtico est\u00e3o expostos ao aquecimento r\u00e1pido e \u00e0 acidifica\u00e7\u00e3o&#13;<br \/>\nOve Hoegh-Guldberg\/Universidade de Queensland\/REUTERS                    &#13;<\/p>\n<p>\u201cQuase 20% dos<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2022\/11\/29\/local\/noticia\/mortalidade-bivalves-poe-risco-futuro-pescadores-ria-formosa-2029210\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> viveiros de marisco<\/a> nas costas da Europa sofreram os efeitos de ondas marinhas graves e extremas em 2024. O calor induz stress nas esp\u00e9cies, o que afecta o bem-estar dos animais e reduz a produtividade dessa ind\u00fastria\u201d, comenta Marilaure Gr\u00e9goire, da Universidade de Li\u00e8ge, na B\u00e9lgica, outra das autoras do relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Esta grande an\u00e1lise sobre o estado do oceano, no entanto, n\u00e3o fez uma estimativa dos custos para a economia do oceano que a tripla crise ambiental. \u201cFica a nota, para o pr\u00f3ximo\u201d, assegura Karina Von Schuckmann.<\/p>\n<p>Mar alto desprotegido<\/p>\n<p>Se a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 s\u00e9ria nas zonas econ\u00f3micas exclusivas de cada pa\u00eds, o alto-mar \u00e9 ainda mais castigado: 14% das \u00e1reas para al\u00e9m da jurisdi\u00e7\u00e3o nacional enfrentam um aquecimento acima da m\u00e9dia global, e 32% uma r\u00e1pida acidifica\u00e7\u00e3o das \u00e1guas superficiais do oceano.<\/p>\n<p>\u201cEmbora represente 60% do oceano global e suporte ecossistemas vitais para a vida e servi\u00e7os essenciais, o mar alto continua a estar desprotegido\u201d, e a pesca \u00e9 a pior amea\u00e7a \u00e0 biodiversidade nas zonas marinhas para al\u00e9m da jurisdi\u00e7\u00e3o nacional, salienta o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>A entrada em vigor do<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/09\/20\/azul\/noticia\/tratado-altomar-finalmente-pronto-entrar-vigor-segue-2147938\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> Tratado do Alto-Mar<\/a>, a 17 de Janeiro de 2026, dever\u00e1 come\u00e7ar a ajudar na sua protec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pl\u00e1stico + eros\u00e3o = pesadelo em dobro<\/p>\n<p>A polui\u00e7\u00e3o, sobretudo a <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/09\/06\/azul\/noticia\/onde-plastico-representa-maior-ameaca-mares-2146231\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">polui\u00e7\u00e3o por pl\u00e1stico,<\/a> \u00e9 uma praga em todo o oceano. Os corais, mais uma vez, s\u00e3o uma das suas principais v\u00edtimas: 75% dos pa\u00edses que produzem mais de dez mil toneladas de res\u00edduos pl\u00e1sticos ficam pr\u00f3ximos de recifes de coral amea\u00e7ados. O aquecimento das \u00e1guas pode aumentar a degrada\u00e7\u00e3o do pl\u00e1stico, desfazendo-o em part\u00edculas menores, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2022\/06\/26\/azul\/video\/perigos-microplasticos-onde-ja-encontrados-20220626-100127\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">micropl\u00e1sticos<\/a>. E 33% das na\u00e7\u00f5es que causam mais polui\u00e7\u00e3o por pl\u00e1stico s\u00e3o adjacentes a \u00e1reas do oceano que est\u00e3o a aquecer rapidamente.<\/p>\n<p>Os micropl\u00e1sticos podem matar ou prejudicar a vida marinha, transportar produtos qu\u00edmicos t\u00f3xicos ao longo da cadeia alimentar e alterar as propriedades da \u00e1gua e dos sedimentos, de formas que perturbam os ecossistemas e a biodiversidade.<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/07\/04\/azul\/noticia\/combate-acificacao-oceanos-lixo-marinho-programa-estimulo-economia-2096386\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">polui\u00e7\u00e3o por pl\u00e1stico conjuga-se<\/a> com a subida do n\u00edvel do mar, provocada pelo aquecimento global, para exacerbar a eros\u00e3o costeira e as inunda\u00e7\u00f5es de zonas mais baixas. Isto facilita o transporte para o oceano de micropl\u00e1sticos a partir de terra \u2013 de pontos de origem como aterros e sistemas de esgotos, por exemplo. E 92% dos pa\u00edses que t\u00eam maior polui\u00e7\u00e3o por pl\u00e1stico s\u00e3o igualmente afectados pela subida do n\u00edvel do mar.<\/p>\n<p>Entre 1901 e 2024,<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/03\/17\/azul\/noticia\/nivel-global-mar-subiu-previsto-2024-eis-motivo-2126296\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> o n\u00edvel do mar<\/a> subiu 228 mil\u00edmetros \u2013 quase 23 cent\u00edmetros. E acelerou 30% entre 1990 e 2010, com o ano de 2024 a atingir valores recorde. Cerca de 200 milh\u00f5es de europeus vivem junto \u00e0 costa, inclusivamente em Portugal, e podem sofrer com o aumento da eros\u00e3o e risco de inunda\u00e7\u00f5es. Muito patrim\u00f3nio natural e cultural classificado pela UNESCO est\u00e1 tamb\u00e9m em risco, por causa da subida do n\u00edvel do mar.<\/p>\n<p>\u201cA mensagem \u00e9 clara: temos de reduzir estas press\u00f5es sobre o oceano\u201d, concluiu Karina Von Schuckmann.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Portugal \u00e9 um dos pa\u00edses europeus onde o n\u00edvel da \u00e1gua do mar est\u00e1 a subir mais rapidamente,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":93092,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[2335,5291,785,2780,27,28,2271,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,6760,5858,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-93091","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-alteracoes-climaticas","9":"tag-aquecimento-global","10":"tag-azul","11":"tag-biodiversidade","12":"tag-breaking-news","13":"tag-breakingnews","14":"tag-clima","15":"tag-featured-news","16":"tag-featurednews","17":"tag-headlines","18":"tag-latest-news","19":"tag-latestnews","20":"tag-main-news","21":"tag-mainnews","22":"tag-mundo","23":"tag-news","24":"tag-noticias","25":"tag-noticias-principais","26":"tag-noticiasprincipais","27":"tag-oceano","28":"tag-ondas-de-calor","29":"tag-principais-noticias","30":"tag-principaisnoticias","31":"tag-top-stories","32":"tag-topstories","33":"tag-ultimas","34":"tag-ultimas-noticias","35":"tag-ultimasnoticias","36":"tag-world","37":"tag-world-news","38":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93091","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93091"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93091\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93092"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93091"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93091"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93091"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}