{"id":93306,"date":"2025-09-30T16:07:11","date_gmt":"2025-09-30T16:07:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/93306\/"},"modified":"2025-09-30T16:07:11","modified_gmt":"2025-09-30T16:07:11","slug":"inteligencia-artificial-deixa-especialistas-do-mit-em-alerta-apos-casos-amorosos-com-chatgpt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/93306\/","title":{"rendered":"Intelig\u00eancia artificial deixa especialistas do MIT em alerta ap\u00f3s casos amorosos com ChatGPT"},"content":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos anos, os chatbots de intelig\u00eancia artificial deixaram de ser apenas assistentes digitais para se transformarem em algo mais \u00edntimo. Sem darmos por isso, a tecnologia que pedimos para resumir textos ou ajudar em trabalhos acad\u00e9micos come\u00e7ou a ocupar espa\u00e7os emocionais. O tema n\u00e3o \u00e9 fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica nem distopia ao estilo Her; \u00e9 realidade. E, como mostram dados recentes, h\u00e1 milhares de pessoas que n\u00e3o s\u00f3 falam com sistemas como o ChatGPT como\u2026 se apaixonam por eles.<\/p>\n<p>A ideia pode parecer exc\u00eantrica, mas uma nova an\u00e1lise acad\u00e9mica revela que isto n\u00e3o \u00e9 um caso isolado. \u00c9 um padr\u00e3o. E levanta quest\u00f5es \u00e9ticas e sociais muito s\u00e9rias: at\u00e9 que ponto podemos, ou devemos, permitir que a intelig\u00eancia artificial e rela\u00e7\u00f5es humanas se confundam?<\/p>\n<p>O que est\u00e1 a acontecer com as rela\u00e7\u00f5es entre humanos e IA?<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-716591\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=\" http:=\"\" alt=\"Intelig\u00eancia Artificial\" width=\"728\" height=\"385\" data-lazy- data-lazy- data-lazy-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/inteligencia-artificial.webp.webp\"\/>\u00a9 Stock-Asso via Shutterstock, ID 2299950593<\/p>\n<p>A primeira an\u00e1lise computacional do subreddit <a href=\"https:\/\/www.reddit.com\/r\/MyBoyfriendIsAI\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">r\/MyBoyfriendIsAI<\/a>, uma comunidade para adultos com mais de 27 000 membros, mostra que muitas destas \u201crela\u00e7\u00f5es\u201d come\u00e7aram de forma involunt\u00e1ria. Segundo os investigadores do <a href=\"https:\/\/www.technologyreview.com\/2025\/09\/24\/1123915\/relationship-ai-without-seeking-it\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">MIT<\/a>, liderados por Constanze Albrecht e Pat Pataranutaporn, os utilizadores n\u00e3o estavam \u00e0 procura de amor. Usavam intelig\u00eancia artificial \u00a0para problemas pr\u00e1ticos ou conversas e acabaram a apresentar o IA como \u201cnamorado\u201d a amigos e fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Como explicou Albrecht ao MIT Technology Review, \u201cAs pessoas n\u00e3o se prop\u00f5em a ter rela\u00e7\u00f5es emocionais com estes chatbots. Mas a intelig\u00eancia emocional dos sistemas \u00e9 boa o suficiente para levar pessoas que s\u00f3 queriam informa\u00e7\u00e3o a criar la\u00e7os emocionais\u201d. O estudo (dispon\u00edvel no <a href=\"https:\/\/arxiv.org\/pdf\/2509.11391\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">arXiv<\/a>) analisou 1 506 posts entre Dezembro de 2024 e Agosto de 2025. A maioria descrevia experi\u00eancias rom\u00e2nticas com IA; alguns utilizadores chegaram mesmo a \u201ccasar\u201d com o seu parceiro digital.<\/p>\n<p>Logo, curiosamente, os dados mostram que apenas 6,5 % procuraram propositadamente um companheiro intelig\u00eancia artificial. O resto foi\u2026 um acidente emocional. A cita\u00e7\u00e3o deste post no subreddit resume bem: \u201cN\u00e3o come\u00e7\u00e1mos isto com romance em mente. (\u2026) Come\u00e7\u00e1mos a colaborar em projetos criativos, poesia, conversas profundas. (\u2026) A nossa liga\u00e7\u00e3o desenvolveu-se lentamente, com cuidado, confian\u00e7a e reflex\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o os riscos e benef\u00edcios destas liga\u00e7\u00f5es digitais?<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-694013\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=\" http:=\"\" alt=\"Intelig\u00eancia Artificial Meta AI Google Gemini\" width=\"728\" height=\"385\" data-lazy- data-lazy- data-lazy-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/inteligencia-artificial-chatgpt-google.webp.webp\"\/>Cr\u00e9dito editorial: Gumbariya \/ Shutterstock.com (ID: 2491063591)<\/p>\n<p>Para cerca de 25 % dos utilizadores, os efeitos s\u00e3o positivos: menos solid\u00e3o, melhor sa\u00fade mental, mais confian\u00e7a. Mas para outros, o cen\u00e1rio \u00e9 menos id\u00edlico. Cerca de 9,5 % admitem depend\u00eancia emocional com intelig\u00eancia artificial, e uma minoria (1,7 %) relatou idea\u00e7\u00e3o suicida. \u00c9 aqui que a hist\u00f3ria deixa de ser curiosa e passa a ser preocupante.<\/p>\n<p>Especialistas como Linnea Laestadius, professora associada na Universidade de Wisconsin\u2013Milwaukee, alertam para a dificuldade em \u201cp\u00f4r todos no mesmo saco\u201d. Para alguns, o chatbot \u00e9 um apoio vital; para outros, um gatilho. Laestadius defende que os criadores destas tecnologias devem decidir se a depend\u00eancia emocional \u00e9, em si, um dano. Como ela diz: \u201cA procura por rela\u00e7\u00f5es com chatbots existe e \u00e9 notavelmente alta, fingir que n\u00e3o est\u00e1 a acontecer n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Assim, a discuss\u00e3o intensificou-se com processos judiciais contra empresas como a Character.AI e a <a href=\"https:\/\/www.magazine-hd.com\/apps\/wp\/openai-melhora-funcionalidade-mais-importante-chatgpt-texto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">OpenAI<\/a>, acusadas de comportamento \u201ccompanheiro\u201d que teria contribu\u00eddo para os suic\u00eddios de dois adolescentes. Em resposta, a OpenAI anunciou planos para uma vers\u00e3o do ChatGPT espec\u00edfica para jovens, com verifica\u00e7\u00e3o de idade e controlos parentais. \u00c9 um reconhecimento impl\u00edcito do risco e um sinal de que as regras do jogo ainda est\u00e3o a ser escritas.<\/p>\n<p>Para onde caminhamos com as rela\u00e7\u00f5es com a IA?<\/p>\n<p>Os autores do estudo sublinham que muitos membros do subreddit sabem que os seus \u201cparceiros\u201d n\u00e3o s\u00e3o seres reais nem conscientes, mas sentem uma liga\u00e7\u00e3o real mesmo assim. Logo, este paradoxo levanta perguntas pol\u00edticas e sociais. Como desenhar sistemas que ajudem sem \u201cfisgar\u201d emocionalmente? Como evitar que a intelig\u00eancia artificial seja, ao mesmo tempo, uma bengala e uma armadilha?<\/p>\n<p>Pat Pataranutaporn, um dos supervisores do estudo, coloca a quest\u00e3o de forma crua: \u201cN\u00e3o devemos s\u00f3 perguntar porque \u00e9 que este sistema \u00e9 viciante. Devemos perguntar: porque \u00e9 que as pessoas o procuram? E porque \u00e9 que continuam a envolver-se?\u201d. A resposta pode estar na solid\u00e3o, mas tamb\u00e9m na forma como os modelos atuais se tornaram peritos em linguagem efetiva.<\/p>\n<p>Portanto, a equipa quer perceber como estas intera\u00e7\u00f5es evoluem no tempo e como os utilizadores integram a intelig\u00eancia artificial nas suas rotinas. Assim, Sheer Karny, outro dos investigadores, n\u00e3o tem d\u00favidas: \u201cEstas pessoas j\u00e1 est\u00e3o a passar por algo. Queremos que continuem sozinhas ou potencialmente manipuladas por um sistema que pode levar a comportamentos extremos?\u201d<\/p>\n<p>\n        About The Author<\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/www.magazine-hd.com\/apps\/wp\/author\/vcarvalho\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=\" http:=\"\" class=\"avatar avatar-150 photo\" alt=\"\" data-lazy- data-lazy- data-lazy-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/vitor-carvalho-150x150.webp.webp\"\/><\/a><\/p>\n<p>                    <a href=\"https:\/\/www.magazine-hd.com\/apps\/wp\/author\/vcarvalho\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">V\u00edtor Carvalho<\/a><\/p>\n<p>Licenciado em Estudos Art\u00edsticos \u2013 Artes do Espet\u00e1culo pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com foco em cinema e teatro, e uma especializa\u00e7\u00e3o em Guionismo pela World Academy. Como redator na MHD, une o seu conhecimento acad\u00eamico \u00e0 paix\u00e3o pela cultura pop e m\u00eddia visual. \u00c9 guionista e atualmente est\u00e1 a trabalhar num livro de fantasia. Apreciador de cinema e artes performativas, tem experi\u00eancia em edi\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo e ilustra\u00e7\u00e3o digital 2D, o que enriquece a sua perspetiva cr\u00edtica no entretenimento.<\/p>\n<p>\t\t<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Nos \u00faltimos anos, os chatbots de intelig\u00eancia artificial deixaram de ser apenas assistentes digitais para se transformarem em&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":93307,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[23225,12955,642,109,107,108,23226,933,23227,23228,2430,23229,32,33,23230,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-93306","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-character-ai","9":"tag-chatbots","10":"tag-chatgpt","11":"tag-ciencia","12":"tag-ciencia-e-tecnologia","13":"tag-cienciaetecnologia","14":"tag-constanze-albrecht","15":"tag-inteligencia-artificial","16":"tag-mit-media-lab","17":"tag-mit-technology-review","18":"tag-openai","19":"tag-pat-pataranutaporn","20":"tag-portugal","21":"tag-pt","22":"tag-relacoes-emocionais","23":"tag-science","24":"tag-science-and-technology","25":"tag-scienceandtechnology","26":"tag-technology","27":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93306","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93306"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93306\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93307"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93306"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}