{"id":942,"date":"2025-07-25T14:02:21","date_gmt":"2025-07-25T14:02:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/942\/"},"modified":"2025-07-25T14:02:21","modified_gmt":"2025-07-25T14:02:21","slug":"impresa-falha-negocio-e-afunda-se-nas-contas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/942\/","title":{"rendered":"Impresa falha neg\u00f3cio e afunda-se nas contas"},"content":{"rendered":"<p>Parecia que se estava perante uma galinha dos ovos de ouro, mas afinal saiu um garnis\u00e9 depenado. Depois de ter sido anunciada como praticamente certa, a venda do edif\u00edcio-sede da Impresa, em Pa\u00e7o de Arcos, ao fundo BPI Imofomento <a href=\"https:\/\/www.cmvm.pt\/PInstitucional\/PdfVierAllCommunication?Input=92A9A43DBCEC7796EE4A54E66500EEEB7EF88E3DF31E747DA6CD1A61D91CD2A1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">foi cancelada, de acordo com um comunicado transmitido \u00e0 Comiss\u00e3o doMercado de Valores Mobili\u00e1rios<\/a>. O grupo de media, dono da SIC e do Expresso, informou o mercado de que n\u00e3o chegou a acordo com o comprador, pondo termo a uma opera\u00e7\u00e3o envolta em contornos peculiares \u2014 e, para muitos investidores, potencialmente lesivos.<\/p>\n<p>A transac\u00e7\u00e3o, com um valor total de 37 milh\u00f5es de euros, permitiria \u00e0 Impresa obter um novo bal\u00e3o de oxig\u00e9nio financeiro, aliviando temporariamente o peso da d\u00edvida, mas \u00e0 custa de encargos futuros crescentes. Mais do que um simples neg\u00f3cio imobili\u00e1rio, o caso tornou-se um comp\u00eandio de \u201cengenharia financeira\u201d num grupo de comunica\u00e7\u00e3o social em acelerado decl\u00ednio. <\/p>\n<p><img alt=\"\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" decoding=\"async\" data-nimg=\"1\" class=\"rounded-lg my-6\" style=\"color:transparent;height:auto;max-width:100%\"   src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image\"\/>Interior do edif\u00edcio-sede da Impresa. Em 2018, o im\u00f3vel foi vendido ao Novo Banco, mas no final de 2022 a Impresa recomprou o edif\u00edcio numa opera\u00e7\u00e3o discreta que n\u00e3o foi comunicada ao mercado.   \/ D.R.<\/p>\n<p>Embora o comunicado na CMVM n\u00e3o identifique os motivos do recuo, o P\u00c1GINA UM sabe que o valor que estava a ser acordado acabou por <a href=\"https:\/\/paginaum.pt\/2025\/06\/24\/galinha-de-ovos-douro-dona-da-sic-e-expresso-recompra-edificio-sede-e-vende-agora-com-lucro-de-22-milhoes-de-euros\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">ser considerado excessivo e que as liga\u00e7\u00f5es entre o BPI e a Impresa estariam a afectar a credibilidade do fundo imobili\u00e1rio<\/a>, que vive sobretudo da confian\u00e7a dos investidores. Recorde-se que Pedro Barreto, que foi administrador do Banco BPI at\u00e9 2024, \u00e9 o actual vice-presidente da Impresa.\u00a0 \u2193<\/p>\n<p class=\"font-serif text-lg text-white\">\n              O jornalismo independente (s\u00f3) depende dos leitores.\n            <\/p>\n<p class=\"text-lg text-white\">\n              N\u00e3o dependemos de grupos econ\u00f3micos nem do Estado. N\u00e3o fazemos<br \/>\n              fretes. Fazemos jornalismo para os leitores,<br \/>\n              <strong class=\"\"><br \/>\n                mas s\u00f3 sobreviveremos com o seu apoio financeiro.<br \/>\n              <\/strong>\n            <\/p>\n<p>Mas esta n\u00e3o foi a \u00fanica m\u00e1 not\u00edcia transmitida hoje pelo grupo que det\u00e9m a SIC e o Expresso. Tamb\u00e9m as <a href=\"https:\/\/www.cmvm.pt\/PInstitucional\/PdfVierAllCommunication?Input=F58D34DF011A08AEDEE8DAF2172A1F1307864E21F2BF25E59A2C01AAF9E04F16\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">contas do primeiro trimestre de 2025 foram divulgadas<\/a>, apresentando um preju\u00edzo de 5,1 milh\u00f5es de euros. Apesar de pequenas oscila\u00e7\u00f5es nas receitas e custos, as receitas operacionais diminu\u00edram face ao ano passado, embora tenham permanecido em terreno positivo. O \u2018problema\u2019, que come\u00e7a a ser cr\u00f3nico e insustent\u00e1vel para o grupo fundado por Pinto Balsem\u00e3o, reside na elevada d\u00edvida: s\u00f3 em custos de financiamento, a Impresa gastou seis milh\u00f5es de euros nos primeiros meses deste ano, o que explica o preju\u00edzo do trimestre. A situa\u00e7\u00e3o ainda piorar\u00e1 mais no pr\u00f3ximo semestre, porque s\u00f3 o n\u00edvel de endividamento remunerado subiu 3,8%, face a Junho do ano passado, para os 148,2 milh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>Com um preju\u00edzo recorde de 66,2 milh\u00f5es de euros em 2024 e um passivo global de 250 milh\u00f5es \u2014 dos quais 150 milh\u00f5es s\u00e3o empr\u00e9stimos banc\u00e1rios \u2014, a Impresa vive sob o peso de juros que ultrapassam um milh\u00e3o de euros por m\u00eas. O seu neg\u00f3cio principal \u2014 a comunica\u00e7\u00e3o social \u2014 n\u00e3o tem sustentado a estrutura financeira do grupo. Mas foi no imobili\u00e1rio que tentou encontrar um inesperado man\u00e1: o edif\u00edcio-sede, constru\u00eddo de raiz para alojar os canais da SIC e a redac\u00e7\u00e3o do Expresso, converteu-se numa fonte de lucros improv\u00e1veis, atrav\u00e9s de tr\u00eas transac\u00e7\u00f5es consecutivas, num vaiv\u00e9m de vendas e recompras.<\/p>\n<p><img alt=\"\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"461\" decoding=\"async\" data-nimg=\"1\" class=\"rounded-lg my-6\" style=\"color:transparent;height:auto;max-width:100%\"   src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/1753452140_333_image\"\/><\/p>\n<p>O primeiro cap\u00edtulo desta hist\u00f3ria come\u00e7ou em 2018, quando a Impresa vendeu o edif\u00edcio ao Novo Banco por 24,2 milh\u00f5es de euros, ficando com o direito de arrendamento por dez anos e op\u00e7\u00e3o de recompra. A opera\u00e7\u00e3o, feita quando Ant\u00f3nio Ramalho presidia ao banco e este recebia injec\u00e7\u00f5es do Fundo de Resolu\u00e7\u00e3o, contrariava o suposto esfor\u00e7o de desinvestimento em activos imobili\u00e1rios da banca. O edif\u00edcio, concebido \u00e0 medida das opera\u00e7\u00f5es da Impresa, pouco valor teria fora do grupo. Ainda assim, o Novo Banco avan\u00e7ou com a compra.<\/p>\n<p>Cinco anos depois, em Dezembro de 2022, a Impresa recompra o edif\u00edcio por apenas 19,6 milh\u00f5es de euros, ou seja, menos 4,6 milh\u00f5es do que o pre\u00e7o da venda inicial. A opera\u00e7\u00e3o foi discreta e nunca comunicada ao mercado. Beneficiando das rendas entretanto pagas e de poss\u00edveis vantagens fiscais \u2014 como a contabiliza\u00e7\u00e3o das rendas como despesas e a manuten\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel como activo sujeito a deprecia\u00e7\u00e3o \u2014, o grupo de Balsem\u00e3o saiu largamente beneficiado. Mais: a recompra foi financiada pelo pr\u00f3prio Novo Banco, que assim sustentou financeiramente uma opera\u00e7\u00e3o contra os seus pr\u00f3prios interesses. E a CMVM, notificada de anteriores transac\u00e7\u00f5es, manteve-se silenciosa.<\/p>\n<p>O \u00faltimo epis\u00f3dio, agora gorado, previa a venda do mesmo edif\u00edcio ao fundo BPI Imofomento \u2013 Fundo de Investimento Imobili\u00e1rio Aberto, por 37 milh\u00f5es de euros. O fundo pertence \u00e0 BPI Gest\u00e3o de Activos, liderada por Jorge Teixeira, e \u00e9 gerido pelo grupo BPI, controlado desde 2016 pelo catal\u00e3o Caixabank. A liga\u00e7\u00e3o adquiria contornos delicados quando se sabe que o actual vice-presidente da Impresa, Pedro Barreto, foi administrador do BPI at\u00e9 2024.<\/p>\n<p><img alt=\"\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"567\" decoding=\"async\" data-nimg=\"1\" class=\"rounded-lg my-6\" style=\"color:transparent;height:auto;max-width:100%\"   src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/1753452140_689_image\"\/>Pedro Barreto, foi administrador do Banco BPI at\u00e9 2024 e \u00e9 o actual vice-presidente da Impresa. O grupo BPI det\u00e9m a BPI-Gest\u00e3o de Activos, que gere o fundo que vai ser o novo dono do edif\u00edcio-sede da Impresa. \/ Foto: Captura de ecr\u00e3 de v\u00eddeo do BPI | D.R.<\/p>\n<p>Com um patrim\u00f3nio avaliado em mais de 800 milh\u00f5es de euros, o fundo BPI Imofomento det\u00e9m activos como o Centro Comercial Vasco da Gama e investe sobretudo em im\u00f3veis comerciais em Lisboa e no Porto. O edif\u00edcio da Impresa, representando menos de 5% da carteira do fundo, n\u00e3o \u00e9 dos mais atractivos em termos de liquidez. Sendo constru\u00eddo \u00e0 medida da Impresa, dificilmente servir\u00e1 outro inquilino \u2014 o que, para os subscritores do fundo, pode configurar um risco relevante. O pr\u00f3prio fundo assume que \u201cn\u00e3o garante rendimentos\u201d e destina-se a investidores dispostos a \u201cassumir perdas de capital\u201d e a \u201cimobilizar poupan\u00e7as por um per\u00edodo m\u00ednimo recomendado de cinco anos\u201d.<\/p>\n<p>Se o neg\u00f3cio tivesse avan\u00e7ado, o grupo Impresa amortizaria os 14,9 milh\u00f5es de euros em d\u00edvida ao Novo Banco e ficaria com 22,1 milh\u00f5es l\u00edquidos, dos quais 10,1 milh\u00f5es entrariam de imediato e 12 milh\u00f5es seriam pagos num prazo de at\u00e9 dois anos. A transac\u00e7\u00e3o permitiria \u00e0 Impresa repetir, em menos de tr\u00eas anos, uma opera\u00e7\u00e3o de valoriza\u00e7\u00e3o rel\u00e2mpago: comprar por 19,6 milh\u00f5es e revender por 37 milh\u00f5es, gerando um ganho de 17,4 milh\u00f5es de euros. Somando aos cerca de cinco milh\u00f5es obtidos com a primeira venda ao Novo Banco, o neg\u00f3cio do edif\u00edcio-sede j\u00e1 teria rendido ao grupo Balsem\u00e3o 22 milh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>Em contrapartida, a Impresa tornar-se-ia arrendat\u00e1ria de um im\u00f3vel que j\u00e1 foi seu \u2014 e que desenhou para si \u2014 pagando rendas que, para garantir uma rentabilidade entre 3% e 4% ao fundo do BPI, teriam de variar entre 1,11 milh\u00f5es e 1,48 milh\u00f5es de euros anuais. Ou seja, entre 92.500 e 123.300 euros por m\u00eas. Um encargo fixo que, numa estrutura j\u00e1 deficit\u00e1ria, representa um fardo adicional.<\/p>\n<p><img alt=\"\" loading=\"lazy\" width=\"1060\" height=\"448\" decoding=\"async\" data-nimg=\"1\" class=\"rounded-lg my-6\" style=\"color:transparent;height:auto;max-width:100%\"   src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/1753452141_549_image\"\/>Jorge Sousa Teixeira, presidente-executivo da BPI-Gest\u00e3o de Activos. \/ Foto: Captura de ecr\u00e3 de v\u00eddeo do grupo BPI.<\/p>\n<p>A origem desta terceira venda falhada remonta \u00e0s contas de 2024 da Impresa, em que o grupo admitiu recorrer \u00e0 opera\u00e7\u00e3o de \u201cvenda e subsequente arrendamento\u201d como forma de libertar liquidez. Esta antecipa\u00e7\u00e3o parecia confirmar-se no comunicado enviado \u00e0 CMVM a 20 de Junho \u00faltimo. Mas algo correu mal nas semanas seguintes. E, esta quarta-feira, a galinha dos ovos de ouro saiu pela porta dos fundos.<\/p>\n<p>Para os investidores do fundo do BPI, a not\u00edcia pode ser recebida como um al\u00edvio. O im\u00f3vel, embora oferecesse rendas regulares, carregava riscos evidentes de liquidez e adequa\u00e7\u00e3o ao mercado. Para a Impresa, trata-se de uma oportunidade perdida de encaixe imediato e redu\u00e7\u00e3o de d\u00edvida \u2014 mas tamb\u00e9m da manuten\u00e7\u00e3o de um activo simb\u00f3lico. Com um passivo de 250 milh\u00f5es, uma actividade em decl\u00ednio e uma marca cada vez menos relevante, o grupo de Balsem\u00e3o volta ao ponto de partida, que \u00e9 financeiramente desastroso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Parecia que se estava perante uma galinha dos ovos de ouro, mas afinal saiu um garnis\u00e9 depenado. 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