{"id":95049,"date":"2025-10-01T21:47:21","date_gmt":"2025-10-01T21:47:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/95049\/"},"modified":"2025-10-01T21:47:21","modified_gmt":"2025-10-01T21:47:21","slug":"a-natureza-e-os-bichos-me-ensinaram-que-nada-esta-totalmente-conquistado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/95049\/","title":{"rendered":"\u2018A natureza e os bichos me ensinaram que nada est\u00e1 totalmente conquistado\u2019"},"content":{"rendered":"<p>A escritora<strong> Violaine B\u00e9rot<\/strong> vive h\u00e1 mais de 20 anos em uma r\u00fastica cabana nas montanhas dos Pireneus franceses. Durante um tempo, criou um rebanho de cabras \u201calegres e resistentes\u201d que podiam se tornar \u201ccaprichosas e infernais\u201d. Agora, dedica-se integralmente \u00e0 outra cria\u00e7\u00e3o: a liter\u00e1ria.\u00a0<\/p>\n<p>Pois o cen\u00e1rio em que se passa seu primeiro <strong>livro<\/strong> publicado no Brasil, <a href=\"https:\/\/editoramundareu.com.br\/product\/feito-bestas\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Feito Bestas<\/a>, editado pela <strong>Mundar\u00e9u<\/strong> com a tradu\u00e7\u00e3o de Let\u00edcia Mei, parece estar situado nas redondezas do seu austero lar, um lugar aparentemente ermo e tranquilo. Mas n\u00e3o se engane: onde o ser humano pisa e enfrenta a (sua) natureza, tens\u00f5es e conflitos surgir\u00e3o.<\/p>\n<p>    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"feito-bestas-livro\" class=\"aligncenter size-large wp-image-5919770\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mundareu_feitobestas.jpg\" border=\"0\" title=\"mundareu_feitobestas\" width=\"650\" height=\"975\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Capa: Mundar\u00e9u\" data-image-caption=\"\" data-image-title=\"\" data-image-source=\"Reprodu\u00e7\u00e3o\"\/><br \/>\n     \u2013 (Capa: Mundar\u00e9u\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>\u00c9 em clima de suspense que come\u00e7a o romance. Cidad\u00e3os de um vilarejo s\u00e3o convocados a prestar depoimento \u00e0 pol\u00edcia porque algo de muito estranho aconteceu. Uma crian\u00e7a foi encontrada em uma gruta nas vizinhan\u00e7as.<\/p>\n<p>Logo se planta (e se debate) a ideia de que ela est\u00e1 vivendo sob os cuidados do Urso, um rapaz peculiar no f\u00edsico e na alma. \u00c9 forte como o bicho que lhe empresta o nome, tem o dom de curar animais e se mostra avesso ao contato humano \u2013 \u201cdiferente\u201d, \u201cautista\u201d, \u201cneurodivergente\u201d, a depender do r\u00f3tulo que desejarmos dar.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>Como \u00e9 que uma menina fr\u00e1gil pode ser criada assim, pelas m\u00e3os de um bruto escondido em um buraco distante da civiliza\u00e7\u00e3o? \u00c9 a partir dessa pergunta que os personagens das cercanias desfilar\u00e3o suas mem\u00f3rias, impress\u00f5es, preconceitos e simpatias, em um ritmo e estilo que nos fazem devorar as p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>A cada depoimento prestado intercala-se uma interven\u00e7\u00e3o das fadas. Sim, fadas\u2026 Pois a autora nos coloca em contato com os instintos e tamb\u00e9m com as cren\u00e7as que a nossa esp\u00e9cie herdou \u2013 tanto aqueles que nos fazem ferir uns aos outros como os que nos protegem da nossa natureza selvagem.<\/p>\n<p>Com a palavra, Violaine B\u00e9rot.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"violaine-berot\" class=\"aligncenter size-large wp-image-5919750\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/25.07.vio_.berot_.03-2c-Stephane-Lessieux.jpg\" border=\"0\" title=\"25.07.vio.b\u00e9rot.03-2(c) St\u00e9phane Lessieux\" width=\"650\" height=\"487\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Foto: Stephane Lessieux\" data-image-caption=\"\" data-image-title=\"\" data-image-source=\"Reprodu\u00e7\u00e3o\"\/><br \/>\n     \u2013 (Foto: Stephane Lessieux\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p><strong>O que voc\u00ea aprendeu convivendo com a natureza e os animais que os seres humanos jamais poderiam lhe ensinar?<\/strong><br \/>A natureza e os animais me trouxeram de volta \u00e0 realidade! Eu achava que estava muito acima deles como ser humano. Mas, quando voc\u00ea vive por mais de 20 anos em condi\u00e7\u00f5es extremas nas montanhas e com o m\u00ednimo de conforto, voc\u00ea entende que \u00e9 muito pequeno diante da natureza, que n\u00e3o controla nada, que cabe ao nosso corpo e \u00e0 nossa mente se adaptarem a ela.<\/p>\n<p>A natureza \u00e9 dura (o clima, as encostas etc.) e oferece tanto presentes inesperados quanto truques sujos. O mesmo acontece com os animais. Eu tinha um rebanho de cabras, uma ra\u00e7a antiga e muito r\u00fastica. Eram verdadeiras guerreiras, e eu as adorava: eram valentes, alegres, resilientes, resistentes, magn\u00edficas. Mas, em quest\u00e3o de segundos, podiam se tornar caprichosas, infernais, teimosas\u2026 A natureza e os bichos me ensinaram que nada est\u00e1 totalmente conquistado.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p><strong>Em que medida essa imers\u00e3o na natureza influencia sua escrita?<\/strong><br \/>N\u00e3o creio que essa imers\u00e3o na natureza tenha influenciado minha escrita. Eu j\u00e1 escrevia antes de escolher esse estilo de vida e n\u00e3o acredito que ele tenha mudado minha rela\u00e7\u00e3o com o texto. A natureza e a minha experi\u00eancia com os animais s\u00f3 trouxeram novos temas para meus livros, pois cada experi\u00eancia que tenho pode um dia servir de base para um romance.<\/p>\n<p><strong>Feito Bestas tamb\u00e9m aborda a vis\u00e3o da sociedade sobre pessoas \u201cdiferentes\u201d e aquelas comumente chamadas de \u201cdeficientes\u201d. Ainda somos incapazes de reconhecer e respeitar as diferen\u00e7as humanas?<\/strong><br \/>Tendemos a esconder e a tornar invis\u00edveis todos aqueles que se desviam da norma. Presumimos que aqueles que s\u00e3o diferentes n\u00e3o podem contribuir em nada para a sociedade, que n\u00e3o passam de um fardo. N\u00e3o lhes deixamos espa\u00e7o social. Isso vale para aqueles com problemas de sa\u00fade mental, para os idosos, para os presos\u2026<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, dar a eles um lugar na sociedade n\u00e3o apenas aumentaria seu pr\u00f3prio valor, mas tamb\u00e9m seria ben\u00e9fico para a pr\u00f3pria comunidade. No livro, o personagem principal tem o dom de cuidar de animais. Por que n\u00e3o reconhecer essa capacidade que outros humanos n\u00e3o t\u00eam?<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p><strong>Pensando nas suas fadas\u2026 A imagina\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 um escudo ou um rem\u00e9dio contra todas as formas de abuso e viol\u00eancia?<\/strong><br \/>Eu n\u00e3o falaria de imagina\u00e7\u00e3o, mas sim de cren\u00e7a. Acho que precisamos acreditar em algo para suportar o insuport\u00e1vel. A cren\u00e7a pode assumir v\u00e1rias formas: religiosa, espiritual, pessoal. Em Feito Bestas, a cren\u00e7a assume a forma de fadas cuidando de certos seres humanos. Quando a nossa vida real se torna muito brutal, o irreal pode ajudar a nos manter em p\u00e9.<\/p>\n<p>Compartilhe essa mat\u00e9ria via:<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A escritora Violaine B\u00e9rot vive h\u00e1 mais de 20 anos em uma r\u00fastica cabana nas montanhas dos Pireneus&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":95050,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,170,32,33],"class_list":{"0":"post-95049","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-livros","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95049","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95049"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95049\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95050"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95049"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95049"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95049"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}