{"id":95752,"date":"2025-10-02T13:15:26","date_gmt":"2025-10-02T13:15:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/95752\/"},"modified":"2025-10-02T13:15:26","modified_gmt":"2025-10-02T13:15:26","slug":"professor-da-feclesc-e-semifinalista-do-premio-jabuti-com-obra-sobre-a-rampa-do-jangurussu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/95752\/","title":{"rendered":"Professor da Feclesc \u00e9 semifinalista do Pr\u00eamio Jabuti com obra sobre a rampa do Jangurussu"},"content":{"rendered":"<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<br \/>\n                <a href=\"\">30 de setembro de 2025 &#8211; 14:32<\/a>&#13;<br \/>\n                            &#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-76500 alignleft\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Captura-de-tela-2025-09-30-142719-600x603.png\" alt=\"\" width=\"310\" height=\"311\"  \/>Com a obra \u201cP\u00f4r do Sol, Jangurussu\u201d, o professor do curso de Letras da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o Ci\u00eancias e Letras do Sert\u00e3o Central (Feclesc\/Uece), Rodrigo de Albuquerque Marques, \u00e9 um dos semifinalistas da 67\u00aa edi\u00e7\u00e3o do maior pr\u00eamio da literatura nacional, o Jabuti.<\/p>\n<p>Professor Rodrigo \u00e9 um dos 10 concorrentes na categoria Juvenil, com o livro que traz uma narrativa escrita sobre as figuras humanas que aparecem na exposi\u00e7\u00e3o \u201cCatadores do Jangurussu\u201d, de Descartes Gadelha, exposta pela primeira vez no MAUC em 1989. Narrado em primeira pessoa por um menino surdo que cata as palavras no interior de uma mem\u00f3ria confusa e em demoli\u00e7\u00e3o, o livro d\u00e1 voz a outras crian\u00e7as, velhos, mulheres e homens que um dia trabalharam na rampa de lixo do Jangurussu, o aterro sanit\u00e1rio da cidade de Fortaleza, desativado em 1998. O Menino do Buraco conta como guiou um pintor pela desolada paisagem do lix\u00e3o, um pintor que pretendia pintar o p\u00f4r do sol, mas que acabou sucumbindo \u00e0quele espet\u00e1culo de guerra, e que fez dele mais um catador, ajudando as fam\u00edlias e participando da trag\u00e9dia humana e ambiental. Uma narrativa desconfort\u00e1vel, que nos coloca diante da condi\u00e7\u00e3o humana, do que ela tem de mais do\u00edda e de mais solid\u00e1ria.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-76499 alignright\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/jangurussu-uece-1-600x713.png\" alt=\"\" width=\"301\" height=\"357\"  \/><\/p>\n<p>O docente fala sobre sua alegria em ter sua obra entre as melhores. \u201cFiquei muito feliz ao ver o P\u00f4r do Sol, Jangurussu na lista dos semifinalistas do Pr\u00eamio Jabuti. Acredito que a for\u00e7a do texto e das imagens de Descartes Gadelha foram decisivas para estar entre os dez melhores na categoria Literatura Juvenil. O tema do lixo e o horror que o consumo capitalista provoca no planeta \u00e9 um tema atual\u00edssimo e fico feliz de contribuir, em forma de arte e den\u00fancia, de forma cr\u00edtica para o debate. Resta agora torcer para que o livro v\u00e1 para a final. A torcida est\u00e1 grande!\u201d, ressalta Rodrigo Marques.<\/p>\n<p>A lista dos semifinalistas, composta por 10 em cada uma das 23 categorias, seguir\u00e1 para nova fase eliminat\u00f3ria, e no dia 7 de outubro ser\u00e3o anunciados os cinco finalistas que concorrem ao pr\u00eamio de R$ 5 mil. Neste ano, 4.350 obras publicadas em 2024 disputam tamb\u00e9m a categoria especial Livro do Ano, que concede R$ 70 mil ao vencedor e a chance de representar o Brasil na Feira do Livro de Londres, em meio \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es do Ano da Cultura Brasil-Reino Unido.<\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o homenageia a escritora Ana Maria Machado, refer\u00eancia na literatura nacional, vencedora de tr\u00eas Jabutis, integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL) e premiada com o Hans Christian Andersen, o mais importante reconhecimento internacional da literatura infantil. A autora \u00e9 carioca e tem 83 anos.<\/p>\n<p><strong>Sobre o autor<\/strong><\/p>\n<p>Rodrigo Marques \u00e9 professor da Universidade Estadual do Cear\u00e1 (Uece), atua no curso de Letras do campus de Quixad\u00e1 (Feclesc). \u00c9 doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Cear\u00e1 (2015) e p\u00f3s doutor em Literatura Comparada pela USP. Possui nove livros publicados: Fazendinha (2005), O Livro de Marta (bilhetes de amor quebrado) (2011), ambos premiados pela Secretaria de Cultura do Estado do Cear\u00e1, Ant\u00f4nio Sales (biografia) (2016), Literatura Cearense: outra hist\u00f3ria (2018), pelas Edi\u00e7\u00f5es Dummar; A Na\u00e7\u00e3o vai \u00e0 Prov\u00edncia: do Romantismo ao Modernismo no Cear\u00e1 (2018\/ UFC), O Drag\u00e3o e os p\u00e1ssaros enfurnados (2021), P\u00f4r do Sol, Jangurussu (2024), Gerardo Mello Mour\u00e3o, a Inven\u00e7\u00e3o do Poeta (Dem\u00f3crito Rocha, 2024) e O Cear\u00e1 Amaz\u00f4nico de M\u00e1rio de Andrade (Senac\/ Funda\u00e7\u00e3o Waldemar Alc\u00e2ntara, 2025). Sua tese de doutorado, \u201cA Na\u00e7\u00e3o vai \u00e0 Prov\u00edncia: do romantismo ao Modernismo no Cear\u00e1\u201d, foi premiada como a melhor tese de 2015 na \u00e1rea de Humanas da UFC.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.uece.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/jangurussu-uece-autores.jpg\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-76496 size-large\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/jangurussu-uece-autores-1200x800.jpg\" alt=\"\" width=\"1030\" height=\"687\"  \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Descartes Gadelha e Rodrigo Marques<\/p>\n<p><strong>Leia abaixo um trecho do livro<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-76498 alignleft\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/jangurussu-uece-2-600x750.jpg\" alt=\"\" width=\"304\" height=\"380\"  \/>\u201cSe eu fosse pintor, n\u00e3o pintaria o p\u00f4r do sol da rampa, que s\u00f3 serve para anoitecer, pintaria o fim do dia da Barra do Cear\u00e1, pintaria o rio e o mar, o verde do mangue, os barquinhos encalhados no cais, o sol se desmanchando devagar a escorrer um suco de laranja de caixinha, um raio de alum\u00ednio na ponta da tarde, com visgo, com luz de lata. O Sol da rampa \u00e9 igualzinho ao olho cego do Seu Chico Cego, os raios, um tubo de pasta de dente ao contr\u00e1rio, se eu fosse pintar, pintaria uma casinha branca e um cavalo. O pintor estava com uma x\u00edcara de caf\u00e9 na m\u00e3o, a luz da lamparina me disse que os cabelos dele n\u00e3o eram azuis, eram cinzas, seus olhos moviam-se r\u00e1pidos como duas baratas, suas unhas, um encardido de tintas e ranhuras; gostava muito mais do cheiro do caf\u00e9 que o caf\u00e9, os l\u00e1bios grossos ressequidos, a blusa branca, a barba pinicada de pontos. O vizinho sem nome do Seu Valdir Vigia aproximou-se de mim e foi me dizendo um monte de palavras ocas como se eu ouvisse pelos dois lados da cabe\u00e7a. \u00c0s vezes, ignoram a minha surdez-mudez e juram me arremessar palavras feitas, para mim, as palavras n\u00e3o soam, calam, tumbas, umas maiores do que as outras, seixos, britas, um mont\u00e3o de ferro velho numa bacia de pl\u00e1stico, in\u00fateis num canto, eu as vejo nas grotas, nas paredes, nos potes, nos pap\u00e9is, nos canos, em todo canto, s\u00f3 n\u00e3o as ou\u00e7o zunirem. O lixo est\u00e1 carregado de palavras jogadas fora e os desenhos das palavras s\u00e3o as formas mais bonitas que h\u00e1 no mundo. Quantos gestos seriam necess\u00e1rios para trazer uma tinta cor de areia e n\u00e3o outra cor de sangue? O povo do Jangurussu n\u00e3o trabalha, vive \u00e0 toa esperando a \u00faltima derrama, disputando com o p\u00e1ssaro algo para beliscar. Fui apresentado ao pintor do sol pelo vizinho sem nome do Seu Valdir Vigia, o vizinho me anunciou, me enla\u00e7ou pelos ombros, olhava para mim com um jeito de quem confia num alicerce bem feito ou numa coluna recheada de treli\u00e7as. O pintor permanecia sentado na lata de querosene com a lamparina a alumiar as olheiras roxas e o caf\u00e9 no fundo da x\u00edcara. Fui rodado e revirado e todos sorriram para mim quando o vizinho sem nome do Seu Valdir Vigia balan\u00e7ou minha cabe\u00e7a vermelha com os dedos presos no meu cabelo azul encrespado. O pintor mostrou suas m\u00e3os finas para mim e apertou minha m\u00e3o do mesmo jeito que ele espalhava tinta no quadro, o sol do aterro morria de vez, e nunca, nem antes, nem depois, revi uma tarde como aquela\u201d.<\/p>\n<p>O livro pode ser adquirido na livraria Retic\u00eancias e na Subst\u00e2ncia, no Drag\u00e3o\u00a0do\u00a0Mar.<\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#13; &#13; &#13; &#13; &#13; &#13; &#13; 30 de setembro de 2025 &#8211; 14:32&#13; &#13; &#13; &#13; \u00a0&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":95753,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,170,32,33],"class_list":{"0":"post-95752","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-livros","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95752","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95752"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95752\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95753"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95752"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95752"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95752"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}