{"id":96592,"date":"2025-10-03T06:13:08","date_gmt":"2025-10-03T06:13:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/96592\/"},"modified":"2025-10-03T06:13:08","modified_gmt":"2025-10-03T06:13:08","slug":"descoberto-um-planeta-errante-que-cresce-a-um-ritmo-recorde-astronomia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/96592\/","title":{"rendered":"Descoberto um planeta errante que cresce a um ritmo recorde | Astronomia"},"content":{"rendered":"<p>Astr\u00f3nomos identificaram um planeta errante que consome g\u00e1s e poeiras do meio que o rodeia a uma taxa de seis mil milh\u00f5es de toneladas por segundo, divulgou esta quinta-feira o Observat\u00f3rio Europeu do Sul (ESO, na sigla em ingl\u00eas). \u00c9 considerada a taxa de crescimento \u201cmais elevada alguma vez registada\u201d em qualquer planeta.<\/p>\n<p>Publicada esta quinta-feira na revista <a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ae09a8\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">The Astrophysical Journal Letters<\/a>, a descoberta foi levada a cabo com o aux\u00edlio do espectr\u00f3grafo X-shooter montado no Very Large Telescope (VLT), que o ESO tem no deserto chileno do Atacama. Tamb\u00e9m foram utilizados dados do <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/06\/26\/ciencia\/noticia\/telescopio-james-webb-obtem-imagem-directa-planeta-extrassolar-desconhecido-2137845\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">telesc\u00f3pio espacial James Webb<\/a>, operado pelas ag\u00eancias espaciais dos Estados Unidos, da Europa e do Canad\u00e1, assim como dados de arquivo do espectr\u00f3grafo Sinfoni do VLT.<\/p>\n<p>Os planetas errantes, ao contr\u00e1rio dos do nosso sistema solar, n\u00e3o orbitam estrelas, \u201cflutuando livremente por si mesmos\u201d. \u201cTemos tend\u00eancia a pensar nos planetas como mundos tranquilos e est\u00e1veis, mas esta descoberta mostra-nos que objectos de massa planet\u00e1ria que flutuam livremente no espa\u00e7o interestelar podem ser lugares muito entusiasmantes\u201d, referiu o autor principal deste estudo, V\u00edctor Almendros-Abad, que integra uma equipa de astr\u00f3nomos constitu\u00edda por dez cientistas, incluindo Koraljka Muzic, do Instituto de Astrof\u00edsica e Ci\u00eancias do Espa\u00e7o da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa.<\/p>\n<p>V\u00edctor Almendros-Abad, do Observat\u00f3rio Astron\u00f3mico de Palermo, do Instituto Nacional de Astrof\u00edsica (em It\u00e1lia), real\u00e7ou que o processo de atrac\u00e7\u00e3o de material (acre\u00e7\u00e3o) \u00e9 o \u201cmais intenso alguma vez registado para um objecto de massa planet\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>Em Agosto, o planeta estava a acumular massa cerca de oito vezes mais depressa do que apenas alguns meses antes. No entanto, a equipa de V\u00edctor \u200bAlmendros-Abad descobriu que a taxa de acre\u00e7\u00e3o deste jovem planeta n\u00e3o \u00e9 constante. Tendo uma massa cinco a dez vezes superior \u00e0 de J\u00fapiter, o planeta situa-se a cerca de 620 anos-luz de dist\u00e2ncia da Terra, na constela\u00e7\u00e3o do Camale\u00e3o. Ainda se encontra em forma\u00e7\u00e3o, estando a ser alimentado por um disco de gases e poeiras que o circunda. O seu nome oficial \u00e9 Cha 1107-7626.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>Linha esbatida entre estrelas e planetas<\/p>\n<p>O astr\u00f3nomo Aleks Scholz, co-autor do estudo da Universidade de St. Andrews (Reino Unido), questionou-se se os planetas errantes \u201cter\u00e3o uma forma\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 das estrelas, mas com massas muito pequenas, ou se ser\u00e3o planetas gigantes ejectados dos seus sistemas de origem\u201d. Os resultados indicam que alguns planetas errantes parecem partilhar um processo de forma\u00e7\u00e3o semelhante ao das <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/07\/02\/ciencia\/noticia\/imagem-mostra-restos-estrela-destruida-par-explosoes-2138625\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">estrelas<\/a>, uma vez que enormes taxas de acre\u00e7\u00e3o repentinas semelhantes a esta foram j\u00e1 observadas em estrelas jovens.<\/p>\n<p>\u201cEsta descoberta esbate a linha entre estrelas e planetas e aproxima-nos mais das primeiras fases de forma\u00e7\u00e3o dos planetas errantes\u201d, acrescentou a co-autora do estudo Belinda Damian, tamb\u00e9m astr\u00f3noma da Universidade de St. Andrews.<\/p>\n<p>Ao comparar a luz emitida antes e durante o aumento enorme da taxa de acre\u00e7\u00e3o, os astr\u00f3nomos reuniram pistas sobre a natureza do processo. A actividade magn\u00e9tica ter\u00e1 desempenhado \u201cum papel importante na taxa enorme de acre\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, algo que s\u00f3 havia sido anteriormente observado em estrelas, sugerindo que mesmo objectos de pequena massa podem ter campos magn\u00e9ticos fortes, capazes de alimentar tais eventos de acre\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A equipa de cientistas descobriu ainda que a qu\u00edmica do disco em torno do planeta mudou durante o fen\u00f3meno de acre\u00e7\u00e3o, com vapor de \u00e1gua a ser detectado durante o evento, mas n\u00e3o antes. Este fen\u00f3meno j\u00e1 tinha sido observado anteriormente em estrelas, mas nunca em nenhum tipo de planeta. \u201cA ideia de que um objecto planet\u00e1rio se pode comportar como uma estrela \u00e9 muito interessante e leva-nos a imaginar como \u00e9 que mundos diferentes do nosso seriam durante os seus est\u00e1gios iniciais\u201d, acrescentou Amelia Baio, tamb\u00e9m co-autora do estudo e astr\u00f3noma do ESO.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Astr\u00f3nomos identificaram um planeta errante que consome g\u00e1s e poeiras do meio que o rodeia a uma taxa&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":96593,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[443,109,107,108,1008,4015,3190,32,33,105,103,104,2560,106,110,2077],"class_list":{"0":"post-96592","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-astronomia","9":"tag-ciencia","10":"tag-ciencia-e-tecnologia","11":"tag-cienciaetecnologia","12":"tag-espaco","13":"tag-exoplanetas","14":"tag-exploracao-espacial","15":"tag-portugal","16":"tag-pt","17":"tag-science","18":"tag-science-and-technology","19":"tag-scienceandtechnology","20":"tag-sistema-solar","21":"tag-technology","22":"tag-tecnologia","23":"tag-universo"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96592","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96592"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96592\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96593"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96592"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96592"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96592"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}