{"id":97595,"date":"2025-10-04T01:53:07","date_gmt":"2025-10-04T01:53:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/97595\/"},"modified":"2025-10-04T01:53:07","modified_gmt":"2025-10-04T01:53:07","slug":"cientistas-convertem-tipo-sanguineo-de-rim-e-fazem-transplante-pela-1a-vez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/97595\/","title":{"rendered":"Cientistas convertem tipo sangu\u00edneo de rim e fazem transplante pela 1\u00aa vez"},"content":{"rendered":"\n<p>Em um importante passo para diminuir a fila do\u00a0transplante de \u00f3rg\u00e3os, uma equipe internacional de cientistas obteve sucesso ao converter um rim do\u00a0tipo sangu\u00edneo\u00a0A para o tipo sangu\u00edneo O. Transformado em um \u00f3rg\u00e3o \u201cuniversal\u201d, o rim foi transplantando em uma pessoa com morte cerebral e funcionou bem durante dois dias antes de apresentar sinais de\u00a0rejei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo os respons\u00e1veis, a t\u00e9cnica emprega enzimas capazes de iniciar certas rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas no corpo e o seu aprimoramento pode abrir caminho para tempos mais curtos nas listas de espera por doadores de \u00f3rg\u00e3os. Os resultados obtidos por eles foram descritos em detalhes em um artigo publicado nesta sexta-feira (3) dentro da\u00a0revista\u00a0Nature Biomedical Engineering.<\/p>\n<p><strong>Cuidados nos transplantes de \u00f3rg\u00e3os<\/strong><\/p>\n<p>O transplante renal \u00e9 um tratamento para pacientes com doen\u00e7as nos\u00a0rins\u00a0desde a d\u00e9cada de 1950. No entanto, como todo procedimento desse tipo, ele \u00e9 um tanto limitado pela necessidade de combinar o tipo sangu\u00edneo do doador com o do receptor, al\u00e9m da obrigatoriedade de encontrar um \u00f3rg\u00e3o de tamanho apropriado e geograficamente pr\u00f3ximo o suficiente para realizar o transplante a tempo.<\/p>\n<p>Humanos t\u00eam quatro grupos sangu\u00edneos principais \u2014 A, B, AB e O \u2014 e o sistema imunol\u00f3gico de uma pessoa com um tipo sangu\u00edneo pode reagir contra outro tipo. Por exemplo, um candidato a transplante com sangue tipo O s\u00f3 pode receber um rim de um doador tipo O, mas algu\u00e9m com sangue tipo A, B ou AB tamb\u00e9m pode receber um rim tipo O.<\/p>\n<p>Isso ocorre porque cada tipo sangu\u00edneo \u00e9 definido por subst\u00e2ncias imunoativas, as quais s\u00e3o chamadas de ant\u00edgenos. O sangue O n\u00e3o possui esses\u00a0ant\u00edgenos, portanto, pode ser doado universalmente, enquanto outros tipos sangu\u00edneos ativariam o sistema imunol\u00f3gico de uma pessoa tipo O.<\/p>\n<p>No entanto, no final da d\u00e9cada de 1980, cientistas desenvolveram uma maneira de transplantar \u00f3rg\u00e3os ABO-incompat\u00edveis (ABOi), isso \u00e9, um \u00f3rg\u00e3o de um doador com um tipo sangu\u00edneo para um doador com um tipo sangu\u00edneo incompat\u00edvel, em receptores que precisavam deles. Mas o processo \u00e9 complexo e leva v\u00e1rios dias.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, em 2022, pesquisadores desenvolveram um protocolo de tratamento baseado em\u00a0enzimas\u00a0que pode converter um \u00f3rg\u00e3o em um transplante &#8220;universal&#8221;. Ele ficou conhecido como \u201cO2 convertido por enzima\u201d, ou simplesmente \u201cECO\u201d.<\/p>\n<p><strong>Convers\u00e3o para um \u00f3rg\u00e3o universal<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO processo ECO j\u00e1 foi demonstrado para pulm\u00f5es\u201d, explica Stephen Withers, professor da Universidade da Col\u00fambia Brit\u00e2nica e coautor do estudo, ao\u00a0portal\u00a0Live Science. \u201cEsperamos que funcione para todos os outros \u00f3rg\u00e3os \u2014 e deve funcionar.\u201d<\/p>\n<p>Withers fez parte da equipe de 2022 que converteu pulm\u00f5es do tipo A para o tipo O. Mas essa equipe n\u00e3o transplantou os pulm\u00f5es ECO em uma pessoa naquele experimento de prova de conceito, como ocorreu neste novo esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>No processo de converter o rim, os pesquisadores adicionaram enzimas espec\u00edficas ao fluido de perfus\u00e3o que removeram os ant\u00edgenos do grupo sangu\u00edneo que poderiam causar rejei\u00e7\u00e3o. Dessa forma, esperava-se que o \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o fosse reconhecido como um\u00a0agente estranho\u00a0e atacados pelos anticorpos anti-A presentes na corrente sangu\u00ednea do receptor.<\/p>\n<p>Para verificar se o rim escaparia da rejei\u00e7\u00e3o imediata em um ser humano, a equipe recorreu a um receptor com morte cerebral, cuja fam\u00edlia consentiu com o estudo. Os especialistas, ent\u00e3o, transplantaram o rim ECO no receptor, que possu\u00eda uma alta quantidade de anticorpos anti-A. Ao todo, o procedimento levou cerca de duas horas.<\/p>\n<p>Em um transplante t\u00edpico, a terapia com\u00a0anticorpos\u00a0\u00e9 administrada ao receptor antes e depois do transplante para prevenir a rejei\u00e7\u00e3o &#8220;hiperaguda&#8221;, que ocorre rapidamente. Mas, neste caso, o objetivo era justamente testar se a cria\u00e7\u00e3o de um rim ECO evitaria a rejei\u00e7\u00e3o precoce, por isso n\u00e3o se aplicou essa terapia.<\/p>\n<p><strong>Potencial do procedimento<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a descri\u00e7\u00e3o dos pesquisadores, o rim ECO funcionou bem por dois dias ap\u00f3s o transplante, sem sinais de rejei\u00e7\u00e3o. As\u00a0respostas imunol\u00f3gicas\u00a0ao novo rim surgiram no terceiro dia, quando o rim ECO come\u00e7ou a produzir novos ant\u00edgenos A.<\/p>\n<p>&#8220;Em um transplante cl\u00ednico real, h\u00e1 uma s\u00e9rie de procedimentos que podem ser aplicados para minimizar a rejei\u00e7\u00e3o inicial mediada por anticorpos, incluindo a imunossupress\u00e3o otimizada&#8221;, pontia Withers. Se esses m\u00e9todos, que s\u00e3o o tratamento padr\u00e3o em qualquer transplante de \u00f3rg\u00e3o, tamb\u00e9m forem usados para rins ECO, isso poder\u00e1 permitir uma toler\u00e2ncia ao transplante a longo prazo.<\/p>\n<p>A convers\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os de um tipo sangu\u00edneo para outro \u00e9 importante para aumentar o acesso dos pacientes a \u00f3rg\u00e3os de doadores, escreveram os pesquisadores no estudo. Isso \u00e9 particularmente importante para candidatos a transplante do tipo O, que constituem mais de 50% da\u00a0lista de espera\u00a0e normalmente esperam de 2 a 4 anos a mais do que outros tipos sangu\u00edneos.<\/p>\n<p>Por mais que o rim ECO tenha sido transplantado com sucesso, o desenvolvimento desse processo de transplante ainda est\u00e1 em est\u00e1gios iniciais. \u201cN\u00e3o sei se isso ser\u00e1 aplicado universalmente. No entanto, \u00e9 certamente uma possibilidade\u201d, avalia Withers.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em um importante passo para diminuir a fila do\u00a0transplante de \u00f3rg\u00e3os, uma equipe internacional de cientistas obteve sucesso&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":97596,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[24019,24016,3166,24017,116,24015,24009,24018,24013,11229,32,33,24011,24012,117,24020,24010,24014,5721,16381],"class_list":{"0":"post-97595","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-antigenos","9":"tag-columbia-britanica","10":"tag-cuidados","11":"tag-eco","12":"tag-health","13":"tag-imunossupressao","14":"tag-lista-de-espera","15":"tag-nature-biomedical-engineering","16":"tag-orgaos","17":"tag-pacientes","18":"tag-portugal","19":"tag-pt","20":"tag-rejeicao","21":"tag-rim","22":"tag-saude","23":"tag-stephen-withers","24":"tag-tecnica","25":"tag-tipo-sanguineo","26":"tag-transplante","27":"tag-universal"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97595","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=97595"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97595\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/97596"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=97595"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=97595"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=97595"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}