{"id":97674,"date":"2025-10-04T04:06:10","date_gmt":"2025-10-04T04:06:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/97674\/"},"modified":"2025-10-04T04:06:10","modified_gmt":"2025-10-04T04:06:10","slug":"para-que-taylor-swift-the-life-of-a-showgirl-e-um-encolher-de-ombros-um-tedio-critica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/97674\/","title":{"rendered":"Para qu\u00ea, Taylor Swift? The Life of a Showgirl \u00e9 um encolher de ombros, um t\u00e9dio | Cr\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p>Pirilampos num frasco: os melhores momentos de Taylor Swift vivem nessa dimens\u00e3o. Tendem para a revela\u00e7\u00e3o, para a luz de um infinito insustent\u00e1vel; anima-os uma for\u00e7a h\u00edbrida, n\u00e3o s\u00f3 diar\u00edstica nem apenas mel\u00f3dica. Apesar do interesse art\u00edstico decrescente com o passar dos anos, sempre houve no seu mister um resqu\u00edcio de magia, at\u00e9 hoje. Agora, a poeta da caneta de gel escreve sobre a \u201cvarinha m\u00e1gica\u201d do noivo.<\/p>\n<p>O falicismo n\u00e3o constitui motivo para julgamento sum\u00e1rio, sobretudo numa hist\u00f3ria da pop em que as Doce exaltaram os efeitos de uma serpente enfeiti\u00e7ada e Peter Gabriel gabou a sua pr\u00f3pria marreta. O problema \u00e9 o enfado de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/05\/23\/culturaipsilon\/noticia\/bolha-taylor-swift-ocupa-mundo-2091088\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Taylor Swift<\/a> ao desenrolar esse pergaminho de met\u00e1foras genitais; ali\u00e1s, ao narrar qualquer dos eventos abordados em The Life of a Showgirl.<\/p>\n<p>Mais entretenimento se consegue a imaginar \u2014 em vez de ouvir \u2014 o disco prometido, situado entre os extremos emocionais da norte-americana durante a digress\u00e3o com maior encaixe de bilheteira de sempre (e que acabou em Dezembro de 2024; em menos de um ano, um novo \u00e1lbum sa\u00eddo da prensa). A solid\u00e3o e as rixas da maior vedeta mundial, a efemeridade da fama e os paliativos de cinco estrelas, o amor dom\u00e9stico e salv\u00edfico: quase nada se mostra sen\u00e3o prosaico e ass\u00e9ptico. Havendo c\u00f3digo penal da pop, o aborrecimento mereceria puni\u00e7\u00e3o capital \u2014 e esta j\u00e1 \u00e9 a segunda infrac\u00e7\u00e3o consecutiva da pretensa showgirl.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>Se o anterior <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/04\/19\/culturaipsilon\/critica\/the-tortured-poets-department-taylor-swift-tortura-som-2087674\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">The Tortured Poets Department <\/a>era interminavelmente cinzento, o novo \u00e1lbum \u00e9 bege, p\u00e1lido de anemia. (Fica desemparelhada, pois, a imag\u00e9tica espampanante de Showgirl: Swift como bailarina de Las Vegas, com cara de poucos amigos.) \u00c9 coisa para abalar as cren\u00e7as do poptimismo: a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 do monumental Max Martin, em dupla com o prestigiado Shellback (um dos respons\u00e1veis por Run away with me, de Carly Rae Jepsen, pin\u00e1culo da pop deste s\u00e9culo). Significa isso que Jack Antonoff e Aaron Dessner (dos National), bra\u00e7os-direitos de Swift nos \u00faltimos discos, j\u00e1 n\u00e3o podem servir de bodes expiat\u00f3rios para a frustra\u00e7\u00e3o. E serve para refor\u00e7ar que Martin \u00e9 um padr\u00e3o-ouro vol\u00e1til: em 2024, tanto esteve envolvido em <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/03\/11\/culturaipsilon\/critica\/eternal-sunshine-ariana-ponto-caramelo-2083277\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Eternal Sunshine<\/a><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/03\/11\/culturaipsilon\/critica\/eternal-sunshine-ariana-ponto-caramelo-2083277\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">, possivelmente o melhor \u00e1lbum de Ariana Grande<\/a>, como na mediocridade de Moon Music dos Coldplay.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>A pop sint\u00e9tica de Tortured Poets n\u00e3o volta para a desforra: sobrevive apenas a sugest\u00e3o de uma das faixas da edi\u00e7\u00e3o alargada, So high school. Assim se explica o punhado de can\u00e7\u00f5es atiradas como dardos a um quadro de pop-rock sedoso, vago, com ascendentes incertos. Tudo bem com The fate of Ophelia, bafejada pelo esp\u00edrito dos Corrs: com envergadura para encher um est\u00e1dio, deixa-se trilhar por um synth bass barrigudo, umas palmas saud\u00e1veis, um p\u00f3s-refr\u00e3o de ouro, e a espertina vocal que faltar\u00e1 ao resto do disco. Como toda a boa ac\u00e7\u00e3o n\u00e3o passa sem castigo, logo depois vem Opalite, entrada directa para o top do Canal Panda: <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/04\/18\/culturaipsilon\/noticia\/abba-derramam-musica-2128813\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ABBA<\/a> via <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/08\/29\/culturaipsilon\/critica\/sabrina-carpenter-pop-abaixo-cao-2145395\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Sabrina Carpenter<\/a> atrav\u00e9s de uma banda de tributo aos Fleetwood Mac. Uma Clairo (ainda) mais dorminhoca assombra Father figure, fraca desculpa para citar George Michael.<\/p>\n<p>Mesmo reunido o trio Swift-Martin-Shellback, a alquimia pop de 1989 (2014) seria dif\u00edcil de refazer. Quanto menos se evocar a petul\u00e2ncia trap de Reputation (2017, largamente da mesma equipa), melhor, mas \u00e9 esta energia percussiva que d\u00e1 vida a Elizabeth Taylor e Honey. De resto, n\u00e3o h\u00e1 um pingo de sangue na guelra. Cancelled! \u00e9 um disparate pegado, uma provoca\u00e7\u00e3o vazia que segue o mote da telenovela Los ricos tambi\u00e9n lloran \u2014 mas n\u00e3o nos d\u00e3o pena. Actually romantic, o alegado galhardete para <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/06\/07\/culturaipsilon\/critica\/brat-charli-xcx-defesa-pirralhas-2093192\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Charli XCX<\/a>, n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 um suced\u00e2neo de Where is my mind? dos Pixies como parece uma ladainha de recreio com uma rebelde men\u00e7\u00e3o a coca\u00edna (s\u00f3 faz pensar na devasta\u00e7\u00e3o e na chantagem reais que <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/07\/11\/culturaipsilon\/noticia\/purple-rain-olivia-rodrigo-torrencial-dia-alive-2139872\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Olivia Rodrigo<\/a> injectaria na sua vers\u00e3o).<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>                        &#13;<br \/>\n                            &#13;<\/p>\n<p><strong>Taylor Swift<\/strong><br \/>&#13;<br \/>\nRepublic\/Universal<\/p>\n<p>            &#13;<\/p>\n<p>2020 ser\u00e1 sempre a bitola \u2014 injustamente, mas por uma raz\u00e3o. \u00c9 que os pacatos mas potentes Folklore e Evermore, as obras de Taylor Swift para quem n\u00e3o gosta de Taylor Swift, revelaram-na mais do que destra em estudos de personagem. Midnights e Tortured Poets viraram o jogo: recentraram Swift como personagem ela pr\u00f3pria, bizarra, incoerente, pouco fi\u00e1vel \u2014 e, portanto, fascinante. The Life of a Showgirl esgota o plafond. Se cheira a \u00e1guas paradas, talvez haja uma raz\u00e3o ou duas.<\/p>\n<p>Numa discografia cuja for\u00e7a sempre foi diar\u00edstica e mel\u00f3dica em simult\u00e2neo (l\u00e1 est\u00e1), \u00e9 inconceb\u00edvel continuar agarrada \u00e0 mesma caneta de gel, ressequida. Venham novos enredos, nova tinta, nova f\u00faria de compor: nada que uma longa sesta de inverno n\u00e3o consiga curar.<\/p>\n<p>        &#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pirilampos num frasco: os melhores momentos de Taylor Swift vivem nessa dimens\u00e3o. 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