{"id":98005,"date":"2025-10-04T13:40:13","date_gmt":"2025-10-04T13:40:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/98005\/"},"modified":"2025-10-04T13:40:13","modified_gmt":"2025-10-04T13:40:13","slug":"maggie-ofarrell-e-o-estranho-desaparecimento-de-esme-lennox-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/98005\/","title":{"rendered":"Maggie O\u2019Farrell e o estranho desaparecimento de Esme Lennox \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Maggie O\u2019Farrell ficou conhecida internacionalmente com a publica\u00e7\u00e3o de Hamnet (2020), o romance inspirado na cria\u00e7\u00e3o de Hamlet que explora a perda e o amor de uma m\u00e3e por um filho. O livro, publicado em Portugal em 2021 pela Rel\u00f3gio d\u2019\u00c1gua, venceu, em 2020, o Women\u2019s Prize for Fiction e o National Book Critics Circle Award for Fiction. Mas quando O\u2019Farrell lan\u00e7ou Hamnet, que em breve chegar\u00e1 aos cinemas numa adapta\u00e7\u00e3o da realizadora Chlo\u00e9 Zhao, a autora contava j\u00e1 com uma longa bibliografia, iniciada no in\u00edcio dos anos 2000 com After You\u2019d Gone (ainda sem publica\u00e7\u00e3o em Portugal). Entre os seus romances mais bem recebidos contava-se O Estranho Desaparecimento de Esme Lennox (2006), (re)publicado em Portugal em setembro, tamb\u00e9m pela Rel\u00f3gio d\u2019\u00c1gua (depois de uma primeira edi\u00e7\u00e3o portuguesa, em 2011, pela Presen\u00e7a)<\/p>\n<p>O romance conta a hist\u00f3ria de Euphemia Lennox \u2014 Esme \u2014, uma mulher que, por ser diferente, foi renegada pela fam\u00edlia e encarcerada num asilo psiqui\u00e1trico em Edimburgo, onde passou praticamente toda a sua vida (apesar de n\u00e3o sofrer de qualquer doen\u00e7a psiqui\u00e1trica). Um tabu entre familiares, o nome de Esme \u00e9 apagado da \u00e1rvore geneal\u00f3gica dos Lennox, at\u00e9 que \u00e9 resgatado por uma sobrinha-neta, Iris Lockhart. Iris, que sempre pensou que a av\u00f3 era filha \u00fanica, descobre a exist\u00eancia silenciosa de Esme quando \u00e9 inesperadamente contactada pelo asilo onde a tia-av\u00f3 est\u00e1 internada h\u00e1 seis d\u00e9cadas. O hospital Cauldstone foi vendido (o terreno onde foi constru\u00eddo, na zona antiga de Edimburgo, vale milh\u00f5es) e est\u00e1 prestes a encerrar e \u00e9 preciso encontrar um novo lar para os doentes. Aqueles que n\u00e3o podem ser recebidos pela fam\u00edlia, ser\u00e3o realojados. Iris \u00e9 a familiar mais pr\u00f3xima de Esme. A sua av\u00f3, Kathleen Lockhart \u2014 Kitty \u2014, nomeou-a respons\u00e1vel pela irm\u00e3 mais nova quando ficou doente com Alzheimer, mas esqueceu-se de informar a neta.<\/p>\n<p>Quando \u00e9 contactada pela unidade especializada em psiquiatria, Iris tem dificuldades em acreditar na exist\u00eancia dessa tia perdida, cujo olhar lhe faz tanto lembrar o pai, que morreu quando era ainda crian\u00e7a. A m\u00e3e, a viver na Austr\u00e1lia, nunca ouviu falar em Esme. E a av\u00f3, ela pr\u00f3pria internada numa unidade de cuidados especializados, est\u00e1 ausente no \u201cpa\u00eds do Alzheimer\u201d. O choque da descoberta leva a jovem mulher a questionar a hist\u00f3ria \u201coficial\u201d da sua fam\u00edlia, a tentar encontrar respostas junto da av\u00f3, que renegou a pr\u00f3pria irm\u00e3, e a fazer sentido da nova realidade.<\/p>\n<p>        <img src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/esme-lennox-maggie-ofarrell.webp.jpeg\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" onload=\"this.parentElement.classList.remove('spinner')\" onerror=\"this.parentElement.classList.remove('spinner')\"\/>    <\/p>\n<p><strong>T\u00edtulo:<\/strong> \u201cO Estranho Desaparecimento de Esme Lennox\u201d<br \/>\n<strong>Autora:<\/strong> Maggie O\u2019Farrell<br \/><strong>Tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Lucinda Santos Silva<br \/>\n<strong>Editora:<\/strong> Rel\u00f3gio D\u2019\u00c1gua<br \/>\n<strong>P\u00e1ginas:<\/strong> 184<\/p>\n<p>Narrado a tr\u00eas vozes \u2014 a de Iris, Esme e Kitty \u2014 e em dois tempos \u2014 o do passado e do futuro\u00a0 \u2014, o livro relata a dram\u00e1tica vida de Esme, desde a sua inf\u00e2ncia na \u00cdndia, onde ela e a irm\u00e3 nasceram, at\u00e9 ao regresso da fam\u00edlia a Edimburgo ap\u00f3s a morte do seu irm\u00e3o beb\u00e9, Hugo, de febre tif\u00f3ide. Nascida numa fam\u00edlia escocesa abastada e conservadora, Esme nunca foi capaz de corresponder \u00e0s expectativas familiares. Estranha, irrequieta e curiosa, preferia passar os seus tempos livres a correr pela propriedade da fam\u00edlia na \u00cdndia do que sentada e bem comportada, como uma boa menina. Uma das suas mem\u00f3rias mais antigas \u00e9 a de uma festa dada pelos pais na sua casa. Os convidados falavam sem parar, mas Esme n\u00e3o conseguia encontrar uma \u00fanica coisa que lhes quisesse dizer. Eram todos t\u00e3o desinteressantes, t\u00e3o diferentes dela. Para fugir \u00e0 realidade, Esme refugiava-se no mundo dos sonhos, onde se perdia durante minutos a fio, para espanto e choque dos que a rodeavam. \u201cO que se passa com ela?\u201d, perguntava o pai. Quando tinha 16 anos, foi internada em Cauldstone e esquecida pela fam\u00edlia. Tinha-se tornado um inc\u00f3modo demasiado dif\u00edcil de suportar.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos, Esme foi diagnosticada com diferentes doen\u00e7as por diferentes especialistas (transtorno de personalidade, bipolaridade\u2026) e tratada com choques el\u00e9tricos, um tratamento habitualmente prescrito para mulheres que, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, tinham ou aparentavam ter alguma doen\u00e7a do foro psiqui\u00e1trico. Aos 76 anos, quando Iris a encontra em Cauldstone, Esme \u00e9 uma mulher idosa e pacificada com a sua situa\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 tamb\u00e9m algu\u00e9m que n\u00e3o foi capaz de ultrapassar o que lhe aconteceu. O encontro inesperado com a sobrinha-neta \u00e9 uma oportunidade para ambas as mulheres sararem as suas feridas e encontrarem o conforto, h\u00e1 muito desejado, numa hist\u00f3ria comum que n\u00e3o sabiam que existia.<\/p>\n<p>O Estranho Desaparecimento de Esme Lennox est\u00e1 longe de ser o melhor romance de O\u2019Farrell. Literariamente, est\u00e1 longe de obras como Hamnet e O Retrato de um Casamento (2023) \u2013 a escrita \u00e9 menos elevada \u2013, mas isso n\u00e3o significa que seja menos impactante ou escrito com menor sensibilidade. Tal como estes dois (mais recentes) romances, O Estranho Desaparecimento olha para o passado para abordar o tema do preconceito contra as mulheres e como estas eram facilmente descartadas pela fam\u00edlia quando n\u00e3o correspondiam aos valores sociais e morais vigentes. Tal como as mulheres \u201cca\u00eddas em desgra\u00e7a\u201d que trabalhavam nas Lavandarias de Madalena, na Irlanda (o tema do conhecido livro de Claire Keegan, Pequenas Coisas Como Estas), Esme foi encerrada num asilo \u201cpara malucos\u201d e esquecida. Ao contr\u00e1rio dos homens, ao qual tudo \u00e9 permitido, a filha mais nova dos Lennox n\u00e3o tem escolha \u2014 a ela, nada lhe \u00e9 permitido, incluindo ser ela pr\u00f3pria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Maggie O\u2019Farrell ficou conhecida internacionalmente com a publica\u00e7\u00e3o de Hamnet (2020), o romance inspirado na cria\u00e7\u00e3o de Hamlet&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":98006,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,10392,315,114,115,864,170,32,33],"class_list":{"0":"post-98005","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-cru00edtica-de-livros","10":"tag-cultura","11":"tag-entertainment","12":"tag-entretenimento","13":"tag-literatura","14":"tag-livros","15":"tag-portugal","16":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98005","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=98005"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98005\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/98006"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=98005"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=98005"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=98005"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}