{"id":98714,"date":"2025-10-05T11:27:08","date_gmt":"2025-10-05T11:27:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/98714\/"},"modified":"2025-10-05T11:27:08","modified_gmt":"2025-10-05T11:27:08","slug":"livro-resgata-historia-da-poeta-que-deu-ao-rio-o-apelido-de-cidade-maravilhosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/98714\/","title":{"rendered":"Livro resgata hist\u00f3ria da poeta que deu ao Rio o apelido de Cidade Maravilhosa"},"content":{"rendered":"<p>Em setembro de 1911, quando a ent\u00e3o capital federal, o Rio de Janeiro, esfor\u00e7ava-se para se consolidar como a \u201cParis dos tr\u00f3picos\u201d, a chegada de Jane Catulle Mend\u00e8s causou espanto. Musa parnasiana e figura c\u00e9lebre da Belle \u00c9poque francesa, Jane desembarcou para proferir palestras, recebida com rapap\u00e9s, mas deixaria um outro presente: o ep\u00edteto que marcaria a metr\u00f3pole para sempre: \u201cCidade Maravilhosa\u201d.<\/p>\n<p>O livro A Poeta da Cidade Maravilhosa (Aut\u00eantica), do jornalista e historiador Rafael Sento S\u00e9, resgata a trajet\u00f3ria da poeta e desvenda os pormenores de uma viagem que se estenderia muito al\u00e9m do planejado, para ent\u00e3o reconfigurar a identidade carioca. O\u00a0Rio de Janeiro, rec\u00e9m-transformado pelas reformas do prefeito Pereira Passos e saneado pelo m\u00e9dico Oswaldo Cruz, acolhia a vi\u00fava do influente escritor Abraham Catulle Mend\u00e8s. O\u00a0obje\u00adti\u00advo da mo\u00e7a, ent\u00e3o com 44 anos: buscar afirma\u00e7\u00e3o e autonomia intelectual longe da sombra do marido.<\/p>\n<p>Jane era descrita nos jornais brasileiros com hip\u00e9rboles que a elevavam ao status de realeza, como uma \u201cdeusa escultural de marm\u00f3rea beleza\u201d. Sua presen\u00e7a, viajando apenas com uma jovem assistente, j\u00e1 era algo incomum para a \u00e9poca. A fa\u00edsca que acendeu o ep\u00edteto ocorreu durante uma escala na Ba\u00eda de Guanabara, a caminho de Buenos Aires. Ela testemunhou um p\u00f4r do sol que a deixou \u201ccompletamente apaixonada\u201d, algo que lhe pareceu \u201cqualquer coisa sonhante\u201d.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/2TDJBMJ_fotoarena.jpg.jpg?quality=70&amp;strip=info\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"VISITA - A musa parnasiana: ela desembarcou pelas bandas de c\u00e1 em 1911, aos 44 anos\" class=\"size-full wp-image-5921647\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/2TDJBMJ_fotoarena.jpg.jpg\" border=\"0\" title=\"2TDJBMJ_fotoarena.jpg\" width=\"1000\" height=\"1500\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"ABC\/Alamy\/Fotoarena\" data-image-caption=\"VISITA - A musa parnasiana: ela desembarcou pelas bandas de c\u00e1 em 1911, aos 44 anos\" data-image-title=\"\" data-image-source=\".\"\/><\/a><br \/>\n     VISITA \u2013 A musa parnasiana: ela desembarcou pelas bandas de c\u00e1 em 1911, aos 44 anos (ABC\/Alamy\/Fotoarena\/.)<\/p>\n<p>Ao retornar, convocou um \u201cch\u00e1 das cinco\u201d com jornalistas, no Hotel dos Estrangeiros. Foi nesse contexto, ao atender a um pedido de aut\u00f3grafo da equipe de A Imprensa, que o termo foi formalmente registrado. Na dedicat\u00f3ria, datada de 21 de setembro de 1911, Jane escreveu: \u201cRio de Janeiro est une ville merveilleuse dont je suis eblouie\u201d (Rio de Janeiro \u00e9 uma cidade maravilhosa, que me deslumbra). \u201cFoi uma coisa espont\u00e2nea dela\u201d, diz Sento S\u00e9.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>A paix\u00e3o de Jane pelo Rio foi t\u00e3o intensa que, em 1913, ela lan\u00e7ou o livro de poemas La Ville Merveilleuse, um \u201cdi\u00e1rio po\u00e9tico\u201d que reunia 33 textos, muitos dedicados a personalidades brasileiras. A obra, escrita em versos dodecass\u00edlabos e com a eloqu\u00eancia parnasianista, capturava a beleza exuberante do Rio, com poemas dedicados \u00e0 Ba\u00eda de Guanabara, \u00e0 Praia Vermelha e aos bambuzais. \u201c\u00c9 um livro tamb\u00e9m sobre a representatividade da mulher na literatura\u201d, analisa Sento S\u00e9.<\/p>\n<p>Circulando em produtos culturais populares, como o programa de r\u00e1dio de C\u00e9sar Ladeira e uma pe\u00e7a de teatro de revista estrelada por Aracy Cortes, ambos chamados Cidade Maravilhosa, o ep\u00edteto finalmente alcan\u00e7aria a imortalidade por meio do Carnaval. Em 1935, Andr\u00e9 Filho inscreveu a marchinha Cidade Maravilhosa no concurso da prefeitura. A can\u00e7\u00e3o, interpretada por Aurora Miranda, ficou em segundo lugar, mas ganhou sobrevida ao ser inclu\u00edda na trilha sonora do filme Al\u00f4, Al\u00f4, Brasil. No Carnaval de 1936, a marchinha estourou, obliterando qualquer lembran\u00e7a das manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas anteriores, inclusive o livro de Jane.<\/p>\n<p>Sento S\u00e9 passou treze anos buscando as \u201cpedrinhas miudinhas\u201d da hist\u00f3ria, reunindo as pe\u00e7as para desvendar, nas palavras dele, um \u201csegredo de 100 anos\u201d. O autor documenta a ir\u00f4nica conclus\u00e3o desse esquecimento: a \u00fanica homenagem p\u00fablica \u00e0 poeta no Rio, uma pra\u00e7a em Campo Grande, foi nomeada Pra\u00e7a Catulle Mend\u00e8s, perdendo a refer\u00eancia a Jane e sendo erroneamente associada ao marido. Faz-se agora justi\u00e7a \u00e0 musa que ajudou a propagar aos quatro cantos os encantos da cidade maravilhosa.<\/p>\n<p><b>Publicado em VEJA de 3 de outubro de 2025, <a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/edicoes-veja\/2964\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 2964<\/a><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em setembro de 1911, quando a ent\u00e3o capital federal, o Rio de Janeiro, esfor\u00e7ava-se para se consolidar como&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":98715,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,170,32,33],"class_list":{"0":"post-98714","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-livros","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98714","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=98714"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98714\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/98715"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=98714"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=98714"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=98714"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}