{"id":98952,"date":"2025-10-05T18:07:12","date_gmt":"2025-10-05T18:07:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/98952\/"},"modified":"2025-10-05T18:07:12","modified_gmt":"2025-10-05T18:07:12","slug":"numeros-de-dois-anos-de-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/98952\/","title":{"rendered":"N\u00fameros de dois anos de guerra"},"content":{"rendered":"<p>                    O conflito pode ter entrado numa fase decisiva na sexta-feira, depois de o Hamas ter aceitado negociar o plano de paz norte-americano, o que levou o Presidente Donald Trump a defender a suspens\u00e3o dos bombardeamentos israelitas.<\/p>\n<p>Esta guerra foi desencadeada pelo ataque sem precedentes de mil\u00edcias palestinianas lideradas pelo Hamas no sul de Israel em 07 de outubro de 2023, que chocou israelitas e a generalidade da comunidade internacional.<\/p>\n<p>Derrubadas de madrugada as veda\u00e7\u00f5es da fronteira comum, mil\u00edcias entraram em Israel para atacar v\u00e1rias localidades e uma multid\u00e3o de jovens num festival, ao mesmo tempo que eram lan\u00e7ados milhares de foguetes contra Israel, com um saldo de cerca de 1.200 mortos e 251 pessoas feitas ref\u00e9ns pelos islamitas.<\/p>\n<p>Quando ainda n\u00e3o se conhecia a verdadeira dimens\u00e3o do ataque terrorista, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, l\u00edder de um governo de coliga\u00e7\u00e3o com a extrema-direita e ultraortodoxos religiosos, proclamou que Israel estava em guerra e prometeu aniquilar o Hamas, que responsabilizou pelo pior massacre de judeus depois do Holocausto.<\/p>\n<p>O saldo humano em Gaza est\u00e1 ainda por contabilizar: h\u00e1 mais de 67 mil mortos declarados pelo governo do Hamas, que controla o territ\u00f3rio desde 2007, mas desconhece-se quantas pessoas estar\u00e3o sob os escombros das cidades arrasadas.<\/p>\n<p>&#8220;A comiss\u00e3o concluiu que Israel \u00e9 respons\u00e1vel pela pr\u00e1tica de genoc\u00eddio em Gaza&#8221;, anunciou em 16 de setembro, em Genebra, a jurista sul-africana Navi Pillay, que presidiu a uma comiss\u00e3o independente de investiga\u00e7\u00e3o da ONU sobre a guerra.<\/p>\n<p>Israel nega as acusa\u00e7\u00f5es de genoc\u00eddio e de usar a fome como arma de guerra. Acusa o Hamas de usar a popula\u00e7\u00e3o como escudo e infraestruturas civis como instala\u00e7\u00f5es militares.<\/p>\n<p>O Tribunal Penal Internacional emitiu em 21 de novembro de 2024 mandados de deten\u00e7\u00e3o por crimes contra a humanidade contra Netanyahu e Gallant, al\u00e9m de tr\u00eas dirigentes do Hamas, que entretanto anulou por terem sido mortos.<\/p>\n<p>A guerra em Gaza tem gerado manifesta\u00e7\u00f5es de solidariedade e de protesto em muitos pa\u00edses, bem como frotas humanit\u00e1rias, a mais recente das quais foi travada na quinta-feira por Israel, que deteve os mais de 400 participantes, incluindo quatro portugueses.<\/p>\n<p>A guerra op\u00f5e o Estado de Israel, fundado em 1948 na Palestina, e o Hamas, acr\u00f3nimo de Harakat al-Muqawama al-Islamiya (Movimento de Resist\u00eancia Isl\u00e2mica), criado em Gaza em 1987.<\/p>\n<p>O Hamas \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e militar nacionalista, de orienta\u00e7\u00e3o sunita, que rejeita a exist\u00eancia de Israel e \u00e9 considerada terrorista por Israel e v\u00e1rios pa\u00edses, incluindo Estados Unidos e a Uni\u00e3o Europeia, embora alguns apliquem a designa\u00e7\u00e3o apenas \u00e0 sua ala militar.<\/p>\n<p>Principais n\u00fameros da guerra entre o Hamas e Israel iniciada em 07 de outubro de 2023, segundo v\u00e1rias fontes:<\/p>\n<p>Faixa de Gaza<\/p>\n<p>O territ\u00f3rio na costa do Mediterr\u00e2neo tem uma popula\u00e7\u00e3o estimada em cerca de 2,1 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Com 365 quil\u00f3metros quadrados (41 km de comprimento e um m\u00e1ximo de 10 km de largura), \u00e9 considerado um dos locais com maior densidade populacional do mundo e foi ocupado por v\u00e1rios povos desde a Antiguidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o tem qualquer liga\u00e7\u00e3o direta \u00e0 Cisjord\u00e2nia (a margem esquerda do rio Jord\u00e3o, que muitos israelitas designam pelo nome b\u00edblico Judeia e Samaria), o outro territ\u00f3rio do Estado da Palestina, tal como definido nos acordos sobre a solu\u00e7\u00e3o dos dois Estados.<\/p>\n<p>O Hamas controla Gaza desde 2007, quando expulsou do enclave os rivais da Fatah, depois de um conflito armado com centenas de mortos ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es de 2006, que venceu.<br \/>&#13;<br \/>\n<br \/>&#13;<br \/>\nA caminho de um Estado Palestiniano<\/p>\n<p>V\u00e1rios pa\u00edses juntaram-se em setembro \u00e0 maioria da comunidade internacional que reconhece a Palestina como um Estado, incluindo Portugal. <\/p>\n<p>Um grupo de 10 na\u00e7\u00f5es, incluindo alguns com governos cr\u00edticos da atua\u00e7\u00e3o de Israel, como Espanha, al\u00e9m de Reino Unido, Fran\u00e7a, Canad\u00e1, Austr\u00e1lia tomou essa decis\u00e3o afirmando querer contribuir para a resolu\u00e7\u00e3o da guerra e para a concretiza\u00e7\u00e3o da proposta dois Estados.<\/p>\n<p>Elevaram para 157 o n\u00famero de pa\u00edses entre os 193 que fazem parte das Na\u00e7\u00f5es Unidas a reconhecer a Palestina como Estado, grupo de onde est\u00e3o fora os Estados Unidos, a Alemanha, a It\u00e1lia ou o Jap\u00e3o, entre outros.\u00a0<\/p>\n<p>Baixas em Israel\u00a0<br \/>&#13;<br \/>\nAl\u00e9m das v\u00edtimas do ataque do Hamas, Israel registou 466 militares mortos e 2.939 feridos desde o in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o terrestre em Gaza, em 27 outubro de 2023, at\u00e9 30 de setembro, de acordo com o governo.<\/p>\n<p>Das 251 pessoas raptadas durante o ataque de 07 de outubro, o ex\u00e9rcito israelita diz que 48 continuam na Faixa de Gaza, mas apenas duas dezenas estar\u00e3o vivas.<\/p>\n<p>Os restantes ref\u00e9ns, incluindo 36 mortos, foram trocados por palestinianos que estavam em pris\u00f5es israelitas, a maioria, ou resgatados pelo ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>Baixas em Gaza<\/p>\n<p>Desde 07 de outubro de 2023, as autoridades de Gaza registaram 66.288 mortos e 169.165 feridos at\u00e9 sexta-feira, segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade do governo do Hamas, considerados fi\u00e1veis pela ONU.<\/p>\n<p>O balan\u00e7o inclui 2.597 mortos em locais de distribui\u00e7\u00e3o de ajuda operados pelas for\u00e7as israelitas desde 27 de maio.<\/p>\n<p>As autoridades de Gaza afirmam que milhares de v\u00edtimas estar\u00e3o sob escombros nas cidades bombardeadas.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o Save the Children disse em 06 de setembro que entre as v\u00edtimas mortais havia mais de 20.000 crian\u00e7as, 21.000 tinham ficado com defici\u00eancias e 132.000 com menos de 5 anos corriam o risco de morrer de desnutri\u00e7\u00e3o aguda.<\/p>\n<p>A guerra causou ferimentos graves (permanentes ou que requerem longos per\u00edodos de reabilita\u00e7\u00e3o) a 42.000 pessoas, incluindo 5.000 amputa\u00e7\u00f5es, disse a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS). <\/p>\n<p>Segundo as Na\u00e7\u00f5es Unidas, 1.800 profissionais da \u00e1rea da sa\u00fade e 562 trabalhadores humanit\u00e1rios, incluindo 376 funcion\u00e1rios da ONU, morreram em Gaza desde 07 de outubro de 2023.<\/p>\n<p>Fome<\/p>\n<p>As autoridades de Gaza afirmam que 459 palestinianos morreram por desnutri\u00e7\u00e3o desde o in\u00edcio da guerra, incluindo 154 crian\u00e7as, segundo a ag\u00eancia espanhola EFE.<\/p>\n<p>Um organismo apoiado pela ONU declarou oficialmente a fome na prov\u00edncia de Gaza em 22 de agosto, o que aconteceu pela primeira vez no M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p>Israel tamb\u00e9m imp\u00f4s restri\u00e7\u00f5es \u00e0 entrada de ajuda humanit\u00e1ria por cami\u00f5es da ONU, um bloqueio que se mant\u00e9m h\u00e1 mais de sete meses. <\/p>\n<p>De acordo com a ONU, 49% das pessoas em Gaza t\u00eam acesso a menos do que o padr\u00e3o m\u00ednimo de emerg\u00eancia de seis litros de \u00e1gua pot\u00e1vel por dia, para beber e cozinhar.<\/p>\n<p>Infraestruturas\u00a0<br \/>&#13;<br \/>\nNum relat\u00f3rio de 02 de outubro, a ONU assinalou que 78% das constru\u00e7\u00f5es da Faixa de Gaza estavam destru\u00eddas ou danificadas no final de junho.<\/p>\n<p>No setor do com\u00e9rcio e ind\u00fastria, o n\u00edvel de destrui\u00e7\u00e3o ou de danos dos 48.987 estabelecimentos registados era de 88% em fevereiro.<\/p>\n<p>Em julho, 77% da rede de estradas estava danificada ou intransit\u00e1vel.<br \/>&#13;<br \/>\nSa\u00fade<br \/>&#13;<br \/>\nSegundo a ONU, 39% (14 de 36) dos hospitais estavam parcialmente funcionais no final de setembro: oito na cidade de Gaza, tr\u00eas em Deir al-Balah e tr\u00eas em Khan Younis, mas nenhum a norte de Gaza e em Rafah (sul).<\/p>\n<p>Na mesma altura, 63% (10 de 16) dos hospitais de campanha estavam parcialmente funcionais, dos quais um em Gaza, quatro em Deir al-Balah, quatro em Khan Younis e um em Rafah, mas nenhum no norte.<\/p>\n<p>Ao n\u00edvel dos centros de cuidados de sa\u00fade prim\u00e1rios, 35% (62 de 179) estavam parcialmente funcionais.<\/p>\n<p>Mais de 15.600 pacientes em estado cr\u00edtico necessitavam de assist\u00eancia m\u00e9dica fora da Faixa de Gaza no final de setembro.<br \/>&#13;<br \/>\nL\u00edbano, Ir\u00e3o e I\u00e9men<br \/>&#13;<br \/>\nIsrael matou v\u00e1rios altos membros do Hamas e aliados regionais desde o in\u00edcio da guerra, incluindo o l\u00edder do Hezbollah liban\u00eas, Hassan Nasrallah, bem como o seu sucessor, Hashem Safieddine, segundo uma lista do jornal The Times of Israel.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foram mortos o comandante da Guarda Revolucion\u00e1ria do Ir\u00e3o, general Hossein Salami, e o chefe do governo dos rebeldes houthis do I\u00e9men, Ahmed Al-Rahawi, entre outros.<\/p>\n<p>No Hamas, destacam-se o l\u00edder pol\u00edtico, Ismail Haniyeh, o l\u00edder em Gaza, Yahya Sinwar, e o chefe da ala militar, Mohammed Deif.<br \/>&#13;<br \/>\nJornalistas<br \/>&#13;<br \/>\nO Comit\u00e9 para a Prote\u00e7\u00e3o dos Jornalistas (CPJ) registou a morte de pelo menos 237 jornalistas e profissionais da comunica\u00e7\u00e3o em Gaza, I\u00e9men, L\u00edbano, Israel e Ir\u00e3o at\u00e9 26 de setembro.<\/p>\n<p>Deste total, 235 foram mortos por Israel: 195 palestinianos em Gaza, 31 iemenitas no I\u00e9men, seis libaneses no L\u00edbano e tr\u00eas iranianos no Ir\u00e3o.<\/p>\n<p>Dois israelitas foram mortos em Israel pelo Hamas, acusado tamb\u00e9m de &#8220;ass\u00e9dio e intimida\u00e7\u00e3o&#8221; de jornalistas dentro de Gaza.<\/p>\n<p>O CPJ registou tamb\u00e9m 152 feridos, dois desaparecidos, 92 detidos e ainda casos de agress\u00f5es, amea\u00e7as, ciberataques, censura e assassinatos de familiares, no &#8220;per\u00edodo mais mortal para jornalistas&#8221; desde que a organiza\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a recolher dados em 1992.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O conflito pode ter entrado numa fase decisiva na sexta-feira, depois de o Hamas ter aceitado negociar 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