{"id":98968,"date":"2025-10-05T18:33:09","date_gmt":"2025-10-05T18:33:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/98968\/"},"modified":"2025-10-05T18:33:09","modified_gmt":"2025-10-05T18:33:09","slug":"asteroides-invisiveis-perto-de-venus-sao-risco-crescente-para-a-terra-alertam-cientistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/98968\/","title":{"rendered":"Asteroides invis\u00edveis perto de V\u00e9nus s\u00e3o risco crescente para a Terra, alertam cientistas"},"content":{"rendered":"<p>Estudos recentes alertam para a exist\u00eancia de uma popula\u00e7\u00e3o de asteroides \u201cinvis\u00edveis\u201d que circulam perto da \u00f3rbita de V\u00e9nus e que podem representar uma amea\u00e7a significativa para a Terra. De acordo com investigadores, estes corpos celestes s\u00e3o extremamente dif\u00edceis de observar devido \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o no Sistema Solar, o que limita a capacidade dos telesc\u00f3pios atuais em os detetar.<\/p>\n<p>Os asteroides co-orbitais de V\u00e9nus n\u00e3o orbitam diretamente o planeta, mas partilham uma trajet\u00f3ria em torno do Sol sincronizada com a de V\u00e9nus, avan\u00e7ando ou atrasando-se em rela\u00e7\u00e3o ao planeta e por vezes cruzando a sua \u00f3rbita. Atualmente, est\u00e3o identificados apenas 20 destes objetos, mas os cientistas acreditam que representam apenas uma pequena fra\u00e7\u00e3o de uma popula\u00e7\u00e3o muito maior.<\/p>\n<p>Valerio Carruba, astr\u00f3nomo da Universidade Estadual de S\u00e3o Paulo, Brasil, sublinha: \u201cO nosso estudo mostra que existe uma popula\u00e7\u00e3o de asteroides potencialmente perigosos que n\u00e3o conseguimos detetar com os telesc\u00f3pios atuais. Estes objetos orbitam o Sol, mas n\u00e3o fazem parte do cintur\u00e3o de asteroides entre Marte e J\u00fapiter. Est\u00e3o muito mais pr\u00f3ximos e em resson\u00e2ncia com V\u00e9nus, mas s\u00e3o t\u00e3o dif\u00edceis de observar que permanecem invis\u00edveis, apesar de poderem representar um risco real de colis\u00e3o com o nosso planeta no futuro.\u201d<\/p>\n<p>Estes asteroides t\u00eam \u00f3rbitas inst\u00e1veis e altamente ca\u00f3ticas, com padr\u00f5es que mudam em escalas temporais relativamente curtas, cerca de 12.000 anos em m\u00e9dia. Os trajetos s\u00f3 podem ser previstos com fiabilidade por cerca de 150 anos. Durante altera\u00e7\u00f5es aleat\u00f3rias na sua \u00f3rbita, alguns destes corpos podem aproximar-se da Terra, chegando a cruzar a sua trajet\u00f3ria e criando um risco real de impacto.<\/p>\n<p>Carruba acrescenta: \u201cAsteroides com cerca de 300 metros de di\u00e2metro, capazes de formar crateras de 3 a 4,5 quil\u00f3metros e libertar energia equivalente a centenas de megatons, poder\u00e3o estar escondidos nesta popula\u00e7\u00e3o. Um impacto numa zona densamente povoada causaria devasta\u00e7\u00e3o em larga escala.\u201d<\/p>\n<p>A maior parte dos asteroides co-orbitais de V\u00e9nus detetados at\u00e9 hoje t\u00eam uma elevada excentricidade orbital (superior a 0,38), o que significa \u00f3rbitas alongadas que podem aproximar esses objetos da Terra. No entanto, aqueles com menor excentricidade s\u00e3o muito mais dif\u00edceis de observar, mesmo com telesc\u00f3pios avan\u00e7ados.<\/p>\n<p>Carruba e a sua equipa realizaram simula\u00e7\u00f5es focadas na possibilidade de detetar asteroides co-orbitais com excentricidade inferior a 0,38 e avaliaram se o futuro Observat\u00f3rio Vera Rubin \u2014 equipado com a maior c\u00e2mara alguma vez constru\u00edda \u2014 poderia identific\u00e1-los. Os resultados mostram que estes objetos continuam praticamente invis\u00edveis e apenas poder\u00e3o ser observados em janelas de tempo muito limitadas durante o ano.<\/p>\n<p>Esta lacuna no nosso conhecimento coloca um problema cr\u00edtico para a defesa planet\u00e1ria. Como referem os investigadores, \u201c\u00e9 muito mais dif\u00edcil resolver um problema que n\u00e3o conseguimos ver chegar\u201d. Uma solu\u00e7\u00e3o proposta passa pela cria\u00e7\u00e3o de um observat\u00f3rio em \u00f3rbita de V\u00e9nus ou que partilhe a sua \u00f3rbita, possibilitando uma observa\u00e7\u00e3o mais eficaz destes asteroides.<\/p>\n<p>Miss\u00f5es futuras, como a NEO Surveyor da NASA, foram concebidas para colmatar este ponto cego do Sistema Solar interior, mas os cientistas defendem que apenas uma campanha observacional dedicada, a partir do espa\u00e7o junto a V\u00e9nus, permitir\u00e1 mapear e descobrir todos os restantes asteroides potencialmente perigosos.<\/p>\n<p>O estudo foi publicado recentemente na revista Astronomy &amp; Astrophysics e destaca a urg\u00eancia de refor\u00e7ar a vigil\u00e2ncia e as capacidades de dete\u00e7\u00e3o, de forma a prevenir riscos catastr\u00f3ficos para o planeta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Estudos recentes alertam para a exist\u00eancia de uma popula\u00e7\u00e3o de asteroides \u201cinvis\u00edveis\u201d que circulam perto da \u00f3rbita de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":98969,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-98968","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-science","14":"tag-science-and-technology","15":"tag-scienceandtechnology","16":"tag-technology","17":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98968","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=98968"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98968\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/98969"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=98968"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=98968"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=98968"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}