{"id":99476,"date":"2025-10-06T09:45:11","date_gmt":"2025-10-06T09:45:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/99476\/"},"modified":"2025-10-06T09:45:11","modified_gmt":"2025-10-06T09:45:11","slug":"o-ciclo-do-carbono-pode-mergulhar-a-terra-numa-nova-era-glacial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/99476\/","title":{"rendered":"O ciclo do carbono pode mergulhar a Terra numa nova era glacial"},"content":{"rendered":"<p>Cientistas de Bremen e da Calif\u00f3rnia revelam que o planeta pode \u201csobrecompensar\u201d o aquecimento global a longo prazo<\/p>\n<p>Durante milh\u00f5es de anos, o clima da Terra tem sido regulado por um delicado equil\u00edbrio natural. At\u00e9 agora, os cientistas acreditavam que o principal mecanismo respons\u00e1vel por esse equil\u00edbrio era o lento processo de <strong>meteoriza\u00e7\u00e3o das rochas silicatadas<\/strong> \u2014 uma rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica que retira di\u00f3xido de carbono (CO\u2082) da atmosfera e ajuda a arrefecer o planeta.<\/p>\n<p>Mas uma nova investiga\u00e7\u00e3o conduzida por <strong>Dominik H\u00fclse<\/strong>, modelador de sistemas terrestres no <strong>MARUM \u2013 Centro de Ci\u00eancias Ambientais Marinhas da Universidade de Bremen<\/strong>, em colabora\u00e7\u00e3o com <strong>Andy Ridgwell<\/strong>, da <strong>Universidade da Calif\u00f3rnia<\/strong>, mostra que este processo poder\u00e1 ser apenas parte da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, publicado recentemente numa revista cient\u00edfica <strong>revista com revis\u00e3o por pares<\/strong>, a Terra pode, em certas condi\u00e7\u00f5es, <strong>\u201csobrecorrigir\u201d<\/strong> o aquecimento global e mergulhar num per\u00edodo de frio extremo \u2014 at\u00e9 mesmo numa nova <strong>era glacial<\/strong>.<\/p>\n<p>Um ciclo natural com consequ\u00eancias inesperadas<\/p>\n<p>Tradicionalmente, o mecanismo de autorregula\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica funciona assim: a chuva absorve CO\u2082 da atmosfera e, ao cair sobre rochas, dissolve parte dos minerais. O carbono resultante \u00e9 transportado at\u00e9 ao oceano, onde se transforma em material de conchas e recifes calc\u00e1rios, ficando armazenado no fundo do mar durante milh\u00f5es de anos. Quando o planeta aquece, as rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas aceleram e removem mais CO\u2082, estabilizando o clima.<\/p>\n<p>Contudo, os investigadores descobriram que este processo por si s\u00f3 <strong>n\u00e3o explica<\/strong> os per\u00edodos em que a Terra ficou quase totalmente coberta de gelo, como aconteceu nas chamadas \u201c<strong>Snowball Earth<\/strong>\u201d, h\u00e1 centenas de milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>O papel escondido dos oceanos<\/p>\n<p>A chave pode estar no fundo do mar. O aumento da temperatura global liberta mais nutrientes, como f\u00f3sforo, para os oceanos, promovendo o crescimento de <strong>algas<\/strong>. Estas absorvem carbono atrav\u00e9s da fotoss\u00edntese e, quando morrem, transportam-no para o leito oce\u00e2nico.<\/p>\n<p>No entanto, em mares mais quentes e pobres em oxig\u00e9nio, este f\u00f3sforo tende a <strong>recircular<\/strong> em vez de ficar preso nos sedimentos, criando um ciclo de retroalimenta\u00e7\u00e3o: mais nutrientes alimentam mais algas, cuja decomposi\u00e7\u00e3o consome ainda mais oxig\u00e9nio. O resultado \u00e9 uma acumula\u00e7\u00e3o de carbono nos sedimentos e um <strong>forte arrefecimento global<\/strong>.<\/p>\n<p>Modelos que prev\u00eaem um \u201cexcesso de arrefecimento\u201d<\/p>\n<p>Com base neste conhecimento, H\u00fclse e Ridgwell atualizaram um modelo computacional avan\u00e7ado do Sistema Terrestre, incluindo estes mecanismos biogeoqu\u00edmicos. O resultado surpreendeu os cientistas:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cO modelo mostra que o clima nem sempre regressa gradualmente ao equil\u00edbrio ap\u00f3s um per\u00edodo de aquecimento. Pode, em vez disso, <strong>sobrecompensar<\/strong> e arrefecer o planeta muito para al\u00e9m do ponto inicial\u201d, explica <strong>Dominik H\u00fclse<\/strong>.<br \/>Em certos cen\u00e1rios, esse processo pode mesmo desencadear uma <strong>nova era do gelo<\/strong> \u2014 um fen\u00f3meno imposs\u00edvel de simular quando se considera apenas a meteoriza\u00e7\u00e3o das rochas.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O que isto significa para o futuro<\/p>\n<p>Apesar do alerta, os investigadores sublinham que estes processos atuam em <strong>escala de centenas de milhares de anos<\/strong>. O atual aquecimento global provocado pelas emiss\u00f5es humanas de CO\u2082 n\u00e3o ser\u00e1 revertido t\u00e3o rapidamente.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cMesmo que o planeta acabe por arrefecer naturalmente, isso <strong>n\u00e3o acontecer\u00e1 a tempo de nos salvar das consequ\u00eancias do aquecimento atual<\/strong>\u201d, refor\u00e7a Ridgwell.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Segundo o estudo, a atmosfera moderna cont\u00e9m mais oxig\u00e9nio do que nas \u00e9pocas em que ocorreram as antigas eras glaciais, o que <strong>reduz a intensidade<\/strong> desse mecanismo de arrefecimento extremo.<\/p>\n<p>Pr\u00f3ximos passos da investiga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Financiado pelo <strong>Cluster de Excel\u00eancia \u201cThe Ocean Floor \u2013 Earth\u2019s Uncharted Interface\u201d<\/strong>, sediado em Bremen, o trabalho abre novas pistas para compreender como o planeta recuperou de passadas crises clim\u00e1ticas. H\u00fclse planeia agora estudar <strong>como as intera\u00e7\u00f5es entre os sedimentos marinhos e o carbono<\/strong> poder\u00e3o ter acelerado essas recupera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cCompreender o passado \u00e9 essencial para antecipar o futuro do nosso clima\u201d, conclui o cientista.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.marum.de\/en\/climate-regulation.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Artigo original aqui<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cientistas de Bremen e da Calif\u00f3rnia revelam que o planeta pode \u201csobrecompensar\u201d o aquecimento global a longo prazo&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":99477,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-99476","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-science","14":"tag-science-and-technology","15":"tag-scienceandtechnology","16":"tag-technology","17":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99476","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=99476"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99476\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/99477"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=99476"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=99476"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=99476"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}