{"id":99639,"date":"2025-10-06T13:53:22","date_gmt":"2025-10-06T13:53:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/99639\/"},"modified":"2025-10-06T13:53:22","modified_gmt":"2025-10-06T13:53:22","slug":"a-invasao-e-a-destruicao-da-embaixada-de-espanha-em-1975-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/99639\/","title":{"rendered":"A invas\u00e3o e a destrui\u00e7\u00e3o da embaixada de Espanha em 1975 \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Segundo relata o jornal \u201cLe Figaro\u201d, em Paris, dezenas de gendarmes e um par de tanques cercavam a embaixada Espanhola, tal como em Bona, onde a embaixada era guardada por dois blindados e respetiva tropa. Em Estrasburgo, foi atirado um cocktail molotov, mas a pol\u00edcia dispersou os 500 manifestantes com granadas de g\u00e1s lacrimog\u00e9nio e tiros para o ar. Em Lisboa, sem prote\u00e7\u00e3o e com furor revolucion\u00e1rio, tudo foi diferente.<\/p>\n<p>Em Portugal, a contesta\u00e7\u00e3o estava ao rubro. O PCP e a extrema-esquerda tinham tomado as ruas, que eram agora campo de batalha contra o governo n\u00e3o comunista de Pinheiro de Azevedo. O COPCON de Otelo estava a perder credibilidade e peso pol\u00edtico, desde a Assembleia de Tancos, mas o clima de irresponsabilidade e impunidade era total. Tudo era permitido desde que sustentado num ideal revolucion\u00e1rio. Estavam misturados todos os ingredientes para que a manifesta\u00e7\u00e3o de protesto se transformasse num quase motim descontrolado.<\/p>\n<p>Antonio Poch, embaixador de Espanha em Portugal, diplomata de carreira e catedr\u00e1tico em Filosofia, em entrevista ao jornal ABC, relatava: \u201cT\u00ednhamos not\u00edcias de que estavam previstos sequestros, inclusivamente as mortes de alguns diplomatas espanh\u00f3is\u201d. O seu n.\u00ba 2 na embaixada, Inoc\u00eancio Arias, que se tornou mais tarde conhecido por ter sido diretor de futebol do Real Madrid no in\u00edcio dos anos 90, recordou os acontecimentos: \u201cTem\u00edamos alguma coisa em Setembro. O embaixador falou com Costa Gomes a pedir prote\u00e7\u00e3o adequada, e o Presidente da Rep\u00fablica disse-lhe para n\u00e3o se preocupar\u201d. Uns dias antes, j\u00e1 o embaixador tinha tamb\u00e9m pedido prote\u00e7\u00e3o a Melo Antunes, o novo ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros do VI Governo Provis\u00f3rio.<\/p>\n<p>A Embaixada, a 1 de Setembro de 1975, j\u00e1 tinha sofrido um atentado com a coloca\u00e7\u00e3o de uma bomba no Pal\u00e1cio de Palhav\u00e3, em Sete Rios, e, um dia depois, no Consulado-Geral de Espanha no Porto, explodiu outra bomba de baixa pot\u00eancia, mas ainda assim provocando quatro feridos ligeiros e preju\u00edzos materiais. Ambos os atentados foram reivindicados pela Solidariedade Revolucion\u00e1ria Internacionalista, movimento sem rosto, nem p\u00e1tria. A expectativa que o processo revolucion\u00e1rio criou, em particular nos movimentos comunistas e de extrema-esquerda, provocou vagas de apoio que se consubstanciavam em manifesta\u00e7\u00f5es e outro tipo de a\u00e7\u00f5es mais musculadas.<\/p>\n<p>Nesses dias, cada vez que algu\u00e9m sa\u00eda do consulado no Pal\u00e1cio Lima Mayer, na esquina da Rua do Salitre com a Avenida da Liberdade, eram fotografados, sem saberem porqu\u00ea ou por quem. Uns dias antes, houve mesmo uma manifesta\u00e7\u00e3o em frente \u00e0 embaixada. Inoc\u00eancio Arias, que tinha acabado de chegar a Portugal, infiltrou-se nesse dia entre os manifestantes, cerca de 500, mas, para sua surpresa, s\u00f3 metade eram portugueses. Os restantes eram espanh\u00f3is, chilenos, franceses, alem\u00e3es. O caldo da internacional revolucion\u00e1ria estava cozinhado, mas os protestos contra a pena de morte eram apenas instrumentais para a invas\u00e3o, destrui\u00e7\u00e3o e roubo da embaixada. Algu\u00e9m orquestrava e manobrava bem aquela gente.<\/p>\n<p>Segundo o conselheiro da Embaixada, \u201cos que dirigiam aquilo eram espanh\u00f3is da FRAP [Frente Revolucion\u00e1ria Antifascista e Patri\u00f3tica], a qual pertenciam tr\u00eas dos cinco condenados \u00e0 morte pelo Conselho de Guerra de Burgos de 28 de Agosto; e, al\u00e9m de portugueses, havia tamb\u00e9m chilenos, cubanos, brasileiros, tupamaros (grupo guerrilheiro de extrema-esquerda do Uruguai), italianos\u2026 um bom sortido da IV Internacional trotskista.\u201d Ao contr\u00e1rio do que se poderia pensar, n\u00e3o havia s\u00f3 protestos espont\u00e2neos, mas sim organizados, premeditados e coordenados.<\/p>\n<p>Melo Antunes alertou o Presidente Costa Gomes sobre os riscos existentes e este solicitou ao COPCON que fossem tomadas medidas de prote\u00e7\u00e3o. Otelo ordenou ao RALIS (Regimento de Artilharia de Lisboa, comandado pelo comunista Dinis de Almeida) para destacar tropas para proteger a embaixada e as suas delega\u00e7\u00f5es. No entanto, como era h\u00e1bito em alguns setores mais radicais do ex\u00e9rcito, todas as decis\u00f5es careciam de valida\u00e7\u00e3o numa assembleia ou plen\u00e1rio, de soldados e de sargentos, com alguns oficiais, que discutiram se cumpriam ou n\u00e3o as ordens. Por isso, acabaram por n\u00e3o aparecer. \u201cO RALIS n\u00e3o sai porque sair era pactuar com o regime franquista!\u201c Embaixador queixar-se-ia mais tarde: \u201cA seguran\u00e7a da embaixada ficou a cargo do regimento mais vermelho de Portugal. Creio que foi uma ingenuidade, uma criancice\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Segundo relata o jornal \u201cLe Figaro\u201d, em Paris, dezenas de gendarmes e um par de tanques cercavam a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":99640,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[27,28,315,15,16,14,8305,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-99639","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-cultura","11":"tag-featured-news","12":"tag-featurednews","13":"tag-headlines","14":"tag-histu00f3ria","15":"tag-latest-news","16":"tag-latestnews","17":"tag-main-news","18":"tag-mainnews","19":"tag-news","20":"tag-noticias","21":"tag-noticias-principais","22":"tag-noticiasprincipais","23":"tag-portugal","24":"tag-principais-noticias","25":"tag-principaisnoticias","26":"tag-pt","27":"tag-top-stories","28":"tag-topstories","29":"tag-ultimas","30":"tag-ultimas-noticias","31":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99639","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=99639"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99639\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/99640"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=99639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=99639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=99639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}