É possível manter um plano alimentar nutritivo para aproveitar a ceia sem culpaÉ possível manter um plano alimentar nutritivo para aproveitar a ceia sem culpaFoto: Reprodução/ND Mais

Dezembro chega com festas, mesas fartas e uma dúvida comum para quem cuidou da alimentação ao longo do ano: será que alguns dias de comemoração podem colocar tudo a perder? A resposta, segundo especialistas, é não. O segredo está menos no que se come em uma noite específica e mais no padrão que se mantém ao longo das semanas.

De acordo com a nutricionista e educadora física Isabela Milagres, restrição total é um dos maiores erros nesse período. “Quando a pessoa tenta cortar tudo, o risco de descontrole aumenta. É possível comer o que se gosta e manter os resultados, desde que haja constância e atenção ao próprio corpo”, explica.

Ela destaca que uma ceia isolada não tem impacto metabólico relevante quando existe uma rotina estruturada na maior parte do tempo. O problema costuma ser o impulso de exagerar, movido pela culpa ou pela sensação de que “já estragou tudo”.

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O planejamento começa antes da mesa farta. A recomendação é manter o café da manhã e o almoço normalmente, com prioridade para proteínas e fibras, o que ajuda a estabilizar a glicemia e controlar a fome ao longo do dia.

Hidratar-se bem também é essencial. Outro ponto importante é fazer uma pequena refeição leve antes da ceia, com fonte de proteína e vegetais. Isso evita chegar ao jantar com muita fome.

Uma ceia isolada não tem impacto metabólico relevante quando existe uma rotina estruturada na maior parte do tempoUma ceia isolada não tem impacto metabólico relevante quando existe uma rotina estruturada na maior parte do tempoFoto: Freepik/ Reprodução/ ND

Na hora de montar o prato, a orientação é equilíbrio: cerca de metade do prato com vegetais, uma boa porção de proteína e os alimentos típicos da ceia escolhidos de forma consciente, não por impulso.

O que comer depois das festas?

Nos dias seguintes, o foco deve ser retomar a rotina sem radicalismos. “Não é preciso ‘compensar’ o que foi consumido. Basta voltar ao básico: hidratação, refeições regulares, treino dentro da capacidade e boas noites de sono”, afirma Isabela.

Ela explica que o corpo responde rapidamente à constância. Protocolos curtos de reorganização, de 3 a 5 dias, com mais fibras, proteínas magras e menos ultraprocessados, ajudam a reduzir inchaço e melhorar a digestão, sem que isso se transforme em um ciclo de restrições severas.

Vale a pena fazer ‘detox’?

Segundo a especialista, o verdadeiro “detox” é feito pelo próprio fígado. Dietas extremas ou jejuns compensatórios tendem a piorar o ciclo de culpa e exagero. O que funciona, na prática, é o equilíbrio: alimentos naturais, boa hidratação, sono adequado e atividade física.

Como não “desandar” entre o Natal e o Réveillon

O intervalo entre as duas datas costuma ser o período mais difícil de manter o foco. Mais uma vez, a dica é não buscar perfeição, e sim equilíbrio. Seus resultados não ficarão comprometidos se fizer mais refeições livres e deixar de ir à academia para ficar com a família.

Um truque é apostar em refeições repletas de fibrasUm truque é apostar em refeições repletas de fibras Foto: Canva/ND

Segundo a especialista, manter cerca de 70% das escolhas alimentares mais conscientes já é suficiente para impedir a sensação de descontrole. Pequenos hábitos como caminhadas leves, café da manhã estruturado e ingestão de fibras fazem diferença.

Para Isabela, a palavra-chave desse período é presença. Comer com atenção, mastigar devagar e perceber os sinais de saciedade evitam exageros e aumentam o prazer real da refeição.

“Isso diminui impulsos, evita exageros e aumenta o prazer real da refeição. Comer sem distrações é o que separa uma ceia bem aproveitada de um prato excessivo”, completa.