O advogado Paulo Abreu dos Santos terá confessado num interrogatório conduzido por um juiz que abusou de duas crianças portuguesas com cerca de dez anos, avançou este domingo a CNN Portugal. A Polícia Judiciária (PJ) está a tentar identificar os menores, de modo a que possam ser ouvidos no âmbito do inquérito aberto ao antigo adjunto da ex-ministra socialista da Justiça, Catarina Sarmento e Castro.
Paulo Abreu dos Santos foi indiciado por dois crimes. Segundo o canal televisivo, o adjunto da ex-ministra filmava-se a abusar das crianças. Na sua posse, tinha cerca de 500 ficheiros de pornografia infantil, alguns dos quais vídeos em que o advogado abusava das crianças.
A Polícia Judiciária está a também tentar perceber se Paulo Abreu dos Santos estava em contacto com outros pedófilos portugueses. Os investigadores desconfiam de que o advogado possa estar integrado numa rede de pedofilia nacional.
Por causa disso, a PJ espera ter acesso ao telemóvel de Paulo Abreu dos Santos para perceber se o advogado tinha contactos de outros pedófilos conhecidos pelas autoridades nacionais.
Paulo Abreu dos Santos, de 38 anos, ficou em prisão preventiva este sábado, após a detenção feita pela Polícia Judiciária (PJ) em parceria com o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.
A Polícia Judiciária (PJ) realizou buscas em casa de Paulo Abreu dos Santos — onde foram encontradas provas incriminatórias como vídeos de crimes sexuais contra crianças — e também na sociedade de advocacia onde trabalhava, o Ana Bruno & Associados.
Ao Observador, Filipe Eusébio, sócio da firma, explicou que a sociedade de advogados realizará uma investigação interna “o mais exaustiva possível” após a detenção do advogado Paulo Abreu dos Santos.
De acordo com a CNN Portugal, Paulo Abreu dos Santos terá cometido parte dos crimes relacionados com conteúdos ilegais no seu gabinete no Ministério da Justiça, no qual trabalhou entre 2023 e 2024 como adjunto de Catarina Sarmento e Castro. Além disso, o advogado também tinha sido assistente convidado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.