Sentado no terraço de um café na Ilha da Culatra, no Algarve, a tirar notas, com um copo de vinho branco à frente. Era assim que se encontrava o escritor Natalio Grueso, que estava fugido à justiça há mais de dois anos e era procurado pelas autoridades de Espanha por desvio de fundos públicos, quando foi avistado por agentes espanhóis. O homem acabou por ser detido nesse dia, 4 de dezembro, pela Polícia Judiciária (PJ).
Os detalhes foram divulgados pelo El País depois da PJ ter revelado num comunicado a 11 de dezembro que deteve uma “figura central de crime financeiro em Espanha”. Segundo o jornal espanhol, os agentes espanhóis acompanharam à distância os movimentos de Grueso, de 55 anos. Primeiro viram-no a falar com o dono do café, que lhe mostrou a pesca do dia exposta numa montra, depois seguiram-no enquanto passeava pelas ruas algarvias. O local não terá sido uma escolha aleatória, já que o autor tinha escrito sobre a ilha nos seus livros.
O jornal espanhol refere que os polícias espanhóis avisaram as autoridades portuguesas de que estavam à procura do famoso promotor cultural, que chegou a rodear-se de figuras de Hollywood como Woody Allen ou Kevin Spacey antes de ser condenado a oito anos de prisão por desvio de fundos públicos quando era diretor do Centro Niemeyer das Astúrias, entre 2006 e 2011. Mas tinham um impedimento: não podiam detê-lo. Assim, tentaram agir como qualquer outro turista de passagem na região e misturar-se nos locais que Grueso frequentava.
A certa altura os agentes sentaram-se a tomar um café no mesmo espaço em que estavam Grueso e o dono do estabelecimento. “Eles não podiam continuar a segui-lo porque iam acabar por revelar-se, já que havia pouquíssimas pessoas nas ruas da cidade”, disse o chefe da Equipe de Fugitivos da Justiça espanhola ao El País sobre a operação.
Os agentes espanhóis passaram então a informação à Polícia Judiciária, que foi responsável pela detenção. Inicialmente o homem terá negado ser quem as autoridades portuguesas e espanholas procuravam. O El País refere que Grueso não trazia consigo uma identificação e que não é claro se estaria a usar outro nome.
O comunicado divulgado pela Polícia Judiciária a 11 de dezembro sobre a detenção referia que tinha sido detido um homem de 55 anos, sob o qual pendia um mandado de detenção europeu e internacional, numa operação com a cooperação da Guardia Civil espanhola. A PJ indicava que se encontrava “em fuga desde o final de 2023, após decisão do Tribunal Supremo espanhol, que o considerou figura central num esquema de ilícitos financeiros conhecido como ‘Caso Niemeyer’”.
“Trata-se de um antigo Diretor-Geral do Centro Cultural Internacional Óscar Niemeyer, em Avilés (Espanha), condenado pela prática de vários crimes relacionados com a má gestão daquela instituição”, explicava a força policial. Acrescentava que o homem foi presente ao Tribunal da Relação de Évora e aguardava o processo de extradição para Espanha.