As eleições presidenciais de 2026 terão 14 candidatos no boletim de voto, um número recorde que supera o máximo registado até agora ― dez ―​ alcançado nas eleições de 2016, que deram a Marcelo Rebelo de Sousa o seu primeiro mandato em Belém.

O sorteio da ordem dos candidatos no boletim de voto decorreu há instantes no Tribunal Constitucional, depois de terminado o prazo para a entrega das candidaturas. Agora, ainda será preciso validar os documentos e as assinaturas recolhidas.

Eis a ordem que constará no boletim:

  1. Ricardo Sousa
  2. André Pestana
  3. Jorge Pinto
  4. Joana Amaral Dias
  5. José Cardoso
  6. Manuel João Vieira
  7. Catarina Martins
  8. João Cotrim de Figueiredo
  9. Humberto Correia
  10. António José Seguro
  11. Luís Marques Mendes
  12. André Ventura
  13. António Filipe
  14. Henrique Gouveia e Melo

Segundo o calendário da Comissão Nacional de Eleições, os juízes do Palácio Ratton têm até 24 de Dezembro para verificar a admissibilidade das proposituras, nomeadamente o número mínimo de 7500 assinaturas válidas de cidadãos eleitores e depois disso segue-se um período de recurso por parte das candidaturas consideradas inelegíveis ou com irregularidades. A decisão final deve ser conhecida até 2 de Janeiro, dois dias antes do arranque oficial da campanha.

O novo máximo de candidaturas, o número mais elevado de sempre numa eleição presidencial em Portugal, supera o recorde registado há dez anos. Fora da corrida ficou Manuela Magno, que não conseguiu reunir as 7500 assinaturas exigidas por lei.

Conheça os candidatos:




Ricardo Sousa foi vereador do PSD e quer falar de “regionalização”
DR

Ricardo Sousa

Ricardo Sousa é antigo vereador do PSD na Câmara Municipal de Paredes e tem como objectivo “pôr em cima da mesa” a regionalização e os problemas das regiões mais desfavorecidas. Afirma ter optado por entrar na corrida a Belém por verificar que as discussões que estavam a realizar-se na campanha presidencial “não reflectiam aquilo que se passa nas regiões mais desfavorecidas”.




André Pestana é líder do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação
José Sena Goulão/Lusa

André Pestana

O professor e líder do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (S.TO.P.) foi dos primeiros a anunciar a intenção de concorrer a Belém. Apresenta-se como independente, sem apoio formal de nenhum partido. Tem 48 anos e um percurso político ligado a movimentos de esquerda, defendendo uma educação pública robusta, melhores condições laborais para professores e políticas sociais mais expansivas. A sua candidatura tem tentado captar apoios nomeadamente do mundo sindical e associativo.




Jorge Pinto é deputado do Livre e tem como mandatária nacional a advogada Leonor Caldeira (à esquerda na fotografia)
Filipe Amorim/Lusa

Jorge Pinto

Jorge Pinto é deputado pelo Livre desde 2024 e, com 38 anos, o candidato mais jovem na corrida a Belém. Pinto, que conta com o apoio do partido que ajudou a fundar, tem procurado dinamizar um discurso federalista e ecológico, atraindo militantes jovens e activistas sociais como apoiantes. A sua mandatária nacional é a advogada Leonor Caldeira, conhecida por ter defendido a família Coxi num processo contra André Ventura, líder do Chega, ou ainda por ter recebido o Prémio Nelson Mandela.




Joana Amaral Dias é apoiada pelo partido ADN (Alternativa Democrática Nacional) pelo qual tem concorrido nas legislativas, europeias e autárquicas
João Relvas/Lusa

Joana Amaral Dias

Psicóloga e comentadora, Joana Amaral Dias formalizou a candidatura com o apoio do partido Alternativa Democrática Nacional (ADN), partido pelo qual foi cabeça de lista nas legislativas europeias e legislativas e candidata nas autárquicas. Nas suas declarações, tem destacado a necessidade de repensar o espaço político tradicional e de uma maior presença cívica na Presidência. Em intervenções anteriores, Joana Amaral Dias é uma das proponentes da petição “pela Rejeição do Cartão Europeu de Vacinação”. Em Novembro, o Correio da Manhã noticiou que o ADN paga uma avença mensal de 4 mil euros à candidata presidencial, com facturas em nome da empresa do marido de Amaral Dias.




José Cardoso é fundador e líder do Partido Liberal Social
João Relvas/Lusa

José Cardoso

Líder do Partido Liberal Social, José Cardoso afirmou que a sua candidatura visa afirmar “as ideias do liberalismo social” como resposta aos desafios nacionais. A sua campanha tem procurado apoio em círculos liberais e empresariais, realçando a necessidade de modernizar o debate económico e social.




Manuel João Vieira já tentou ser candidato noutras eleições, mas as assinaturas não foram validadas
Nelson Garrido

Manuel João Vieira

O músico e artista plástico, vocalista das bandas Ena Pá 2000 e Irmãos Catita, apresenta-se novamente como candidato à Presidência da República. Este ano conseguiu mais de 12 mil assinaturas, formalizando a candidatura no Palácio Ratton, acompanhado pelo actor David Almeida, mandatário nacional da campanha. Vieira já por duas vezes entregou assinaturas no TC, para se candidatar às presidenciais, mas em ambos os casos não conseguiu validar as assinaturas necessárias para figurar no boletim de voto. Vieira quer ser “alternativa aos actuais candidatos políticos” e reiterou a promessa de “só desistir se for eleito”.




Catarina Martins é actualmente eurodeputada eleita pelo BE
José Sena Goulão/Lusa

Catarina Martins

Antiga coordenadora do Bloco de Esquerda e actual eurodeputada, Catarina Martins concorre com o apoio do BE, mas também com outras figuras de esquerda, como é o caso da deputada socialista Isabel Moreira ou da activista e cronista Clara Não. Catarina Martins criticou Marcelo Rebelo de Sousa por ter dissolvido diversas vezes o Parlamento devido a chumbos do Orçamento do Estado e disse que não fará o mesmo caso seja eleita para o cargo. Foi durante muito tempo a única mulher nas presidenciais até à entrada de Joana Amaral Dias, e tem insistido na necessidade de ampliar o debate sobre políticas progressistas no quadro constitucional português. Tem como mandatário nacional o músico e compositor António Pinho Vargas.




João Cotrim Figueiredo é actualmente eurodeputado eleito pela Iniciativa Liberal
Filipe Amorim/Lusa

João Cotrim Figueiredo

Ex-líder da Iniciativa Liberal e actual eurodeputado, Cotrim de Figueiredo concorre com o apoio formal da IL, depois da desistência de Mariana Leitão como candidata (por ter assumido a liderança do partido). O seu discurso tem-se centrado temas como a liberdade individual, a economia de mercado e a modernização institucional. Tem o advogado José Miguel Júdice como mandatário nacional ― que já admitiu votar António José Seguro numa eventual segunda volta. Entre o leque de apoiantes, tem também vários sociais-democratas como Jorge Bleck (advogado e fundador do PSD); Liliana Reis (ex-deputada); David Pato ou Gaspar Macedo (analista político).




Humberto Correia prometeu que irá fazer campanha pelo país vestido de Afonso Henriques
DR

Humberto Correia

Natural de Olhão, pintor e autor, Correia concorre como independente. Foi candidato à Câmara Municipal de Faro em 2017, promete “percorrer o país” com uma campanha personalista, vestido de Afonso Henriques. O principal tema da sua candidatura vai ser a crise da habitação, que considera “o maior problema do povo português” e, na sua perspectiva, o Presidente da República deve “utilizar a magistratura de influência” e fazer pressão sobre o Governo para o resolver.




António José Seguro tem como mandatária nacional a cientista Maria do Carmo Fonseca (à direita na fotografia)
José Sena Goulão/Lusa

António José Seguro

António José Seguro, antigo secretário-geral do PS, regressa à política activa com o apoio formal do partido, decidido por unanimidade na Comissão Nacional do partido, e reiterado em eventos públicos. Nas últimas semanas, Seguro tem afirmado que só “um candidato que represente efectivamente o socialismo democrático” pode levar a um segundo turno que evite uma polarização extrema. Em discursos recentes, Seguro frisou que não estar na segunda volta “seria um pesadelo para o país”. Tem como mandatária nacional a cientista Maria do Carmo Fonseca. Conta com o apoio do histórico socialista Manuel Alegre; Francisco Assis (eurodeputado do PS); Duarte Cordeiro (ex-ministro do Ambiente) e Basílio Horta (ex-autarca de Sintra).




Luís Marques Mendes tem como mandatário Rui Moreira (à direita na fotografia)
Estela Silva/Lusa

Luís Marques Mendes

Antigo líder do PSD e apoiado formalmente pelos sociais-democratas e pelo CDS-PP, Luís Marques Mendes foi dos primeiros candidatos a avançar para a corrida presidencial. Tem afirmado que a campanha “não deve baixar o nível”, criticando ataques pessoais na arena política. Tem como mandatário nacional o antigo autarca do Porto, Rui Moreira, que chegou a admitir entrar na corrida a Belém, mas acabou por decidir não ser candidato. Tem recebido o apoio de figuras históricas do partido e ex-líderes como Aníbal Cavaco Silva, Durão Barroso e Manuela Ferreira Leite e fora da máquina partidária conta com o apoio do músico Dino D’Santiago, de Miguel Oliveira (piloto de motociclismo e mandatário para o desporto), Júlio Isidro (apresentador de televisão) e Toy (cantor e compositor).




O líder do Chega é candidato pela segunda vez às eleições presidenciais
João Relvas/Lusa

André Ventura

O presidente do Chega candidata-se pela segunda vez à Presidência da República, apesar de “não desejar”. No dia em que anunciou que era candidato, Ventura afirmou que avançou para a corrida à falta de Pedro Passos Coelho e depois de Henrique Gouveia e Melo ter rejeitado qualquer apoio do partido populista de direita radical. Em 2021, Ventura foi o terceiro candidato mais votado, com cerca de meio milhão de votos. Para Belém, o líder do Chega leva as bandeiras defendidas pelo partido e ligadas à segurança, imigração e corrupção. Como mandatário, André Ventura tem o tenente-coronel Tinoco de Faria, que abandonou a sua candidatura a Belém e declarou apoio ao líder do Chega. Ventura tem, naturalmente, o apoio do Chega na corrida presidencial.




António Filipe foi deputado do PCP e é apoiado pelo PCP e PEV
Ricardo Castelo/Lusa

António Filipe

O ex-deputado e antigo vice-presidente da Assembleia da República, António Filipe, de 62 anos, representa o campo da esquerda tradicional com o apoio da CDU — coligação que integra o PCP e os Verdes. Professor universitário e jurista, António Filipe tem colocado no centro da sua campanha a defesa da Constituição, o reforço dos serviços públicos e o combate às desigualdades sociais, em linha com a tradição comunista. A candidatura tem recebido apoio institucional das estruturas locais do PCP e associações ligadas à cultura e à academia. Tem como mandatária nacional Sofia Lisboa, membro do PCP, é deputada na Assembleia da Municipal de Lisboa. Entre a lista de apoiantes já divulgada está ainda Francisco Geraldes (jogador de futebol), Hélder Moutinho (músico) e Maria João Luís (actriz).




Henrique Gouveia e Melo não tem o apoio de nenhum partido, mas tem como mandatário nacional um ex-líder do PSD, Rui Rio
MIGUEL PEREIRA DA SILVA/Lusa

Henrique Gouveia e Melo

Almirante na reserva, conhecido por liderar a task-force de vacinação durante a pandemia, Gouveia e Melo concorre como independente e tem sido um dos nomes mais comentados nas sondagens, embora recentemente tenha perdido algum terreno. Tem insistido numa mensagem de uma candidatura “acima de linhas partidárias”, com a frase-chave de que o seu partido é “Portugal”. O seu mandatário é o ex-líder do PSD, Rui Rio, e a sua candidatura tem recolhido apoios de figuras bem conhecidas da vida política, como Alberto João Jardim (ex-presidente do Governo Regional da Madeira); o antigo autarca do PSD, agora independente, Isaltino Morais (presidente da Câmara Municipal de Oeiras); Carlos Carreiras (ex-autarca de Cascais); o ex-presidente do CDS Francisco Rodrigues dos Santos; o líder do CDS-PP-Madeira e actual membro do governo regional, José Manuel Rodrigues; ou o socialista Manuel Pizarro.