Alguns remédios podem acabar com seu desempenho sexual Alguns remédios podem acabar com seu desempenho sexual Foto: Freepik/Reprodução/ND Mais

Sua vida sexual anda mais morna do que você gostaria? Falta de desejo, dificuldade de excitação, orgasmo que não vem ou simplesmente desinteresse total podem ter uma explicação menos óbvia do que estresse ou problemas no relacionamento. Em muitos casos, o motivo está no lugar mais inesperado: o armário de remédios.

Efeitos colaterais sexuais causados por medicamentos são mais comuns do que se imagina. Uma pesquisa da Lovehoney, empresa do Reino Unido especializada em bem-estar sexual, estima que 25% dos casos de disfunção erétil estejam relacionados ao uso de fármacos.

“Baixa libido, dificuldade de excitação, problemas de ereção ou dormência genital são sintomas diferentes, mas todos fazem parte da disfunção sexual. Eles podem ter causas físicas, hormonais ou psicológicas, e a medicação é um fator fundamental”, explica o clínico geral Gareth Patterson ao The Sun.

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A seguir, veja cinco medicamentos bastante comuns que podem estar afetando sua vida sexual, muitas vezes sem que você imagine.

5 medicamentos que podem afetar seu desempenho sexual1. Antidepressivos

Os antidepressivosestão entre os maiores vilões da função sexual. Medicamentos como sertralina, fluoxetina, paroxetina e escitalopram, pertencentes à classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs), são amplamente prescritos para depressão e ansiedade.

Os antidepressivosestão entre os maiores vilões do desempenho sexualOs antidepressivosestão entre os maiores vilões do desempenho sexualFoto: Freepik/ND Mais

Uma revisão recente publicada na revista Pharmaceuticals mostrou que cerca de 20% dos pacientes abandonam o tratamento justamente por causa do impacto negativo na vida sexual.

Segundo o clínico geral Anand Patel, explica que os antidepressivos aumentam a serotonina, o hormônio do bem-estar. “Mas a serotonina também inibe a dopamina e a noradrenalina, substâncias essenciais para motivação, excitação sexual e orgasmo”.

O resultado pode ser queda acentuada da libido, dificuldade de excitação e orgasmo retardado ou inexistente. A intensidade varia conforme a dose, o tempo de uso, a genética e a química cerebral de cada pessoa.

Antidepressivos podem gerar queda acentuada da libido, dificuldade de excitação e orgasmo retardado ou inexistenteAntidepressivos podem gerar queda acentuada da libido, dificuldade de excitação e orgasmo retardado ou inexistenteFoto: Pexels/ND

Nem todos os antidepressivos afetam o sexo da mesma forma. A mirtazapina, por exemplo, impacta a função sexual em apenas 1% a 2% dos pacientes. Já opções mais recentes, como vortioxetina e agomelatina, têm mostrado menor incidência de efeitos colaterais sexuais.

“Se os efeitos estiverem prejudicando sua qualidade de vida, vale conversar com o médico sobre ajustes de dose ou troca de medicação”, orienta o Patel.

2. Anticoncepcionais hormonais

A pílula anticoncepcional pode ser pequena, mas seu impacto hormonal é significativo. Em algumas mulheres, ela reduz a testosterona livre, hormônio essencial não só para o desejo sexual, mas também para a excitação e a lubrificação vaginal.

“Os contraceptivos hormonais alteram os níveis naturais de estrogênio e progesterona para impedir a ovulação. Em algumas pessoas, isso diminui a testosterona livre, o que afeta diretamente a libido”, explica o Dr. Patterson.

Esse efeito não ocorre apenas com a pílula, mas também com o adesivo, anel vaginal, injeção e DIU hormonal. Uma pesquisa governamental de 2021 do Reino Unido apontou que uma das principais razões para a interrupção do método contraceptivo foi justamente o impacto negativo na vida sexual.

Para quem percebe mudanças importantes, alternativas não hormonais, como o DIU de cobre, podem ser uma opção a ser discutida com o ginecologista.

3. Betabloqueadores e remédios para pressão

Medicamentos usados para tratar hipertensão, arritmias, angina, ansiedade e até enxaqueca também entram na lista. Os betabloqueadores podem interferir diretamente no fluxo sanguíneo para a região genital.

“Alguns remédios para pressão reduzem o fluxo sanguíneo genital, atenuam os sinais de excitação do sistema nervoso e podem diminuir a testosterona”, alerta Patel.

Remédios para pressão também podem alterar desempenho sexualRemédios para pressão também podem alterar desempenho sexualFoto: Canva/ND

Como a excitação sexual depende de uma boa circulação sanguínea, esse bloqueio pode resultar em dificuldade de ereção nos homens e menor excitação nas mulheres. Em alguns casos, ajustes de dose ou troca da classe do medicamento podem minimizar o problema.

4. Anti-histamínicos que causam sonolência

Milhões de pessoas usam remédios para alergia sem imaginar que eles também podem interferir no sexo. Anti-histamínicos mais antigos, como clorfeniramina e difenidramina, atravessam a barreira hematoencefálica e bloqueiam neurotransmissores ligados à excitação e ao estado de alerta.

“Esses medicamentos bloqueiam a acetilcolina, essencial para a excitação sexual, além de causarem sonolência. Com isso, o desejo simplesmente desaparece”, explica o Patel.

A boa notícia é que versões mais modernas e não sedativas, como cetirizina, loratadina e fexofenadina, têm risco muito menor de causar disfunção sexual, embora algumas pessoas ainda relatem redução de energia.

5. Antipsicóticos

Usados no tratamento da esquizofrenia, transtorno bipolar e depressão grave, os antipsicóticos estão entre os medicamentos com maior impacto negativo sobre a vida sexual.

Estudos indicam que 45% a 80% dos homens e 30% a 80% das mulheres em uso dessas medicações apresentam algum grau de disfunção sexual.

“Os antipsicóticos mais antigos bloqueiam fortemente a dopamina, o hormônio do prazer e da recompensa. Isso afeta diretamente o desejo e o orgasmo”, explica Patterson.

Além disso, a queda da dopamina pode elevar a prolactina, hormônio que, em excesso, causa perda de libido, dificuldade de ereção, secura vaginal, infertilidade e até produção de leite fora da gravidez.

Existe solução?

Muitas pessoas acreditam que problemas sexuais são “o preço a pagar” pelo tratamento médico. Mas isso não é verdade.

“A saúde sexual faz parte do bem-estar geral. Seu médico quer ajudar e só pode fazer isso se souber o que está acontecendo”, reforça Patterson.

O profissional orienta a nunca interromper um medicamento por conta própria. Mas se sua vida sexual mudou após iniciar um tratamento, vale levantar o assunto com seu médico.

Procure orientação profissional de saúde As informações sobre saúde e bem-estar publicadas neste conteúdo têm caráter informativo e não substituem o diagnóstico ou tratamento feito por profissionais. Se você estiver com sintomas ou dúvidas relacionadas à sua saúde física ou mental, procure um médico ou profissional habilitado.