Bactéria perigosa pode estar vivendo dentro do seu ar condicionadoFoto: Imagem gerada por IA/ND Mais
Durante o verão, é quase irresistível buscar alívio perto do ar condicionado. No calor intenso, ele está presente em praticamente todos os ambientes: escritórios, shoppings, cinemas, carros e residências.
O que muita gente não imagina é que, junto com o conforto térmico, o aparelho pode expor os usuários a micro-organismos nocivos à saúde. Um dos mais preocupantes é a bactéria Legionella pneumophila.
Segundo o pneumologista Alexandre Kawassaki, do Hospital 9 de Julho, essa bactéria é a causadora da legionelose, uma doença pouco conhecida pela população, mas potencialmente grave.
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“Após ser aspirada, a Legionella se aloja nos alvéolos pulmonares e pode desencadear uma pneumonia intensa, com risco de complicações severas e até morte em casos extremos”, explica.
O diagnóstico da legionelose não é simples. Nos exames de raio X, as alterações costumam ser discretas, o que dificulta a identificação imediata da doença. Apesar disso, o paciente geralmente apresenta um quadro clínico bastante debilitante, o que levanta suspeitas.
Bactéria Legionella pneumophila pode causar vários problemas de saúdeFoto: Reprodução/ND Mais
Os sintomas iniciais incluem dor de cabeça, dores musculares e febre alta. Com a progressão da infecção, podem surgir tosse, falta de ar e dor no peito.
Diante desses sinais, a orientação médica é clara: procurar atendimento o quanto antes. O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento, que é feito com antibióticos específicos.
Grupos de risco e formas de contágio
Pessoas com mais de 45 anos, fumantes e indivíduos com o sistema imunológico comprometido fazem parte do principal grupo de risco para a legionelose.
Diferente de outras doenças respiratórias, a infecção não é transmitida de pessoa para pessoa. A contaminação ocorre por meio da inalação de gotículas de água contaminada.
É justamente nesse ponto que os aparelhos de ar-condicionado entram em cena. A água que se acumula nas bandejas dos aparelhos deve ser continuamente drenada. Quando isso não ocorre, forma-se um ambiente úmido e parado, ideal para a proliferação de bactérias.
A Legionella pneumophila encontra nessas condições a combinação perfeita para se multiplicar: temperaturas entre 20 °C e 45 °C e presença de nutrientes. O maior perigo está na aerossolização, quando pequenas gotículas de água contaminada são dispersas pelo sistema e inaladas por quem frequenta o ambiente climatizado.
Outras doenças respiratórias causadas pelo ar condicionado
A pneumologista Roberta Barcellos Couto, da Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo, alerta que o próprio ar gelado liberado pelo aparelho pode aumentar a vulnerabilidade do sistema respiratório.
“O ar frio resseca as mucosas das vias aéreas e paralisa o movimento dos cílios, que têm a função de expulsar impurezas. Isso facilita a entrada de vírus e bactérias no organismo”, detalha.
O próprio ar gelado liberado pelo aparelho pode aumentar a vulnerabilidade do sistema respiratórioFoto: Freepik/ND
Entre as doenças mais associadas ao uso inadequado do ar-condicionado estão resfriados, gripes, sinusites bacterianas, pneumonias e traqueobronquites. Pacientes com histórico de asma, sinusite crônica ou Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) podem ter seus quadros agravados pela exposição prolongada.
O problema não se resume à mudança brusca de temperatura. O principal vilão é o ressecamento das vias aéreas. “No inverno, o frio aumenta as doenças respiratórias. No verão, esse papel acaba sendo desempenhado pelo ar-condicionado”, observa Roberta.
Como se prevenir das doenças causadas pelo ar condicionado?
A limpeza adequada do aparelho é uma das medidas mais importantes de prevenção. Os filtros devem ser higienizados semanalmente e trocados, no máximo, a cada dois meses, para evitar o acúmulo de poeira e micro-organismos. Os dutos de ventilação também precisam de manutenção periódica.
Outras recomendações incluem manter o termostato entre 20 °C e 23 °C, evitar ambientes fechados e superlotados e reforçar a hidratação. “Beber bastante água e lavar o nariz com soro fisiológico ajuda a manter as mucosas úmidas. Umidificadores de ar também podem ser úteis”, finaliza a pneumologista.
Procure orientação profissional de saúde As informações sobre saúde e bem-estar publicadas neste conteúdo têm caráter informativo e não substituem o diagnóstico ou tratamento feito por profissionais. Se você estiver com sintomas ou dúvidas relacionadas à sua saúde física ou mental, procure um médico ou profissional habilitado.