A três dias do recomeço do julgamento da Operação Marquês, o novo advogado do antigo primeiro-ministro José Sócrates informou o tribunal de que se encontrava internado no hospital, razão pela qual dificilmente estaria em condições de estar presente naquela que seria a sua primeira sessão do caso. José Preto não indicou nenhum colega para o representar.
O recomeço está marcado para esta terça-feira, mas a juíza que dirige o julgamento, Susana Seca, só decidirá amanhã mesmo se pretende recorrer a um advogado oficioso para garantir a representação legal do arguido — que é obrigatória —, como já sucedeu aliás uma vez, ou se interrompe uma vez mais os trabalhos, que já estavam parados há perto de dois meses, desde 11 de Novembro, para permitir ao novo advogado inteirar-se do processo, depois de o anterior, Pedro Delille, ter renunciado ao mandato, em conflito com a magistrada. As férias judiciais de Natal ajudaram a esticar este interregno.
No requerimento que enviou ao tribunal, José Preto explica que foi internado de urgência a 27 de Dezembro e que está a ser submetido a tratamento, mas remeteu para um momento posterior a apresentação de comprovativo médico da sua situação clínica, confessando não estar preocupado com tais “minudências administrativas”.
E adianta que o colectivo de juízas encarregado do julgamento também pode mandar recolher essa informação junto do hospital onde está internado, uma vez que ele ainda não conseguiu obter essa documentação. Por fim, o representante legal de José Sócrates termina o requerimento explicando que, mesmo que tenha entretanto alta hospitalar, pode não estar em condições de comparecer esta terça-feira na sala de audiências do Campus da Justiça, em Lisboa.
É habitual que em situações em que estão impedidos de comparecer em determinado julgamento, seja por doença seja por terem serviço noutro local à mesma hora, os advogados deleguem a sua representação num colega. Quando entrou neste caso José Preto tinha pedido a Susana Seca que o julgamento fosse interrompido durante cinco meses e meio para poder estudar todo o processo, mas apenas lhe foram concedidos dez dias, mais o período das férias judiciais do Natal.