Creatina pode auxiliar tratamento de pessoas com depressãoFoto: Unsplash/ND
Conhecida principalmente pelo uso no fisiculturismo e em esportes de alto rendimento, a creatina chamou a atenção de cientistas em outro campo da saúde.
Um estudo recente conduzido por pesquisadores do Reino Unido e da Índia sugere que o composto pode ajudar no tratamento da depressão ao potencializar os efeitos da terapia cognitivo-comportamental (TCC). A pesquisa foi publicada na revista científica European Neuropsychopharmacology, em 2025.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 280 milhões de pessoas vivem com depressão no mundo todo. De acordo com os autores do estudo, esses pacientes possuem um desafio na hora de encontrar tratamento adequado.
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Entre um terço e um quarto dos pacientes não respondem adequadamente aos antidepressivos disponíveis ou abandonam o tratamento por falta de eficácia ou por efeitos adversos.
Como foi a pesquisa?
Como explica o estudo, a creatina é um composto orgânico encontrado naturalmente em alimentos de origem animal, como carnes e peixes, além de ser produzida pelo próprio organismo, principalmente no fígado e no cérebro.
Sua principal função é fornecer energia às células, principalmente às musculares e neuronais.
Estudos anteriores já haviam indicado efeitos antidepressivos em modelos animais e evidências preliminares de que a substância poderia potencializar medicamentos antidepressivos em humanos.
Principal função da creatina é fornecer energia às células, principalmente às musculares e neuronaisFoto: Aleksander Saks/Unsplash/ND
Para investigar essa possibilidade, os pesquisadores recrutaram 100 pessoas na Índia diagnosticadas com depressão de leve a grave. Os participantes não faziam uso de antidepressivos havia pelo menos oito semanas.
No início do estudo, todos responderam a um questionário padronizado que mede a gravidade dos sintomas depressivos, com pontuação que varia de zero a 27. A média inicial foi de 17,6 pontos, indicando depressão moderadamente grave.
Os participantes foram divididos em dois grupos. Um deles recebeu diariamente 5 gramas de creatina monohidratada por via oral, enquanto o outro recebeu a mesma dosagem de amido, utilizado como placebo. Ambos os grupos participaram de sessões quinzenais de terapia TCC ao longo de oito semanas.
Ao final do período, 30 participantes permaneceram em cada grupo. Houve redução dos sintomas depressivos em ambos, mas os resultados foram mais expressivos entre aqueles que receberam creatina.
Estudos anteriores já haviam mostrado que a substância poderia potencializar medicamentos antidepressivos em humanosFoto: Divulgação/Freepik/ND
Nesse grupo, a pontuação média caiu para 5,8, nível considerado de depressão leve. Já no grupo placebo, a média foi de 11,9, ainda classificada como depressão moderada.
Como a creatina pode ajudar a combater a depressão?
De acordo com os autores, a creatina pode aumentar os efeitos da TCC ao favorecer o funcionamento cognitivo e comportamental, além de exercer uma ação antidepressiva direta. O estudo aponta ainda que a substância foi segura e bem tolerada durante o período analisado.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que são necessários estudos maiores, com acompanhamento mais prolongado em populações diversas, para avaliar de forma completa a eficácia da creatina como complemento no tratamento da depressão.
Ainda assim, o artigo destaca o potencial da substância como uma alternativa acessível e de baixo custo, principalmente para pessoas com poucos recursos.
Procure orientação profissional de saúde As informações sobre saúde e bem-estar publicadas neste conteúdo têm caráter informativo e não substituem o diagnóstico ou tratamento feito por profissionais. Se você estiver com sintomas ou dúvidas relacionadas à sua saúde física ou mental, procure um médico ou profissional habilitado.