Historicamente cercada por preconceitos e estigmas, a epilepsia ainda é alvo de desinformação, o que contribui para o isolamento social e o sofrimento psicológico de milhões de pessoas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença atinge mais de 50 milhões de pessoas no mundo e cerca de 3 milhões de brasileiros. A conscientização e o acesso a informações corretas são fundamentais para desmitificar a enfermidade, ampliar o diagnóstico precoce e garantir tratamento adequado.
A epilepsia é uma doença neurológica caracterizada por descargas elétricas anormais e excessivas no cérebro, que ocorrem de forma recorrente e geram as chamadas crises epilépticas. Essas crises podem se manifestar de diversas maneiras, incluindo alterações da consciência, eventos motores, sensitivos ou sensoriais, autonômicos, como suor excessivo e queda de pressão, e até psíquicos, sendo percebidos tanto pelo próprio paciente quanto por pessoas ao redor.
Veja verdades e mitos, segundo a Liga Brasileira de Epilepsia (LBE):
Mitos
- A epilepsia é uma doença contagiosa
- Durante uma crise convulsiva, deve-se segurar os braços e a língua da pessoa
- Toda convulsão é epilepsia
- Epilepsia é uma doença mental
- Os pacientes com epilepsia não podem dirigir
- Durante uma crise devemos impedir que o paciente engula sua própria língua
- Convulsão e ataque epiléptico são sinônimos
- Epilepsia tem tratamento, mas não tem cura
- A saliva durante uma convulsão pode transmitir a doença
- Devemos dar dose extra do remédio ao paciente quando ocorre uma crise
- Pacientes com epilepsia têm dificuldades mentais
Verdades
- É possível manter a consciência durante uma crise de epilepsia
- O estresse é um fator desencadeador de crises de epilepsia
- Existem medicamentos capazes de controlar totalmente a incidência das crises
- A epilepsia pode acometer todas as idades
- O paciente com epilepsia pode ter uma vida normal
- As crises podem ser bem controladas com medicamentos
Dia Internacional da Epilepsia
O Dia Internacional da Epilepsia é celebrado na segunda segunda-feira de fevereiro e, neste ano, será lembrado no dia 9. A data tem como objetivo ampliar a conscientização, combater o preconceito e promover o acesso à informação de qualidade. De acordo com a OMS, cerca de 2% da população brasileira convive com a doença.
Conforme o Ministério da Saúde, a epilepsia é definida como uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, que não é causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos. Durante alguns segundos ou minutos, uma parte do cérebro emite sinais incorretos, que podem permanecer localizados ou se espalhar. Quando ficam restritos, a crise é chamada de parcial; quando envolvem os dois hemisférios cerebrais, generalizada. Por isso, crises menos evidentes não indicam, necessariamente, menor gravidade.
Diagnóstico
De acordo com o Ministério da Saúde, na maioria dos casos, o diagnóstico da epilepsia é clínico, realizado a partir de um exame físico detalhado, com ênfase nas avaliações neurológica e psiquiátrica, além de um histórico minucioso do paciente. O relato de testemunhas oculares pode ser fundamental para descrever a crise com precisão. Também são avaliados a presença de aura, fatores precipitantes, idade de início, frequência e intervalos entre as crises, muitas vezes com o auxílio de um diário.
A investigação inclui ainda histórico de eventos pré e perinatais, crises no período neonatal, crises febris, episódios não provocados e casos de epilepsia na família. Traumas cranianos, infecções e intoxicações prévias também devem ser considerados. Além disso, é essencial realizar o diagnóstico diferencial com outras condições que causam alterações súbitas da consciência, como síncopes, crises psicogênicas não epilépticas, isquemia cerebral aguda e enxaqueca.
Tratamento
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento integral e gratuito para pacientes com epilepsia, desde o diagnóstico até o acompanhamento contínuo, incluindo o fornecimento de medicamentos. O atendimento tem início, preferencialmente, na atenção primária, por meio das Unidades Básicas de Saúde espalhadas pelo país. Caso necessário, o paciente é encaminhado para serviços especializados de média e alta complexidade.
O tratamento é baseado, principalmente, no uso de medicamentos que controlam as descargas elétricas cerebrais anormais. Em situações de crises frequentes e incontroláveis, pode ser indicada a intervenção cirúrgica. Atualmente, existem 29 estabelecimentos habilitados em alta complexidade em Neurologia e Neurocirurgia no Brasil, com serviços voltados à investigação e cirurgia de epilepsia, oferecendo desde consultas e exames até tratamento clínico, cirúrgico, acompanhamento e suporte em UTI.
Como agir durante uma crise
Segundo o Ministério da Saúde, saber como proceder ao presenciar uma crise epiléptica é fundamental para garantir a segurança da pessoa e evitar complicações. As principais orientações incluem manter a calma, evitar que a pessoa caia bruscamente, colocá-la deitada em local seguro, proteger a cabeça, afastar objetos que possam causar ferimentos e mantê-la com a cabeça voltada para o lado, prevenindo sufocamento com saliva.
Também é importante não segurar os movimentos, não introduzir objetos na boca, não oferecer líquidos, não jogar água e não tentar acordar a pessoa à força. Deve-se permanecer ao lado até que ela recupere a consciência. Caso a crise dure mais de cinco minutos sem sinais de melhora, é indicado acionar atendimento médico de emergência.
A informação correta é uma das principais ferramentas para reduzir o estigma, promover inclusão e garantir mais qualidade de vida às pessoas que convivem com a epilepsia.