De acordo com o Expresso, Mota Oliveira declarou nos autos deste novo inquérito aberto pelo DIAP Regional do Porto que faturou cerca de 215 mil euros como custo da construção da casa de Luís Montenegro.

Nos processos do Departamento de Urbanismo da Câmara Municipal de Espinho, relativos ao imóvel da família Montenegro, constam dois outros valores, mas como um mero orçamento indicativo dos requerentes de construção nova ou de reabilitação urbana (o caso de Montenegro).

Em novembro de 2015, o arquiteto Diogo Coelho de Lacerda Machado informou a autarquia que o custo estimado para a moradia — com três pisos, 10 divisões e uma área de construção de 687 metros quadrados — seria de 343.500 euros. E em maio de 2016, uma alteração do projeto de arquitetura levou à construção de um piso subterrâneo mas a uma perda ligeira de área de construção que levou a um novo valor: 331.890 euros.

Já Luís Montenegro apresentou, em declarações ao semanário Expresso em novembro de 2025, outro número: 637.239, 59 euros. Este valor é muito pormenorizado e deriva, segundo o próprio Montenegro, da soma de todas as faturas relacionadas com a obra que o próprio primeiro-ministro pagou e que constam da plataforma E-Fatura da Autoridade Tributária.

José Marco da Cunha Rodrigues na sua foto oficial como presidente da Junta de Freguesia de Silvalde

Tratam-se de faturas relacionadas com a demolição, a construção e os acabamentos da vivenda onde a Luís Montenegro e a sua família residem.

De acordo com fontes próximas de Montenegro, a discrepâncias dos valores relacionados com o custo da obra resumem-se assim:

  • Houve três empreiteiros envolvidos no processo de demolição, construção e acabamentos, sendo que o Luís Montenegro contratou diretamente outros prestadores de serviços;
  • Logo, o valor referido pelo empreiteiro Rui Mota Oliveira (cerca de 215 mil euros) é apenas uma parte do custo total;
  • O valor adiantado por Luís Montenegro ao Expresso (637.239, 59 euros) representa o custo total e inclui os custos relacionados com as três fases da obra (demolição, construção e acabamentos) em que participaram mais que os três empreiteiros referidos.

Ao que o Observador apurou, o inquérito aberto pelo DIAP Regional do Porto está ainda no início e visa esclarecer, para já, duas questões criminais:

  • A origem dos fundos que permitiram a Luís Montenegro pagar a construção da sua moradia familiar;
  • E a alegada discrepância fiscal entre o custo da moradia assumido pelo construtor José Marco da Cunha Rodrigues em declarações prestadas ao DIAP Regional do Porto (215 mil euros faturados) e o custo faturado que o Luís Montenegro assumiu ao Expresso (637.239,59 euros).

O Observador confrontou por escrito Luís Montenegro com todos estes factos mas não obteve resposta até à ao momento da publicação deste artigo.

Fonte próxima de Montenegro assegura que José Marco da Cunha Rodrigues manifestou interesse em realizar a empreitada de construção da nova casa. Contudo, foi preterido face a Rui Mota Oliveira devido aos orçamentos apresentados — que o então líder parlamentar do PSD considerou elevados.

Cunha Rodrigues é militante do PSD e foi presidente da Junta de Freguesia de Silvalde durante dois mandatos, entre 2009 e 2017. Numa dessas eleições, o empreiteiro ganhou a junta para o PSD por apenas um voto. Luís Montenegro chegou a deter um imóvel nessa freguesia do concelho de Espinho, de acordo com as suas declarações de rendimentos, entregues no Tribunal Constitucional entre 2009 e 2018 e já reveladas pelo Observador.