“Comer com os olhos” é um ditado antigo, mas que encontra respaldo na ciência quando o assunto é alimentação saudável. A chamada “dieta das cores” tem ganhado espaço justamente por um princípio simples: as cores dos alimentos indicam a presença de diferentes nutrientes e compostos bioativos, essenciais para o funcionamento do organismo.
Frutas, legumes e verduras possuem pigmentos naturais que vão além da aparência. Esses compostos, conhecidos como fitoquímicos, estão diretamente relacionados a benefícios para a saúde. Estudos mostram que uma alimentação variada, com alimentos de diferentes cores, amplia a ingestão de vitaminas, minerais e antioxidantes, contribuindo para a prevenção de doenças crônicas e para o fortalecimento do sistema imunológico.
Os alimentos de cores alaranjadas e amarelas, como cenoura, abóbora e manga, são ricos em carotenoides, especialmente o betacaroteno. Esse composto é convertido em vitamina A no organismo, nutriente essencial para a saúde da visão, da pele e do sistema imunológico. Além disso, os carotenoides atuam como antioxidantes, ajudando a combater os danos causados pelos radicais livres e contribuindo para a prevenção do envelhecimento precoce.
Já os alimentos vermelhos, como tomate, morango e melancia, concentram substâncias como o licopeno, um antioxidante associado à proteção cardiovascular. Pesquisas indicam que esse composto pode ajudar a reduzir o risco de doenças do coração e de alguns tipos de câncer, ao combater o estresse oxidativo e proteger as células.
Os vegetais verdes, por sua vez, são ricos em clorofila e outros fitoquímicos com propriedades anti-inflamatórias e potencial efeito protetor contra doenças. Além disso, costumam concentrar vitaminas como a C e a K, além de minerais importantes. Estudos indicam que esses compostos podem contribuir para a desintoxicação do organismo e para o bom funcionamento celular.
A relação entre cor e nutrientes também é destacada por organismos internacionais. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), diferentes cores de frutas e vegetais estão associadas a diferentes tipos de fitoquímicos, cada um com funções específicas no organismo. Alimentos roxos e azuis, por exemplo, possuem antocianinas com ação antioxidante, enquanto os verdes apresentam compostos com potencial anticancerígeno.
Na prática, quanto mais colorido for o prato, maior tende a ser a diversidade de nutrientes consumidos. Especialistas apontam que variar as cores dos alimentos ao longo do dia é uma estratégia simples para garantir uma alimentação mais equilibrada. Isso porque dietas pouco variadas podem levar à deficiência de nutrientes importantes e aumentar o risco de doenças ao longo do tempo.