À beira de fazer 60 anos — falta pouco mais de um mês —, Carlos Cabreiro alcança o topo da pirâmide da organização que escolheu como local de trabalho aos 26 anos. Desde a sua entrada na Polícia Judiciária (PJ) passaram-se 34 anos, o país e o mundo mudaram radicalmente — muito devido à revolução tecnológica. E se há polícia que acompanhou esta mudança, foi o novo diretor nacional da PJ.
Especializou-se no combate ao cibercrime, foi o primeiro diretor da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica (UNC3T) em 2016 e a sua equipa tem sido uma das melhores equipas da Judiciária.
Independentemente do seu perfil mais discreto, a sua nomeação como sucessor de Luís Neves é vista com bons olhos internamente e representa uma solução de continuidade em relação aos três mandatos do agora ministro da Administração Interna. Porque também é o terceiro polícia consecutivo a liderar a PJ, depois de Almeida Rodrigues ter inaugurado este caminho em 2008. E com uma particularidade: manteve-se sempre nos cargos, apesar das mudanças promovidas pelo PS ou pelo PSD.
Afinal, quem é o novo diretor nacional da Judiciária, uma das organizações públicas com mais prestígio no país?
Carlos Manuel Antão Cabreiro tem 59 anos e nasceu numa pequena aldeia do distrito de Bragança, muito perto da fronteira com Espanha, Picote. Pertence ao concelho de Miranda do Douro, terra do mirandês, língua reconhecida oficialmente pela República. Não é certo que Cabreiro domine o mirandês, mas é claro que a língua é falada em Picote — tanto que as placas de sinalização estão em português e em mirandês.
O novo diretor nacional da PJ tem uma licenciatura em Direito pela Universidade Autónoma e uma pós-graduação em guerra de informação pela Academia Militar. Mas o seu principal estudo ao longo dos anos tem sido o acompanhamento da revolução tecnológica que mudou o mundo — e a criminalidade.
Após ter frequentado o curso de formação de agentes estagiários, Carlos Cabreiro foi colocado em 1992 como agente (sendo pouco depois promovido a inspetor) na antiga DCICFIEF — Direção Central de Investigação de Corrupção Fraudes e Infrações Económico-Financeiras.